Qual concurso escolher como foco?

Escolher um concurso como seu foco principal não é tarefa fácil. As variáveis são inúmeras, e isso geralmente é uma fonte grande ansiedade a angústia.

O que torna a escolha ainda mais difícil, é o fato de essa ser uma decisão pessoal, muito complicada de ser tomada através de influência de outras pessoas. O fator determinante para um pode não ser o de outro. O modo como o seu cônjuge enxerga a vida muito provavelmente é diferente do seu, assim como o do seu pai, mãe, irmão, filhos etc.

Muitas pessoas acabam levando em consideração o número de vagas, salário e percepção de dificuldades das provas como as principais questões na escolha. Destaco que essas 3 variáveis podem não demonstrar, de plano, o acerto da sua escolha.

O elevado número de vagas pode representar alta concorrência, com consequente dificuldade excessiva de aprovação.

O salário mais baixo com o sentimento de menor nível dos concorrentes pode ser ilusório.

Ou seja, essa escolha é mesmo complicada, e deve ser feita com parcimônia.

Ressalto ainda que não há escolha certa ou errada, mas apenas aquela mais condizente com as suas características.

Eu posso citar 3 momentos em relação às escolhas que fiz na vida em relação aos concursos e foco:

1º momento - Solteiro, 25 anos, morando com meus pais, estressado com a iniciativa privada e com dúvidas em relação à vida profissional.

2º - Solteiro, 27 anos, morando sozinho, ATRFB, seguro sobre o futuro da vida profissional.

3º - Casado, 34 anos, com a vida profissional organizada.


Reparou como o cenário é completamente diferente com o avançar dos anos? É impossível você ter o mesmo foco aos 25 anos e aos 34. A experiência de vida muda a sua cabeça e prioridades.


Eu poderia citar inúmeras outras situações e variáveis que muitos de vocês se encaixariam perfeitamente.


E em cada uma delas, o foco seria diferente em razão das necessidades imediatas, assim como de um planejamento mais voltado ao curto/médio prazo.

Voltando ao meu caso, no primeiro momento citado, o principal fator de escolha era algo que me tirasse da iniciativa privada o mais rapidamente possível. O salário não era o principal, pois eu era solteiro e morava com os meus pais, e não tinha pendências financeiras. O que eu queria na época era um cargo que me possibilitasse tranquilidade para estudar para um concurso melhor, sem stress, e ainda recebendo uma boa remuneração. A escolha foi pelo ATRFB em razão do número de vagas e bom salário. Não considerei, na escolha, as matérias a serem estudadas, lotação, crescimento profissional, estrutura do órgão etc.


Uma vez ATRFB, o momento mudou, e a principal variável para o estudo de um novo concurso foi, para mim, o fato de estar em um cargo que fosse o mais alto dentro de uma carreira. O leque foi ampliado então para o Ciclo de Gestão. Repare que para efetivar essa escolha, eu já dispunha de maior tranquilidade financeira e emocional, pois recebia um bom salário em um bom órgão, com estabilidade.

Aprovado na CGU, com os objetivos profissionais e financeiros estabilizados, a variável primordial de escolha em relação aos estudos voltou-se para a realização profissional de fato, e então a escolha pelo curso de Direito e atividades de ensino.

Eu sempre quis cursar a faculdade de Direito, mas me tornei Engenheiro Eletricista em um momento de pouca maturidade. A necessidade de sustento próprio e da família me fez seguir rumos que postergaram a realização pessoal e profissional, como acontece com muitas pessoas. Mas uma vez tranquilo, sigo a minha realização profissional sem cobranças externas.


Note como a experiência de vida influencia nas escolhas.


Muitas vezes, o concurso público se torna algo facilitador da busca pelo seu objetivo de vida. Realizar-se profissional sem salário é algo muito difícil. É lindo na teoria, mas muito complicado na prática. Realizar-se pessoal e profissional tendo um bom salário e estabilidade é outra coisa. Por isso vale a pena esse caminho.

Liste todas as variáveis em um papel, e tome o seu rumo da forma devida. Não fique mudando o tempo todo, e não se martirize demais, pois somente o futuro mostrará se você acertou ou errou.


O que você pode fazer hoje é aliar a racionalidade com a emoção, e escolher da forma como achar mais certo.


Um abraço. Prof. Bruno Fracalossi Coach