Entrevistas

Rircardo Desotti


Rircardo Desotti, de Belo Horizonte (MG)

RICARDO DESOTTI foi aprovado no concurso de Agente Fiscal de Tributos Estaduais (AFTE) do Estado de Minas Gerais (2004) - e é um excelente exemplo de perseverança, de persistência nos estudos.

Conheci o Ricardo quando, em junho de 2004, a convite de um grupo de alunos de BH, que se organizaram para estudar em parceria, fui até a Capital Mineira ministrar um curso intensivo de Direito Constitucional. Agora, com a abertura do Ponto em BH, tornou-se aluno assíduo dos cursos lá oferecidos, até a sua aprovação no concurso de AFTE.

O Ricardo, como ele mesmo diz, “é candidato antigo ao cargo de Agente Fiscal em Minas”: prestou o concurso em 1993, 1995 e 1996; nos dois primeiros bateu na trave, e em 1996 foi aprovado, mas não foi nomeado.

Essa frustração pela aprovação e não-nomeação no concurso de 1996 gerou um desânimo, e o Ricardo parou de estudar, só retornando em 2003. Naquele ano concorreu no concurso de Auditor-Fiscal da Receita Federal e em 2004 ao cargo de Auditor Fiscal de Goiás, mas não foi aprovado. 

A preparação para o concurso da Receita Federal, no entanto, serviu de base para a aprovação no AFTE, especialmente nas disciplinas contabilidade e direito tributário, assegurando-lhe a aprovação em 10º lugar no AFTE.

A seguir, as dicas do Ricardo sobre preparação para concursos públicos.

Prof. Vicente: A sua história com esse concurso de AFTE de Minas foi longa, mas agora chega ao fim, com sua excelente classificação (10º lugar). Qual o maior aprendizado nessa trajetória?

Ricardo: Primeiro, que não devemos desistir jamais. Quando voltei a estudar em 2003 bateu um grande arrependimento por ter parado de estudar, foram 7 anos “fora do mercado”. Mesmo assim resolvi recomeçar, pois a base de estudo nunca perdemos. Segundo, que a persistência é fundamental, concurso não se faz para passar, mas até passar. 

Prof. Vicente: Você é casado, tem filhos (conheci seus filhos no Ponto em BH) e me disse que trabalhava durante a preparação. Qual o horário em que você estudava? Quantas horas você estudava por dia?

Ricardo: Ter uma família compreensiva é um bom começo para os estudos. No dia da prova do meu primeiro concurso para fiscal de minas, em 1993, minha esposa havia acabado de dar a luz, mas meu filho foi internado no CTI. Os dois ficaram no hospital e eu fui à luta, com o coração “na mão”. Assim começou minha trajetória. Nos primeiros concursos fiz cursos intensivos, sempre à noite, que abrangiam todas as matérias, mas que tinham o inconveniente de abordar os programas sem profundidade, para principiantes. Os estudos paralelos eu fazia nos fins de semana, quando não havia aula. Nesta época eu estudava resolução de exercícios com um amigo, método muito proveitoso, pois, quando um não sabe, tem a chance do outro saber, e os dois acabam aprendendo juntos. Já em 2003, participei de um cursinho somente para as matérias principais (de peso 2) do concurso AFRF, o restante estudei sozinho. Em 2004 participei do “Grupo de Estudo”, um grupo de estudantes que se organizou para se preparar especificamente para concursos da área fiscal, procurando mais eficiência e melhor nível de aula. Com este objetivo foram contratados os melhores professores (inclusive você Vicente, que trouxemos de Brasília exclusivamente para ministrar 3 dias intensivos de Direito Constitucional). Foi excelente. 

Prof. Vicente: Depois da sua aprovação no concurso de 1996, sem a conseqüente nomeação, veio o desânimo, foram sete anos sem estudar. Qual a motivação para voltar ao mundo dos concursos em 2003?

Ricardo: A estabilidade do serviço público, a boa remuneração do cargo da área fiscal, e sem dúvida, a base de estudo anteriormente adquirida. Recomeçar é mais fácil que começar. 

Prof. Vicente: Em 2003 e 2004, com a sua não-aprovação nos concursos de AFRF e Auditor do Estado de Goiás não bateu novamente a vontade de desistir?

Ricardo: Sinceramente, não. Mudei minha maneira de pensar e passei a encarar os concursos como preparatórios para aquele em que eu viesse a passar. Eu sabia que, se continuasse estudando, um dia passaria. Graças a Deus este dia chegou. 

