Entrevistas

Luciane Maria Mártires


Aprovada em 16ª colocação para o cargo de técnico previdenciário da Manausprev com a ajuda do Coach Igor Oliveira. 

Aos 39 anos, casada, com dois filhos (o David de 3 anos e o Arthur, na barriga), já contando com o que vai nascer, a Luciane Mártires é bacharel em Processamento de Dados e em Turismo. Sua história não é nada fácil por conta do tratamento de saúde do seu filho David, que espera por um transplante em São Paulo. Superações como essa, da Luciane, inspiram e mostram quão pequenos são nossos problemas diante de tantas outras dificuldades da vida.

Como ela não é de se lamentar, sua vida e história seguiram. Juntando todo o tempo de preparação na caminhada rumo a um cargo público, já se vão cerca de oito anos. Antes desse concurso ela já havia se classificado em outros três: SERPRO, Prefeitura de Manaus e Tribunal Regional Federal. Atualmente, a Luciane está no cargo de analista Municipal/Turismo da Prefeitura de Manaus, na Secretaria de Meio Ambiente. No entanto, com uma bela história de superação e com muita garra, ela foi aprovada no concurso da Manausprev. Para ela, essa conquista significa melhores condições de vida, principalmente, para o seu pequeno guerreiro David.

Com a ajuda do Coaching do Ponto, nosso Coach Igor Oliveira acompanhou parte da trajetória da Luciane, com muito carinho, incentivo e esforço para que tudo desse certo ao final. Confira abaixo essa entrevista:

Ponto dos Concursos - Luciane, como conheceu o Coaching do Ponto e o que a motivou na escolha do Coach Igor Oliveira?

Luciane Mártires - Já fiz vários cursos no Ponto e, desde que começaram os coachings, namorava a ideia. No entanto, nos últimos três anos, tenho me dedicado exclusivamente ao tratamento de saúde do meu filho mais velho que espera um transplante em São Paulo e estava bem desanimada em conseguir incluir no meu dia a dia um espaço para voltar a estudar para concursos. 

Quando li uma entrevista de uma moça que havia perdido um neném e, orientada pelo Igor, havia conseguido voltar a estudar e passado, eu pensei: esse é o cara!  Fui conversar com meu marido para ver como colocar em prática o plano de voltar aos estudos, já que essa decisão impactaria diretamente em nossa rotina de cuidados com nosso filho. 

Após dias quebrando a cabeça, eu me matriculei na turma 9.  Infelizmente, as vagas já tinham acabado, mas eu estava tão motivada que escrevi pedindo que me aceitasse como excedente.  Era agora ou nunca.  Estava determinada a virar a mesa.

Fez o coaching por quanto tempo?

Fiz por três meses, mas depois continuei no grupo de ex-alunos do Igor.  Comecei estudando para o INSS e depois mudei para a Manausprev.  Foram 35 semanas registradas na planilha.  Minha mãe até brincou que foi uma gestação.

Quais foram os maiores diferenciais que você sentiu após a preparação com auxílio do coaching?

Como a falta de tempo era o maior problema, eu e o Igor estudamos em detalhes a minha rotina para tornar possível a dedicação diária de algumas horas para o estudo.  Além disso, a adequação do material de estudo ao nível de aprendizado por cada matéria otimizou o aproveitamento dessas horas.  Com isso, a cada dia a sensação de construir algo foi aumentando.  Todo dia um tijolinho.  Mandar o feedback diário se tornou a formalização do meu esforço diário.

Como você resume seu método de estudos antes e depois do Coaching?

Antes eu comprava o pacote completo de disciplinas para o concurso pretendido e me matava de estudar.  E isso até deu certo, tanto que passei para analista do TRF. Mas, com a rotina atual com nosso pequeno, o tempo para estudar ficou escasso e tivemos que adequar a escolha do material para a minha realidade.  Isso fez toda a diferença. 

Nas disciplinas que eu já tinha mais base, eu só respondia questões. Nas outras eu me dedicava à leitura.  Outra diferença foi quanto ao cumprimento de metas semanais, uma coisa é trilhar esse caminho sozinha e outra é compartilhar as dificuldades em cumprir metas e o sucesso de cada conquista.  Estudar para concursos costuma ser uma tarefa bem solitária, porque ao final não tem diploma como uma pós-graduação, mestrado ou doutorado. Se você passar, ótimo! Se não, só quem sabe que você chegou bem perto é você.  O coaching e o grupo de ex-alunos diminuem essa sensação.

