Entrevistas

Paulo Yuuki


Considerações iniciais

Agradeço pela confiança da equipe do Ponto dos Concursos pela oportunidade de compartilhar a minha trajetória nesse mundo dos concursos, especialmente ao meu coach, Bruno Fracalossi, que tanto me incentivou e me inspirou com sua história de concurseiro.

Adicionalmente, vai um reconhecimento especial à minha esposa, que me apoiou de todas as formas, esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis e se emocionou com a aprovação.

Ponto Quando começou a sua relação com os concursos públicos? De onde veio essa vontade de ser servidor público?

Paulo – No final da minha graduação no curso de economia, vi uma colega estudando para o concurso do Banco Central. Eu não fazia a mínima ideia como seria trabalhar na Administração Pública e se prestar concurso seria fácil ou difícil, mas aquilo ficou na cabeça.

No curso de economia, os alunos são desafiados a pensar em questões como o desenvolvimento econômico, a geração e distribuição de riqueza e a atuação do Governo e Administração Pública junto à sociedade para promover o desenvolvimento em um conceito amplo. Nesse contexto, enxerguei que a possibilidade de trabalhar na Administração Pública em uma função técnica seria até um caminho natural pra mim. Além da questão de idealismo e de carreira, precisava de um emprego.

Ponto – Desde que começou a estudar você prestou quantos concursos? Essa foi a sua primeira aprovação?

Paulo – No total foram 14 concursos. Desses, fui aprovado em dois concursos das quais foram para especialista em regulação da ANTT em 2008 e o concurso para Auditor da CGM-SP. No primeiro fiquei na lista de excedentes, sendo até chamado posteriormente, mas não assumi. No segundo, fiquei dentro do número de vagas, o que posso dizer que, nesse caso, foi de fato uma aprovação.

Ponto – Você disse que, desde que resolveu prestar concursos públicos, passou por períodos em que se dedicava totalmente aos estudos e períodos em que parava de estudar para se dedicar inteiramente ao trabalho. Nessas idas e vindas, o que fazia você não desanimar e voltar a estudar?

Paulo – Foi a vontade de vencer apesar das derrotas. Foi pensar que de alguma forma eu poderia chegar lá, mesmo não sabendo exatamente como e nem quando.

Ponto - Quais as principais dificuldades que você teve que enfrentar até conseguir a aprovação e como as enfrentou?

Paulo - Houve muitas restrições que tive que enfrentar e imagino que todos os concurseiros acabam tendo que enfrentar em maior ou menor grau de intensidade. Hoje enxergo quatro fatores (restrições) que me causaram as idas e vindas: a necessidade de recursos, o equilíbrio emocional, motivação e a técnica.

De maneira simplificada, tive três temporadas de períodos de trabalho (três empregos diferentes) seguidos de três períodos de dedicação exclusiva aos concursos. Para cada período que me dedicava aos concursos, aparecia um problema diferente para enfrentar. No primeiro período faltou dinheiro suficiente para poder me dedicar por um longo tempo e me fez voltar ao trabalho com pouco mais de meio ano de tentativas frustradas. No segundo período, com dinheiro para me manter por dois anos, faltou o equilíbrio emocional e motivação. A relativa escassez de concursos em 2010 e 2011, a saudade do trabalho anterior e a escolha errada da área de concurso me fizeram fracassar de novo.  No último período, com as reservas refeitas e podendo contar com a ajuda da minha mulher para pagar as contas, procurei resolver a restrição técnica de metodologia.

Em relação à necessidade de recursos, precisei trabalhar para me manter e, ao mesmo tempo, sempre fui dedicado naquilo que fazia. Não tinha o conceito de parcialidade nas atividades: ou eu me dedicava integralmente no trabalho ou dedicava integralmente ao estudo. Então, a forma que entendia ser viável era trabalhar, acumular um dinheiro para posteriormente largar o trabalho e me dedicar integralmente aos estudos. Na última vez que trabalhei no setor privado, além de juntar dinheiro, combinei com a minha esposa para que ela continuasse só estudando enquanto eu me responsabilizaria com todas as despesas. Em troca, quando ela passasse num concurso, inverteríamos o papel. Foi uma parceria e assim foi feito.

Em relação ao equilíbrio emocional, a discussão é se existe um ambiente em que a mente não fique ocupada com devaneios. No meu caso, era frequente, ao iniciar os estudos, a mente começar a questionar se prestar concurso seria a melhor escolha profissional, se o dinheiro iria acabar antes de conseguir passar em algum concurso e se não seria melhor ter ficado no emprego anterior e fazer uma carreira na iniciativa privada. Tinha saudades do emprego anterior, afinal de contas, eu era reconhecido em relação ao meu trabalho e eu conseguia além de pagar as minhas contas, juntar algum dinheiro. Todos esses pensamentos me faziam perder rendimento nos estudos, que por sua vez, causavam mais devaneios e estresse, e mais perda de rendimento. O resultado é que após meus primeiros 2 anos dedicados aos concursos, o desempenho foi ruim e tive que voltar a trabalhar no setor privado. No último trabalho, me dediquei bastante, e até consegui chegar a um cargo de gerente e ter uma remuneração boa que, financeiramente, até não seria interessante ser funcionário público. Foi um tempo de me resolver, de equilibrar o meu emocional. Assim, quando saí do último trabalho, a ponte psicológica que me ligava afetivamente com o trabalho na iniciativa privada já estava quebrada, pois mais do que saber o que eu não queria, eu sabia exatamente e o que eu queria.

