Entrevistas

Celeyda Motta


1º lugar no concurso do TRT – 13ª Região para Analista Judiciário, apoio especializado em Odontologia.

Moradora de Teresina (PI), formada em Odontologia, casada, dois filhos e concursada da prefeitura desde 2007, Celeyda Motta pode ser chamada de ‘guerreira’ sem nenhum medo da palavra. A história da Celeyda é simplesmente fantástica por tanta determinação desde os primeiros momentos da decisão de se tornar servidora pública.

O sonho de ser concursada veio ainda nova, tanto que o alcançou em 2007. Mas, não satisfeita com a renda, consequência das despesas que aumentaram com a chegada dos filhos, a única alternativa era tentar novos e maiores desafios.

É uma história realmente contagiante, já que dificuldades foram muitas e o ‘tempo’... esse ─sendo mãe, mulher, dona de casa, concurseira e concursada ─ foi um dos maiores desafios.

Quer saber todos os detalhes dessa história? Confira aqui a entrevista completa dessa guerreira:

Ponto dos Concursos – Celeyda, muitas pessoas consideram impossível uma mãe de família trabalhar, estudar e ainda tomar conta da casa e dos filhos. Como foi sua preparação com tantas atribuições?

Celeyda Motta – Confesso que não foi fácil. A primeira coisa que uma mãe costuma pensar é: “não tenho tempo”. Mas uma frase citada por um professor, ainda na graduação, sempre me orientou: “falta de tempo é a desculpa de quem não tem tempo por falta de método”. Logo, nunca utilizo essa desculpa para o que quero conseguir.

Para descobrir qual o método a ser utilizado, tive que avaliar a minha rotina e descobrir qual o tempo disponível para estudar. Eu acordava às 5h20 para preparar café da manhã, levar as crianças à escola e trabalhar. À tarde tinha que orientar as crianças nas tarefas da escola, levar para aula de inglês, natação, ir ao médico, essas funções próprias de mãe. À noite dava para estudar a partir das 20h, com intervalo para jantar com o maridão às 22h e depois voltava a estudar até meia noite.

Estudava também após o atendimento aos pacientes na unidade de saúde em que eu trabalhava. Sempre que surgia uma brecha, eu estava ali com os livros abertos. Quando ia ao salão de beleza, enquanto as mulheres folheavam Caras, eu lia um livro de Direito Administrativo, por exemplo. Consigo me concentrar em qualquer lugar.

Os finais de semana eram dedicados aos estudos, na medida do possível, é claro. Dividi algumas tarefas de casa com meu esposo e assim dava certo.

Como você pode ver, a logística é bem diferente da utilizada pelos outros concurseiros. Mas diferente não quer dizer inferior, meu estudo era produtivo e eu conseguia cumprir minhas metas. Pensava o seguinte: se eu conseguir no mínimo 1 hora de estudo, no final do mês serão 30 horas de preparação.

Ponto dos Concursos – Quais foram suas maiores dificuldades diante de tantas atribuições como mãe, mulher, concursada, concurseira e dona de casa?

Celeyda Motta – Tive muitas dificuldades. Vencer o cansaço, abrir mão dos momentos de lazer com minha família, com amigos e acreditar que, apesar de todas essas limitações, eu conseguiria uma vaga concorridíssima em um tribunal. Essas foram as primeiras dificuldades.

Não tenho como deixar de falar daquelas inerentes a minha profissão e da decisão de estudar para Tribunais. Ser dentista no Brasil é muito difícil. É uma profissão que exige um investimento financeiro muito alto, cujo retorno é muito lento.

Quando descobri, em 2009, que o plano de carreira e a remuneração de dentistas no Judiciário eram excelentes, resolvi tentar. Seria uma saída para minha insatisfação financeira. Mas os problemas eram: o concurso oferecia apenas uma vaga e havia a cobrança de matérias totalmente desconhecidas para mim (Direito Constitucional e Administrativo, Informática, Raciocínio Lógico, Regimento Interno, Português). 

