Entrevistas

Wilson Valadares


Wilson Valadares, de Belo Horizonte (MG)

Conheci o Mineiro (foi assim que o Wilson ficou conhecido no Cursinho!) durante um curso de Direito do Trabalho e outro de Exercícios de Direito Constitucional dados por mim, em Brasília, nos quais tive o privilégio de tê-lo como aluno.

Não demorou muito para eu perceber a seriedade e determinação com que estudava, a gente percebe isso logo em sala de aula, devido às perguntas que são feitas pelo candidato. Nos intervalos, então, era uma presença constante: sempre fazendo perguntas, comentando algo sobre esse ou aquele concurso, tirando dúvidas sobre alguma questão de prova etc.

Mas o nosso maior contato mesmo foi num “happy hour”, organizado pela sua turma no final do curso, em que percebi que ele estava muito nervoso, sob uma pressão danada, por não ter sido aprovado no concurso de Auditor do INSS (embora tenha batido na trave!). Nesse dia, falei sério com ele: “olha, Mineiro, você não deveria estar angustiado por ter batido na trave, por ter quase passado no concurso; poderia estar chateado se tivesse sido um fiasco, se não tivesse progredido nada desde o último concurso; quem bate na trave hoje, está dentro amanhã, é só não parar com os estudos; o que eu acho é que você está impondo a si próprio uma pressão muito grande, uma cobrança demasiada, e isso só atrapalha; a pressão de nós mesmos é a pior pressão que existe; sabe por que um candidato que passa no primeiro concurso é aprovado em vários depois, sem praticamente estudar nada? Só por uma razão: ele ganha confiança em si próprio, tira a pressão dos ombros!”

Depois da bronca, veio a explicação: ele era de Minas Gerais, estava em Brasília só para estudar, longe da esposa, dos filhos, o tempo passando, o dinheiro indo embora, ele não era mais um “boy” (tem 49 anos) etc. Numa situação dessas, reconheço, é difícil não haver pressão... Mas eu insisti: “convença-se de que isso é um investimento, que valerá a pena, que, no médio e longo prazo, trará bons frutos para todos; tire essa pressão da cabeça, que você vai sentir a diferença”.

Felizmente, logo após, foi aprovado no concurso de Fiscal de Rondônia, época em que me procurou no Cursinho para contar a novidade e eu então arrisquei outro palpite: “vá, Mineiro, vai lá em Rondônia, faça esse Curso de Formação, relaxe um pouco com os estudos, descanse um pouco, pois eu tenho certeza de que você não vai nem assumir esse cargo, porque agora, sem pressão, você passará em qualquer concurso!”

Eu estava certo: veio o concurso de Perito da Polícia Federal, área contábil, e lá estava ele, aprovado em 6º lugar!

Deixando de lado o carisma, a determinação e a gratidão desse Mineiro, que são inestimáveis, o que mais vale nessa história, na minha modesta opinião, são duas máximas: (1ª) se você tem um objetivo bem delineado em termos de concurso público, se você investe, estuda com critério e consegue segurar a pressão durante o período necessário, o êxito virá; (2ª) nunca é tarde para se tomar uma decisão profissional na vida, resolver mudar, sair do “zero” nos estudos e chegar lá, no concurso dos sonhos; afinal, o Wilson tomou essa decisão próximo dos 50 anos, concorreu com esses adolescentes todos por aí e arrancou um 6º lugar num dos concursos que é o sonho de todo contabilista, com a “bagatela” de uma remuneração inicial próxima dos R$ 8.000,00!

Foi ainda no festejo dessas vitórias, que o Mineiro respondeu às seguintes perguntas, no intuito de repassar suas experiências para outros candidatos:

Vicente: Como foi a sua vinda para Brasília? É verdade que você teve que vender até carro nessa história de estudo?