Prof. Vicente: Hipoteticamente, caso você não houvesse sido aprovado no concurso de AFTE (graças a Deus, isso não aconteceu!), quais seriam seus próximos passos? Desistiria ou continuaria na luta, prestando outros concursos?

Ricardo: Com certeza, já estaria estudando para os próximos, pois quando você escolhe uma área para estudar, por exemplo, a área fiscal, os programas das matérias são semelhantes. Até mesmo a Legislação de ICMS é semelhante. Por isso sempre digo, nunca se perde por estudar, será sempre um grande investimento. 

Prof. Vicente: Você mudou muita coisa na sua metodologia de estudo, de 1993 para 2004?

Ricardo: Muito, pois é mais fácil estudar o que você já sabe que estudar o que vê pela primeira vez. Em 2004 me dediquei muito mais aos exercícios. Quem pratica resolução de exercícios a partir das provas da ESAF estará preparado para qualquer concurso na área fiscal.

Prof. Vicente: E nos concursos públicos em geral, você acha que muita coisa mudou nesses últimos dez anos, em termos de exigência do candidato?

Ricardo: Sim. O nível de conhecimento é cada vez mais explorado, mas hoje, algumas bancas examinadoras estão buscando muito o detalhe do conhecimento, e nos detalhes derrubam a maioria dos candidatos. 

Prof. Vicente: Qual foi a sua metodologia de estudo depois da publicação do edital do concurso de AFTE? Você fez resumos das matérias? Você fez muitos exercícios? Enfim, quais as suas dicas para os estudos do candidato entre a publicação do edital e a realização da prova?

Ricardo: A primeira dica é não esperar o edital. Se o candidato esperar o edital para começar a estudar, já estará atrás de milhares de outros concorrentes. O ideal é estudar sempre, participar de cursos preparatórios permanentes. Em 2004 nosso “Grupo de Estudos” iniciou suas atividades em março, depois do carnaval. Aguardávamos o edital da Receita Federal, que acabou não saindo. Entretanto, saiu em Abril o edital para fiscal de Goiás e em Julho para o AFTE de Minas. “Quem chega primeiro bebe água limpa”, diz o ditado. 

Prof. Vicente: Qual o maior acerto, qual o ponto alto, que realmente fez diferença para sua aprovação no AFTE?

Ricardo: Estudar para o AFRF/2003 e iniciar os estudos para os concursos de 2004 em março. Quando o edital para AFTE saiu, em Julho/2004, já me sentia quase preparado, “sobrando” tempo para me dedicar mais à resolução de exercícios. Outro grande diferencial foram as aulas direcionadas aos alunos já preparados, disponibilizadas pelo Ponto dos Concursos.

Prof. Vicente: E durante todo esse período de estudo para concursos, que erros você não cometeria mais numa preparação?

Ricardo: O principal erro é achar que vai passar no primeiro concurso que fizer. Um concurso é preparativo para outro. Você entra na fila e, se tiver perseverança e continuar estudando, um dia chega a sua vez. 

Prof. Vicente: Em relação à metodologia de estudo, você tem alguma dica a passar para outros concursandos (organização de material; planejamento de estudo; como se programar para estudar as diversas disciplinas etc.)?

Ricardo: Sim. Primeiro não aconselho seguir a bibliografia sugerida nos editais, pois os livros contêm muitas teses que não levam a lugar algum. Acho mais proveitosa a leitura de livros voltados diretamente para concursandos, mais práticos e diretos, sem perder a qualidade. Por exemplo, o Livro de ICMS do Professor Cláudio Borba, o livro de Direito Tributário de Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo. A Editora Impetus é nota 10 neste quesito. Segundo, sugiro que reservem um dia da semana para relaxar, divertir, namorar ou farrear. Nossa mente também precisa de descanso. 

Prof. Vicente: E no dia de fazer a prova, você teve alguma estratégia especial? Como deve se comportar um candidato no dia da prova? Por que disciplina você começou a responder? Como controlar o tempo?

Ricardo: Nada de estudar no dia anterior à prova. No meu caso, saí para comer uma pizza e tomar um chopp (de leve) com minha família. Relaxar é a melhor dica. No dia da prova aconselho fazer primeiro as matérias que mais domina, ler bem devagar as questões e não deixar de assinalar uma resposta após a primeira leitura, marcando aquelas em que surgir alguma dúvida e voltando a elas se der tempo. O tempo nos concursos é cada vez menor. 

Prof. Vicente: Qual a maior dificuldade, qual o pior momento enfrentado por você, do início da preparação até a divulgação do resultado do concurso de AFTE, com a sua aprovação?

