O fundo do poço

Às vezes nos encontramos em uma fase da vida em que parece que nada está dando certo. Por mais que a gente trabalhe, lute, as mudanças não chegam. É frustrante. É como se tivéssemos atingido o fundo do poço. A sensação de impotência e a falta de autoconfiança são enormes.


Mas antes de aprendermos a sair do fosso, temos que definir qual é a dimensão do nosso fosso. Será que esse fosso é realmente fundo demais que não conseguimos sair? De cara, vamos descobrir que esse fosso é o maior papo furado que existe.


A vida secreta do cérebro


Nosso cérebro tem uma vida secreta, que se desenrola nos bastidores da nossa realidade. Algumas de nossas percepções são totalmente distorcidas por mecanismos que já vêm com "defeito de fábrica". Se não entendermos o funcionamento desses mecanismos, nosso julgamento da realidade fica prejudicado.


Geralmente, quando nos sentimos na fossa, é porque estamos com um problema muito grande para resolver. Por exemplo, você tem que resolver a situação financeira de toda a sua família. Todos dependem de uma atitude sua e você se sente responsável por isso. O peso é gigante, chega a sufocar.


Ocorre que esses problemas, aparentemente grandes, não são bem processados pelo nosso cérebro. É como se eu perguntasse pra você o que você faria para encontrar a cura de uma doença ou a solução para a paz mundial. Por não conseguir processar imediatamente a informação, nosso cérebro pega um atalho, uma espécie de resposta pronta e prática, que nos permite tomar uma decisão, seja ela qual for.


Essa capacidade do cérebro, de criar atalhos diante de um grande quebra-cabeça, foi uma resposta evolutiva para um problema óbvio: nosso cérebro tem capacidade de processamento limitada. Para não nos deixar na mão, congelados sem resposta, a natureza inventou essas regras práticas poupadoras de tempo, que nos permitem simplificar o processo de tomada de decisão. É um auxílio bem útil, afinal, e usamos com frequência, ainda que não notemos.


É o "não notemos" que traz transtornos, pois se não estivermos cientes do que está acontecendo, geralmente a situação se apresenta mais feia do que realmente é, justamente por falhas de julgamento em situações específicas. Ou seja, somos afetados por reações automáticas do cérebro, que não temos tanto controle assim. E essas reações embaralham nosso pensamento lógico, avacalhando tudo.


Falhas de julgamento


Um desses atalhos que o cérebro toma se trata da confirmação. É quando encontramos qualquer coisa para confirmar nossos pressupostos. Se você se acha um candidato ruim, por exemplo, tudo que acontece contigo e que atenta contra sua preparação, automaticamente seu cérebro usa esse fato para validar seu julgamento. Isso ocorre quando você se acha despreparado, faz uma prova de concurso e sai mal, por exemplo. O cérebro usa sua reprovação para validar o argumento de que você é um candidato ruim, de acordo com seu entendimento. A resposta do cérebro sai pela sua boca: "sou uma droga mesmo".


O problema dessas confirmações é que elas ofuscam a realidade, ainda que os dados sejam favoráveis. Por exemplo, se você estudou dois meses para um concurso bem difícil e fez 60% da prova, ainda que você não tenha passado, convenhamos, né? Seu rendimento foi bem legal, tendo em vista o tanto que você estudou. Os dados lhe são favoráveis, mas você não consegue enxergar, pois tudo que lembra seu pressuposto (sou um candidato ruim) ofusca a realidade.


Percebeu a pegadinha? O fosso, na realidade, não costuma ser fundo demais. Seu cérebro vai confirmando seu julgamento e, a cada validação, como numa espiral, sua sensação de depressão só se agrava. É exponencial.


Nosso próximo artigo trará dicas práticas pra você não ser enganado pelo cérebro e conseguir escalar o poço de uma vez por todas.


Abs!


Prof. Igor Oliveira

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo