Entrevistas

Alex Sander Ramos


Alex Sander Ramos, de Itajubá (MG)

Conheci o Alex em São Paulo (SP), num dos cursos de exercícios de Direito Constitucional que ministrava no curso Uni-Equipe.

Mineiro de Itajubá, o Alex optou pela seguinte estratégia de preparação: estudava a teoria em casa, no interior de Minas Gerais, e, já de posse do conhecimento teórico, deslocava-se até São Paulo para fazer cursos de exercícios, como meio de revisar o conteúdo estudado e de sanar as dúvidas surgidas durante o estudo em casa. Foi assim que teve a oportunidade de estudar, no curso Uni-Equipe, com professores de sua preferência, entre eles, Fábio Zambitte (previdenciário), Marcelo Alexandrino (administrativo), Gláucia Barreto (trabalho) e Antônio César (Contabilidade).

No início dos estudos, como quase todo concursando, perambulou por vários concursos (ICMS-SP, Tribunal de Contas da União etc.), até que, em 2002, depois de quase ser aprovado no concurso de Auditor-Fiscal da Previdência Social, sentiu a necessidade de focar seus estudos nesse concurso, abandonando os demais.

O direcionamento dos estudos para um só concurso certamente deu resultado: Alex, aos 25 anos, foi aprovado nos recentes concursos de Auditor-Fiscal do Trabalho e Auditor-Fiscal da Previdência Social, cargo este que exercerá em São Paulo, Capital.

No aguardo da nomeação, Alex foi incomodado por mim, em plena manhã de sábado, para responder às seguintes perguntas.

Prof. Vicente Paulo: Você é praticamente um garoto, nos seus 25 anos. É difícil abandonar um pouco a diversão, os amigos, a namorada, para dedicar-se à preparação?

Alex: Este talvez seja um dos pontos mais árduos na preparação para concursos públicos. Passar mais tempo com livros do que com pessoas que você ama e gosta de estar perto demanda compreensão e apoio. Além disso, deve haver um excelente preparo psicológico, pois os momentos de lazer neste período tornam-se escassos.

Prof. Vicente Paulo: Sua formação acadêmica é odontologia. Você enfrentou dificuldades para o estudo das disciplinas jurídicas, exigidas no concurso? 

Alex: Reconheço que, no início da preparação (dezembro de 2001), como a qualidade do material de estudo de que dispunha era ruim, tive grandes dificuldades. A partir do momento em que adquiri material de alto nível (livros e aulas eletrônicas), o nível de compreensão a respeito das disciplinas ligadas ao direito deu um grande salto.

Prof. Vicente Paulo: Você me disse que no início de sua preparação terminou estudando para vários concursos, até chegar no concurso do INSS/2002. O que te levou a focalizar os estudos para esse concurso?

Alex: As disciplinas que compunham o conteúdo programático para o concurso do INSS em 2002, área de Tributação e Julgamento, eram agradáveis de serem estudadas e as informações que me foram passadas a respeito do trabalho de um AFPS foram tão boas que me incentivaram a prestar este concurso.

Prof. Vicente Paulo: Na sua opinião, de um modo geral, quais são os erros mais comumente cometidos por candidatos no início de uma preparação para concursos?

Alex: São basicamente dois os erros cometidos, levando-se em conta que, quando se inicia a preparação, o candidato já deva ter o esquema básico de estudos montado (número de horas e ambiente de estudo): a escolha do material de apoio e a falta de foco em um único concurso.

Prof. Vicente Paulo: O que fazer para evitar esses erros?

Alex: Quanto ao material de apoio, acredito que a escolha deva recair sobre bons livros em vez das “famigeradas” apostilas. A escolha de um bom curso preparatório, caso a pessoa não encontre motivação estudando sozinha, também auxilia.

Agora, quanto à escolha de um concurso para prestar, há a necessidade de, antes de qualquer decisão, procurar informações a respeito da carreira em que se quer ingressar e dar preferência àqueles certames que aconteçam com maior freqüência, como AFRF e AFPS, que vêm sendo realizados anualmente.

