Entrevistas

Carolina Lopes Teixeira


Carolina Lopes Teixeira, 4ª Colocada no concurso da Câmara dos Deputados

Carolina Lopes Teixeira, 4ª Colocada no concurso de Técnico Legislativo da Câmara dos Deputados/2007.

Conheci a Carolina no ano de 2007, durante um curso de Direito Constitucional que eu ministrava em Brasília – DF. Nas nossas poucas conversas, eu a chamava de “criança”, já que era, notadamente, umas das mais novas da turma. E, de fato, eu não estava muito errado, pois, apesar de aparentar 18 anos, ela só possuía 21! 

Bem, o fato é que a Carolina, com os seus 21 anos, mesmo cursando paralelamente sua graduação na Universidade de Brasília – Unb, deu um show de bola, deixou muita gente para trás e foi aprovada em 4º lugar no concurso da Câmara dos Deputados, um dos certames mais concorridos de Brasília no ano de 2007.

São poucas as pessoas que têm essa maturidade tão cedo. Não é qualquer pessoa que, aos 21 anos, consegue ter disciplina para preparar-se firmemente para concursos enquanto cursa, paralelamente, a faculdade. Por isso, acho que a história da Carolina é um grande exemplo, não só para os jovens, da idade dela, mas, principalmente, para aqueles que já estão “mais avançados” na idade, e que ainda não encontraram a tal disciplina/determinação para uma séria preparação. Por isso, eu não canso de repetir, em todas as oportunidades que tenho: “ter foco, planejamento e disciplina é o fator decisivo numa preparação para concurso”.

Logo após a sua aprovação, numa conversa que tivemos, ela me disse algo sobre sua estratégia de estudo que eu achei muito interessante: “Vicente, eu simplesmente fiz o jogo da Fundação Carlos Chagas; disseram-me que as provas, em Direito, eram pura decoreba; então, eu não fiz questão de aprender muita coisa, de aprofundar nos estudos; saí memorizando, memorizando e apenas memorizando a literalidade das leis e da Constituição; eu sei de muitas pessoas que sabem muito mais Direito do que eu, mas que não passaram, porque não fizeram o jogo da banca!”.

Agora, aos 22 anos, cursando a sua graduação na Universidade de Brasília, enquanto aguarda a nomeação para a Câmara dos Deputados (o concurso encontra-se temporariamente suspenso), a Carolina concordou em conceder-me a seguinte entrevista.

1)Vicente Paulo: Pois é, Carol, depois de sua ótima classificação, veio agora essa suspensão do concurso. Qual foi mesmo a razão para a suspensão do concurso da Câmara dos Deputados?

Carolina: Ó, vou tentar resumir – não vai ser fácil (risos)... O concurso foi suspenso devido a uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal que questiona a não divulgação, antes da prova discursiva, dos pesos que cada critério de correção teria na nota do candidato. O que, na minha humilde opinião, não é razoável, já que todos os concursos públicos realizados no Brasil não trazem critérios detalhados da correção da prova discursiva (inclusive os próprios concursos realizados pelo MPF não os trazem). Para que um candidato possa fazer uma boa prova discursiva, ele apenas precisa saber qual tipo de redação será cobrada e o tema abordado. Os critérios detalhados, se divulgados anteriormente, poderiam já traçar um roteiro da resposta da questão, retirando da Administração Pública a possibilidade de escolha daqueles com melhor desenvoltura na modalidade escrita.

Acho que é importantíssimo destacar que não há, em hipótese alguma, que se falar em fraude e que, se o juiz julgar a ação pública procedente – o que seria a pior das hipóteses para nós, aprovados-, não haverá abertura de novo concurso para a Câmara. Haverá, se for o caso, uma nova realização de prova discursiva para os candidatos melhor classificados na prova objetiva, que permanece inalterada. 

2) Vicente Paulo: Você já havia prestado algum concurso público antes desse da Câmara?

Carolina: Não. Esse foi o primeiro (e único) concurso para o qual me inscrevi até hoje. Seguramente não o último!

