Entrevistas

Magda Assis Rodrigues Arieta


Magda Assis Rodrigues Arieta, de Belo Horizonte (MG)

MAGDA ASSIS RODRIGUES ARIETA foi aprovada no dificílimo concurso de Agente Fiscal de Tributos Estaduais (AFTE) do Estado de Minas Gerais (2004/5).

Quando conheci a Magda, durante um curso no Ponto em BH, a queixa era uma só: “Vicente, estou cansada de bater na trave nos concursos públicos”, dizia ela.

Na época, disse a ela que esse caminho não tem erro, quem “bate na trave” hoje é aprovado no amanhã, no próximo concurso. A tradicional “teoria da fila” tarda, mas não falha: quem “bate na trave” em alguns concursos, se não desistir, se conseguir manter o ritmo dos estudos certamente estará aprovado no próximo.

E não foi diferente com a Magda: a aprovação veio no concurso de AFTE.

Durante os preparativos para a posse no cargo de AFTE, concedeu-me a entrevista apresentada a seguir, no intuito de colaborar, por meio do repasse de suas experiências, com a preparação de outros candidatos.

Prof. Vicente: Lembro-me do dia em que, enquanto almoçávamos no intervalo de um curso no Ponto em BH, você comentou que estava cansada de só bater na trave em concursos, que estava desempregada e que havia investido muito na preparação para o concurso de AFTE. E agora, com a aprovação, qual a sensação? Valeu a pena todo o investimento? A sensação da vitória compensa tudo?

Magda: Vicente, o resultado desta vitória eu tento medir através dos sacrifícios que tive que fazer para alcançá-la. Foram muitos os sacrifícios. Deixei o convívio de meus familiares, de meus amigos e principalmente de minha filha. Abandonei muitas coisas que para mim eram muito caras. Deixei de ter vida social. Nestes momentos você se descobre como pessoa e testa todos os seus limites emocionais. Você aprende a ser mais humilde, mais paciente, mais humano, mais amigo e principalmente a respeitar os seus limites e os dos demais. 

Porém, após toda esta batalha, a sensação de superação de limites e de realização de um sonho é inigualável. A auto-estima da gente, que normalmente fica em baixa na época da preparação para o concurso, volta à toda e você se sente forte, realizada e volta a acreditar nas coisas boas da vida. 

Prof. Vicente: Você comentou comigo que no período final da preparação para o AFTE você estava desempregada. Esse fato, a pressão que essas situações sempre trazem, atrapalhou na sua preparação? Como suportar a pressão e não desequilibrar diante do desemprego na reta final de preparação?

Magda: No total estive desempregada por 1 ano e 4 meses. Comecei a trabalhar aos 18 anos e sempre trabalhei muito. Mesmo sem ter a necessidade de trabalhar. Era considerada uma workaholic nos locais por onde passei. Não vou negar que existiu a pressão por causa do desemprego, o que era muito real em todos os dias. Tive que evitar gastos e cortar todas as despesas desnecessárias, aquelas que todas as mulheres adoram. Mas tive muita sorte. Meus pais e minha filha me apoiaram todo o tempo e tive a possibilidade de poder contar com eles nos momentos mais difíceis. Eles também são grandes responsáveis pela minha vitória. Utilizei meu péssimo hábito de ser workaholic para focar todas as minha energias em alcançar meus objetivos e tentei evitar a pressão.

Prof. Vicente: Você comentou, também, que é separada e tem uma filha para cuidar. Conheço muitas pessoas que dizem que não conseguem estudar pelo fato de terem filhos. Como você conseguiu conciliar o estudo com a necessária atenção à filha?

Magda: Infelizmente isto foi uma das coisas que foram muito difíceis de se lidar. Minha filha foi morar na casa de meus pais e eu só a via no horário do almoço. Almoçava com ela todos os dias e a levava para a escola. A Giovanna já tem 7 anos e compreendeu minha necessidade de estudar para arranjar um emprego e poder continuar a proporcionar a ela tudo o que ela sempre teve.

Prof. Vicente: Você me disse que já havia estudado para alguns outros concursos públicos, mas que nunca havia se dedicado intensamente à preparação, e que em janeiro/2004 decidiu estudar firme para o concurso de Auditor-Fiscal da Receita Federal (AFRF). Qual a motivação para essa decisão? O que te fez abandonar a preparação para o AFRF e dedicar-se ao AFTE?

Magda: Meu primeiro concurso eu fiz com 18 anos para TTE, na época TTN, e fui porque meu pai me obrigou a ir. 

