O valor da discursiva

Olá, pessoal


Hoje venho falar sobre o valor que tem sido atribuído às provas discursivas nos concursos públicos.

Antes, contudo, uma apresentação.

Sou Luciana Ferreira, servidora do Supremo Tribunal Federal, no cargo de Revisora de Textos. Desde 2009, faço a revisão de decisões e votos proferidos na Corte.

Minha carreira profissional sempre esteve ligada à redação de textos e, de certa forma, também aos concursos públicos. Como avaliadora de provas discursivas, trabalhei no CESPE/UnB e depois, já como servidora pública, no MEC/Inep, na equipe do Enem e do Enade.

Com muita satisfação, passo agora a integrar a equipe do Ponto, com o curso de redação de parecer para a Câmara dos Deputados, prova que será aplicada pelo CESPE e à qual foi atribuído um alto valor (170 pontos), o que corresponde a 39% do total de pontos de toda a prova; a objetiva de conhecimentos básicos vale 110 pontos e a de conhecimentos específicos, 160.

Esse é um exemplo de que as provas discursivas têm ganhado cada vez mais espaço nos concursos públicos e por isso exigem uma preparação séria.

Não raro encontro candidatos que investem muito no estudo dos conteúdos cobrados nas provas objetivas e deixam a discursiva em segundo plano. Já vi gente muito boa “morrer na praia” porque não deu a devida atenção à avaliação da redação.

No passado, essa talvez fosse até uma estratégia que funcionasse, porque as provas discursivas costumavam ser mais simples. Normalmente eram apresentados temas relativos a atualidades, sobre os quais o candidato deveria dissertar em um número pequeno de linhas. Havia também os concursos em que a redação era apenas eliminatória, bastava tirar a nota mínima, normalmente 50% dos pontos.

Mas, assim como o cenário dos concursos como um todo sofreu mudanças, a cobrança da parte discursiva também. E hoje o que se observa é a valorização da redação.

São comuns as provas com exigência de redação de notas técnicas, pareceres, estudos de casos. Nas carreiras mais expressivas, normalmente mais de um desses textos.

Não falo isso para desestimulá-los. Muito pelo contrário! Meu intuito é chamar a atenção para essa tendência de dar maior peso à parte discursiva e para o fato de que uma boa preparação pode fazer toda a diferença na classificação. Quem quer passar num concurso hoje não pode ficar alheio a isso.

E não só. O fato é que, entre as atribuições de boa parte dos cargos públicos, está a redação de algum tipo de texto. Logo, dominar as técnicas de redação, aprendendo a se expressar por escrito de forma clara e coerente, é imprescindível para o seu sucesso, tanto na aprovação quanto depois, com a possibilidade de crescimento na carreira.

É importante que saibam que não há segredos para se escrever um parecer, um relatório ou um estudo de caso, mas é preciso conhecer as técnicas e exercitar a redação, com empenho e disciplina, atentando-se para os critérios de avaliação das bancas. E o conteúdo específico que está sendo estudado para a prova objetiva será cobrado também na discursiva.

Portanto, meus caros, fiquem de olho na discursiva! A antiga dissertação ainda tem seu lugar, mas há novidades nas cobranças, e outros tipos de texto estão em alta. É hora de arregaçar as mangas e estudar, ou melhor, escrever!


Sucesso a todos!

Abraço e bons estudos.

Luciana


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