Entrevistas

Lívia Marinho


Ex-catadora de lixo se torna servidora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro


O que parecia um sonho impossível, com muita determinação, dedicação e esforço foi se tornando realidade. Hoje, Lívia Marinho, 39 anos, moradora de Del Castilho, zona Norte do Rio e mãe de três lindas meninas, é técnica judiciária do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e continua em busca de novas realizações. Com uma infância difícil, tendo que começar a trabalhar muito nova como catadora de lixo, na cidade de Duque de Caxias, e com a juventude voltada para a realidade difícil do comércio, Lívia quebrou o protocolo e venceu os desafios.

 

Tudo começou há 11 anos, em 2002, quando Lívia foi parar no hospital após sofrer uma forte dor renal, tendo que se ausentar do trabalho. Quando voltou, ainda no mesmo dia, sua gerente desconfiou que estivesse mentindo, já que era véspera de Natal. Com uma forte sensação de constrangimento e humilhação, Lívia decidiu, naquele momento, mudar os rumos da sua história.

 

Várias foram as dificuldades - financeiras, familiares, de formação escolar – já que ela ainda não tinha terminado o ensino médio e decidiu fazer um concurso que exigia tal formação. A história da ex-catadora, que hoje é servidora do TJ/RJ, é emocionante e vai inspirar boa parte das pessoas que, por tão pouco, ainda reclamam das dificuldades.

 

Foi um ano de dedicação exclusiva, em que, além de estudar para concurso, Lívia teve que concluir seu ensino médio e estudar para as provas.

 

Se valeu a pena? Confira a entrevista abaixo e descubra:

 

- Lívia, em primeiro lugar, gostaríamos de saber, com detalhes, o que motivou essa reviravolta em sua vida?

 

Em 2002, eu estava trabalhando ardorosamente no comércio, rotina que perdurava por mais de 11 anos. Cheguei a trabalhar em duas lojas ao mesmo tempo, no mesmo shopping, para conseguir dar uma vida bacana para as minhas três filhas, que, na época, eram bem pequenas.

 

Vocês podem imaginar o cansaço de entrar em uma loja pela manhã e só sair da última loja tarde da noite? Cansada, com dores na coluna e nas pernas, segui assim por todo aquele ano.

 

É fato que, naquela época, trabalhar dessa forma não me causava nenhuma estranheza, já que eu havia passado toda a minha adolescência trabalhando, revirando lixos e catando latas e material que pudessem ser vendidos em ferros velhos para sobreviver. Logo, trabalhar 14 horas por dia, em média, parecia tranquilo. Contudo, tive um sério problema renal causado por horas contendo-me para não ir ao banheiro e não perder a comissão de vendas, o que culminou em uma crise terrível no dia 23 de dezembro de 2002.

 

Saí da loja aos gritos de dor. Fui levada ao Posto de Atendimento Médico (PAM) e medicada com injeções que me permitiram voltar a trabalhar ainda naquele dia. Mesmo tendo a receita em mãos, com a data e o carimbo do médico, e tendo retornado no mesmo dia ao trabalho, a dona da loja duvidou de mim. Ela me disse que não acreditava que eu tivesse passado mal e aquilo me causou mais dor do que a renal que eu havia sentido. Era uma dor que não se explica. Uma espécie de humilhação amarga que eu não achei que merecesse passar. Isso me motivou a sair.

 

- Quanto tempo você levou para alcançar esse objetivo?

 

Bem, decidi fazer concurso em janeiro de 2003. Depois do sentimento de vergonha e humilhação, achei que não podia continuar no comércio. Logo em seguida, pedi para que me mandassem embora e passei todo o ano de 2003 estudando. Acho que levei dez meses extremamente intensos de preparação.

 

- No início dos estudos, quais foram suas maiores dificuldades?

 

Eram tantas as dificuldades que, se na época eu parasse para enumerá-las, teria desistido: eu tinha um péssimo casamento, sem apoio financeiro ou moral; já tinha três filhas, uma com três anos, outra com quatro e outra com seis. Estava desempregada e todo o dinheiro da minha indenização (que, aliás, não foi muita coisa) investi em um curso preparatório, logo, era minha última e única chance. Além disso, decidi fazer um concurso de nível médio para um tribunal: o detalhe é que eu não tinha ensino médio. Matriculei-me então em um Centro de Ensino Supletivo do Estado - CES (sistema de estudo por módulos que nos permite fazer provas diárias para eliminar bimestres).

 

Nesse contexto caótico, pactuei com as minhas filhas. Parecia difícil conversar com três crianças e dizer a elas: “mamãe vai se ausentar ainda mais para estudar, mas prometo que vai valer a pena”, mas conversamos e deu tudo certo. Bastava agora conciliar as matérias de português, matemática, física, química, geografia, CODJERJ, Estatuto Estadual, Noções de Direito... Enfim, minha cabeça parecia um caos ao final do dia e eu não podia me dar ao luxo de parar. Eu sabia que concorreriam comigo pessoas formadas, inclusive em Direito, e eu sequer tinha o ensino médio.