Prof. Vicente Paulo: Quanto tempo você acha razoável para um candidato que nunca estudou para concurso ser aprovado num certame da área fiscal?

Alex: Acredito que, regra geral, um ano seja o prazo ideal para aqueles que tenham um bom método de estudo e levem com seriedade a preparação. 

Prof. Vicente Paulo: Na sua opinião, qual a disciplina que oferece maior dificuldade, que exige mais do candidato nos concursos da área fiscal? Haveria alguma estratégia para burlar essa dificuldade?

Alex: Posso afirmar sem medo de errar que a disciplina mais espinhosa hoje pra se estudar é a informática cobrada pela ESAF. Quem não tem formação em ciências da computação ou carreiras correlatas “pena” com o estudo desta matéria. Parece-me, no entanto, que o professor João Antônio aí do Ponto vem nos brindando ultimamente com excelente material, resolvendo questões dos últimos concursos da ESAF. Espero que os concurseiros daqui pra frente não tenham que sentir temores da informática.

Prof. Vicente Paulo: Depois do curso de formação, que expectativas você tem hoje a respeito do cargo de Auditor-Fiscal da Previdência Social?

Alex: As melhores possíveis. Toda a experiência e conhecimento passados pelos nossos colegas instrutores bem como a troca de informações entre todos os aprovados neste difícil concurso me levam a pensar que esta é uma das mais brilhantes e promissoras carreiras do funcionalismo público.

Prof. Vicente Paulo: No concurso de Auditor do INSS/2003, em que você foi aprovado, quais foram os seus maiores acertos? O que foi decisivo na sua aprovação, em relação aos concursos anteriores, nos quais você foi reprovado?

Alex: Sem dúvida, a preparação para este concurso foi melhor sob todos os aspectos. A quantidade de exercícios resolvidos de provas anteriores foi maior, bem como o nível do material utilizado. Apesar da pressão criada por mim mesmo e do stress por estar estudando há quase dois anos, os fatores positivos suplantaram os negativos e consegui obter a tão sonhada aprovação.

Prof. Vicente Paulo: Você foi aprovado em dois concursos da área fiscal (AFPS e AFT). Em termos de preparação, qual deles ofereceu maiores dificuldades?

Alex : O concurso para AFPS ofereceu maiores dificuldades, seja pelo fato de ter havido mudanças na banca examinadora em relação ao último concurso, seja pelo extenso conteúdo cobrado. No concurso para AFT, utilizei o conhecimento adquirido na preparação para o AFPS, complementei o estudo com um livro básico sobre economia e sociologia do Trabalho e aproveitei o fato de muitas das disciplinas serem comuns aos dois concursos.

Prof. Vicente Paulo: O que levou a decidir pelo concurso de Auditor-Fiscal da Previdência Social? Por que não Auditor-Fiscal do Trabalho?

Alex: A opção pelo AFPS decorreu do fato de eu vir me preparando especificamente para este concurso. De posse das melhores informações possíveis a respeito da carreira, tinha colocado em minha mente que queria ser AFPS. Além disso, a cidade em que seria lotado como AFT (Ijuí-RS) implicaria uma mudança drástica em minha vida. Preferi, com isso, ser AFPS em São Paulo, mais próximo da família, namorada e dos amigos.

Prof. Vicente Paulo: A respeito de curso preparatório (fazer ou não fazer cursinho?), quais seriam os seus comentários?

Alex: A necessidade de se fazer um cursinho preparatório é inversamente proporcional à motivação para se estudar sozinho e a compreensão em relação aquilo que se está estudando. Eu, por exemplo, tracei uma estratégia própria conforme você relatou na apresentação da entrevista. Muitos, no entanto, conseguem se dar bem em concursos sem nunca terem feito curso preparatório.

Prof. Vicente Paulo: Durante a sua preparação, você estudava quantas horas por dia? Você acha que o candidato deve estudar enquanto estiver acordado à frente da mesa, ou acha que deve tomar mais cuidado com a fadiga, com o estresse?

