Entrevistas

Tiago Mota Avelar Almeida


Aprovado em 4º lugar para Analista Legislativo – Consultor de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados

Atualmente concursado do Senado Federal no cargo de Analista Legislativo área administrativa, o baiano Tiago Mota Avelar Almeida foi aprovado com excelente classificação no último concurso da Câmara dos Deputados, mas só conseguiu manter a colocação graças ao recurso que entrou para aumentar sua nota.

Prevendo que perderia sua colocação na prova de títulos, a decisão do Tiago foi extremamente importante e acertada, já que conseguiu mais de 10 pontos e se manteve no 4º lugar, dentro do número de vagas.

Quer saber como foi a experiência do Tiago com recurso e como ele se preparou para este concurso? Confira abaixo a entrevista completa:

Ponto dos Concursos – Tiago, como você teve essa percepção sobre tentar um recurso para não perder sua colocação? Qual era o seu medo ou receio do momento?

Tiago Almeida – Quando saiu o resultado final das provas objetivas e o provisório nas provas discursivas, verifiquei a classificação e percebi que estava em 4º lugar, última vaga disponível para ampla concorrência. A minha distância para o 3º colocado era de 3,78 pontos, para o 5º era de 1,4 pontos e ainda faltava a prova de títulos, que valia 30 pontos. Naquele momento fiz o que todo concurseiro faz: pesquisei o nome de todos os concorrentes que poderiam me ultrapassar na prova de títulos e vi que perderia ao menos uma posição, o que me deixaria fora das vagas.

Diante da situação, com receio de ficar fora das vagas e acreditando que poderia ter sido melhor avaliado, resolvi contratar a equipe do Ponto Recursos para algumas das questões discursivas. Vi que eles possuíam, em seu quadro de professores, Consultores de Orçamento com amplo conhecimento do assunto das questões discursivas. Como resultado, tive minha nota aumentada em 10,37 pontos, subindo para a 3ª colocação, preliminarmente à prova de títulos. Após o resultado definitivo da prova de títulos, fiquei na 4ª posição e isso me trouxe um grande alívio, por permanecer dentro do número de vagas.

Ponto dos Concursos – Muita gente não acredita muito nesse serviço, como foi sua experiência?

Tiago Almeida – De fato, muitas pessoas têm certo receio quanto ao serviço de auxílio na elaboração de recursos. Talvez por uma má experiência anterior própria ou de terceiros. Eu mesmo já tive experiência de contratar professor que elaborou recurso de qualidade duvidosa. Porém, após verificar os professores que elaborariam os recursos para a minha área, optei por confiar na equipe do Ponto e não me arrependi. O auxílio fornecido pelo Renan Milfont (membro da equipe do Ponto Recursos) e a qualidade do trabalho desenvolvido fizeram com que minha experiência fosse bastante positiva.

Ponto dos Concursos – Você já havia tentando recurso em outros concursos?

Tiago Almeida – Em 2010, prestei o concurso do MPU para técnico e analista administrativo. Quando saiu o resultado preliminar, havia sido aprovado para o cargo de técnico. Já para o de Analista, apesar de ter feito nota final que me deixaria dentro das vagas, fui eliminado na prova discursiva: tirei 2,03 pontos em 10. Vi que o Cespe havia pegado bastante pesado na correção, mas achava que o aumento da nota para atingir o mínimo de 5 pontos não seria possível.

Dada a ausência de professores por perto para auxiliar no recurso, já que na época estava morando no interior de Minas Gerais e desconhecia a existência desse tipo de serviço, resolvi fazer o recurso por conta própria. Contudo, não tinha à disposição material bibliográfico que sustentasse meus argumentos. Mesmo assim consegui aumentar minha nota para 3,63 pontos. Entretanto, não foi o suficiente para atingir o mínimo de 5 pontos. Quando verifiquei o resultado final dos demais candidatos, após os recursos, percebi que alguns tiveram a nota aumentada de forma significativa: teve candidato que saiu da nota 0,99 para a nota 8,19. A partir desse dia decidi que sempre tentaria aumentar a nota por meio de recursos.

Ponto dos Concursos – Tiago, você já é concursado pelo Senado e já passou também por outros órgãos. O que o motiva a continuar tentando outros cargos? Esse era seu objetivo final ou ainda pretende tentar novos?