 

Saía de casa às 5h45 da manhã, ia para o CES, estudava as matérias e fazia pelo menos três provas por dia. Depois, com a blusa do colégio e a carteirinha - porque nunca teria conseguido dinheiro para subsidiar a passagem para o curso e para o retorno para casa se não fosse o fato de estudar em colégio estadual e ter gratuidade de transporte, corria para o curso preparatório.

 

Entrava no curso às 13h e a aula acabava às 18h. Após esse horário, eu ficava pelo curso estudando até que ele fechasse, às 22h. Chegava a casa por volta das 23h, tomava banho e comia a minha única refeição do dia. Colocava meu relógio para despertar às 3h da manhã, porque eu sabia que não adiantaria tanto esforço se eu não me colocasse no mesmo nível de quem já vinha estudando. Eu morria de medo do tal “japonês”. Explico: uma vez fui ao banheiro no curso e atrás da porta dizia: “Enquanto você está aqui, há um japonês estudando para tirar a sua vaga”. Agora é engraçado, mas nunca mais fui ao banheiro e passei a querer vencer o tal japa (risos).

 

- No meio do processo, quais foram suas maiores motivações? Uma vez que deixou o trabalho para se dedicar aos estudos, a necessidade financeira te levou ao desânimo?

 

Não tive desânimo, não dava tempo! Eu ocupei todos os espaços do meu tempo com o meu objetivo. Minha motivação era poder estar com minhas filhas em momentos que nunca pude estar: Natal (eu chegava tão tarde que elas já estavam dormindo) e Dia das Mães (parece que vendedores não têm filhos. Passamos o tempo todo vendendo presentes e nós mesmos não podíamos, sequer, estar ao lado dos nossos filhos nessas datas). Enfim, minha motivação era a possibilidade de ter um final de semana sem trabalhar, um feriado em casa e não precisar vender minhas férias. Eu queria tempo, mas sabia que tinha que investi-lo para recebê-lo de volta um pouco maior.

 

Claro que, muitas vezes, eu me sentia cansada, dormia pouquíssimas horas, passava o dia com cinco pacotinhos de amendoim (era o que eu podia consumir com o dinheiro que eu dispunha por dia. Naquela época, cinco pacotinhos era um real, vejam a inflação! risos), mas conheci amigos no curso e na busca de incentivá-los, acabei me incentivando também.

 

- Como foi começar essa preparação já sendo mãe de três filhas?

 

Como disse, após os quatro anos da minha adolescência em que fui catadora de lixo, sempre trabalhei no comércio com uma rotina extremamente pesada. Eu tinha uma pessoa que olhava as minhas filhas para que eu pudesse trabalhar e que continuou cuidando delas para que eu estudasse. Minha única fonte de renda nesse período foi o auxílio desemprego que tinha prazo certo para acabar. Quando acabou, tive que conciliar o estudo com algumas faxinas e passagens de roupa, na casa de uma colega do curso. Enquanto eu passava roupa, repassávamos os pontos das matérias.

 

Gisele tornou-se uma das minhas melhores amigas até hoje. Sei que, naquela época, a mãe dela me aceitou para passar roupa porque sabia da minha necessidade. Nunca quis nada de graça e nos dias em que eu trabalhava na casa dela, que eram os dias em que não havia aula, eu tinha as refeições, estudava e ainda ganhava um dinheiro bacana. Somos amigas até hoje e aprendemos, com a vida, que as dificuldades nos moldam o caráter e nos criam uma couraça que nos permite vencê-las.

 

Cansei de levar as minhas filhas para um shopping próximo à minha casa nos finais de semana e dizer a elas: “Hoje vamos ao parquinho!”. No tal shopping havia um supermercado que tinha uma área em que as crianças ficavam brincando, para que os pais fizessem compras, e ali era o parquinho que eu as levava. Eu ficava do lado de fora, olhando-as e estudando. Era tão difícil, dolorido e cansativo, mas nunca foi impossível.

 

- Quais foram suas técnicas de estudo? Estudava em cursos presenciais e online? Quantas horas por dia se dedicava aos estudos?

 

Acho que a minha realidade não se aplica aos padrões de ensino-aprendizagem ensinado nas faculdades. Eu tinha necessidades prementes, entende? Eu estudava durante todo o dia. Começava das 3h às 5h da manhã em casa e depois das 6h30 às 22h. Eu não tinha o ensino médio, eu não sabia nenhuma das regras de Direito, eu não sabia português... Era urgente que eu me dedicasse.