3) Vicente Paulo: De quem foi a idéia de começar já, mesmo antes de terminar a faculdade, a preparar-se para concurso? Foi idéia sua, ou de seus pais?

Carolina: A idéia foi minha, apesar de minha mãe ser servidora pública federal concursada. Antes do concurso da Câmara, eu sequer pensava em concursos públicos e minha mãe sempre respeitou essa minha decisão. Em janeiro, quando o edital saiu, sentei pra conversar com ela e ela foi, como sempre é, uma mãezona! Ficou super feliz e me apoiou em todos os sentidos, inclusive financeiramente.

E acho que as coisas têm de ser assim mesmo, naturais. Quando os pais forçam os filhos a estudar e eles não têm motivação própria, não adianta. As pessoas podem receber estímulos externos, mas a motivação tem sempre de vir de dentro!

4) Vicente Paulo: Como foram os seus primeiros passos? Ficou muito perdida? Você pegou orientações com alguém, ou foi para a selva dos concursos sozinha?

Carolina: Nesse primeiro momento, duas pessoas foram essenciais. A minha mãe, como já expliquei, e um namorado que tive, à época da preparação do concurso. Como minha mãe já está no cargo atual há algum tempo, ele, concurseiro, foi quem me deu as dicas iniciais. Indicou cursinhos (alguns inclusive fizemos juntos), emprestou livros (os seus, Vicente!) e acompanhou-me horas a fio em bibliotecas.

Acho que é importante alguém interado do meio te dar alguma orientação. Talvez, sem elas, você chegue ao mesmo lugar, mas, para isso, demore um tempo consideravelmente maior e tenha de quebrar a cabeça mais vezes.

5) Vicente Paulo: Você começou fazendo cursinhos, ou estudando sozinha?

Carolina: Eu comecei a estudar quando o edital foi lançado. Como não fiz um cursinho completo para o concurso (esses estilo pacotão), comecei a estudar sozinha, por alguns livros. Aí, conforme iam sendo lançados cursinhos específicos (como o de Regimento Interno, por exemplo), eu me matriculava. Fiz cursinho presencial somente das matérias que eu achava realmente necessário fazer, mas fiz o curso online de exercícios do Ponto, que abrangia todas as matérias do concurso.

6) Vicente Paulo: Nos cursinhos, qual foi a sensação de se ver no meio de tanta gente, que já se preparava há mais tempo?

Carolina: Ah, isso pra mim foi a pior parte. Eu fiz um cursinho das matérias específicas do concurso no maior cursinho de Brasília. Vicente, como foi horrível! No primeiro dia, eu peguei uma fila enorme pra estacionar e, nos corredores, eu via que todo mundo estava ali para fazer o mesmo concurso que eu. Isso provoca uma insegurança imensa nas pessoas, que eu mesma pude experimentar. Os professores perguntavam algo em sala e a turma, em coro, respondia algo que eu sequer sabia do que se tratava. O que tem um lado positivo, de fato. Eu estudava muito e pensava que, se não fosse assim, jamais chegaria ao nível daqueles que estavam nessa luta há mais tempo.

Mas isso é uma coisa que tem de ser bem trabalhada pela pessoa. Tem de ser um estímulo ao estudo, e não o contrário. Se a pessoa se deixar desanimar e achar que não é capaz, dificilmente vencerá a luta.

7) Vicente Paulo: Como você fez para conciliar o convívio familiar e os estudos? Você é do tipo que se isola do mundo para estudar, ou tenta manter as duas coisas, paralelamente?

Carolina: Vicente, a minha família é o meu melhor. Deles, eu não abro mão. Tive de abrir mão de várias coisas durante a preparação, mas fazia questão de almoçar com minha mãezinha todos os dias, de visitar a vovó regularmente e, aos domingos, como sempre fazemos, de reunir a família toda. 

Eu tento manter as duas paralelamente, mas, sim, é preciso fazer várias concessões. Além de deixar de fazer várias coisas de que gosto porque não tinha mais tempo, diminuí o convívio com os amigos durante um período. O mês de julho, por exemplo, que, teoricamente, seriam minhas férias na Unb, foi integralmente dedicado aos estudos. 