Quais eram as maiores dificuldades em sua preparação? Como o coaching ajudou a superar?

Minhas maiores dificuldades estavam relacionadas a minha rotina de cuidados com o meu filho, David.  Eu e meu marido temos uma rotina realmente punk, porque ele é doente renal crônico e, por isso, nasceu prematuro.  Na UTI neonatal ele teve uma parada cardíaca, o que, somada à prematuridade e às várias cirurgias posteriores, teve um forte impacto em seu desenvolvimento neuropsicomotor.

Ele não se alimenta pela boca e toma 14 remédios por dia, que têm que ser administrados pela sonda de uma maneira que não prejudique as terapias de estímulo ao desenvolvimento dele (fisioterapia, fonoaudióloga, terapia ocupacional, etc).  Existe um cansaço físico e emocional relacionado a tudo isso e o Igor foi nota 10 em conseguir me dar força em momentos difíceis. Sempre enviava histórias de pessoas em difíceis situações que se superaram, como a da ex-catadora de lixo que hoje é servidora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.  Nos momentos de muito cansaço, eu me agarrava a isso. 

Foi durante o coaching que meu filho entrou para a lista de espera de doadores falecidos e saber que ele poderia ser chamado a qualquer hora foi um baque grande no lado emocional.  Viver nessa tensão e conseguir estudar foi complicado, mas saber que nenhum fuzileiro fica para trás foi reconfortante. Eu estava ali, na luta, mas sabia que não estava sozinha.  Mesmo depois de acabar o coaching, sinto-me acompanhada nos estudos porque participo do grupo de ex-alunos.  E um dá apoio para o outro nos momentos mais complicados.  Quando passei, fiz questão de comemorar no grupo, porque ali está todo mundo vencendo o cansaço e a inércia para melhorar de vida.  No dia da prova, eu já estava muito, muito cansada, mas o esforço da caminhada até aquele dia me deu força para me esforçar um pouquinho mais.

Como foram os dias próximos à prova?

Dar conta dessa rotina puxada, com toda a história que já contei e dos estudos, fez-me várias vezes quase desistir de cansaço.  Na semana da prova estava muito cansada (até por estar gestante). Fiz a prova à base de "vou ficar só mais um pouquinho, dá para aguentar".  E, de pouquinho em pouquinho, fiquei todo o tempo da prova. 

Saí da prova igual a um zumbi e chorei de cansaço, de raiva, de medo.  Pretendia voltar a estudar duas semanas depois, mas estava precisando de um tempo maior para mim, para os meus filhos e para o meu marido, que é nota 10!  Ele foi um superguerreiro, em ter aguentado muita coisa só para que eu pudesse estudar.  Tem que seguir, mesmo sendo muito difícil. Então vamos seguir.  Como fala, nosso líder Igor, um tijolinho todo dia. 

Gostaria de deixar alguma dica para quem continua se preparando em busca da aprovação ou alguma observação importante de sua preparação?

Não desistir jamais! Se não deu certo ainda, repense a estratégia, mas desistir não é uma opção. O coaching vale muito a pena, pois as dificuldades do dia a dia são superadas após tentar várias alternativas. O Igor é muito prático na abordagem das soluções. 

Como motivação eu aconselho mirar em um sonho e não em um cargo.  Meu sonho era poder ter melhores condições financeiras para dar um irmão para o meu David, para que ele possa ter sempre um companheiro. Como atualmente, nem eu nem meu marido conseguimos voltar a trabalhar (estou de licença da prefeitura à espera do transplante do David e meu marido teve que abandonar o emprego porque em Manaus não há tratamento para o David), decidi investi em estudar para ter mais oportunidades. 

Não foi fácil ter forças para estudar depois de um dia de batalha com ele, mas conseguimos passar e estamos esperando o irmão dele, o Arthur.  Conseguir subir esse primeiro degrau significou o início de um novo ciclo para nossa família, por isso digo que conseguimos passar, porque esse foi um trabalho de equipe.  Paramos de apagar incêndio e reagir às circunstâncias e fomos em busca da virada.