Quanto à questão da motivação, na época que eu saí do último emprego, eu mudei o foco do concurso da área fiscal para a área controle e gestão. No segundo período de concurseiro, ter escolhido antes a área fiscal foi uma escolha pragmática, pensando mais na quantidade de vagas e na remuneração. Porém, isso foi infeliz em termos de motivação e afetava também o meu estado emocional. Embora estrategicamente fizesse sentido, não me despertava paixão ao pensar no trabalho relacionado à área fiscal. Foi assim que a mudança na área me ajudou a melhorar a minha motivação.

Por último, em relação à questão técnica, eu não sabia se a forma como eu estudava daria o melhor resultado. Eu estudava por meio de vídeo aulas e livros, mas de forma desorganizada, sem sistemáticas como metas de tempo, núcleo de matérias, resumos, e metas de acertos de exercícios. Isso foi mais um fator para afetar o meu estado emocional. A contratação do programa de coaching e a aquisição do material adequado para estudar foram decisivos para o sucesso da minha última investida.

Ponto – Você já estudou por conta própria e, também, já estudou com auxílio do Coach Bruno Fracalossi. Na sua percepção, qual a principal diferença entre a época em que estudou sozinho e a época em que estudou orientado pelo Coach?

Paulo – A diferença é que estudar por conta própria era como utilizar somente a força bruta e estudar com auxílio do Coach foi como aliar a força com a técnica. Não basta estudar. Tem que estudar correto. Enquanto a parte da força (execução ou estudo sem si) fica por conta do concurseiro, o coach cuida da parte técnica (direcionamento correto, ritmo de estudo, desempenho em questões, auxílio no planejamento e motivação). Dessa maneira, estudar sozinho foi como andar no escuro. O coach me ajudou a exergar o que estava acontecendo e me ajudou a estudar de maneira correta e com mais motivação. Eu sentia confiante com o estudo e ficava mais motivado para apertar os passos e não parar.

Ponto – Quais os principais aspectos trabalhados com o Coach para te preparar para a aprovação no concurso da CGM/SP?

Paulo – O motivo de eu ter contratado o programa de coaching dessa ultima vez, é que eu precisava superar de vez a restrição da técnica e me ajudar na motivação. Dessa maneira, o coach me ajudou com a definição da área em que eu iria prestar concurso, a estratégia de preparação para prova (com definição de núcleo de matérias), as orientações da forma de estudo com preparo de resumos e revisões periódicas, as metas de tempo de estudo e a meta de acerto de exercícios. O coach exigia que eu desse um feedback a cada 2 dias e que eu enviasse uma planilha todos os finais de semana para acompanhar a meta de horas e a meta de acerto para as questões resolvidas. Acredito que nessa hora, o orientado (coachee) deve ter muita humildade de reconhecer a experiência trazida pelo coach. Contar com a experiência de alguém que já enfrentou e superou a maioria dos problemas (talvez todos eles e mais alguns) é muito valioso.

A coach cuidou também de outros aspectos que considerei como restrições como a motivação e equilíbrio emocional. Lembro-me que todas as semanas havia um comentário do coach quanto ao desempenho no cumprimento das metas, sempre com palavras positivas, mas sem refresco. Além disso, toda semana havia uma mensagem, um vídeo ou uma história de motivação.

No aspecto emocional, o coach ficava atento para identificar qualquer ponto que atrapalhasse o meu desempenho nos estudos. Ele cobrava metas, mas metas factíveis considerando o longo prazo até alcançar a aprovação: era como correr uma maratona com alguém incentivando, orientando, forçando ou aliviando nas horas certas. Lembro-me de uma situação em que a meta da semana não iria ser atingida por questões de doença de familiar, e ele teve a sensibilidade de reduzir um pouco a meta de horas de estudo semanal, já prevendo que outros imprevistos poderiam acontecer e me deixar estressado. Ele justificou que não valia a pena se estressar tanto com meta de horas muito elevada, pois eu poderia chegar no dia da prova do concurso já com o psicológico abalado. Se o objetivo é passar na prova, você precisa chegar inteiro no dia. Conseguir manter a calma na prova também depende da confiança de que você fez o seu melhor no treinamento.

Ponto – Que mensagem você deixaria para os que estão começando agora seus estudos para concursos públicos? E para os que já estão há algum tempo na luta e ainda não alcançaram a tão sonhada aprovação?

Paulo – Para os que estão começando: procurem os motivos certos que te trazem inspiração, aquilo que faz você gostar do trabalho que você vai fazer como funcionário público, pois será mais fácil resistir e se motivar quando as coisas ficarem difíceis. Vá com essa motivação o caminho todo. Se preparar para as provas não é só força, nem só técnica, nem só motivação e nem só ter dinheiro para se manter: é preciso saber combinar e aproveitar esses recursos. Não deixe de aproveitar a experiência de quem já percorreu esse caminho tortuoso, não hesite em pedir ajuda a quem sabe. Se eu soubesse o que era concurso escada há dez anos, é muito provável que o meu caminho não tivesse sido tão tortuoso.

Para os que estão estudando há algum tempo, considerando o ponto que está, é obvio que é melhor agora do que ter que começar do zero. Faça de tudo para não parar, pois você esquece aquilo que estudou e aprendeu até então e deixa de aprender. Reveja os seus motivos se precisar, pois nem sempre os motivos práticos são os melhores pra te manter animado. Tenha humildade, pois sempre temos algo para melhorar. Tenha otimismo, pois, a cada dia, a aprovação estará mais próxima.

Para ambos, deixo as palavras de Ayrton Senna retiradas de um vídeo motivacional: “Seja quem você for. Seja qualquer posição que você tenha na vida, do nível social altíssimo ao mais baixo. Tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá, de alguma maneira você chega lá”