Entrevistas

Geizy Cristina da Silva


Aprovada em 3º lugar para Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil


Formada em Ciências Contábeis, casada, concursada do TRT/MG desde 2012, porém concurseira desde os 17 anos – quando passou no concurso dos Correios para atendente – a história da Geizy é uma boa dose de motivação e inspiração. 

Os estudos dela para a Receita Federal começaram em 2011. Em 2012 foi lançado um edital, ela prestou o concurso, porém não conseguiu aprovação. Foi um baque e por alguns dias/meses pensou em desistir dessa preparação.

“No concurso de 2012 eu disse que não queria fazer essa prova nunca mais em minha vida porque achei que esse concurso era muito cruel. Sabia que era a primeira vez que eu estava fazendo a prova e não esperava passar logo de cara. Mas naquela prova consegui fazer o mínimo para ser convocada para a prova discursiva, mas não fiz 40% na prova de auditoria”, disse Geizy.

Em 2013 veio o casamento e, como nem tudo são flores, também a descoberta de que um dos irmãos estava doente. Duas coisas que a fizeram parar.

Tem um ditado que diz: nada como um DIA após o outro! Para a Geisy, o ditado foi assim: nada como um ANO após o outro!

Já no final de 2013 ela começou a se preparar novamente, traçou novos caminhos e formas com a ajuda de uma consultoria e conseguiu a sonhada aprovação, e com uma ótima colocação.

Vamos conferir a entrevista da 3ª colocada no concurso da AFRFB/2014?

Ponto dos Concursos - Geizy, desde quando estuda para concursos e como foi esse início da caminhada?

Geisy Cristina - Fiz meu primeiro concurso em 2002 para atendente comercial da ECT, quando eu ainda tinha dezessete anos. Foi o primeiro grande desafio da minha vida, já que o concurso era regional e não havia vaga na minha cidade, o que me obrigou a deixar minha família no interior e vir para Belo Horizonte.

Trabalhei nos Correios por oito anos, período em que ingressei na faculdade e concluí minha graduação em Ciências Contábeis. Durante esse período, prestei vários concursos para cargos de nível médio, como TJMG, ALMG, TCE-MG, BACEN, dentre outros. Sempre fazia um prova razoável, mas não conseguia ficar dentro do número de vagas. Isso só aconteceu nos concursos de 2009 para Assistente Técnico Administrativo do Ministério da Fazenda e para Técnico Judiciário do TRT 3ª Região, meu atual cargo.

Em 2011, quando me formei, iniciei minha preparação para o concurso de Auditor-Fiscal da Receita Federal, ao qual me dediquei até hoje.

Ponto dos Concursos – Quando começou já tinha um foco ou foi descobrindo aos poucos?

Geisy Cristina - Quando comecei na minha vida de concurseira não tinha foco algum. Nos primeiros anos, fiquei tentando passar em um concurso de nível médio que tivesse uma remuneração razoável e uma carga horária menor, de seis ou sete horas, para que eu pudesse continuar estudando para um concurso de nível superior.

Quando entrei para a Universidade, em 2006, já havia ouvido falar do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal e comecei a sonhar com ele, ainda sem conhecê-lo muito bem. Aos poucos fui tendo mais contato com auditores (professores, amigos) e também com Direito Tributário, matéria que eu adoro, o que me fez desejar cada dia mais ser aprovada nesse concurso.

Ponto dos Concursos - Como foi sua preparação para esse concurso? Desde quando começou a estudar focada para a Receita?

Geisy Cristina - Comecei a estudar para a Receita em 2011. Fiz um cursinho presencial até julho de 2012, quando foi publicado o edital. Ainda faltavam várias matérias para estudar e, como o tempo era muito curto, passei a estudar em casa por meio de cursos online.

Como não fui aprovada, resolvi dar um tempo nos estudos porque os meses seguintes àquela prova foram muito conturbados. Estava com casamento marcado e tinha tudo ainda para organizar e, na mesma época, descobrimos que um de nossos irmãos estava doente, o que desestabilizou muito a nossa família.

No final do ano de 2013, quando tudo estava mais tranquilo, resolvi retomar os estudos. Estava determinada a estudar pra valer, queria muito ser aprovada logo para poder fazer as coisas de que gosto sem sentir remorso por não estar estudando. O que eu não esperava era que o edital sairia já no início do ano. Eu estava ainda na fase intermediária de estudos, então tive que aumentar muito o ritmo para conseguir fazer a prova.

Ponto dos Concursos – Qual foi sua motivação para se tornar servidora pública e para tentar um concurso tão concorrido e consequentemente difícil como o da Receita Federal?

Geisy Cristina - Quando entrei para o serviço público, em 2003, não tinha ainda resolvido o que queria para a minha vida, estava apenas entrando em um emprego novo. Mas depois que eu estava lá, percebi que não queria mais sair, principalmente por causa da estabilidade que o serviço público oferece.