Após esta péssima experiência fiz vários concursos, mas sempre com a visão errada que daria conta de ver todo o conteúdo do concurso no prazo de tempo entre a publicação do edital e a realização da prova. Em vários esbarrei na trave, mas só após passar 6 meses estudando profissionalmente é que entendi que concurso público não é para amadores é para profissionais. Não adianta fazer cursinho e ir para o cinema, sem ralar muito não se passa. 

Quando surgiu o AFRE imaginei que poderia dar conta, por estar me preparando a tanto tempo para AFRF, principalmente em Direito Tributário. Eu tinha muitas dificuldades em Direito Constitucional e Direito Administrativo, que foram meus vilões no último concurso de AFRF. E, como estas matérias não estavam no edital de AFRE achei que minhas chances aumentavam. Pensei comigo: Sou Administradora e também possuía conhecimentos de práticas tributárias de ICMS, isto já facilitava as coisas. 

O outro motivo é que achei que deveria testar meus conhecimentos de Direito Tributário e de Contabilidade em uma prova aberta. E, na pior das hipóteses, se não conseguisse passar seria um bom teste; e se lograsse êxito seria uma ótima solução para os meus problemas.

Prof. Vicente: Durante o período em que você se preparava para o AFTE, quantas horas você estudava por dia (no período em que estava trabalhando e no período em que você ficou desempregada)?

Magda: Durante a minha preparação para o AFTE estudei em 4 cursinhos diferentes, tinha aulas todas as noites 3 tardes por semana, aos sábados manhã e tarde, aos domingos pela manhã e nos feriados. Acordava cedo todos os dias e fazia questão de dormir bem. Como estava desempregada estudava no restante do período: todas as manhãs, todas as tardes livres e as noites também. Estudava de 7:00 às 23:00 h diariamente. 

Prof. Vicente: E depois da publicação do edital, você intensificou ainda mais os estudos ou continuou no mesmo ritmo?

Magda: Vide a anterior

Prof. Vicente: Você prestou os concursos para Técnico (TTE) e Agente de tributos (AFTE), e me disse que foi reprovada no concurso de Técnico (teoricamente com um grau de dificuldade menor) e aprovada no AFTE. Qual foi o erro no concurso de TTE? E qual o maior acerto no AFTE?

Magda: Na prova de TTE fiz 77% da prova, porém fiz somente 3 questões em 10 de Português, o que me eliminou do concurso. Na prova de AFTE não fechei tantas provas quanto a de TTE e nem tive notas tão altas, mas obtive média em todas as matérias o que me aprovou. Infelizmente comprovou-se novamente a incoerência do concurso público.

Prof. Vicente: Se fosse para você apontar o fato mais positivo na sua preparação, aquele ponto que fez a diferença, qual seria ele?

Magda: a disciplina foi o que me fez chegar ao resultado esperado. A disciplina dos horários e dos estudos.

Prof. Vicente: Em relação à metodologia de estudo, você tem alguma dica a passar para outros concursandos (organização de material; planejamento de estudo; como se programar para estudar as diversas disciplinas etc.)?

Magda:utilizei para os estudos alguns métodos que após o final de tudo descobri serem de programação neurolinguísitca.

Prof. Vicente: E sobre técnica de fazer prova, você tem alguma dica? O que você considera importante? Como deve se comportar um candidato no dia da prova? Ou você considera esse aspecto irrelevante?

Magda: O que importante que descobri nesta caminhada foi sobre a ordem das provas, descobri que não dá para não fazer a prova de português em primeiro lugar. Deve ser a primeira a ser feita sempre. Outras coisas que são importantes na hora da prova são a humildade, a calma e a paciência. Conheço várias pessoas brilhantes que fizeram a prova junto comigo, que são inteligentíssimas, que sabiam a matéria e que não conseguiram passar por nervoso ou por ansiedade.

Prof. Vicente: Vamos falar um pouco sobre dificuldades, obstáculos. Qual a maior dificuldade, qual o pior momento enfrentado por você, do início da preparação até a divulgação do resultado do concurso, com a sua aprovação?

Magda:Foram tantas as dificuldades e tantos os obstáculos. A começar pelo cansaço. A minha própria cobrança, que era muito pior que a das demais pessoas à minha volta. O concursando passa por etapas: a primeira é a que ele acha que se for ao cursinho tudo entrará em sua mente automaticamente; após esta primeira fase de ilusão surge a fase do desespero que você descobre que não sabe nada,que acha que não irá saber nada nunca e que não terá capacidade de aprender tudo o que precisa. A fase seguinte acontece quando após muita ralação e estudo você começa a entender a matéria e juntar uma coisa com a outra, e uma das últimas fases é aquela em que as pessoas começam a lhe perguntar sobre a matéria, você consegue explicar com clareza e de repente se descobre sabendo da matéria e muito. Nesta fase as pessoas vêem que você sabe bem a matéria e você descobre a partir delas o seu nível de conhecimento. Você acaba dando dicas e até conselhos aos colegas.