8) Vicente Paulo: Qual era a sua jornada diária de estudo?

Carolina: Era assim. As minhas atividades semanais principais além do estudo eram a UnB e o tênis. Acredito que, no fundo, todo mundo sabe da importância de exercícios físicos em períodos de preparação, né? Na UnB, alguns dias eu tinha aulas à noite, outros de manhã. Quando tinha aulas à noite, acordava às 07h40min e começava a estudar às 08h. Essa é, pra mim, a grande vantagem, entre muitas outras, de se estudar em casa. Só tomava um café e já estava pronta para os estudos. Por volta das 10h, parava, fazia um lanche, por uns 15, 20 min. Estudava até 12h, quando ligava o computador para ver os emails e resolver uma coisa ou outra. Era uma tática ótima. Eu nunca demorava no computador, porque estava sempre com fome. Aí, então, ia almoçar. Depois do almoço, eu tirava uma sonequinha de uns 40 min, que já eram suficientes para repor as energias. Acordava e assistia um pouco do jornal (na prova caiu Conhecimentos Gerais). Voltava aos estudos por volta de 13h45min. Parava às 17h45min, para comer e me arrumar para ir à aula.

Quando tinha aula na Unb de manhã, iniciava os estudos na parte da tarde e, à noite, ia pra um cursinho ou outro ou ia jogar tênis. Como o meu período mais improdutivo é à noite, deixava todas as outras atividades da semana, que não fosse estudar, para essa parte do dia. 

É importante frisar que essa minha rotina era beeem engessada. As pessoas que me são próximas sabem bem o quanto eu sou disciplinada e determinada, Vicente. Eu só deixava de estudar nesses horários quando era algo, assim, realmente necessário. Pra você ter uma idéia, eu faço aniversário em fevereiro, mês em que o edital foi publicado. Minha mãe me deu um presente e pediu que eu o escolhesse. Sabe quando eu comprei esse presente? Em agosto, depois da prova! Poderia ter feito isso em um final de semana, eu sei, mas preferia descansar e estar com a família e os amigos.

9) Vicente Paulo: E nos finais de semana, você estudava, ou aproveitava para descansar e sair com os amigos?

Carolina: Eu nunca tive o costume de estudar nos fins de semana. Na época de preparação para o vestibular e nos estudos na engenharia, eu dava um gás forte durante a semana pra poder aproveitar o fim de semana. Tive aulas no cursinho alguns finais de semana, mas, em todos os outros, aproveitava para fazer tudo aquilo de que gosto e não tinha tempo na semana. Ah, eu dormia até mais tarde - até de tarde, digamos assim- (risos) e isso ajudava muito no início da semana seguinte. Aproveitava, também, para dedicar tempo aos meus relacionamentos (família, amigos...) porque, afinal, é assim que a gente os nutre.

10) Vicente Paulo: Você acha importante conhecer o “estilo” da banca examinadora? Você fez muitas provas anteriores da Fundação Carlos Chagas?

Carolina: Lógico. Acho, aliás, que é uma das coisas mais importantes. No início, fiz várias provas, mas sem uma sistematização. No final, lá pelos dois últimos meses, via que acabava repetindo algumas provas e passei a anotá-las para não cair nesse erro novamente. Contei aqui: fiz 74 provas anteriores, mas só fazia as questões que diziam respeito ao meu edital, é claro. Devo ter feito mais de 100, já que comecei a anotá-las depois de algum tempo.

Quando fazia algum exercício que julgava importante, anotava em uma folha que deveria refazê-lo. Eu fazia também uma análise estatística dos exercícios. Anotava quantas vezes aquela mesma questão tinha sido cobrada. As mais cobradas eram as questões a que eu dava mais atenção.

11) Vicente Paulo: Como você dividia o seu estudo entre teoria e exercícios? Primeiro estudava toda a teoria e só depois fazia exercícios, ou intercalava teoria-exercícios?