Outra boa dica é arranjar um fiel aliado ao seu lado: eu, graças a Deus, tenho um time inteiro. Minha família e amigos, com destaque para meu supermarido, que divide tudo comigo - conquistas, receios e alegrias, meus pais, que durante todo esse tempo de batalha nos apoiaram a cada passo, dando condições para investirmos nessa mudança, e minha irmã, minha companheira de vida, que me inspirou a lutar pelo sonho de dar um irmão para o David. Não posso me esquecer do exército de profissionais de saúde que participam dessa batalha cuidando do meu guerreiro (enfermeiras, médicos e terapeutas) e da turma da Prefeitura que sempre apoiou a mim e minha família nesse longo período de batalhas. Eu e meu marido ficamos aliviados com essa primeira conquista.  Estamos com os ânimos renovados para seguir progredindo.  E, por último, faça das dificuldades uma mola de incentivo.  Toda vez que pensava no quanto precisaria para pagar uma terapia para o David, eu estudava mais e mais.  A luta dele pela vida e em se superar é uma inspiração constante a persistir, pois pode até ser difícil, mas não é impossível.

Ao Igor e ao grupo dos monges guerreiros, um obrigado especial!  Nunca nos vimos, mas acompanhar as dúvidas, as batalhas e as conquistas um dos outros é uma ajuda e tanto!  Obrigada mesmo!  Estou igual ao Maguila, fazendo tanto agradecimento, mas é que acho que isso é o mais próximo que chego do Oscar (risos).

 

Coach Igor Oliveira

Professor, como foi o auxílio na preparação da Luciane?  Quais as maiores dificuldades encontradas no início?

A Luciane procurou minha ajuda no dia 01/07/2014, em plena Copa do Mundo. Ela me escreveu um e-mail contando sobre sua história, perguntando se havia como a ajudar e se era possível encaixá-la como excedente na turma de coaching que havia acabado de fechar.

Quando eu li o e-mail, jurei na hora que faria tudo por aquela família. É hipocrisia minha dizer que tratei o “caso” apenas com profissionalismo. Não, foi com coração mesmo. É impossível ficar insensível a uma situação dessas. Aprendi nos fuzileiros que guerreiros de verdade levam para o pessoal as brigas de seus amigos. Ainda mais se a briga é boa.

Não era uma questão somente de melhorar de vida através da aprovação num concurso público. Não era o caso de comprar um carro novo ou a possibilidade de viajar todo ano nas férias. O David, filho da Lu, precisava de mim. Era o que eu pensava o tempo todo. No dia em que ela me escreveu o e-mail, o David, com aproximadamente dois anos, já havia passado por doze cirurgias, dos mais diversos tipos, e enfrentado lutas que deixaria um adulto no chão.

Eu precisava ajudar a mãe dele a passar num concurso público para que ele, o David, tivesse mais tempo com ela, mais conforto. A família precisava melhorar sua renda e, se possível, morar em Manaus, pois a presença de familiares, numa situação dessas, certamente é fator de força. Além disso, a aprovação iria proporcionar a renovação remunerada da licença para acompanhamento de pessoa da família. A missão estava clara na minha mente: passar ou passar. Não era uma opção. Não podia deixar para depois.

A Lu tem uma rotina muito cansativa e, de certa forma complexa, por conta das diversas atividades que o David faz. Era quase impossível organizar, de maneira ortodoxa, o estudo dela. Se estabelecêssemos horários muito rígidos, certamente isso poderia frustrá-la, pondo por água abaixo todo o planejamento, pois sua rotina era polvilhada por acontecimentos aleatórios e inesperados. Assim, achei por bem levantar uma única bandeira, com um simples norte, fácil de lembrar e executar: qualidade.

Foi nisso que nos agarramos o tempo todo.

A minha missão era dar um caminho para a Lu seguir e mudar a mentalidade dela. Tirar a atenção do plano abstrato do sonho e jogar no plano concreto da tarefa, pois é trabalhando duro no momento que os sonhos se tornam realidade.

Focar na qualidade foi uma decisão acertada, pois aliviou um pouco a pressão de fechar materiais ou passar no concurso. Qualidade era algo que ela podia fazer ali, naquele momento. Era uma ilha de simplicidade num mar de obrigações complexas. Qualidade estava sob nosso controle.