 

Não havia curso online na época, e, ainda que houvesse, eu não tinha computador. Aliás, eu não tinha sequer códigos, a Constituição Brasileira ou uma gramática. O meu primeiro código eu ganhei de um professor do curso que eu frequentava. O professor Alberto Louvera me viu escrevendo tudo que ele falava, inclusive os artigos. Ele falou comigo que não precisava anotar, estava tudo no código, eu respondi que não tinha código e então ele me deu o dele, que eu guardo até hoje comigo.

 

- O que considera como negativo na sua preparação?

 

Não considero que tenha havido algo negativo, acho que tudo me deu resistência.

 

- Como e quando foi a notícia da sua aprovação?

 

Fiz dois concursos no período: TRF e TJ/RJ. Passei para os dois, mas não esperava ser chamada, então, em janeiro de 2004 precisei voltar a trabalhar. O dinheiro do auxílio desemprego havia acabado e uma colega do curso me conseguiu um emprego em um escritório de advocacia.

 

Veja bem, a conclusão do meu ensino médio foi em abril de 2004 e em maio de 2004 saiu a lista de classificação. Fui convocada no Diário Oficial em julho de 2004 e não sabia. Outra colega do curso, que acompanhava as convocações, me ligou no trabalho e, no momento, eu tive vontade de gritar - mas estava trabalhando. Segurei a onda e fui falar com a minha chefe, que, hoje, é uma grande amiga. Era tanta emoção que parecia que eu iria explodir, aliás, tive uma dor de cabeça súbita, acho que foi porque contive o grito.

 

Em julho também fui convocada para a prova prática do TRF, mas, infelizmente, fui reprovada na prova de digitação. Também, nem tinha computador (risos). Comecei a trabalhar no TJ em agosto de 2004 e, no mesmo dia em que tomei posse, matriculei-me na faculdade de Letras e comecei a realizar alguns sonhos.

 

- Quais as principais mudanças em sua vida, agora, como servidora pública?

 

Bem, eu preciso me estender só mais um pouquinho e contar mais uma coisa para vocês. Eu trabalhei durante 12 anos no comércio e, antes disso, quatro anos como catadora de latas, nunca tirei férias. Quando comecei a trabalhar, em agosto de 2004, a Diretora do Departamento onde fui lotada estava começando a organizar a listagem de férias, que tinha que ser publicada dali a dois meses. Como era um departamento enorme, ela chegou pra mim e perguntou: “Quando você quer tirar suas férias?”. Eu fiquei tão emocionada que comecei a chorar (risos). Na hora, ela não entendeu nada.

 

Vamos às mudanças:

 

No campo intelectual: fiz faculdade de letras, pós-graduação em LP e estou cursando um MBA em Gerenciamento de Projetos pagos pelo TJ/RJ;

 

No campo emocional: eu e minhas filhas passamos a ter tempo juntas e ganhamos qualidade de vida.

 

Em 2006, decidi fazer um novo concurso e reencontrei o meu primeiro namorado, em uma sala de aula do curso preparatório. Não continuamos nosso projeto de concurso naquela época, mas começamos a namorar e nos casamos em 2008. Viram como estudar é excelente em vários aspectos?

 

No campo financeiro: como ambos somos servidores públicos, pudemos contar com nossa estabilidade e comprar um apartamento e um carro, coisa que uma ex-catadora de lixo jamais esperaria almejar e realizar.

 

Na vida: imagino que esse não seja o canal adequado para o que vou dizer, mas não posso calar esse meu aspecto também. Sempre acreditei em Deus, foi à ele que confessava meus medos e cansaços durante toda minha preparação. Passar em um concurso como esse aumentou minha fé. É muito difícil olhar para trás e ver tudo o que passei, inclusive as datas em que tudo aconteceu, sem crer que houve um milagre.

 

- Hoje você continua estudando? Almeja um novo cargo?

 

Continuo estudando. Existem dois pensamentos que acalento e que se sintetizam em duas frases que me norteiam. Uma de Florbela Espanca diz o seguinte: “tenho fome e sede de infinito”, a outra, minha, diz o seguinte: “se você não decidir mudar, já decidiu ficar na mesma”. Sendo assim, comecei minha preparação para a área fiscal ou para alguma das agências reguladoras para cargos de nível superior, afinal, não adianta acomodar-me no meu cargo público e fazer o coro dos baixos salários e não fazer alguma coisa para mudar. Estou em constante processo de mudança.

 

- Quais dicas você dá para quem continua buscando a aprovação?

 

Primeiro a de que não se pode desistir. Às vezes, o desânimo, cansaço e desmotivação batem à porta. Desistir é a única opção que não se deve utilizar. Otimize seu tempo. Reorganize-o. O tempo pode ser um aliado ou seu algoz. Seja organizado.