Tiago Almeida – Inicialmente, quando comecei a estudar para concursos, em 2010, a principal motivação era a financeira. Trabalhava na iniciativa privada e, após pedir demissão, tinha em mente que só compensaria trabalhar no setor público se fosse em um cargo com boa remuneração. Com base nessa premissa, fiz meu primeiro concurso: o da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Após ser reprovado, resolvi tentar o concurso que aparecesse - desde que desse para eu me sustentar – e, após a aprovação, continuaria tentando outros.

Seguindo essa linha, fui aprovado dentro das vagas (3ª colocação) no concurso do MPU para técnico e como quarto excedente (11ª colocação) no concurso da CVM para Analista de Planejamento e Execução Financeira, ambos realizados em 2010. Depois fiz o concurso do ICMS-RJ, passando dentro das vagas (72ª colocação) e, após ser aprovado, veio a “surpresa”: o concurso foi anulado no dia seguinte à publicação do resultado.

Com isso, decidi continuar estudando para a área fiscal, visando ao concurso do ICMS-DF, que acabou não sendo realizado, por conta de problemas judiciais. Nesse meio tempo, meu concurso do ICMS-RJ, após decisão judicial, voltou a valer.

Na mesma época, saiu o concurso do Senado, que ofertou vagas para técnico, analista e consultor. Queria muito fazer o concurso de consultor, mas a matéria diferia muito do cargo de analista da área administrativa. Para mim, o concurso de Analista já seria melhor do que o do ICMS-RJ, já que minha esposa era concursada em Brasília e esta seria uma oportunidade de voltar a morar no DF. Por isso resolvi tentar os cargos de técnico e analista legislativo.

Estudei bastante e o esforço valeu a pena: passei para técnico (3ª colocação) e analista (2ª colocação), área administrativa. Com o concurso do Senado, fiquei bastante satisfeito financeiramente, mas, como disse anteriormente, queria muito fazer o concurso para consultor, principalmente pelo tipo de trabalho e com a possibilidade de trabalhar diretamente com orçamento, matéria com que sempre tive maior afinidade.

Quando saiu o edital do concurso de Consultor de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, voltei aos estudos bastante motivado e acabou dando certo. Agora não estou mais estudando para concursos e buscarei novos objetivos: pretendo me especializar na área de orçamentos e me dedicar bastante no meu novo trabalho.

Ponto dos Concursos – Muita gente acredita que, para passar em um concurso como esse, é preciso dedicação exclusiva, porém, no seu caso, não foi exatamente assim. Você trabalhava, tinha que dar atenção para a família e mesmo assim conseguiu essa excelente colocação. Como era sua preparação?

Tiago Almeida – Entendo que a preparação para concurso é gradual e que todo concurso serve de aprendizado para os futuros. No início da minha preparação, ficava o dia todo por conta dos estudos – das 7h às 24h - parava somente para refeições e banho. Morava com meus pais na época e tive todo o apoio para estudar. O dia rendia muito e esta foi a etapa que pude aprender de forma mais rápida.

Quando comecei a trabalhar no meu primeiro cargo, meu tempo disponível para estudo diminuiu, mas todo o conhecimento prévio utilizado na preparação de outros concursos estava fresco em minha cabeça. O meu trabalho era o de manter esse conhecimento prévio na cabeça e adquirir novos conhecimentos, de acordo com os concursos que eu fosse prestando.  

O meu método de preparação se iniciava com a seleção do concurso que eu iria prestar: buscava sempre a escolha de um concurso de cujas matérias eu já possuía algum conhecimento. A partir daí, ia acrescentando novas disciplinas a cada concurso (o único concurso em que não adotei esse método foi o do ICMS-RJ, pois na época havia uma grande escassez de concursos. Ademais, sabia, com base nos últimos concursos, que, para ser aprovado, bastava fazer o mínimo de 50% em cada matéria). Dava maior enfoque às matérias novas, apenas revisando aquelas que eu havia estudado.

Após a publicação do edital, somente utilizava apostilas específicas para concurso, inclusive as do Ponto dos Concursos, e focava bastante na resolução de exercícios comentados. A minha meta era ler e revisar todo o conteúdo quantas vezes fosse possível.

Para o concurso de consultor, li dois cursos de cada matéria cobrada e revisei por meio do curso que na minha visão estava melhor. Quanto à questão de conciliar família e trabalho, tive muito apoio da minha esposa, o que me possibilitou render bastante nos estudos, mesmo trabalhando. Conseguia estudar por volta de 7 horas por dia, fora o tempo de ida e volta do trabalho, que utilizava para ouvir videoaulas de Regimento Interno da Câmara dos Deputados (sempre preferi material escrito, mas não dava para voltar lendo o material enquanto dirigia - risos).

