Por que você ainda não passou - e talvez nunca passe!

Neste exato momento milhões de pessoas estão estudando para concurso público no Brasil.


E uma coisa é fato. A maioria não irá passar.


Há pessoas que estão estudando agora que nunca chegarão perto de tomar posse num cargo público. Não estou fazendo terrorismo, mas me baseando em dados concretos. Como sei? Ora, é simples. Não há vagas para todos. A oferta de vagas quase sempre é esmagadoramente menor que o número dos candidatos. Ou seja, sempre haverá candidatos “sobrando”.


Apesar de ser assustadora, a relação candidatos versus vagas não é, em si, o motivo das pessoas não lograrem êxito no concurso de seus sonhos. A formação acadêmica, apesar de ajudar indiretamente, também não é a principal responsável pelas desistências ao longo do processo. São fatores relacionados à personalidade do indivíduo que mais contribuem para o sucesso ou fracasso dos candidatos.


De fato, quase sempre, é a própria pessoa que se autossabota durante a jornada. A maior parte dos que iniciam a marcha desiste por motivos aparentemente “inexplicáveis”, totalmente “alheios” à sua vontade.


Antes de mais nada, que fique claro que quem passa em concurso não é melhor que ninguém, nem mais inteligente. Há pessoas de má índole e babacas em todos os círculos sociais e econômicos. A aprovação não vai transformar você em algo que você já é.


No entanto, a pessoa que passa em concurso público apenas se comportou de uma forma que favoreceu sua própria aprovação. Veja que eu disse “comportou”, não disse “nasceu”. Comportamento é escolha e para você passar você deve fazer as escolhas certas.


Simplificando, nesse meio, há dois tipos de candidatos: os que desejam passar e os que querem passar. Se você estuda há algum tempo sem lograr êxito, muito provavelmente você apenas deseja passar. Não quer de verdade.


As pessoas que desejam passar e melhorar de vida representam a maioria dos candidatos. Elas desejam ter uma casa melhor, um carro mais bacana, usar roupas de marca, viajar, conhecer a Disney, enfim fariam de tudo para ter uma vida mais plena. Não há nada de errado em querer melhorar de vida e realizar sonhos materiais legitimamente. Não é disso que estou falando. As pessoas que querem também tem seus sonhos, assim como as pessoas que desejam. Entretanto, há diferenças básicas entre elas. E justamente são essas diferenças de comportamento é que definem quem vai conseguir derrubar o muro e quem vai ficar chorando pelos cantos.


Tome nota:


– Quem deseja passar não acredita de fato que vai passar. A pessoa que desejaria melhorar de vida estuda com o pensamento de que “quem sabe dá certo um dia”. Quem quer de verdade estuda com sangue nozói e o coração cabiludu. A pessoa que quer senta para estudar e age de uma maneira que aquele seu esforço vai, de alguma forma, produzir algum efeito positivo em sua vida. Quem deseja passar é um jogador. Quem quer passar é um soldado. E, de uma forma geral, nós validamos com atitudes aquilo que acreditamos. Se você se nutre com pensamentos positivos de esperança, você irá agir de forma a validar esses pensamentos. Quem não acredita que vai passar, não estará disposto a fazer o que for preciso o tempo que for necessário e criará uma série de restrições ao seu avanço. Vou dar um exemplo pessoal para você entender melhor o que é querer de verdade. Quando eu estudava, meu superior na Marinha me chamou para comunicar que minha casa na vila dos oficiais havia sido liberada, me deu os parabéns e perguntou quando eu iria me mudar. Agradeci e disse que não iria me mudar, pois iria fazer apenas uma mudança naquele ano, depois que eu fosse aprovado num concurso público (não havia nem edital na praça). Preferi pagar aluguel até o final do ano que me mudar para a vila dos oficiais. Acabou que foi justamente naquele ano que passei e me mudei definitivamente. Endossei com ações aquilo que eu acreditava.


