Entrevista com Aprovado - Alexandra Holanda e Geraldo Ribeiro

Conheci o casal em 1996, quando retornei a Brasília para a minha preparação para o concurso de Auditor da Receita daquele ano. À época, só a Alexandra estava em Brasília; o Geraldo ainda estava na luta em Fortaleza, tentando o seu deslocamento para a Capital da República. Eu e a Alexandra trabalhávamos juntos, como Técnicos da Receita Federal, e começamos então a trocar ideias sobre concursos públicos.

Para mim, falar da Alexandra e do Geraldo não é tarefa fácil, pelo carinho e imensa, mas imensa mesmo, admiração que tenho por eles. Quando li as respostas por eles enviadas (eles não estão em Brasília atualmente), a emoção tomou conta, por lembrar da época em que estudamos juntos...


Conheci o casal em 1996, quando retornei a Brasília para a minha preparação para o concurso de Auditor da Receita daquele ano. À época, só a Alexandra estava em Brasília; o Geraldo ainda estava na luta em Fortaleza, tentando o seu deslocamento para a Capital da República. Eu e a Alexandra trabalhávamos juntos, como Técnicos da Receita Federal, e começamos então a trocar idéias sobre concursos públicos.


Mesmo numa “dureza” de dar dó (meu dinheiro era absolutamente contado para aluguel, livros e cursinhos, estes financiados a perder de vista!), fui aprendendo com eles que passar num bom concurso exige investimento, sacrifícios. Eles me ajudaram muito nessa época, emprestando livros, repassando provas de concursos, dando dicas sobre professores de Brasília (este presta, esse não presta, aquele é um embromador!) etc.


A partir daí, tivemos muita história: graças a Deus, fui aprovado logo no concurso de Auditor de 1996, oito meses após o início da minha preparação. Aqui, registre-se, não se deve a ser mais “inteligente”, isso ou aquilo não: simplesmente eu estava na luta há mais tempo, havia sido aprovado recentemente para o concurso de Técnico da Receita, tinha estudado muito a maioria das matérias. Ademais, eu havia estudado antes em Brasília, uma cidade que respira concurso público; eles estavam chegando de Aracati (CE), uma cidade que respira mar, carnaval, o paraíso canoa quebrada etc.


Em 1998, o Geraldo foi aprovado para AFRF, fato que tive o privilégio de noticiar: liguei para ele da Esaf de Porto Alegre (RS), de manhãzinha, dando a notícia...


No ano de 2000 começou a luta da Alexandra, quando ela terminou a faculdade de Economia. Como cearense danada de decidida, optou por estudar para um só concurso, o de Auditor do INSS. Estudou, estudou, estava pronta para o concurso do INSS de 2001; cheguei a falar com ela que apostaria R$ 10.000,00 contra R$ 100,00 que ela seria aprovada entre os três primeiros colocados no concurso, tamanha havia sido sua preparação para esse certame, mesmo estando grávida no período...


Mas as coisas não aconteceram como planejado: no sábado véspera do concurso (as provas eram domingo), o Vinicius (seu filhinho) resolveu dizer um “olá” um pouco antes da data prevista, e a Alexandra, com o parto, não teve como fazer o concurso. Se por um lado lá se foram meses e meses de estudo sem poder fazer a prova, por outro, a alegria foi imensa: o “cearazinho apressado” é a coisa mais linda do mundo, cheio de saúde e alegria, e deu ainda mais pique à Alexandra para a continuidade dos estudos. Deus sabe o que faz, não devemos esquecer isso...


Determinada e teimosa, continuou estudando só para o Auditor do INSS, sem sequer olhar para outros concursos. Quando saiu o edital do AFRF 2002, falei com ela e o Geraldo: “se a Alexandra parar de estudar para o INSS nesses 40 dias até a data da prova do AFRF, der uma olhada nas matérias específicas, aposto, de novo, os R$ 10.000,00 contra R$ 100,00 que ela passará nesse concurso!” Acabei por convencê-la disso e o resultado não foi outro: 5º lugar no concurso!


Agora, próximo ao edital do INSS, aposto, de novo, os mesmos R$ 10.000,00 contra R$ 100,00: se a Alexandra quiser passar, é só fazer a prova, nem precisa abrir os livros, nenhum dia, nem por um minuto...


Para fechar, gostaria de deixar registrado que das coisas que eu construí nos últimos tempos, em termos de concursos públicos, certamente devo uma parcela a eles, pela ajuda, pelo incentivo carinhoso que sempre deram ao meu trabalho. Obrigado por tudo, e que Deus retribua em dobro, a vocês e ao Vinícius (que já é um imenso presente de Deus), tudo o que fizeram por mim.


A seguir, as dicas dessas duas pessoas admiráveis, que transbordam determinação e otimismo, qualidades imprescindíveis para a aprovação num bom concurso público.


Vicente: A vinda de vocês para Brasília foi motivada por concurso público?


Alexandra e Geraldo: Sim. Inicialmente vamos fazer um breve histórico da nossa luta. Morávamos em Aracati, cidade famosa por abrigar um dos melhores carnavais do nordeste e que se localiza a 120 km de Fortaleza e a 18 km de canoa quebrada, praia conhecida internacionalmente e que já foi inclusive cenário de filme nacional. Logo, vivíamos envolvidos por uma atmosfera muito sedutora. O apelo da farra, do bar, da dança e dos amigos era muito forte e abrir mão disso não foi decisão fácil de se tomar. Ocorre que, se por um lado vivíamos dias tranqüilos, sem estresse, por outro, também não tínhamos perspectivas, éramos inconformados, pois queríamos galgar uma posição profissional, financeira e social que nos confortasse. Assim, só nos restou uma alternativa: procurar um centro em que pudéssemos nos preparar para concursos e que, além disso, esses fossem oferecidos. Optamos então por Brasília, e quão sábia foi nossa decisão...


Entretanto, as dificuldades ainda estavam por vir. A primeira delas foi “largar a família” como se fala no nosso nordeste, e com um detalhe: não foi consensual essa despedida, pois família nordestina gosta mesmo é de “ver” e “ter” todo mundo por perto, mas não podíamos hesitar e foi quando meditamos e concluímos que devíamos deixar um pouco de lado a emoção e agir com a razão. Assim, mochilas nas costas e pé na estrada. Chegando em Brasília, sem amigos, parentes e aderentes, tudo novo, aterrissa o fantasma da desilusão - e como conseqüência, a vontade de voltar para o ninho. Com o passar dos dias, fomos aumentando o ciclo de amizades e já fazia parte do nosso cotidiano viver os concursos, que em Brasília, sem sombras de dúvidas, sempre se repetem. Aqui, vive-se concurso. É no trabalho, no clube, no supermercado, na missa e até na boate! Brasília sempre foi assim, é assim e sempre será assim. Brasília é o coração da Administração pública federal; logo, concursos aqui fazem parte de sua rotina, sem falar que os quadros do serviço público estão em constante renovação. Assim, podemos dizer: Brasília foi fator decisivo em nossa caminhada.


Vicente:Ouço direto em sala de aula reclamação de pessoas que dizem não ser aprovadas pelo fato de trabalharem durante o dia, ou por terem filhos, que não dão tempo para nada. Vocês trabalhavam durante o período da preparação e também têm filho pequeno. Como faziam para ter uma regularidade nos estudos?