 

Fuja de coisas ou pessoas que te possam tirar do foco: se faz curso online, discipline-se o suficiente para não alternar as aulas com e-mails, redes sociais ou outras notícias que lhe tirem tempo precioso de estudo. Trabalhe com um relógio despertador ao lado. Se estiver cansado de estudar e precisar se distrair um pouco, coloque o relógio para despertar te avisando do seu retorno ao estudo.

 

Não perca a fé. Mesmo que pareça impossível, não é. Peça apoio à família, amigos, pactue... Enfim, mudar paradigmas é um dos passos para uma boa preparação, o restante, cada um, com sua própria experiência, encontrará.

 

- Tem alguma frase, momento ou situação que mais tenha te marcado e motivado durante a sua preparação?

 

Apesar de a entrevista não ter se enveredado para esse ponto, preciso falar de alguém que me motivou muito no período de minha aprovação: o Sr. Mauro Lasmar. Na época em que eu fazia o curso preparatório, houve um dia de aula que não foi ministrado e os alunos pediram o dinheiro de volta. Eu não queria o dinheiro, não me adiantaria de nada e não me ajudaria a passar. Escrevi uma carta à direção do curso, naquela época era o maior curso preparatório do Rio, com algumas laudas, explicando-lhes toda a minha história e a minha necessidade de estudar. O Sr. Mauro, com a sensibilidade de educador que sempre lhe foi peculiar, ligou para minha casa e me ofereceu “carta branca” para que eu estudasse no curso até que eu passasse. Ele me disse: “li sua carta e tenho certeza de que você será aprovada, em breve, no próximo concurso que fizer e quero participar da sua aprovação”. O curso que eu havia pago não teria dado para que eu estudasse durante todo o ano de 2003. Foi depois da deliberação generosa do Mauro que consegui assistir as aulas dos professores feras que havia naquele tempo, e que continuam fazendo a diferença hoje. Sou eternamente grata, especialmente, ao Mauro Lasmar que, mesmo sem saber, foi um canal de bênção na minha vida.

 


- Se alguém te perguntasse sobre a lição que tirou de toda essa história de abdicações, sacrifícios e superação, qual seria a sua?

 

Passaram-se dez anos. As minhas filhas, hoje, têm 13, 15 e 19 anos; a mais nova está no último ano do ensino fundamental, é uma ávida leitora e diz querer ser juíza ao crescer. A do meio está se preparando para o vestibular e quer ser médica e a mais velha cursa faculdade pública na área de educação. O tempo passou e eu lutei muito para que a mudança se constituísse em nossas vidas de maneira a transformar-nos em uma família feliz e unida, apesar de todas as dificuldades. O tempo também teria passado se eu não tivesse estudado, se eu ainda estivesse no comércio ou se ainda catasse latas para sobreviver.

 

Teriam se passado os mesmos dez anos. A diferença é que hoje vocês me procuraram porque eu fugi da rota de colisão da minha vida, e isso mudou drasticamente o meu presente. Mudou porque eu decidi que, mesmos que houvesse sacrifícios, eu não queria mais aquela vida para mim.

 

Saí de uma zona de conforto e me coloquei em uma posição extremamente nova. O que tiro de lição? Valeu a pena! Valeu muito mesmo. O impossível é questão de perspectiva, a minha é que não há. Agora, rumo ao novo concurso, seja lá o tempo que isso leve para acontecer!

 

- Hoje, o que te dá mais prazer como servidora pública?

 

Caríssimos, em que pesem as críticas que se fazem ao judiciário estadual no tocante à demora dos seus julgados, ao excesso de serviço e à precariedade das remunerações, eu sou muito feliz e realizada no TJ/RJ. Exerço, desde 2009, um cargo de chefia e gerencio um projeto para erradicar o sub-registro civil no nosso estado. É engraçado, mas o TJ/RJ me proporcionou voltar às minhas origens de miséria e propiciar à população carente acesso à documentação básica. Desenvolver esse projeto me possibilitou conhecer pessoas poderosas e dar orientações e palestras em que estiveram presentes membros do Ministério Público, da DP e juízes. É incrível, mas aquela ex-catadora, hoje, desenvolve trabalhos de cunho social inclusive com catadores de Jardim Gramacho. Há muito mais entre o céu e a terra, não é?

 

Além disso, ministro aulas de Língua Portuguesa e de procedimentos administrativos na ESAJ, Escola de Administração Judiciária, e ainda sou remunerada por isso, pode? Sei que exercer função social e educativa dentro do TJ é simplesmente a complementação de um sonho, mas nada disso teria sido possível sem esforço, cansaço e a dedicação que são inerentes aos estudos voltados para concursos. Valeu à pena na minha época e a receita continua a mesma para hoje. Beijos a todos.

 

Lívia, é um imenso prazer para o Ponto poder contar e compartilhar histórias como a sua. Muito obrigada pela disponibilidade e que continue a crescer no lado pessoal e profissional da sua vida!