Carolina: Como esse foi o meu primeiro concurso, não tive opção. Tive de começar com teoria. Mas eu sou fã de exercícios e sempre achei que são a melhor maneira de fixar a matéria. Era mais ou menos assim: fazia os exercícios à medida que estudava a teoria, parte por parte. No final, o meu tempo era quase integralmente dedicado aos exercícios. A parte vespertina de estudos, por exemplo, era só para fazer as provas anteriores. Eu marcava os exercícios importantes e anotava em uma folha: “exercícios a refazer”. Ia, então, refazendo-os e, à medida que absorvia tudo que podia do exercício, riscava-o da lista. Na última semana, por exemplo, deixei para refazer alguns exercícios que considerava “estratégicos”. E, claro, tem de dar um tempo entre uma resolução e outra do mesmo exercício.

12) Vicente Paulo: Em Direito Constitucional, você estudou por muitos livros, muita doutrina?

Carolina: Não. Inclusive, Vicente, tem um fato curioso aí. Não sei se você se lembra disso, mas foi definidor nessa minha escolha. Eu tenho alguns amigos que, à época da publicação do edital, estavam começando o seu curso de Direito Constitucional Avançado. Fui com eles à primeira aula do curso e, ao final, fui procurar você para perguntar justamente o que me recomendaria. Expliquei que o concurso de técnico da Câmara era o meu objetivo e que seria o meu primeiro concurso. Perguntei se deveria fazer o seu curso ou estudar pelo seu livro. Você, muito franco (achei muito bacana isso!), disse assim, lembro-me bem: “Pra quê, menina? As minhas aulas e os livros vão muito além daquilo que será cobrado pela Fundação Carlos Chagas. Priorize o seu tempo.” Quando eu estava já de saída, você me procurou e perguntou se eu era autodidata. Aí, então, me recomendou o curso de exercícios do Ponto – foi aí que eu conheci o site!

Pois bem, cheguei a minha casa e procurei várias provas anteriores da FCC. Percebi que não precisaria estudar doutrina ou jurisprudência (um alívio, sendo bem sincera). Um bom entendimento da lei seca me bastaria. Em Direito Constitucional, então, a minha metodologia era a seguinte: ler (ao menos uma vez por semana) todos os tópicos da Constituição referentes ao edital, estudar as aulas do Ponto, que me ajudavam a entender melhor um tópico ou outro que não ficava muito claro somente com a leitura da lei, e resolver provas anteriores. 

Como parênteses, Vicente, vale dizer que, depois, bem perto do meu concurso já, fiz o seu curso, que era uma espécie de plano B pra mim. Se não passasse na Câmara, sabia que o curso me ajudaria em outros eventuais concursos futuros.

13) Vicente Paulo: Que aspecto você considerou fundamental para sua aprovação?

Carolina: Fundamental, Vicente? Acho que foi isso que falei há pouco, o foco no Concurso e na banca examinadora. Não perdi um segundo do meu tempo buscando informações que, eu sabia, não seriam de mim cobradas. Se a FCC tem o costume de cobrar a literalidade da Constituição, por exemplo, eu não hesitei um minuto em memorizá-la.

Eu achava curioso ver que as pessoas perdiam grande parte do tempo e das energias falando mal da banca examinadora. Inclusive, tinha professores que faziam isso durante a aula. Falavam que era um absurdo essa forma de cobrar a matéria e que se recusariam a estudar (ou ensinar) dessa forma. Eu deixava a minha opinião de lado (que, pra ser sincera, não era muito diferente da deles) e me propunha a fazer o que de mim seria exigido. 

14) Vicente Paulo: Há algo que você não fez durante este tempo e faria hoje, na hipótese de uma nova preparação?

Carolina: Vicente, olha, eu fui muito abençoada durante todo esse tempo. Pra você ter uma idéia, até o adiamento do concurso e a greve na UnB me beneficiaram. Com isso, tive tempo de, durante a preparação, cometer erros, percebê-los e consertá-los.