Então comecei a pensar nas possíveis carreiras públicas que eu poderia seguir e, desde o início, me senti atraída pela carreira fiscal, principalmente pela boa remuneração. Comecei estudando para a Receita Federal e, depois de um tempo, resolvi que seria bom tentar outros fiscos também, estaduais e municipais. Porém, como o edital da Receita Federal saiu mais rápido do que eu esperava, não cheguei nem a estudar para outro concurso fiscal.

Ponto dos Concursos – Dispondo de tão pouco tempo para estudar, como era sua rotina de estudos? Seguia algum cronograma?

Geisy Cristina - Quando estudei para o concurso de 2009, a maior parte da minha preparação foi presencial. Fiz primeiro o curso básico, com as disciplinas de conhecimentos gerais, depois o curso intermediário, com algumas matérias gerais e outras específicas. Quando saiu o edital, não havia feito ainda o curso avançado, que incluía

Comércio Internacional, tópicos avançados de Contabilidade, Direito Penal e outras. Além disso, foram incluídas matérias novas com relação ao último edital. Como havia várias matérias que nunca tinha visto, foquei o estudo nessas e deixei as que eu já havia estudado de lado. Isso foi péssimo, porque na prova eu não conseguia me lembrar de tudo que tinha visto há quase um ano.

Na minha preparação para o concurso de 2014, com a ajuda de um consultor, consegui organizar o estudo de forma que nenhuma matéria ficou sem revisão. O estudo foi focado nas matérias de maior peso e nas que eu tinha mais dificuldade, mas sem desprezar as demais.

Ponto dos Concursos - Entre a publicação do edital e a realização das provas, quantas horas você estudava diariamente? Como você dividia esse tempo entre o estudo de teoria e resolução de exercícios?

Geisy Cristina - Quando saiu o edital, ainda estava nas disciplinas de conhecimentos gerais e algumas poucas de conhecimentos específicos. Nessa fase, estudava de seis a sete horas por dia durante a semana e nos sábados e domingos estudava o dia todo.

Depois do concurso de 2012, percebi o quanto é importante fazer exercícios. Digo isso porque acho que antes eu não fazia o suficiente. Nesse concurso de 2014, procurei dividir melhor meu tempo, assim, todos os dias mesclava o estudo de teoria e resolução de exercícios, marcando aqueles que geraram dúvidas para rever depois. Fiz milhares de exercícios de todas as matérias. Na reta final, estudei algumas matérias praticamente só por meio de exercícios comentados, como Contabilidade e Direito Tributário, por exemplo.

Ponto dos Concursos - A sua graduação em contabilidade deve ter ajudado em algumas disciplinas. Como fazia com as de maior dificuldade? Quais eram essas?

Geisy Cristina - De certa forma, o meu curso ajudou sim. Na faculdade eu pude ter uma noção de Direito Tributário, Administração, Estatística, Auditoria e, é claro, Contabilidade. Isso não quer dizer que eu não gastei meu tempo estudando essas matérias, afinal a abordagem de uma prova de concurso é diferente da faculdade, por isso precisei estudar bastante.

As matérias de maior dificuldade para mim eram as matérias específicas, especialmente a de Legislação Tributária, Aduaneira e Comércio Internacional. Na verdade, nem eram as mais difíceis, mas eram as que eu havia estudado menos no último concurso. Então foquei o estudo nessas matérias, fazendo muitos exercícios para tentar fixar bem o conteúdo.

Ponto dos Concursos – O que considera ter sido o seu diferencial nessa preparação?

Geisy Cristina - O planejamento, bons materiais e a quantidade de exercícios que fiz. Eu posso dizer seguramente que fazer exercícios, muitos exercícios, é algo indispensável. Muitas vezes lemos um conteúdo de uma matéria várias vezes e pensamos que entendemos tudo, mas não temos ideia de que forma aquilo pode virar uma questão. A prática é, sem dúvida, a melhor forma de fixar o que aprendemos.

Ponto dos Concursos – Quais são as maiores dificuldades enfrentadas em uma preparação como essa?

Geisy Cristina - Além do cansaço e do estresse, a abstenção do convívio social foi uma grande dificuldade para mim. Quando resolvemos estudar para um concurso como esse, sabemos que teremos que abrir mão de muitas coisas, o que é muito mais difícil do que imaginamos antes de começar.

Ponto dos Concursos – O que fazia nos momentos de lazer e com que frequência você se dava esses momentos?

Geisy Cristina - Como minha família é de outra cidade, tirei alguns domingos para visitá-la. Além disso, o sábado à noite era livre para assistir a algum filme em casa ou sair um pouco para relaxar, sempre programas leves.

Ponto dos Concursos – Sentia algum remorso nos momentos de lazer, por pensar na concorrência, no tempo perdido?