Alex: Como abandonei a profissão para me dedicar aos estudos, costumava estudar uma média de 8 horas por dia.Todavia, o estudo não era feito de forma aleatória. Seguia um cronograma diário e caso estivesse cansado ou sem concentração, parava de estudar e ia fazer outra atividade até que recuperasse o ânimo para prosseguir com os estudos.

Prof. Vicente Paulo: Durante a sua preparação, você costumava mesclar o estudo de várias disciplinas diariamente ou preferia estudar somente uma disciplina o tempo que fosse necessário para terminá-la?

Alex: Tinha por hábito escolher uma matéria, estudar toda a teoria a respeito dela e fazer muitos exercícios para assimilar o conteúdo, ainda que o estudo durasse vários dias. 

Prof. Vicente Paulo: E o estudo em grupo? Você era adepto deste método de estudo? Foi eficaz?

Alex: Com certeza, o estudo em grupo é uma alternativa muito interessante. Durante o ano de 2003, eu e mais três amigos (Márcia – aprovada no AFT, Eduardo e Emy – fortes candidatos para os próximos concursos) nos encontrávamos periodicamente para resolver exercícios de provas e discutir dúvidas a respeito de determinadas disciplinas. Foi um estudo de grande valia para mim.

Prof. Vicente Paulo: A prova do concurso de Auditor do INSS/2003 foi realizada pelo Cespe/UNB, em que a marcação de um item errado acarreta a anulação de um item certo. Você acha que existe alguma técnica para se fazer esse tipo de prova? O candidato deve “chutar” muito nas respostas ou não?

Alex: As provas do Cespe exigem que o candidato, além de estar muito bem preparado, seja um grande estrategista. A marcação dos famosos itens “SR” (sem resposta), regra geral, é o fator condicionante para a aprovação ou não. A regra já é batida, mas não custa relembrar: se não há certeza da resposta, marque SR. O Cespe não perdoa o famoso “ acho que é”. Deve-se ter humildade e certeza em relação a cada item da prova. Esta humildade, muitas vezes, garante sua aprovação.

Prof. Vicente Paulo: Você continuará dentista, ou pretende fazer algum outro curso superior?

Alex: Tenho a intenção de cursar uma faculdade de Direito. Uma das “seqüelas” que ficam em quem estuda pra concursos é o gosto pelo Direito, ciência verdadeiramente apaixonante.

Prof. Vicente Paulo: E aí, a sensação de ser aprovado, simultaneamente, em dois concursos dificílimos compensa todo o esforço, todas as horas dedicadas aos estudos?

Alex: Vicente, posso lhe garantir que é uma sensação imensurável de dever cumprido, de “alma lavada”. Saber que o esforço foi recompensado é gratificante. Foram certamente uns dos melhores momentos que já tive em toda a minha vida.

Prof. Vicente Paulo: Que mensagem você gostaria de deixar para aqueles candidatos que estão iniciando agora sua preparação para concursos?

Alex: Façam da futura aprovação em um concurso público um projeto de vida, um caminho natural a ser seguido. Todo o esforço despendido, podem ter certeza, será gratificado. Tenham confiança e acreditem no seu potencial, mantendo sempre a esperança e a força de vontade, não desistindo nunca.

Prof. Vicente Paulo: E para aqueles que já estão estudando há algum tempo e ainda não conseguiram a aprovação, qual seria o conselho?

Alex: Aprender com os erros passados, tirando todas as lições possíveis, para não repeti-los em concursos futuros. E acreditar que o sucesso está próximo.

Prof. Vicente Paulo: Agradeço imensamente sua colaboração para com o site, bem assim o carinhoso reconhecimento ao meu trabalho, manifestado em diversas ocasiões. Desejo-lhe toda a sorte do mundo nessa sua nova fase de vida profissional – que Deus ilumine sua caminhada.

Alex: Eu é que agradeço a oportunidade de passar um pouco da minha experiência a todos aqueles que estão na batalha pelo êxito em concursos públicos. Aproveito também para parabenizar o excelente trabalho conduzido por você e todos os professores do Ponto dos concursos, que tornaram este site referência no mundo dos concursos públicos.