Hoje, sei que existem fóruns, troca de idéias, de questões e muita ajuda mútua na Internet e, durante a minha preparação, não fazia a menor idéia de tudo isso. Não tenho dúvidas de que, no meu próximo concurso, irei utilizar todas essas ferramentas.

15) Vicente Paulo: Digo sempre em sala de aula: inteligência não é tudo em concurso; disciplina é o maior diferencial. Você concorda com isso?

Carolina: Concordo 100%. Claro que inteligência ajuda, mas não é o definidor. Eu mesma não tenho dúvidas de que disciplina e determinação foram o meu grande trunfo. 

16) Vicente Paulo: Você usou alguma técnica para manter o equilíbrio e a concentração no dia da prova?

Carolina: A minha “técnica”, não só no dia da prova, mas durante toda a preparação, é muita oração e muita fé no Deus Vivo. Sem Ele, tenho certeza de que não teria chegado aonde cheguei; Ele honrou todo o meu esforço. Sabe, a Bíblia diz que as misericórdias do Senhor renovam-se a cada manhã (Lamentações 3. 22-23). Eu, todos os dias, pedia a Deus que as misericórdias dEle se renovassem na minha vida mais uma vez naquela manhã, porque, Vicente, você já passou por isso e sabe bem que não é nada fácil essa maratona.

No dia da prova, eu sempre chego bem cedo. Faço tudo com calma, pra não ficar ansiosa. Eu entro logo na sala e nunca fico ouvindo as conversas de corredores. Sempre tem um fulano que solta que ficou sabendo que compraram o gabarito, que o ciclano ali estudou horrores e coisa do tipo. Isso não faz bem.

No dia anterior, eu dou uma última revisada rápida, faço coisas de que gosto e durmo cedo. 

17) Vicente Paulo: Se, em vez de assumir o cargo na Câmara, você recebesse hoje a incumbência de orientar os estudos de um candidato que está iniciando os seus estudos, quais seriam as suas orientações? (fique à vontade para falar o quanto quiser, acho essa pergunta uma das mais importantes desta entrevista)

Carolina: Vamos lá... Acho que a primeira coisa a se fazer é conscientizar-se de que você tem chances reais. Nessas horas, tem de ser meio presunçoso mesmo, sabe? 

Depois é focar-se em algo. Tenho inúmeros amigos que estudam há tempos, mas não se dão bem porque não têm um foco e acabam fazendo quinhentos cursinhos diferentes que, no final, não vão servir pra muita coisa.

Escolhido o(s) alvo(s), a grande jogada é fazer um estudo estatístico. A estatística sempre foi mesmo uma das minhas ciências preferidas. É, no fundo, fazer valer-se do passado para obter algo no futuro. Primeiro, em relação à instituição (que é menos amplo) e, depois, em relação à banca examinadora. Isso é mais importante até quando se começa a estudar ainda sem o edital lançado. As bancas tendem a ter um estilo próprio e, a não ser que você dê azar de pegar uma transição, elas geralmente o mantém. Não deixa de ser uma aposta, né, mas você tem de avaliar, probabilisticamente, o que tem mais chances de ocorrer.

Feito isso, mãos à obra! Eu sou super a favor da objetividade, Vicente. Acho que as pessoas têm de começar estudando por livros que sejam específicos pra concurso (não vou citar o seu, pra ninguém achar que foi combinado!). Para nós, concurseiros, que vemos o Direito como um meio e não como um fim, o melhor são os livros específicos.

E também, particularmente, sou contra os cursinhos estilo “pacotão”, em geral. Acho que são bem básicos e ocupam muito do seu tempo. Todo um turno! Já ouvi falar de alguns muito bons, mas acredito que a maioria deixa a desejar.

Outra orientação importante é quanto aos exercícios. Em pergunta anterior, disse o quanto eles foram decisivos pra mim e acho que vale frisar. 

E, por último, diria pra pessoa vestir a camisa da aprovação, sabe? Fazer valer o tempo, dedicar-se com garra aos estudos e pedir a orientação de Deus.

