O começo do texto – que parto!


Diante das imensas dificuldades que tenho visto os alunos enfrentarem, escrevi o artigo que segue, para ajuda-los.

Corrigindo as redações dos meus alunos, observei que um fenômeno se repete. Começo a ler o texto e penso “coitado, esse aqui tem problemas para escrever, precisa melhorar muito”. De repente, a redação engrena, e o aluno se mostra um bom escritor, preciso, conciso, com amplo vocabulário. Nem parece que foi a mesma pessoa que redigiu aquele terrível primeiro parágrafo.

Isso acontece porque, para muitos, o início é muito difícil. Colocar a primeira frase no papel, ou redigir a introdução inteira, é um esforço muito grande. Depois que engrenam, contudo, o texto flui. A confiança aumenta, as palavras param de faltar, acaba aquele bloqueio criativo.

Isso é retratado em diversos filmes. Quantas vezes não vimos cenas de autores diante de uma página em branco, sem conseguir redigir a primeira frase? Ou então atirando folhas e mais folhas de papel na lixeira, com apenas um ou duas frases escritas em cada uma? Depois dessa fase, porém, só se ouve o som dos dedos correndo freneticamente pelo teclado, tal qual em uma competição de datilografia.

O problema dessa situação é que o examinador forma a opinião dele sobre o candidato logo no início. Ao ler uma introdução horrorosa, dificilmente ele vai acreditar que do outro lado há um bom escritor, ainda que o resto do texto demonstre isso. São poucos minutos lendo cada texto, a primeira impressão é a que fica. Digo por mim mesmo, nos cursos que ministro. E olhem que levo bem mais que poucos minutos para corrigir cada redação de aluno.

Precisamos dar um jeito, certo? Como?

Uma alternativa é escrever seu primeiro parágrafo na forma de esboço. Você irá rabiscar as primeiras ideias e frases sem se preocupar com o texto final. Em seguida, irá prosseguir no seu texto, vendo-o engrenar. Somente depois de tudo engatilhado, e da sua mão estar “aquecida”, é que retornará para dar contornos finais ao texto introdutório.

Existe um famoso autor, H.S. Becker, que afirma que escritores profissionais costumam reescrever cada texto de seus trabalhos pelo menos DEZ VEZES. Isso mesmo. Cada frase de um bom livro que você leia foi reescrita mais ou menos esse número de vezes. É uma grande ilusão – que beira a arrogância – achar que se produz um texto primoroso de primeira.

Claro que em provas de concurso não temos tempo para isso. Porém, quis trazer-lhes esse conhecimento para demonstrar que reescrever é um processo natural na redação. Escrita não é criatividade, é técnica. Use sua criatividade para ter as ideias que precisa botar no papel, mas confie na técnica para formata-las em um texto palatável.

Assim, por meio do bom uso do rascunho, podemos reescrever o trecho mais crítico – o início, ao passo que redigimos o restante praticamente de primeira, com ajustes ao passar a limpo. Com isso, aliamos a melhor técnica dos grandes autores ao controle do exíguo tempo de prova. Não dá pra reescrever tudo, certo? Então o faça apenas nas piores partes.

Você não usa rascunho? Nenhum? Olha, isso é um grande problema...

Matéria para o próximo artigo.

Bons estudos! Prof. Ricardo Wermelinger Direito Tributário, Sistema Financeiro Nacional, Redação e Coaching

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