A Colheita

Em quase todos os projetos que iniciamos, criamos um filme mental de como será o desdobrar das tarefas até atingirmos nosso objetivo. Se vamos fazer uma dieta ou estudar para um concurso público, concebemos, através desse filme mental, um mundo imaginário onde tudo irá se desenrolar sem maiores transtornos. No filme mental, não há obstáculos, matérias difíceis, ou, se existem, serão facilmente ultrapassados. Geramos uma expectativa de que tudo irá sair como desejamos e nos apegamos a isso.

O apego à necessidade de ser feliz, sem muito esforço, traz a reboque a necessidade de controle. Desejamos ter o controle amplo sobre todo o resultado de nossas ações e não toleramos quando as coisas não saem como planejamos.

Tenho me deparado, ao longo da vida, com muitos adultos que não aceitam o fato de que a vida, em todos os seus aspectos, não é uma máquina de sonhos e que felicidade não é direito adquirido de nascença. Quando o filme mental não casa com a realidade, emburram e empacam. Sentem-se injustiçados, como se alguém os devesse alguma explicação. A morada das frustrações, decepções e desistências é o local onde filme mental não casa com a realidade.

Tenho compaixão quando testemunho pessoas grandes angustiadas, dando chilique, porque não acertam uma questão de matemática ou tem dificuldades em entender contabilidade ou de ler com atenção textos grandes em provas de português da FGV ou ESAF (quanta novidade).

Essas pessoas iniciam suas preparações com a expectativa de que terão controle sobre tudo que acontecerá e não aceitam o fato de que não é possível condicionar a realidade, seja ela qual for.

A postura mais lógica e realista é aquela que trata os projetos ou tarefas como plantas. Numa plantação, você tem controle sobre tudo que injeta nas plantas. Você pode determinar o nível de nutrientes do solo, a quantidade de água, eliminar pragas ou até manipular a luminosidade a fim de garantir o crescimento adequado do conjunto. No entanto, apesar de todo esse esforço e precisão, você não controla a maneira exata como cada planta vai crescer. E assim são nossos projetos, nossa vida. Você pode ter a melhor bibliografia, os melhores professores, estudar da maneira mais concentrada possível, mas ainda assim você não saberá quando passará ou em que passará. Você pode até imaginar, como o próprio fazendeiro imagina, mas você não terá certeza. E se tentar se agarrar à necessidade por certeza, irá entrar no rol dos adultos infantilizados de nossa geração, que não aceitam o fato de que não nasceram com a herança genética da felicidade plena, sem esforço. E cruzam os braços e praguejam quando a vida não coopera.

Focar na ação e desapegar dos resultados é a atitude dos sábios, que buscam a alegria da tarefa bem cumprida. Cobiçar o controle e uma preparação ou uma vida feliz, sem esforço algum, é cultivar a agonia de ver seus planos furarem na primeira esquina.

O candidato modelo é um verdadeiro fazendeiro, que se preocupa tão somente em cuidar de suas plantas e aguarda pacientemente o tempo de colher.

Abs!

Igor Oliveira.

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