– A vida dos que desejam é baseada no “mas”. “Eu adoraria passar para Auditor da Receita Federal, mas eu não gosto de Contabilidade”. “Eu queria tanto passar no concurso do BACEN, mas é tão difícil”. “Eu estou estudando, mas vai levar muito tempo, a concorrência é grande”. “Eu desejaria tanto passar para o TCU, mas nossa, é muito complicado”. A vida dos que querem passar é guiada por uma espécie de cegueira. Na verdade, o foco dos que querem passar é muito estreito. Eles veem a missão e nada mais. O restante (respeitando o bom senso natural) é obstáculo que deve ser ultrapassado. “Matemática? Eu aprendo. Uma hora eu aprendo”. “Concorrência? Tô nem aí, deixa eu estudar”. A pessoa que deseja passar dá ênfase aos obstáculos. A pessoa que quer passar dá ênfase na sua capacidade de continuar de alguma forma.


– Os que desejam adoram se fazer de vítimas. “A culpa é do CESPE, que tem esse estilo canibal”. “A culpa é do material que escolhi, professor ruim”. “A culpa é dos meus pais ou do meu marido/esposa, que não me dão força”. Agora eu pergunto a você: quem escolhe estudar ou não? Você. Quem decide se vai ver NETFLIX ou sentar na escrivaninha? Você. Quem escolhe agir ou não? Você. A culpa, quase sempre, é sua. Não quero dizer sempre, pois não conheço a vida de todo mundo. Mas, pelo que eu já vi, a responsabilidade pelo fracasso ou sucesso da jornada é da própria pessoa. Quem passa cria sua preparação e se sente responsável por ela. Não existem vítimas aprovadas.


- Quem deseja melhorar de vida e não quer de verdade arruma desculpa para tudo. Os “desejadores” são os mestres da racionalização. “Hoje não deu, porque meu trabalho, sabe como é, foi puxado”. “Hoje não deu, porque, nossa, esse friozinho dá uma vontade de comer uma pizza, né”? “Ah, preferi nem estudar, porque eu só tinha uma hora”. Quem deseja é mestre em apontar dificuldades. Quem quer é mestre em ignorar o drama. Ignorar a dor, o desconforto e as pequenas distrações pelo caminho. Como disse, foco estreito, foco na missão.


– Quem deseja vive com culpa do passado e do futuro. Quem não estuda, mas deseja melhorar de vida vive com culpa. Culpa de não ter estudado quando podia, claro. Mas culpa também com relação aos dias futuros que ele não estudará, pois quem deseja e não quer sabe que não vai estudar, tamanha a falta de fé em si mesmo. A única culpa que a pessoa que quer de verdade carrega é a de não ter estudado mais ontem, pois foi vencido pelo cansaço físico. Mas é uma culpa que nem é culpa direito. É apenas um sentimento de que poderia sempre um pouco mais. É o que impulsiona a pessoa que quer: querer melhorar sempre.


– Os que desejam passar sentem inveja de quem passa. Costumo escutar às vezes “não estudei hoje, porque o fiquei sabendo que meu amigo de infância passou e ele era mais burro que eu na escola. Isso me abalou”. Esse sentimento, na verdade, chama-se inveja e é muito feio. Observe as pessoas que passaram e deseje estar ali também. Sinta-se merecedor de servir ao lado das pessoas que você admira. Muitos deles serão seus colegas de trabalho daqui uns dias. Veja quais comportamentos as pessoas que passaram tiveram em suas preparações e tome para você os bons exemplos. Sentimentos mesquinhos de inveja e revanchismo nunca, na história da humanidade, levaram alguém a algum lugar. Não se compare e adote uma postura mais grata com relação à sua vida.