Prof. Vicente: Qual o maior aprendizado de você nessa preparação? Se você fosse chamada para orientar os estudos de alguma pessoa que está começando agora a estudar para concursos, quais seriam os seus conselhos?

Magda: Aconselharia a trabalhar sua mente, com planejamento e vislumbrando seus objetivos, pois só alcançamos os objetivos que realmente queremos. Organização, método e disciplina são o primordial na seqüência. Os métodos de estudo de programação neuro-linguística são muito úteis – utilizando-se sempre os esquemas para as leis. Ter horários fixos de estudo e deixar claro aos parentes e amigos que precisa que seja respeitada a sua vontade de estudar e que isto é importante para você.

Prof. Vicente: Na sua opinião, qual o maior erro que um candidato normalmente comete durante uma longa preparação? 

Magda: O pior vilão da preparação é o tempo, o concursando pára no tempo e a vida continua lá fora. Ás vezes isso desanima. E quanto mais tempo passa mais fica ansioso e mais se cobra. O maior erro do candidato é não acreditar o suficiente em si mesmo e desistir no caminho. O caminho da preparação é longo, árduo e solitário mas a reta final compensa tudo. O erro é exatamente esquecer deste fim e não terminar o trajeto.

Prof. Vicente: Os cursinhos que você freqüentou contribuíram de alguma maneira com a sua preparação? Como aproveitar melhor os cursinhos?

Magda:O concursando que fica velho de cursinho como eu acaba por sempre procurar cursinhos pelos professores mais gabaritados e não pelo cursinho e sua fama. O professor bom é aquele que sabe o que cai na prova, a palavrinha certa de cada artigo na lei, a forma correta de decorar, isso mesmo, o bom professor te ensina a raciocinar a matéria, mas sabe muito bem que parte dela deverá ser decorada e como. O que se tem que aproveitar dos cursinhos, além da sua estrutura e conforto que são importantes, são os professores.

Prof. Vicente: Que dicas você daria para candidatos que pretendem freqüentar cursinhos preparatórios? Que tipo de curso freqüentar? Em que momento freqüentar?

Magda: A preparação deve ser iniciada com muita antecedência ao edital. O ritmo de estudo se implementa com tempo e de forma paulatina, o corpo e a mente precisam ser respeitados. O cursinho preparatório entra como coadjuvante para apresentar ao concursando a matéria e o método de estudo adequado para se lograr êxito. 

As matérias isoladas funcionam muito bem, por que você consegue acompanhar e fechar todo o conteúdo junto com o final das aulas.

Prof. Vicente: Que mensagem você deixaria para os candidatos que estão iniciando os estudos, que estão nos primeiros meses de preparação?

Magda:Tenham paciência, criem um clima legal de estudo e de amizade com seus colegas concursandos, eles não são concorrentes, são seus parceiros e podem lhe ajudar. Tenham sempre em vista seus objetivos/fins, pois nos esquecemos deles quando estamos muito compenetrados nos meios. A preparação é longa, mas com certeza pode ser agradável.

Prof. Vicente: E para os que já estão na caminhada há algum tempo, e que até agora só “bateram na trave” nesses concursos?

Magda: Bati por vários anos na trave. E só consegui esta vitória quando me profissionalizei em concursos. Ser concursando é coisa para profissional e não para amadores. Seja profissional e encare os problemas um a um, estude muito e pense na recompensa, ela chega um dia.

Prof. Vicente: Magda, muitíssimo obrigado pela atenção e, sem demagogia, não gostaria que você desaparecesse do Ponto em BH, tamanho é o carinho que todos – equipe do Ponto e candidatos, colegas seus – têm por você. Muito legal isso, a sua simpatia fez com que todo mundo te conhecesse, em tão pouco tempo todo mundo no Ponto em BH sabe quem é a Magda, aprovada no AFTE! Muito sucesso e alegrias para você e a sua filhinha, que te acompanhará nesse novo desafio profissional no cargo de AFTE.

Vicente, agradeço a honra de estar lhe concedendo esta entrevista e gostaria de deixar claro que pouco sei da vida e dos obstáculos, não tenho o intuito e nem a prepotência de achar que sei tudo e que sou a expert em concursos. Nisso vocês são mestres. Meu intuito é o de poder ajudar as pessoas que como eu em um momento da vida perderam o rumo e que precisam de uma realização para recomeçar suas vidas do zero. Agradeço a oportunidade e desejo a vocês do Ponto, um dos melhores ambientes de estudo que já existiram em BH, muito sucesso e muitas realizações. A você espero que melhore rápido, pois suas aulas são excelentes e sei que a distância das salas adoece o bom professor.

Obrigada,

Magda Arieta