Entrevistas

William Douglas


Professor William Douglas, do Rio de Janeiro

No segundo semestre do ano passado, na inauguração do Ponto dos Concursos, tive o privilégio de conhecer pessoalmente o Professor William Douglas, hoje nacionalmente reconhecido – não só pelas suas palestras e famosa obra, que já ajudou muitos concursandos em todo o País (“Como Passar em Provas e Concursos”), mas, sobretudo, pela coordenação pedagógica da Editora Impetus, que tem se firmado no mercado como marca de qualidade em termos de material de estudo.

Recentemente, tive novamente a oportunidade de estar pessoalmente com ele, numa breve passagem pela loja Ponto dos Concursos, em Brasília (DF), ocasião em que lhe fiz as seguintes perguntas:

LU BSB: A sua obra “Como passar em provas e concursos” é de conteúdo bastante extenso. Em face disso, já ouvi algumas vezes concursandos dizerem o seguinte: “o tempo que gastaria lendo este livro, eu poderia estar estudando para o concurso”. O que o senhor tem a dizer a respeito?

WILLIAM DOUGLAS: Meu desejo é que ele tenha sucesso em seus projetos e foi pensando nisso que escrevi o livro sobre concursos. Não adianta passar horas e horas lendo o livro da matéria sem que este tempo seja bem aproveitado. O tempo gasto com o livro sobre concursos compensa na relação custo x benefício assim como compensa ao lenhador gastar tempo afiando o seu machado antes de ir para sua jornada de trabalho.

LU BSB: Com a troca de Governo, houve uma quebra na continuidade de realização de concursos públicos federais, o que tem gerado ansiedade em muitos concursandos. Qual a sua expectativa em termos de concursos para o Governo Lula?

WILLIAM DOUGLAS: Estou muito preocupado, pois o Governo Lula tem nos surpreendido com novidades totalmente inesperadas. Votei no Lula e estou assustado pelo fato de ele usar as contas equivocadas que FHC usou para sustentar a reforma da Previdência e também querer jogar sobre o servidor público a conta da histórica má gestão do Executivo. Porém, ainda tenho uma esperança e uma certeza. A esperança é a de que o Governo Lula acerte o prumo e faça aquilo para o qual foi eleito; a certeza é a de que esta solução de continuidade passará e muitos concursos estão a caminho. Não há como não serem feitos concursos: existem aposentadorias, exonerações, falecimentos e há falta de funcionários. Assim, quem quiser fazer concursos pode ficar tranqüilo e estudar bastante, pois não vão faltar oportunidades.

Vale mencionar que em 1988 tínhamos cerca de 700 mil servidores federais. Por vários motivos, aí incluída uma enxurrada de aposentadorias, hoje temos cerca de 450 mil servidores federais. Assim, sem querer exagerar, eu diria que temos pelo menos 250 mil claros a serem preenchidos, pelo menos. E digo “pelo menos” pois os cargos efetivos atuais, mesmo preenchidos, não são o suficiente para a demanda do país. Para provar isto basta ver o diminuto, quase ínfimo, efetivo da Polícia e da Receita Federal. Não há como se fazer um bom trabalho sem aumentar o número de agentes e fiscais. Acredito que após a definição da reforma da previdência virão muitos concursos.

LU BSB: Imagino que como autor da citada obra e como coordenador da Editora Ímpetus, o Senhor deve conhecer de perto as maiores angústias dos concursandos desse País. Que mensagem o Senhor deixaria para aqueles concursandos que estão iniciando a preparação, dando agora os primeiros passos?

WILLIAM DOUGLAS: Comecei a fazer concursos aos 13 anos e hoje tenho 36. Nestes 23 anos fui de tudo, desde aluno até Examinador, e convivi e convivo com uma enorme massa de concursandos, professores, examinadores etc. E, claro, fui reprovado em seis concursos. Assim, conheço bem as angústias dos concursos. No entanto, depois de pagar o preço, terminei sendo aprovado em 7 concursos, 5 deles em 1o. lugar. E bastaria uma aprovação para o sonho ser atingido. Assim, tanto para quem está angustiado quanto para quem está começando, minha mensagem é: vale a pena estudar. É um processo demorado, difícil, trabalhoso, mas a recompensa é excelente. Acho que o concursando deve se conscientizar que o preço é alto, mas é muito menor do que não alcançar um emprego seguro, honroso, estável, de remuneração boa em face do mercado, com status e com a oportunidade de servir ao país e ao próximo.

Quanto aos que estão dando os primeiros passos, diria duas coisas: 1) para começarem com o pé direito, ou seja, aprendendo a aprender e a estudar e 2) não ter pressa de passar, pois a ansiedade não ajuda em nada. Tudo tem seu tempo. Para quem está angustiado, eu diria que deve considerar se está administrando bem seu tempo, fazendo alguma atividade física e, em especial, ciente de que concursos se faz não para passar, mas até passar.

LU BSB: E para aqueles que já estão na batalha há muito tempo, batendo na trave, mas ainda não chegaram lá, qual seria a mensagem?

WILLIAM DOUGLAS: Já disse um pouco sobre esse dilema na resposta anterior, mas acrescentaria que a diferença entre o sonho e a realidade é a quantidade certa de tempo e trabalho. Ninguém se iluda pensando que vai passar da noite para o dia ou sem esforço. É preciso um período de preparação (de preferência com método e técnicas), de maturação, e é preciso uma quantidade considerável de dedicação e trabalho. Quando me refiro a trabalho incluo aí o aprendizado básico sobre organização e planejamento, aprender a estudar, aprender a fazer provas, treinar e, claro, o processo de estudo propriamente dito. Pode parecer muita coisa... mas é o que é necessário para a justa e certa premiação de quem se esforça o suficiente: a aprovação. Eu diria que o artilheiro não se desanima com bola na trave: ele faz os ajustes para no próximo chute acertar a direção da bola e a força do pé. 

Gosto muito de citar a história do bambu chinês: ele cresce 24 metros em 6 anos, mas estes 24 metros crescem todos eles no 6o. ano apenas. Ou seja, ele passa 5 anos hibernando, se preparando, para no fim ter um crescimento espetacular. Eu comparo estes 5 anos ao processo de estudo, e o 6o. ano ao da aprovação. Não existe regra matemática nem um prazo certo, o que existe é um conjunto de atitudes e trabalho que, no tempo próprio, frutifica. Meus votos são de que os concursandos do Ponto dos Concursos tenham a coragem e a fé de fazer o que tem que ser feito, pelo prazo necessário, para galgarem sucesso e aprovação. E que, ao consegui-la, trabalhem pelo crescimento próprio e do país, para que venham, enfim, os dias melhores que esperamos e que, nada há de impedir, virão.