Entrevista com Aprovado - Aline Lorena Mourão dos Santos

Aprovada em 6º lugar nacional no concurso de AFT de 2004


A Aline, nos seus 23 anos, começou muito bem o ano de 2004: concluiu a faculdade de Direito na Universidade Federal do Ceará e foi aprovada no concurso de Auditor-Fiscal do Trabalho, em 6º lugar nacional.


Determinação e esforço não faltaram à Aline: ela começou seus estudos para o concurso de Auditor do Trabalho no início de 2003, enquanto cursava, simultaneamente, o último ano de sua faculdade de Direito, na Capital Fortaleza (CE).


E a recompensa por tanto esforço e maturidade não tardou: terminou a faculdade em janeiro de 2004 e, antes mesmo das comemorações pela graduação, recebeu a notícia da sua aprovação no concurso de Auditor-Fiscal do Trabalho.


Meus mais carinhosos parabéns à Aline, à sua família e a todos aqueles que colaboraram com essa bonita aprovação, fruto de um exemplo de maturidade e determinação, de uma menina que, desde cedo, sabe muito bem o que quer – e sabe, também, lutar pelos seus objetivos.


Que as respostas da Aline, abaixo, possam animar essa garotada e marmanjos por aí, que, muitas vezes, têm dificuldade de delinear bem o seu objetivo – e de batalhar firme por ele...


Prof. Vicente Paulo: De onde você tirou toda essa determinação, de já começar a estudar para um concurso de nível superior, de difícil aprovação, mesmo um ano antes do término da faculdade?

Aline: Bom, eu tive exemplos de pessoas que se formaram em direito e, por falta de determinação e também por se acomodarem, não conseguiram um bom emprego ou passar em um bom concurso, como esse de Auditor Fiscal do Trabalho e, então, ficaram trabalhando como profissionais liberais, o que hoje em dia se tornou bastante difícil devido à concorrência e aos tempos difíceis. Então, um ano antes do término da faculdade vi uma reportagem sobre o concurso de Auditor Fiscal do Trabalho e decidi me preparar com seriedade e não apenas, como alguns concursandos falam, “para ter uma experiência”.

Prof. Vicente Paulo: Você conversava sobre esse projeto, de ser aprovada no concurso de Auditor do Trabalho, com outras pessoas? Se sim, o que eles achavam da sua decisão, com tanta antecedência?

Aline: Sim. Meus colegas mais próximos já achavam que eu iria conseguir passar nesse concurso, pois eu só pensava em estudar para ser uma Auditora Fiscal do Trabalho. Todos me achavam bastante determinada e acreditavam que eu estava exagerando, pois enquanto eles só pensavam em organizar a festa de formatura, eu só queria saber mesmo era de passar nesse concurso. Não acho que eu exagerei nos estudos não, faria tudo novamente se fosse preciso, pois como diz o professor William Douglas, nós não devemos estudar para passar, mas sim até passar. Nos momentos de folga do estágio, eu costumava tirar questões de concursos anteriores em sites da Internet, o que acho super importante para uma boa preparação. Eu costumava resolver muitas questões de concursos passados, principalmente das matérias que teriam maior peso na prova.

Vicente Paulo: Você é uma típica “nerd”, dessas que só fazem estudar na vida, ou considera-se uma pessoa normal para sua idade? (peço desculpas por perguntar isso, mas há quem pensa que só passam em concurso pessoas que não fazem mais nada na vida, a não ser estudar).

Aline: Me considero uma pessoa comum, que passa por problemas e que tem obrigações diárias para dar conta (todos nós podemos passar em um bom concurso, é só ter determinação). Não me considero uma típica nerd não, pois gosto de ir à praia aos domingos, adoro ir ao cinema, assisto novelas e outras bobagens da TV, adoro viajar e costumo sair com os amigos nos finais de semana. Enfim, não precisei deixar de fazer nada disso para conseguir obter a minha aprovação. Durante a semana eu mantinha um horário de estudo rigoroso, mas nos finais de semana era minha hora de relaxar. O que é realmente necessário é saber organizar o seu dia e, então, você terá tempo para estudar e também para o lazer.

Prof. Vicente Paulo: Fico imaginando a alegria, a realização dos seus pais com essa sua vitória. O que eles estão achando de terem uma filha Auditora-Fiscal do Trabalho tão cedo nas ruas?


Aline: Minha mãe está radiante. Ela sempre ficava brigando comigo porque eu perguntava diversas vezes ao dia se ela achava que eu iria conseguir passar. Ela brigava comigo, dizia que não era para eu ficar nervosa e falava que se eu não conseguisse passar, ninguém mais passaria, pois minha dedicação a esse concurso foi total durante todo o ano de 2003, eu já estava estudando mais de dez horas por dia, nos dias anteriores à prova. Acredito que meu pai ficou bastante surpreso, pois consegui no ano de 2003 concluir meu curso de direito em quatro anos e meio (o período normal de duração do curso é cinco anos), passei no concurso de Auditor Fiscal do Trabalho muito bem classificada e ainda passei no concurso de Analista Judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região em 7º lugar.

Prof. Vicente Paulo: E quanto a você, qual foi a sua sensação, ao ver que havia sido a 6ª colocada num concurso de âmbito nacional, disputado por milhares de candidatos preparadíssimos, em todo o Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília etc)?


Aline: Eu chorei. Foi uma emoção única. Eu sonhava com esse cargo e achava muito, mas muito difícil mesmo o concurso, já que foram quase 30.000 inscritos para 150 vagas e a matéria que iria cair era enorme. Eu não imaginava ficar em uma colocação tão boa, pois eu iria concorrer com pessoas de todo o Brasil, dos grandes centros preparatórios, como São Paulo e Brasília.


Prof. Vicente Paulo: Qual a sua visão dos jovens, como você, que se preparam para concurso? Eu, às vezes, acho que falta um pouco de maturidade, de saber exatamente o que se quer. Pessoas inteligentíssimas, mas que não são aprovadas por falta de regularidade nos estudos, de definição de um objetivo claro. Você também acha isso ou eu estou equivocado, tornando-me um velho careta? (pode falar abertamente, criticar minha opinião, sem censura, ok?).

Aline: Eu admiro essas pessoas que seguem um objetivo até conseguirem sua realização profissional. Conheço muitas pessoas, concurseiras mesmo, que compram bons materiais de estudo, fazem cursos preparatórios, mas que não conseguem passar, pois ficam “pulando de galho em galho” sem ter uma definição. Hoje em dia não dá para você se dedicar a vários concursos ao mesmo tempo, pois os conteúdos previstos nos editais estão cada vez maiores, o que exige uma dedicação exclusiva a um só.


Prof. Vicente Paulo: Qual foi o seu maior acerto durante a preparação? O que você considerou decisivo na sua aprovação?

Aline: Eu comprei bons livros e apostilas, resolvi bastantes questões, consegui dividir bem o tempo de estudo para cada matéria. Acho que esses foram os meus maiores acertos. Para uma boa preparação o que conta é a qualidade de estudo e não a quantidade, por isso acho primordial a escolha do material certo, direcionado a