Entrevistas

Hélio Lima Estevão


Hoje vamos conhecer a história de Hélio Lima Estevão, natural de Ribeirão Preto/SP, administrador de empresas e PRIMEIRO colocado no concurso de Auditor de Controle Interno da Controladoria Geral de São Paulo. O Hélio já vinha estudando há algum tempo para a área fiscal e decidiu mudar o seu foco para a área de controle. Decisão acertada: conseguiu não apenas a aprovação, mas a primeira colocação nesse excelente concurso!

 

Ponto – Hélio, você é formado em Administração de Empresas e tinha um bom emprego na sua área. O que o levou a estudar para concursos públicos?

Hélio – Primeiramente, eu gostaria de dizer que fico muito feliz por compartilhar a minha trajetória até a provação. Eu creio que li quase todos os depoimentos de aprovados. Isso me ajudou muito naqueles momentos de desânimo.

Bom, eu trabalhava em São Paulo há alguns anos e, de fato, vivia um bom momento profissional. Em meados de 2013 eu comecei a sondar o mercado de trabalho no interior (Ribeirão Preto) com o objetivo de voltar pra minha cidade. Foi quando percebi que, caso voltasse, ia ter uma redução de renda significativa. Analisando as minhas opções, vi que a área pública poderia atender alguns pontos importantes pra mim: eu poderia voltar a morar no interior, ter uma boa remuneração e mais qualidade de vida. A partir de então, eu comecei a fazer um planejamento financeiro para me manter apenas estudando durante um período.

 

Ponto – Qual era o seu objetivo inicial? Você já começou estudando para a área de controle?

Hélio O objetivo inicial era o cargo de auditor da Receita Federal (na verdade, esse ainda é o objetivo). Assim que comecei a estudar, o concurso da receita saiu (2014). É evidente que, com apenas alguns meses de estudo, tendo começado do zero, eu fiquei longe da aprovação. De todo modo, foi o meu primeiro teste psicológico, pois eu sabia que um próximo concurso pra RFB demoraria dois ou três anos, eu temia que a minha motivação acabasse naquele momento. Mas graças a Deus eu estava determinado e me mantive focado no edital de AFRFB até o ano passado. Até 2015, eu não havia sequer olhado outras possibilidades, como, por exemplo, a área de controle ou os fiscos de outras unidades federativas, a meu ver, isso foi um erro, eu poderia ter obtido uma aprovação em outros bons concursos realizados nesse período. Somente quando alguns entes (inclusive a união) sinalizaram que suspenderiam os concursos por um tempo, eu percebi que teria que analisar outras opções. Nesse momento saiu o edital para o concurso de Auditor de Controle Externo do TCM SP. O edital trazia muita coisa nova pra mim, como contabilidade pública, AFO, Controle, enfim, disciplinas que eu teria que aprender “do zero”, mesmo assim, decidi encarar a FGV e fiquei em 10º lugar nas provas objetivas. Apesar de não ter ficado com uma das duas vagas, esse concurso foi muito importante, pois eu percebi que poderia desviar um pouco o meu foco, além disso, o conteúdo estudado pra esse certame me deu uma boa base de conhecimento que utilizei nas provas da CGM SP.

 

Ponto – Fale um pouquinho sobre a importância do planejamento financeiro que você fez para se dedicar aos estudos.

Hélio – Na minha opinião, um bom planejamento é crucial para quem se prepara para concursos de alto nível. O concurseiro vai estudar durante muitos meses e até anos, tem que pensar muito bem em tudo aquilo que pode ocorrer e atrapalhar o seu objetivo. Eu era gerente de planejamento, tinha a obrigação de fazer um bom plano pra esse projeto. Durante um tempo eu poupei algum dinheiro com o objetivo de me manter apenas estudando durante uns três ou quatro anos. Eu também levei em consideração um cenário bem crítico, estava preparado pra ficar “na fila” por até quatro anos. Pode parecer loucura, mas isso me deixava mais tranqüilo. Toda vez que batia aquele desânimo, eu lembrava que o projeto era de médio/longo prazo, não ia ser aprovado da noite para o dia e tinha que continuar focado. Sair do trabalho e me dedicar exclusivamente aos estudos foi uma decisão muito bem pensada, alguns amigos já vieram me perguntar se devem fazer isso, eu sempre digo que isso é muito pessoal, deve ser muito bem pensado e levar em conta as características de cada pessoa.

 

Ponto – Quais as maiores dificuldades enfrentadas durante a sua preparação e como você fez para superá-las?

