Elegância

Um dos tipos de e-mails que mais recebo é me pedindo para escrever algo sobre como lidar com pressão. Ou seja, como conseguir manter o autocontrole e desempenhar suas tarefas, com qualidade, em momentos de tensão. Exemplos: como conservar a tranquilidade após a abertura do edital ou mesmo durante seu estudo regular enquanto devendo cheque especial ou tentando conciliar os estudos com filho pequeno e trabalho puxado.


Eu chamo essa habilidade única de “elegância”.


É difícil definir elegância. Para tanto, vou utilizar de um exemplo real, que aconteceu comigo.

Meu avô realizou a grande passagem após lutar por dois anos contra um câncer agressivo.

Todas as vezes que eu entrava no quarto do meu avô, ele, já acamado, tentava se levantar em vão e me dizia: “ô Igu, repara não eu não poder levantar para te dar um abraço”.

Pensava comigo quanta doçura havia no coração de meu avô. Quanta coragem. Tomando morfina o dia todo, fazendo caretas de dor, impossibilitado de andar, ainda pedia desculpas por não poder ficar de pé e me dar um abraço.


Nunca vi ele reclamar de nada. Quando perguntava como ele estava, sempre respondia: “está tudo ótimo”! E completava: “tenho uma família maravilhosa” ou então “está fresquinho hoje”. Frase clássica do meu avô: “tá ruim, mas tá bom, né”?


Meu avô sempre mantinha esse tom cerimonioso e calmo nas palavras.


Ele não julgou a doença, nem o estado em que se encontrava. Ele ignorou a dor e focou naquilo de bom que ele tinha. Em resumo: ele cumpriu sua missão com elegância.


Assim são as pessoas elegantes. Elas não se preocupam em vencer ou perder, mas em apenas fazer o que precisa ser feito. Como elas não julgam, não há fácil, nem difícil.


Há apenas a missão. Matemática não é difícil. Nem fácil. É apenas matemática. Alunos elegantes rapidamente se recuperam depois de uma reprovação, pois entendem que reprovações e erros, quando bem aproveitados, os tornam mais fortes.


Elegância é esse estado pacífico e nobre de fazer o que precisa ser feito, com orgulho e disciplina, sem julgamentos. Não é um conceito que possa ser entendido intelectualmente. É uma habilidade para ser aprendida com o exemplo e aperfeiçoada com a própria experiência. Por isso que é difícil de explicar.


E essa foi a grande lição que meu avô me ensinou: “mesmo diante do perigo maior, de perder sua vida sem poder lutar, mantenha o bom humor, a calma, a elegância”. No enterro do meu avô fiquei triste, mas mantive a elegância, em homenagem às lições aprendidas.


Há pessoas que, com muito menos, como um corte no pé ou uma questão de contabilidade, por exemplo, dão show, fazem chilique. Julgam-se ansiosas, incapazes, impacientes, que não podem esperar. Desistem na primeira derrapada. Tem medo de não serem reconhecidas ou não serem bem vistas ao falhar. Esperam aplausos o tempo todo e imploram aos céus para ver rapidamente o resultado de seus esforços.


Para passar num cargo grande, você tem que ser grande, maior que o cargo. Não é uma questão de estudar apenas, pois isso você aprendeu (ou não) durante sua vida escolar. É uma questão de atitude. Ou de elegância, como preferir.


Abs!


Prof. Igor Oliveira

Coach