Entrevista com Aprovado - José Cláudio

Agente Fiscal de Rendas de São Paulo


JOSÉ CLÁUDIO é carioca, engenheiro mecânico e, desde a graduação, sempre trabalhou na iniciativa privada. Há cinco anos, porém, depois de trabalhar 16 anos numa mesma empresa, esta foi à falência. Graças à sua especialização e experiência, conseguiu logo em seguida novo emprego, novamente na iniciativa privada. Três meses depois, foi dispensado imotivadamente!


Essas duas demissões seguidas foram os incentivos para a mudança. O José Cláudio pensou, conversou com a família e elaborou o projeto: ingressar no serviço público, a fim de ter uma maior estabilidade e qualidade de vida. "Eu pensei: estou com 42 anos, tenho uma esposa e filha que precisam do meu apoio, não posso continuar nessa instabilidade", ponderou.


A partir daí, seu objetivo principal passou a ser a aprovação em um bom concurso público. Arrumou um novo emprego na iniciativa privada, só para a mantença financeira da família, mas nunca mais parou de estudar. Dia após dia, em todo o tempo disponível, dedicava-se aos estudos. Depois de quase três anos de muito estudo, foi aprovado para o cargo de Agente Fiscal de Rendas do Estado de São Paulo, cargo que atualmente ocupa, na cidade de Campinas - SP.

Agora, aos 47 anos, vivendo com a família uma nova fase de vida na cidade de Campinas - SP, ele nos concedeu a entrevista abaixo, com o fim de repassar sua experiência vitoriosa para outros candidatos do Brasil.

Vicente Paulo: Quando você foi demitido e decidiu preparar-se para concurso público você estava com 42 anos de idade. No seu concurso foram quase 30.000 candidatos. Você sentiu alguma dificuldade em concorrer com essa garotada, de vinte e poucos anos, que só faz estudar na vida?


José Cláudio: Em algumas ocasiões eu comentava com a minha esposa que eu deveria ter feito concurso há uns quinze anos atrás, quando minha cabeça era mais leve e o raciocínio mais rápido. Para superar isso tinha que ser melhor no modo de estudar, na vontade de superar esse desafio e saber aproveitar melhor o tempo disponível para o estudo. Não adianta ter o dia todo para estudar e não saber o que fazer com o tempo. A experiência de vida nesse caso ajuda a ter mais disciplina.

Vicente Paulo: Durante a sua preparação, você trabalhava durante o dia. Qual o segredo para conseguir conciliar trabalho e estudo para concurso?


José Cláudio: Força de vontade, apoio da família e acreditar no que está fazendo. Acreditar que se mantiver uma rotina de dedicação aos estudos você conseguirá seu objetivo.

Vicente Paulo: Em regra, como era a sua rotina diária, entre trabalho e estudo? E nos finais de semana, como você se programava para estudar?


José Cláudio: Inicialmente fiz um curso básico a noite, então só chegava em casa para dormir durante a semana. Nos fins de semana procurava dar atenção a minha família, mas aquele tempinho em que às vezes ficava à toa em casa acabou e era só estudo.Quando acabei o curso básico me dedicava praticamente todas as noites da semana aos estudos, até aquele futebol das quartas na televisão foi retirado da minha rotina. Quando era publicado o Edital do Concurso, aí eram tempos de "guerra". A dedicação tinha que ser total, eu ficava pedindo para que minha mulher e minha filha fossem passear para me deixar sozinho em casa estudando.

Vicente Paulo: Você tem esposa e filha. Durante a nossa conversa para esta entrevista, você disse uma frase que me emocionou: "quem passa em concurso é a família". Pelo jeito, elas foram muito importantes na sua aprovação. Como você discutiu o seu projeto com elas? E como elas encararam a sua decisão de mudar de vida, de passar a ser um concursando?


José Cláudio: Diante do que ocorreu na minha vida, uma empresa que faliu após eu ter trabalhado tanto tempo nela e depois o fato que mais me motivou a estudar, após três meses de trabalho em uma nova empresa, veio a demissão com essa desculpa: "o projeto para o qual você foi contratado foi adiado por causa da instabilidade financeira para novos investimentos". Depois disso tinha que pensar em dar um passo seguro para garantir não só o meu futuro, mas o da minha família também. Eu tinha certeza que só conseguiria se tivesse o apoio total delas, que o sacrifício não seria só meu e sim de toda a família. Por isso é que eu disse que quem passa em concurso é a família. Não adianta começar a estudar se não tiver o apoio total das pessoas mais próximas a você. E nesse ponto tenho que agradecer muito a minha esposa e minha filha.

Vicente Paulo: Vocês sentiram muito a mudança para o Estado de São Paulo, ou se ambientaram facilmente em Campinas?


José Cláudio: Uma mudança de bairro já é complicado, imagine uma mudança de Estado. Mas como eu falei anteriormente, ao iniciar o "projeto concurso" as pessoas envolvidas, no caso minha mulher e minha filha, já sabiam que isto iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Quando felizmente isto ocorreu, a mudança foi bem mais tranquila e Campinas também ajudou, pois é uma ótima cidade.

Vicente Paulo: Ao longo dessa jornada de quase três anos de preparação, certamente apareceram alguns pessimistas de plantão. Como lidar com eles?


José Cláudio: O que eu mais ouvia das pessoas era que concurso público era um jogo de cartas marcadas. Só passava quem "eles" queriam. Ouvia isso calado, deixava as pessoas falando, mas eu acreditava na seriedade dos concursos. Eu conheci pessoas que estudavam há mais tempo que eu e elas conseguiam passar!! Então era só continuar estudando com determinação que a minha hora ia chegar.

Vicente Paulo: Antes da sua aprovação no concurso de Agente Fiscal de Rendas de São Paulo, você já havia prestado algum concurso antes? Se sim, como você se saiu neles?


José Cláudio: Prestei o concurso para fiscal em Minas Gerais duas vezes, não passei por detalhes. Fiz o concurso para fiscal em Goiás e o de auditor da Receita Federal.