– Quem deseja se arrasta. Para quem não quer de verdade o momento do estudo é como uma tortura. Não estou dizendo que estudar para concurso é a coisa mais legal do mundo. Mas é o que precisa ser feito para ser aprovado. E se precisa ser feito, que tentemos encontrar prazer na jornada por dois motivos: (i) você não sabe quando vai passar e, portanto, estudar será a sua realidade por tempo indefinido e (ii) seu rendimento será muito melhor se estudar com vontade. Como disse, endossamos com ações aquilo que acreditamos. Se você acha estudar chato, você não validará sua crença através de seu comportamento. Repita com você mesmo: “estudar é massa! Vou aprender coisas novas, por meio das quais melhorarei de vida”! Pare de se arrastar e viva sua preparação. Se você não viver o processo, muito provavelmente não obterá o sucesso.


– A pessoa que deseja adora reclamar. Você já viu uma pessoa aprovada num bom concurso reclamando de tudo o tempo todo? “A matéria é chata, detesto estudar, o processo é injusto”. Talvez você tenha visto, mas eu nunca vi. Ao invés de reclamar, seja grato pela oportunidade que está tendo de se aperfeiçoar com seu próprio esforço. Você acaba atraindo o que emana. Se você reclama o tempo todo, você atrairá até você um monte de obstáculos. Você já notou como é sofrida a vida de quem reclama? Seja positivo e pare de reclamar!


– O pior de todos: falta de humildade. Às vezes recebo uns e-mails do seguinte tipo: “estou te escrevendo, pois quero ver como é esse negócio de coaching para concursos. Tô precisando passar num concurso logo”. Desse jeito mesmo, sem nem “bom dia”. Aí eu pergunto: “você estuda como”? A pessoa diz: “eu faço assim”. Eu digo: “talvez seja por isso que você não tenha passado. Isso é algo a ser corrigido”. A pessoa, quando responde, diz assim: “mas é assim que eu faço, são esses os livros que eu gosto, então é assim que vou fazer”. Então tá, né? Abra mão da necessidade de estar sempre certo e veja o que as pessoas aprovadas tem a lhe oferecer. Não precisa contratar um coaching. Não estou dizendo isso. Estou dizendo para você se abrir para novas possibilidades. Quando estava endividado e olhava para aqueles livrinhos de educação financeira na estante da livraria pensava comigo: “que chatice”! Mas o universo tem um mecanismo lindo para lidar com a falta de humildade e egos inflados: sofrimento. Quem não tem humildade de aprender, assim como eu não tive naqueles tempos sombrios, sofre até se ver numa posição em que a única saída é pedir por ajuda. Isso é lindo! Imagine se não houvesse essas engrenagens invisíveis por aí? Quantas pessoas com potencial ficariam anos batendo a cabeça na parede por falta de humildade. O sofrimento é uma oportunidade de crescimento.


Ninguém nasce com o direito legal de ser bem sucedido. Você tem que brigar pelo sucesso. Os cargos vagos não são tronos esperando por herdeiros, mas por guerreiros.


Quem quer passar de verdade entra para ganhar. Nós só conseguimos aquilo que realmente queremos. Querer é com o coração. Desejar é com a cabeça, com a razão. Você sabe que passar é o melhor para você, mas você não quer de verdade. Quem quer assume o compromisso firme de ser aprovado. Quem deseja, gostaria de ser aprovado.


Estudar para concurso não é um encontro de jovens. É preciso sacrifício com responsabilidade, comprometimento, estratégia e profissionalismo.


A partir disso, faça-se a seguinte pergunta: que tipo de vida eu quero levar? Vou abandonar meus sonhos? Vou perder a briga invisível que se desenrola na minha mente? Lute por aquilo que acredita! E endosse sua crença com ações.


Fiz um cartaz para ajudar você na sua caminhada. Que você nunca mais esqueça a diferença de quem quer e quem deseja e que você, todos os dias durante a sua jornada, escolha passar de verdade.


Abs!


Prof. Igor Oliveira Coach e Turma Elite