Ricardo: A maior dificuldade é o grande número de matérias e seus conteúdos. Neste concurso foram 11 matérias. Mas o pior de tudo é a ansiedade. Sabia que tinha chance de passar, mas demoraram muito para a divulgação do resultado (2 meses). 

Prof. Vicente: Se você fosse chamado, hoje, para orientar os estudos de alguma pessoa que está começando a estudar para concursos, quais seriam os seus conselhos básicos?

Ricardo: Primeiro, escolha uma área para estudar e se fixe nela, assim, a cada concurso você estará mais preparado, ao ponto que, se mudar de área, será novamente um principiante. Segundo, não pense que vai passar logo no primeiro concurso e não faça concursos por fazer, faça para valer. Terceiro, tenha muita paciência e perseverança. Acredite em você mesmo e vá em frente. 

Prof. Vicente: Na sua opinião, qual o maior erro que um candidato normalmente comete durante uma longa preparação? 

Ricardo: Uma longa preparação às vezes leva 6 meses ou mais (para não principiantes). Um grande erro é deixar de revisar o que se estudou no início. Nossa cabeça falha e às vezes nos esquecemos de coisas importantes. 

Prof. Vicente: Os cursinhos que você freqüentou contribuíram de alguma maneira com a sua preparação? 

Ricardo: Sim, nosso “Grupo de Estudos” foi fundamental, assim como foram as aulas do Ponto dos Concursos. As aulas eram voltadas para alunos que já sabiam a matéria, com resolução de exercícios bem selecionados, bem diferentes de aulas para quem ainda está iniciando. Gostei muito da metodologia do Ponto dos Concursos, da aula beneficente de contabilidade do Prof. Loberto e das aulas de resolução de exercícios do Prof. Marcelo Alexandrino e da professora Juliana, específicas para a prova discursiva de Direito Tributário, sem falar no fim de semana e feriado de 12 de outubro (véspera da 1ª etapa) com o Prof. Borba, foram fundamentais. 

Prof. Vicente: Como aproveitar melhor os cursinhos? Que dicas você daria para candidatos que pretendem freqüentar cursinhos preparatórios? Que tipo de curso freqüentar? Em que momento freqüentar?

Ricardo: Escolha o curso de acordo com seu nível de conhecimento, pois é muito desmotivador para o concursando assistir ao professor de contabilidade, por exemplo, ensinar o que é ativo e passivo para que já sabe resolver uma DOAR. Também existem muitos cursos voltados somente para exercícios para quem já domina a matéria. 

Prof. Vicente: Que mensagem você deixaria para os candidatos que estão iniciando os estudos, que estão nos primeiros meses de preparação?

Ricardo: Quanto mais você estudar, descobrirá que mais tem para aprender. Chegará um dia que o seu nível de conhecimento será suficiente para passar em um concurso. 

Prof. Vicente: E para os que já estão na caminhada há algum tempo, e que até agora só “bateram na trave” nesses concursos?

Ricardo: Não desista nunca, a jornada é longa e o cume é alto, mas não é intransponível. Continue estudando e dedique-se mais aos exercícios, fundamentais para a fixação da teoria. Marque aqueles que errar e refaça-os em outra oportunidade. Você chega lá.

Prof. Vicente: Ricardo, muitíssimo obrigado pela atenção na concessão desta entrevista, que certamente será de grande valia para aqueles que ainda estão na luta por uma aprovação. Boa sorte, que Deus traga grandes realizações, para você e toda a família, no desempenho do cargo de AFTE.

Obrigado. Sei que não existe receita de bolo para passar em concurso, mas deixo aqui minha pequena experiência. Gostaria de aproveitar a oportunidade e agradecer aos amigos organizadores do nosso “Grupo de Estudos”, nas pessoas do Márcio e do Glauber, bem como aos professores Ecílio, Emiliano e Lineu. Ao professor Ricardo Luiz do curso Maurício Trigueiro e aos Professores do Ponto dos Concursos Marcelo Alexandrino, Cláudio Borba, Juliana e Loberto. Todos foram muito importantes para o meu sucesso. Enfim, um agradecimento especial ao meu pai que sempre foi um incentivador na minha participação em concursos, à minha mãe que sempre me apoiou na minha formação em Administração de Empresas, e à minha querida e maravilhosa esposa Ana Maria, meu sustentáculo, que sempre me incentivou e levantou nas horas difíceis, e aos meus filhos Guilherme e Gabriela, que suportaram a minha freqüente ausência. Aos meus colegas de estudo desejo sucesso no próximo concurso.