Amanhã eu desisto, porque hoje eu não posso!

Quando iniciamos nossos estudos para um concurso público, a gente se empolga muito. Há um clima de euforia no ar, típico da sensação de estreia. Com efeito, a possibilidade de melhorar nossa situação de vida parece boa demais e um desejo incontrolável de estudar aparece dentro da gente.


No entanto, com o passar do tempo, a verdade é que o estudo diário vai ficando meio monótono, repetitivo. De fato, quase todos os dias são iguais ou bem parecidos. Soma-se ao tédio os probleminhas corriqueiros que todos temos, como aborrecimentos no trabalho ou uma gripe persistente, por exemplo.


Esse “combo” vai, aos poucos, minando nossa capacidade de continuar na jornada. Começamos a ficar cansados e a se questionar “será que todo esse esforço vale a pena”?


Nesses momentos, quando chegava em casa exausto do trabalho e meu filho de dois anos clamava indócil pela minha presença, uma postura que adotava para conseguir estudar e que se revelou muito eficaz era repetir pra mim mesmo: “amanhã você desiste Igor, porque hoje você não pode”. Eu fingia que amanhã iria dar uma pausa só para conseguir estudar hoje. Creio que a sensação de que seria necessário estudar apenas um dia me ajudava a fazer o que tinha que ser feito naquele dia.


No dia seguinte, claro, eu fazia a mesma coisa. A ideia por trás disso é simples: você posterga a vontade de desistir e cumpre sua missão hoje. E como o dia de hoje é real, você acaba estudando quase todos os dias.


Até hoje eu utilizo essa prática. Abaixo dois exemplos:


- na natação. No inverno a água é gelada. Como eu levanto às 05h, largar a cama quentinha é um teste de resistência. Ao levantar, uma voz sedutora e aveludada surge na minha cabeça: “desiste, pra que sofrer com a água fria Igor, durma mais um pouco, a cama está ótima”. Eu rebato imediatamente: “amanhã eu desisto, pois hoje eu não posso”. Antes de pular na água, aparece a mesma voz tentando me sabotar: “o que você está fazendo aqui, pra que isso? Veja como está frio”? Novamente eu penso: “amanhã. Hoje não. Hoje eu vou nadar”. E pulo. E prossigo.


- na corrida. Hoje corri minha primeira corrida de rua. Foram 10 Km. Várias situações aconteceram que poderiam sabotar minha estreia.


1) nesta semana, escorreguei no banheiro do clube que eu nado e um azulejo cortou meu calcanhar. Quando completei 5 Km de prova, o meu calcanhar começou a doer muito. O corte latejava. Deu vontade de caminhar, mas daí eu pensei: “amanhã eu caminho, porque hoje eu não posso”. E segui em frente.


2) como a prova era no Rio e eu moro em Niterói, decidimos dormir na casa do meu irmão, que mora perto da prova e iria correr também. Ontem, indo pra casa dele, eu me desentendi com minha esposa. Quase nunca nos desentendemos. De fato, nós nos damos muito bem. Mas ontem, como se fosse um teste ao meu psicológico, nós nos desentendemos. Sabe aqueles desentendimentos que no final ninguém sabe o que está acontecendo direito? Então, foi desse tipo. Quase desisti da corrida. Cheguei a virar o carro, mas respirei fundo e pensei comigo: “corra, cumpra sua missão, desista amanhã, porque hoje não dá. Depois você vai se entender com ela mesmo”. Dito e feito. Deu tudo certo. Em poucos minutos estávamos bem novamente e eu corri a prova. Ainda ganhei um “parabéns” da patroa.


Todo momento você tem uma escolha. Você pode ser um pouco melhor, empurrar você até o próximo degrau ou então focar nos obstáculos e desistir. Independentemente do que escolher, isso vai influenciar seu destino. A vida não vai parar para você estudar. Ela não vai facilitar. Os alunos sempre reclamam que “logo agora que eu decidi estudar sério várias coisas acontecem para atrapalhar professor”. Mas isso é justamente o que torna a vitória saborosa: a superação diária desses obstáculos. Se você desistir de estudar ou de lutar hoje, você estará deixando um pedacinho seu no passado. Dependendo do caso, talvez você não terá mais forças para resgatá-lo e irá conviver com essa culpa pra sempre.


Há uma chama dentro de cada um de nós. Ela nos impede de desistir quando as coisas ficam feias ou saem fora do planejado. A soma dessas pequenas vitórias diárias alimenta esse fogo. Quando ele se transforma em tempestade você fica tão autoconfiante a ponto de não apenas querer vencer a luta. Você a deseja. Você quer brigar. Você quer guerra. Você não sai de uma derrota gentilmente. Você quer ir além e ser testado. Você passa a não ter medo dos desafios, mas cria dentro de você a certeza de que eles é que devem ter medo de você.


Quando consigo sobrepujar essas forças que dizem pra mim que não vou fazer, não vou conseguir, eu me sinto um herói do povo. Não por ter vencido outras pessoas, mas por ter vencido eu mesmo. Quando sou desafiado, eu me sinto na obrigação de defender a tradição a qual fui iniciado há 10 anos quando recebi minhas platinas de fuzileiro. A tradição de nunca desistir. Mais que isso, eu cultivo minha autoconfiança e alimento minha chama. Você pode ter uma motivação semelhante, um orgulho próprio. O importante é nunca deixar sua autoconfiança ser ferida.


Encontre uma desculpa para vencer, pois hoje você não tem o direito de desistir de você mesmo!


Abs!


Prof. Igor Oliveira Coach

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