Geisy Cristina - Sentia muito remorso! Mas, por outro lado, sabia que alguns momentos de lazer seriam importantes para tentar desligar um pouco dessa loucura que é o concurso. E, ainda, pensava muito na minha família, que passava por um momento difícil e precisava do meu apoio, então eu não podia ficar completamente afastada.

Ponto dos Concursos – Muitas pessoas reclamam da questão da concentração para estudar por horas sem se dispersar. Você conseguia normalmente? Como lidava com isso?

Geisy Cristina - Eu nunca tive muito tempo para estudar porque durante a maior parte da minha vida trabalhei oito horas por dia e por cinco anos ainda tive a faculdade. Então me acostumei a estudar em ambientes não muito apropriados, como no refeitório da empresa, no intervalo da faculdade, no ponto de ônibus... Mas algumas vezes ainda perdia a concentração, normalmente quando estava muito cansada ou preocupada com alguma coisa. Nessas horas eu sempre preferia parar um pouco os estudos, aproveitava para ir dormir mais cedo ou para conversar um pouco. Não gostava de ficar insistindo muito quando estava desconcentrada porque o rendimento era zero e eu acabava ficando frustrada.

Ponto dos Concursos – Ao longo desse tempo de preparação, o que você considera indispensável?

Geisy Cristina - Determinação e disciplina. No período em que estava estudando, saía do trabalho correndo todos os dias e ia direto para casa, normalmente não ligava a TV e tentava não sair da rotina nunca. Quando saímos da rotina um dia, atrapalhamos o planejamento do dia seguinte e por aí vai.

Ponto dos Concursos - A maior parte da sua preparação foi online. Essa decisão se deu por falta de opção em sua região ou por se identificar mais com esse tipo de preparação?

Geisy Cristina - Em 2011, fiz um curso presencial direcionado para a Receita Federal. Como estava iniciando os estudos para o cargo de AFRFB e não tinha nenhuma experiência em estudos para concursos desse nível, achei que a experiência foi válida. No entanto, os cursinhos presenciais têm as desvantagens do deslocamento e da falta de flexibilidade.

Quando comecei a estudar por materiais online, me identifiquei logo de cara. Com eles ganhamos tempo e temos mais liberdade para organizar os estudos.

Ponto dos Concursos – Qual mensagem você gostaria de deixar para os que não conseguiram aprovação nesse concurso? Como você já foi reprovada em 2012, certamente sabe o gostinho que fica.

Geisy Cristina - Não desista! Se você considera que esse cargo é o que você quer para sua vida, lute por isso. No concurso de 2012 eu disse que não queria fazer essa prova nunca mais em minha vida porque achei que esse concurso era muito cruel. Sabia que era a primeira vez que eu estava fazendo a prova e não esperava passar logo de cara. Mas naquela prova consegui fazer o mínimo para ser convocada para a prova discursiva, mas não fiz 40% na prova de auditoria. Então fiquei pensando que talvez não valesse a pena ficar mais um ano ou dois estudando muito para chegar na hora da prova e encontrar algo como a prova de Auditoria de 2012 e ser reprovada outra vez.

Graças a Deus, essa revolta passou e eu continuei firme em meu objetivo. Eu desejava tanto passar nesse concurso que não podia me entregar assim tão facilmente. E com muita persistência, hoje estou aqui dividindo com vocês a minha história.

Ponto dos Concursos – Gostaria de deixar alguma mensagem para as pessoas que alegam não conseguir passar por falta de tempo, porque trabalham, têm filhos, etc.?

Geisy Cristina - Sempre pensei que tudo na vida é uma questão de prioridade. A gente precisa pensar: “o que eu mais quero na vida nesse momento?” A partir daí vamos traçar o caminho que precisaremos percorrer para atingir o nosso objetivo. Quando desejamos algo de verdade, precisamos lutar por isso, o que implica abrir mão de várias coisas na vida. Mas é isso mesmo, nos abdicamos de algo hoje para termos algo melhor amanhã.

Eu ainda não tenho filhos, mas sou casada, sou muito ligada a minha família e trabalho desde os treze anos. Nesses últimos meses, tive que me dedicar quase exclusivamente aos estudos, então sei que fiquei devendo muito como esposa, como filha, como irmã e como amiga. Mas as pessoas que torciam por mim sabiam que eu estava fazendo isso para alcançar algo que queria muito e por isso me apoiavam sempre.

O importante é ter um objetivo, lutar por ele e não desistir. Se você tem menos tempo, talvez vá demorar um pouco mais até atingi-lo, mas com persistência irá alcançá-lo. Eu mesma demorei cerca de cinco anos para passar em um concurso de Técnico Judiciário de nível médio. Não tinha praticamente tempo nenhum de sobra para estudar, então ia “criando tempo” durante o horário de almoço, o intervalo da faculdade, enquanto esperava o ônibus e por aí vai. Era pouco tempo, mas eu estava sempre estudando, até que um dia chegou a minha vez de comemorar!

 

 

 

Equipe Ponto dos Concursos.