Hélio – Acredito que muitas dificuldades são comuns à maioria dos concurseiros. No meu caso, a primeira grande dificuldade foi ‘aprender a estudar’. Ficar sentado em uma cadeira durante 7, 8, 9 horas por dia, parecia algo impraticável. Jamais havia feito isso na época de estudante. Além disso, eu sou muito disperso, perdia o foco com muita facilidade. O estudo não rendia e eu estava ficando muito preocupado, comecei a achar que não ia conseguir um bom rendimento. Eu comecei a estudar por ciclos e sofria muito pra fazer algo em torno de 5 a 6 horas líquidas por dia. Depois de alguns meses a coisa engrenou, aquilo foi se tornando um hábito e eu já estudava mais de 8 horas líquidas sem muitas dificuldades. Pra ajudar a manter o foco eu criei um ambiente propício, bastante silencioso, usava protetores auriculares, tudo isso ajudava bastante na concentração.

No início, tive muita dificuldade com as matérias do direito, era tudo novidade, uma linguagem com a qual não estava habituado. Eu tinha a impressão de que aquilo jamais entraria na minha cabeça. Ai não tem jeito, tem que ler, revisar, ler mais uma vez, fazer exercícios, somente depois de algumas leituras é que aquilo foi ficando mais claro, as disciplinas do direito foram se complementando e os conteúdos foram, enfim, absorvidos.

Por fim, abrir mão de lazer, diversão, vida social foi algo extremamente difícil pra mim. A gente só consegue se tiver realmente determinado. A vida social míngua completamente. É como se a sua vida ficasse parada, pausada, bate aquele desânimo e é aí que você tem que saber muito bem o que está em jogo. Uma coisa eu posso dizer: a sensação de ver seu nome na lista de aprovados, de saber que você conseguiu, é algo indescritível, sinto que valeu a pena cada renúncia que fiz.

 

Ponto – E durante sua preparação, especificamente, para as provas da CGM, quais as suas principais dificuldades? Fale um pouquinho sobre a sua insegurança quanto à prova discursiva.

Hélio A meu ver, esse foi o grande concurso de 2015, atraiu ótimos candidatos de todas as regiões do País. Eu estava bastante confiante durante as provas objetivas e obtive a uma boa colocação na primeira fase. O que estava tirando o meu sono era a prova discursiva, pois valia 50% da nota final e ninguém sabia muito bem o que esperar da Vunesp. Para piorar, eu nunca havia estudado para provas subjetivas, estava bastante apreensivo. Pra tentar superar esse gap, eu decidi fazer muitas discursivas. Estudei pelo curso do Ponto, aliás, gostaria de parabenizar a professora Júnia Andrade e todos os professores que desenvolveram o material pra CGM, depois do curso eu fui para a prova mais confiante, me sentindo preparado para fazer uma boa prova. Quando saiu o resultado final nem acreditei, vi que a discursiva, meu calcanhar de Aquiles até então, me ajudou a ganhar várias posições e foi decisiva no resultado que obtive.

 

Ponto – A vida de concurseiro termina aqui ou você pretende continuar estudando?

Hélio – Eu gostaria muito que essa vida terminasse (rs), estou ansioso pra começar a trabalhar, conhecer meus colegas e poder fazer um bom trabalho como Auditor da CGM SP. Contudo, meu objetivo ainda é a Receita Federal, afinal de contas essa aprovação me levou novamente pra São Paulo e apesar de gostar bastante da cidade, eu não quero morar lá a minha vida toda. Mas agora vou estudar apenas pra RFB e sem toda aquela pressão de antes, acredito que vai ser um pouco mais tranquilo.

 

Ponto – Que mensagem você quer deixar para os que ainda não conseguiram um bom resultado e continuam buscando a tão sonhada aprovação?

Hélio – Estudar para concurso não é fácil, há um preço a ser pago, a gente tem que abrir mão de muitas coisas, pelo menos durante um período. Eu não conheço a sua história, mas sei que se você estiver disposto a pagar o preço, certamente conseguirá a sua tão sonhada vaga, seja ela qual for. Estamos vivendo uma escassez de concursos e muita gente desanima por causa disso, se eu fosse você, aproveitaria esse momento, estudaria o máximo possível para passar na frente dos concorrentes. Não se engane nem crie desculpas, não dê ouvidos aos pessimistas. Faça um bom planejamento com metas diárias de estudo, compre bons materiais e estude o máximo que conseguir. O caminho até a aprovação não é fácil, mas se você mantiver a determinação e a fé, a sua aprovação é uma questão de tempo.