18) Vicente Paulo: Você poderia fazer um resumo da sua história de preparação, isto é, de como você se preparou para o concurso da Câmara, do início ao fim (quantas horas de estudo diariamente; quando descansava; qual a metodologia empregada; como programava os estudos; como dividia o tempo entre teoria e exercícios; quando fazia cursinho e quando só estudava em casa etc.)?

Carolina: Muita coisa eu já falei, né? Vou tentar não repetir nada!

Eu já expliquei como era a rotina, mas não como estudava durante essas horas. Eu sempre começava pela matéria que, para mim, era a mais chata e ia gradualmente melhorando até o final do dia (risos). Eu sempre faço o pior antes pra ficar logo livre. Geralmente, dividia as matérias por blocos de 1 hora cada. Isso não era uma regra; era mais como um parâmetro. Se a matéria está interessante, posso ficar a manhã toda nela; se não, me disciplinei a ficar, no mínimo, uma hora estudando-a. As aulas do Ponto, por exemplo, via de regra levavam mais de duas horas para serem feitas. Eu não as interrompia no meio por terem passado de uma hora. As provas anteriores ficavam pro período do tarde, já que eram bem menos penosas pra mim.

Eu tenho um probleminha com sono, Vicente. Digamos que eu durmo ligeiramente mais que a maioria (risos). Dormia quase 09h por dia e, ainda assim, tinha de colocar o despertador meio hora antes! Eu disse que acordava às 07h40min porque, na verdade, o despertador tocava às 07h! Então, estabeleci um acordo comigo mesma: dormiria, sempre, no mínimo, 08h horas por noite. Eu me conheço; se fosse menos, o estudo não seria produtivo. Já ouvi muita gente falar que concursando só pode dormir 06h por dia e não sei mais o quê. Isso não é regra, sabe; depende muito do seu organismo. Você tem de dormir o suficiente para ficar bem, mas sem abusar, é claro. Cada um tem um limite e é muito importante que você saiba o seu. Como o edital saiu em final de janeiro e a prova foi só em agosto (era em abril e foi adiada), durante esse tempo, eu tive alguns compromissos sociais que fizeram com que eu dormisse mais tarde. Eu evitava ao máximo, mas, quando não dava, dormia mais tarde e, necessariamente, acordava 8h depois. É claro que, como eu não trabalhava, era muito mais fácil. 

Durante a preparação, eu tive um método que me foi muito válido: eu anotava, na agenda, tudo aquilo que havia estudado no dia e de que horas até que horas. Isso é ótimo, uma baita motivação. Sabe quando você tem uma apostila gigantesca e fica folheando as páginas já feitas, só pra ter aquela sensação de já-cheguei-até-aqui? Poder anotar na agenda que estudou, por exemplo, 10h naquele dia dá uma sensação aliviada de dever cumprido. E, por outro lado, quando não estuda, dá um pesinho a mais na consciência...

A minha preparação teve um marco grande, que a dividiu em dois momentos: o simulado que o Obcursos (um cursinho em Brasília) promoveu. Eu tratei o simulado com muita seriedade e tenho certeza de que isso me ajudou muito na aprovação. Como estudava sempre em casa, não tinha a menor idéia de como estava em relação aos outros candidatos. Aproveitei o fato de que a instituição daria algumas bolsas aos primeiros colocados e revisei toda a matéria antes dele. Para mim, que era marinheira de primeira viagem, foi ótimo porque me fez cometer alguns erros que eu não repeti no dia da prova. Por exemplo, deixei muita matéria para ser revisada na última semana e não dei conta. Na semana anterior ao concurso propriamente dito, então, eu deixei menos matéria. E, além de um cursinho de exercícios que ganhei, foi produtivo porque me fez ver como estava em relação aos outros candidatos. Estava meio desanimada em relação aos estudos quando fiz a prova, mas, quando vi que tinha ficado em primeiro lugar no simulado, fiquei super empolgada, refiz o meu planejamento de estudos e dei mais atenção às matérias em que tive mais dificuldade no simulado. Aliás, essa é uma ótima recomendação; simulados são sempre muito bem-vindos! É... Acho que é isso, Vicente!