Wilson: Em janeiro de 1998 perdi um emprego de 23 anos de trabalho, quando ocupava o cargo de Gerente de Departamento de Auditoria Interna. Abri então um comércio de confecções, que inicialmente apresentou boas perspectivas, até meados de 1999, quando me vi obrigado a encerrar as atividades antes de enterrar ali todas as minhas reservas financeiras. No segundo semestre de 1999 prestei algumas consultorias e, em função da idade, tive dificuldades em encontrar uma colocação estável.

Em fevereiro de 2000 fiz minha inscrição para o concurso do Banco Central e estudei sozinho. As provas foram em 26/03/2000 e quase consegui me classificar entre os que teriam as redações corrigidas. Como foi o primeiro concurso público a que me submeti senti um forte entusiasmo. Inscrevi-me em um cursinho preparatório para concursos visando ao cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF). O cursinho terminou a programação e não tivemos a publicação do edital, mas em julho de 2000 foi publicado o edital para Analista Legislativo da Câmara dos Deputados. A minha esposa e eu conversamos e concluímos que seria um investimento de risco como qualquer outro e que devíamos aplicar na minha preparação para aquele concurso. Em “Beagá” não havia preparação para aquele concurso e me transferi para Brasília. Tive a oportunidade de conhecer um pessoal que se dedica constantemente para concursos e vi que a minha escolha não tinha sido bem feita, pois comecei a me preparar em agosto para um concurso que se deu em novembro. Fui muito imediatista. Freqüentava aulas o dia inteiro e não sobrava tempo para estudar. O concurso aconteceu e não consegui sucesso.

Preparei para o concurso do INSS e estudei, concomitantemente, para o AFRF – que também achei ser mais um erro. Não houve um estabelecimento de um objetivo. Tive que sacrificar aulas importantes nos dias de prova do AFRF, prejudicando a minha preparação para o INSS. Mesmo assim, considerando o primeiro gabarito do CESPE, eu estava entre os classificados. Nos recursos, houve 5 alterações no gabarito que me excluíram.

Voltei a “Beagá” e reiteramos (minha esposa e eu) que deveria continuar me preparando para um concurso público. Em maio/2001 comecei um curso de Contabilidade no Pro-Cursos e, logo depois, Direito Tributário. Em junho/2001 foi publicado o edital para Fiscal de Tributos do DF. A partir desta fase, não fiz mais cursinho específico para aquele concurso, apenas para algumas matérias específicas e estudava sozinho as outras. Fui classificado em 245º lugar para um total de 240 vagas.

Surgiu o concurso para Auditor Fiscal do Estado de Rondônia e, posteriormente, para a Polícia Federal. Com um forte apoio do Professor Loberto Sasaki, preparei no Pro-Cursos para o concurso da PF e fiz o de Auditor de Rondônia. Passei no concurso de Rondônia e, para realização do curso de formação, fui obrigado a abandonar, pela metade, a preparação para o da PF. Continuei estudando sozinho e o resultado já foi bastante comentado pelo Vicente acima.

Em Janeiro/2001, próximo das provas do INSS, estava raspando os últimos centavos do meu saldo bancário. A minha esposa trabalha, mas eu tenho que completar o orçamento doméstico e naquele momento o que eu dispunha era uma camionete. Vendi para continuar o meu projeto, que valeu a pena - e muito. 

Vicente: E a separação da Família? 

Wilson: As decisões de minha família sempre foram tomadas por minha esposa e eu. Temos 3 filhos: uma filha que cursa Direito na PUC/BHTE, outra faz o 2º ano do 2º grau e um filho que faz o 1º ano do 2º grau. A nossa separação física provocou muita dor – temos 23 anos de muito amor e carinho, foi muito difícil esse período de privações ao qual nos submetemos dentro do nosso projeto. Mas estudar em “Beagá” tinha o inconveniente de não me permitir uma dedicação como a que me submeti em Brasília, por causa da família, dos amigos etc. Como exemplo: estudava para o concurso do AFRF e meu filho tinha uma atividade na escola; então ele se dirigiu a mim dizendo: “pai, como o senhor não esta fazendo nada, leva-me à escola?” Eu não fazia nada, só estudava. Esse é um exemplo, mas outras situações parecidas interferiam na decisão de ir para Brasília... 