Sempre dizia: “Se surgir 1 hora na sua rotina, estude com qualidade. Não se preocupe em fechar a matéria, nem quando vai passar. Estude com qualidade”.

Além disso, na parte técnica, decidimos inicialmente focar no INSS. Isso teve basicamente dois motivos: (1) era um volume de disciplinas possível de ser gerenciado pela Lu, levando em conta o conhecimento prévio que ela possuía de algumas matérias e (2) havia a promessa de lançamento do edital.

Quando escolhemos esse foco, não sabíamos que a MANAUSPREV lançaria o edital. E, naquele momento, era o concurso que ela justamente precisava, pois a MANAUSPREV, como o próprio nome sugere, abriria rapidamente as portas de Manaus novamente. É aquele velho ditado de que “a sorte acompanha os audazes”.

Muitas pessoas ficam esperando a condição ideal para começarem a batalhar pelos seus sonhos. O concurso perfeito, a hora perfeita, a concentração perfeita...tudo tem que ser perfeito. Condicionam o seu rendimento a uma vida quase perfeita. O caso da Lu mostra que, mesmo com pouco tempo, e uma rotina complexa, é possível, com boa vontade, estudar. Além disso, o exemplo da Lu quebra o paradigma de que é preciso “parar de viver” para estudar. Ela não deixou de criar lembranças com seu filho e ainda assim estudou. Mas ser equilibrado exige disciplina, maturidade, é cansativo, daí as pessoas preferem o caminho do extremismo: ou param de viver ou não estudam nada.

No dia 10/07/2014 enviei o planejamento inicial para a Lu, que foi sofrendo pequenas modificações ao longo do coaching. Quando o coaching terminou, continuamos mantendo contato por e-mail, pelo grupo de ex-alunos e, de vez em quando, por telefone.

E assim prosseguimos, como o Davi, conquistando as disciplinas passo a passo. Depois vocês já sabem o que aconteceu. Abriu o edital e a Lu, já grávida, tirou forças não sei de onde para dar o gás final. Sem palavras.

Gostaria de deixar algum recado para a Luciane?

Lu, eu quero apenas agradecer, pois parabéns você já recebeu e irá receber sempre.

Nessa vida de magistério, é comum escutarmos que professores também aprendem com seus alunos. E você me ensinou muito. Mas muito mesmo.

As pessoas têm a mania de hierarquizar a felicidade através de cargos ou dinheiro, mas você reforçou meu entendimento de que o que vale mesmo são os momentos mais simples da vida, como ver nossos filhos brincando e sorrindo.

Teve uma vez que você e o David foram chamados ao hospital para receber a notícia de que o David iria ser inscrito na fila de transplante de rins e que, a partir daquele momento, ele poderia ser acionado a qualquer instante para a cirurgia. Lembra-se disso? Nesse dia você me escreveu e à noite eu liguei pra você. Foi um dia longo, com decisões difíceis e uma carga emocional enorme. Depois de tudo que aconteceu, você disse que ainda iria estudar um pouco. Eu questionei se não seria melhor você descansar naquele dia e acordar mais cedo no dia seguinte. Você me disse uma frase que nunca mais esquecerei e que ainda hoje eu uso na minha própria vida: “é o que eu posso fazer hoje professor”.

Quanta nobreza há nessa frase, Lu! Quanto significado ela carrega!

Ainda que o David tenha sido sua motivação principal, não foi apenas por isso que você estudou, pois muitos de nós, com motivação semelhante, não conseguiríamos fazer o que você fez. Você tem um senso grande de honra e comprometimento. Nunca vi você reclamar de nada. Apenas de cansaço físico e às vezes de Raciocínio Lógico (risos).

Para enfrentar o que você enfrentou (e enfrenta), tem que ter grandeza e fé em si mesmo. Você chorou, caiu, levantou, ficou sem chão inúmeras vezes, mas manteve a elegância. E acredito ser essa, em síntese, a missão de cada pessoa: ter um propósito, um sonho e manter a elegância na batalha para conquistá-lo.

Por diversas vezes, você me deixou sem palavras com seu esforço. De boa véi, você é um exemplo pra mim. Obrigado por ter permitido que eu fizesse parte disso. Obrigado mesmo!

Quero deixar um grande abraço para você, Paulo, Arthur e especialmente para o David, o verdadeiro fuzileiro da história.

Adsumus!