O bom uso das conjunções


Olá, nobre leitor!


Seja sincero e responda à seguinte pergunta: “Você nunca ficou em dúvida sobre qual conjunção utilizar na hora de redigir uma frase e articular melhor as ideias nela contidas?”.


Neste artigo, eu pretendo ressaltar o importante papel que esses conectivos têm no estabelecimento da coesão e da coerência textual. O emprego inadequado de uma conjunção pode prejudicar a correção da frase e o sentido da mensagem que se pretende transmitir. Portanto é bom aprendermos um pouco mais sobre o assunto. Vamos lá!


Conjunções unem orações ou termos de uma oração. No desempenho desse papel, elas podem relacionar termos e orações sintaticamente equivalentes (as chamadas orações coordenadas) ou relacionar uma oração principal a uma oração que lhe é subordinada.


Compare os exemplos abaixo:


a) Pedro e Paulo saíram. (Os vocábulos “Pedro” e “Paulo” mantêm entre si uma relação de equivalência sintática; são, pois, termos coordenados entre si e pertencentes à mesma oração.)


b) Pedro foi ao cinema, porém desistiu no meio do caminho. (As orações “Pedro foi ao cinema” e “porém desistiu no meio do caminho” também estão em um vínculo de coordenação, embora sejam distintas.)


c) É preciso que estudemos. (Agora, a conjunção “que” estabelece uma relação de subordinação entre as duas orações: “É preciso” e “que estudemos”.)


Há palavras que podem pertencer a diferentes grupos de conjunções (e, que, porque, pois, porquanto, por exemplo). Mais importante do que memorizar as conjunções será observá-las em seus contextos e, a partir dessa observação, encaixá-las em um grupo.


CONJUNÇÕES COORDENATIVAS


Aditivas


e, nem, mas, também, mas ainda, como também, bem como


Adversativas


e, mas, porém, todavia, contudo, entretanto, senão, ao passo que, antes (= pelo contrário), no entanto, não obstante, apesar disso, em todo caso)


Alternativas


ou, ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer


Conclusivas


logo, portanto, por conseguinte, pois (após verbo), por isso


Explicativas


que, porque, porquanto, pois (antes de verbo)


CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS


Integrantes (introduzem orações que funcionam como substantivos)

que, se Adverbiais (introduzem orações que traduzem circunstâncias)

Causais)

que, porque, pois, como porquanto, visto que, visto como, já que, uma vez que, desde que, na medida em que.

Comparativas

como, (tal) qual, tal e qual, assim como, (tal) como, (tão ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos) que ou do que, (tanto) quanto, que nem, feito (= como, do mesmo modo que), o mesmo que (= como).

Concessivas

embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda quando, mesmo quando, poso que, por mais que, por muito que, por menos que, se bem que, em que (pese), nem que, dado que, sem que (= embora não).


Condicionais


se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que (= se não), a não ser que, a menos que, dado que.

Conformativas


como, conforme, segundo, consoante


Consecutivas


que (precedido dos termos intensivos tal, tão, tanto, tamanho, às vezes subentendidos), de sorte que, de modo que, de forma que, de maneira que, sem que, que (não).

Finais


para que, a fim de que, que (= para que), de modo que.


Proporcionais


à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais... (tanto mais), quanto mais... (tanto menos), quanto menos... (tanto mais), quanto mais... (mais), (tanto)... quanto.

Temporais


Quando, enquanto, logo que, mal (= logo que), sempre que, assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que, ao mesmo tempo que, toda vez que.


Analise como é possível este assunto ser cobrado em uma questão de prova:


(Consulplan/2016/Pref. de Cascavel-PR/Agente Comunitário de Saúde)


Em “Outras vezes os jovens não usam o preservativo quando em relacionamentos estáveis, justificando que seu uso pode gerar desconfiança em relação à fidelidade do casal, apesar de que, no mundo, hoje, o uso de preservativo nas relações poderia significar uma prova de amor e proteção para com o outro.” (3º§), a expressão destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por


a) senão.

b) embora.

c) visto que.

d) enquanto.

e) com o propósito de.


Comentário: a expressão destacada tem valor concessivo, ou seja, introduz uma ideia que contrasta com a informação anterior sem invalidá-la. Você não precisa do texto para perceber isso. Dentre as opções apresentadas, somente a conjunção embora preserva o mesmo sentido.


As demais opções prejudicam a mensagem original, pois expressam sentidos diferentes dela: ressalva (“a”); conclusão (“b”); tempo (“c”); finalidade (“c”).


Resposta: B.


Professor Albert Iglésia língua portuguesa

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