Além disso, tirei 30 dias de férias do trabalho de forma intercalada e, durante esse período, conseguia estudar por até 15 horas diárias.

Quanto ao cronograma, a minha meta era conseguir acompanhar a publicação das aulas pelos professores de cada matéria. Fiz uma tabela de Excel na qual eu visualizava todas as aulas que já haviam sido publicadas, as que estavam pendentes, quais eu já havia lido e a quantidade de vezes que tinha conseguido ler cada aula. Com isso, tentava sempre zerar a quantidade de aulas publicadas que não havia lido. Quando eu conseguia fazer isso, dava início à revisão de algum conteúdo, normalmente o que eu tivesse tido maior dificuldade. Sempre que possível, fazia novos exercícios comentados para verificar meu desempenho.

Ponto dos Concursos – Se fosse para apontar seus maiores acertos nessa preparação, quais seriam?

Tiago Almeida – Acredito que os maiores acertos, de forma resumida, foram: o aproveitamento do período de férias para estudar, a escolha de bons materiais de estudo, a resolução de muitas questões anteriores e o foco total no conteúdo constante do edital.

Quanto ao último ponto, acho importante falar um pouco mais. Notei que em algumas aulas havia extrapolação do conteúdo do edital. Aliás, havia aulas que só falavam de temas que, a meu ver, estavam fora do conteúdo do edital. O que eu fiz? Simplesmente desconsiderei essas aulas, pois entendo que, ao ler o conteúdo que estava fora do edital, eu estaria deixando de ler outro conteúdo que estava previsto de forma explícita.

Ponto dos Concursos – Qual o maior erro nesse tempo de preparação para concursos?

Tiago Almeida – O maior erro sem dúvida foi no início da minha preparação para concursos. Comprei uma apostila de 20 reais que possuía todo o conteúdo para me preparar para o concurso da SUSEP/2010. E aí você me pergunta: foi barato assim? E eu respondo: estava muito caro pela qualidade do material! O problema é que, infelizmente, não consegui perceber isso na época. Estudei com afinco, mas, logicamente, não passei.

Assim, o maior erro foi iniciar os estudos com material de qualidade ruim. E foi com base nesse erro que aprendi a fazer uma análise crítica dos materiais de estudo que utilizo: se o curso for ruim, perco o dinheiro investido, mas não perco meu tempo lendo o material.

Ponto dos Concursos – Quais dicas ou conselhos você daria para quem está tentando aprovação e ainda não alcançou?

Tiago Almeida – Como eu disse anteriormente, o conhecimento para aprovação em concursos é obtido de forma gradual. Entendo que cada experiência anterior auxilia nos certames seguintes. Por isso, se você ainda não conseguiu a tão sonhada aprovação, continue estudando.

Faça uma análise crítica de sua preparação e tente ver em que pontos você precisa melhorar. Busque estratégias para se manter motivado, pois a aprovação virá. Faça bastantes exercícios comentados, revise o conteúdo quantas vezes forem necessárias para fixá-lo e use todo o seu tempo disponível para estudo. Se possível, deixe para resolver os problemas que surgirem somente após a prova: anote em um papel todos que vierem na sua cabeça e os tire da sua mente durante os estudos.

Ponto dos Concursos – Gostaria de deixar alguma consideração final sobre sua preparação?

Tiago Almeida – Quero dizer que, durante toda a minha preparação para concursos, o Ponto sempre foi um importante aliado. Nesse último concurso que prestei, além do material em pdf, fiz uso do serviço de recursos, que foi de ótima qualidade.

Gostaria ainda de agradecer à minha família: meus pais, meu irmão e minha esposa, que foram primordiais para que eu pudesse chegar a esse meu objetivo. Aos meus pais, por me apoiarem desde o início e ter me dado a oportunidade de parar de trabalhar para estudar. Ao meu irmão, por ter me convidado para morar com ele em Brasília enquanto eu me preparava para concursos. À minha esposa, pelo apoio durante todo esse tempo, dando-me força para continuar estudando, mesmo sabendo que eu teria menos tempo disponível para dar atenção a ela durante a preparação.

Por fim, gostaria de agradecer à equipe do Ponto dos Concursos pela oportunidade de participar desta entrevista.

Equipe Ponto dos Concursos