Zerar o edital? 80% de 90% é mais que 70% de 100%.

Olá pessoal!


Os alunos costumam se preocupar muito em “zerar o edital”. Estudar todos os pontos, sem exceção. Acontece que o custo x benefício disso é questionável.

Existem tópicos de matérias mais complicadas que, pra entrar na sua cabeça, levarão umas 10 horas de estudo (ao longo de semanas ou meses, considerando todas as revisões). Isso pra acertar 1 ou 2 questões numa prova.


Porém, há outros que com 2 ou 3 horas você será capaz de pegar. Para acertar também 1 ou 2 questões.


Se o tempo é infinito, claro que vale estudar tudo. Porém, o tempo normalmente é finito. Mais do que isso, sua capacidade de retenção é finita. Você pode até estudar tudo, mas conseguirá gravar tudo? Saber tudo em caso de cair na prova?

O concurseiro costuma pensar que, ao estudar tudo de todas as matérias, simplesmente terá chance de acertá-las na prova. Porém, qual é essa chance? Naturalmente, quanto mais tempo ele gasta em uma matéria específica, maiores as chances. E se ele gasta pouco tempo em cada pra poder estudar muitas, fica com menos chances.


Eu sou professor de direito tributário. Praticamente só lido com direito tributário. Leio vários livros, artigos... já fiz, e comentei, milhares de questões da matéria. E vira e mexe erro alguma quando sai uma prova nova.


Então imagine o aluno que deu uma estudada UMA VEZ em um tópico de uma matéria que ele nunca tinha visto antes na vida?


Além disso, os alunos minimizam a necessidade de revisões. Estudar um volume absurdo de matéria hoje significa revisar esse volume amanhã, depois de 7 dias, de 30, 60, 90...


Estudar e não revisar direito acaba reduzindo ainda mais as chances de acertar questões daquela matéria na prova.


Uma conta que os concurseiros não costumam ponderar é a seguinte: 80% de 90% é mais do que 70% de 100%. Calma, eu explico.


Imagine uma prova de 100 questões, divididas por várias matérias. A intensidade com que você estuda cada ponto das matérias te dá um percentual de chance de acertar esse ponto na prova.


Se estuda tudo, mas era muita matéria, fica com uns 70% de chance de acertar 100% da prova. Ou seja, chance de atingir 70 pontos.


Porém, se você pega uma disciplina que ocupa 10% da prova e abandona, sobra tempo pras outras. Pode abandonar matemática, inglês, algo que seja peculiar e em que você tenha muita dificuldade. Sabe aquela matéria que não entra na cabeça? Quanto tempo te sobraria se você pudesse abandoná-la?


Você passa a ter, digamos, uns 80% de chance de acertar 90 questões. Chance de alcançar 72 pontos.


Percebe que suas chances aumentaram?


Você não precisa abandonar uma disciplina em si, até porque em muitos concursos existe nota mínima por disciplina, mas pode fazer esse exercício dentro de cada disciplina. Está estudando tributário pra Receita Federal? Que tal abandonar o ICMS, que é super chatinho, cheeeio de regrinha, e que tem a mesma chance de cair do IPI, que é infinitamente mais simples?


Conhecimentos bancários? Já pensou em abandonar o Acordo da Basileia?


Matemática financeira? Você pode ficar com o desconto comercial, e abandonar o desconto real. Melhor o que misturar os dois na prova. Mais vale um pássaro na mão...


Não é uma decisão fácil, e operacionalizá-la pode ser arriscado se o aluno não faz um bom estudo do que mais cai, daquilo que ele levaria mais tempo pra aprender, do peso de cada tópico, de cada matéria, enfim, o “dever de casa” de montar a estratégia de estudo.


Escrevi aqui mais para chamá-lo à reflexão, não para passar uma receita de bolo. O debate nos comentários, inclusive, será muito bem vindo!


Tenha isso em mente ao estudar. Ao fazer a próxima prova, se falhar, imagine como teria sido seu estudo se tivesse focado só nos 80% mais importantes da prova e deixado os 20% mais difíceis ou que menos caem pra lá.


Apenas reflita, e leve isso para seu próximo planejamento.


E na hora do desapego, do abrir mão, cantarole a musiquinha mais chiclete da atual geração de crianças...


Let it go, let it goooooo....


Prof. Ricardo Wermelinger

Direito Tributário, Sistema Financeiro Nacional e Coaching

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