Vicente: Se você tivesse que dar apenas um conselho para quem está começando hoje os estudos, que conselho seria esse?

Wilson: Muito estudo, planejamento e determinação alicerçam o sucesso.

Vicente: E se esse conselho fosse para quem já está estudando há algum tempo e, por não lograr êxito, está desanimado, com vontade de desistir de tudo?

Wilson: Não tive a oportunidade de conhecer o Dr. William Douglas, mas as palavras que se seguem dizem ser dele: “Não se estuda para passar e sim até passar...”. Comungo totalmente com essa idéia. À medida em que estudamos, vamos acumulando conhecimentos que farão a diferença na hora das provas. O concursando, muitas vezes, após algum tempo de estudo, pode se sentir desanimado por não estar conseguindo a aprovação e tende a desistir, mas com certeza não pode parar. Não podemos desistir nunca. Não se pode jogar fora tudo o que foi acumulado de conhecimento. Vicente, você que me acompanhou, é testemunha da nossa determinação e das nossas reações após cada concurso. Lembra do Auditor do INSS e do Fiscal de Tributos do DF? Nesses dois certames, fiquei muito próximo da aprovação e por não ter conseguido no de Fiscal do GDF, quase desisti. Lembro de você dizer que a minha aprovação era só questão de tempo e que eu já podia me considerar um aprovado. O concursando não acredita, mas é a verdade. 

Outro aspecto importante é a pressão psicológica que somos submetidos. A família, os amigos e a nossa própria vontade/necessidade de passar - e quando a vitória insiste em não dar o ar da graça, a situação vai ficando cada vez mais difícil. Você salientou, no início da entrevista, que passei em dois concursos públicos. No concurso para Fiscal de Rondônia, fiquei classificado em 82º lugar, pois estava sob pressão; no concurso para Perito da Polícia Federal, um concurso, em tese, muito mais difícil, eu já estava participando do curso de formação em Rondônia, ou seja, a pressão praticamente não existia: o resultado está aí, foi a minha classificação em 6º lugar. Mais uma vez, tiro o chapéu: você estava certo! 

Concursando, o meu conselho é que não desista, pois o seu momento pode estar muito mais perto do que se imagina.

Vicente: Qual a sua maior dificuldade durante a preparação? E o que mais te ajudou, o ponto mais positivo na sua preparação?

Wilson: A minha dificuldade foi a idade: tenho 49 anos e há muito não me dedicava aos estudos. Só comecei a estudar para concurso há dois anos.

O lado positivo foi encontrar professores conscientes e um cursinho com uma filosofia de preparação estruturada, que pensa no médio e longo prazo. Nada de imediatismo, a preparação se constrói para o futuro.

Vicente: Você considera cursinho importante na preparação de um candidato, ou dá para estudar sozinho?

Wilson: Como eu estava há muito tempo sem estudar, o cursinho foi determinante no meu caso. Depende muito do estágio em que se encontra o candidato e do cursinho escolhido. A dedicação extra-sala de aula é indispensável. Peço-lhe permissão para falar do Professor Loberto Sasaki, do Pró-Cursos, em Brasília. As suas aulas são sérias e baseadas em exercícios. Não fazer os seus exercícios em casa é o mesmo que não fazer o curso.

Considero a preparação em cursinho muito importante num primeiro momento: as dicas do professor, o que estudar, como estudar; depois, é estudar e estudar. O site do Vemconcursos contribui sobremaneira para um estudo solo. 

Vicente: Para finalizar, você tem alguma mensagem de otimismo para os concursandos que ainda estão na luta?

Wilson: O sucesso conseguido com seriedade e determinação tem um sabor muito especial. Valem a pena todas as privações por que passamos; o sucesso é conseqüência de estudos sistemáticos e focados (objetivos) naquilo que nos propomos realizar. Não desanimem, a vitória pode estar próxima! 

Vicente: Obrigado Wilson, que Deus ilumine seus caminhos e os de seus familiares nessa sua nova empreitada na Polícia Federal.