Nessa época houve concurso no TRE do Piauí, o qual oferecia uma vaga para dentista. Estudei muito, mas estava muito ansiosa por acreditar que outra oportunidade dessa não haveria mais, além de estar insegura por não dominar o conteúdo de conhecimentos gerais.

No dia da prova estava tão nervosa que nem sabia por onde começar. Parei a prova objetiva na metade, fiz a redação, voltei para a objetiva e o último texto de português não consegui nem ler. Todos os erros possíveis que uma pessoa poderia cometer na hora de uma prova eu cometi. Consegui um 3° lugar utilizando, acreditando eu, o máximo de dedicação possível. Obtive excelente nota em tudo, menos em Português. Após a prova fui analisar minhas dificuldades e foi aí que descobri os maiores desafios, maiores até que a limitação de tempo:

- controlar a minha ansiedade;

- acreditar no meu potencial;

- dominar as matérias de conhecimentos gerais;

- treinar a resolução de provas (simulando o dia da prova);

- decidir qual o foco dos estudos: se odontologia em tribunais ou concursos para outras áreas de atuação;

- descobrir qual a bibliografia odontológica utilizada pelas bancas principais. Para Direito, por exemplo, encontramos facilmente cursinhos e livros voltados para determinadas bancas, mas para Odontologia não há.

Ponto dos Concursos – Você seguia algum cronograma de estudos?

Celeyda Motta – Posso afirmar que o meu planejamento foi peça-chave para o meu sucesso. Se há uma coisa que um bom dentista tem que saber é planejar. Um planejamento mal executado compromete todo o sucesso de um tratamento odontológico, mesmo com as melhores técnicas e materiais de última geração.

O planejamento para meu estudo seguiu a mesma metodologia. Analisei como eu estava (simulei algumas provas, identificando em que poderia melhorar e o que poderia me diferenciar dos outros candidatos). Estabeleci um prazo de 5 anos para conseguir essa vaga. Depois disso, caso não conseguisse, investiria em outro tipo de concurso.

Posso dividir a minha preparação em dois momentos: de 2010-2011 e de 2012-2014.

Nesse primeiro período (2010), decidi estudar todas as matérias de conhecimentos gerais que poderiam ser cobradas, isso aumentaria minha segurança, pois estudar matérias fora da área de atuação após o edital é muito estressante. O ano de 2010 seria só para essas matérias. Analisei os últimos editais da FCC e do CESPE, mesmo que não fossem para Odontologia e dividi as matérias em grupos:

G1: Direito Constitucional e Administrativo;

G2: Português;

G3: Informática, Raciocínio Lógico.

Estabelecia metas semanais e mensais, de modo que até o final do ano estivesse com domínio do conteúdo. Até planilha fiz com todos os meus compromissos diários.  Às vezes, não dava para cumprir. Quando um dos meus filhos adoecia, por exemplo, aí não dava. Mas adaptava o cronograma. Eu dormia e acordava pensando nas minhas metas, mas nada de angústia se desse errado.

Saiu o edital do MPU em 2010 e não fui nem classificada, porém o meu desempenho em conhecimentos gerais tinha sido excelente. Agora era hora de estudar a parte específica da minha profissão, pois as provas estavam ficando bem complexas.

Para isso, imprimi todas as provas específicas para Odontologia da FCC de 2003 a 2010. À medida que respondia as provas, separava as questões por assunto em cadernos e comentava as que geravam dúvida. Fiz um excelente banco de questões comentadas. Mas tudo em caderno, pois computador cansa muito minha visão. Apesar de a banca não repetir questões específicas, a abordagem dela diante de determinado tópico do edital era muito importante para o direcionamento do estudo.

Depois disso, decidi fazer todas as provas que surgissem pelo Brasil, passaria a investir em viagens e fazer as provas. Não dava para esperar uma oportunidade no Piauí. Assim estudaria corrigindo meus erros e, como fazia as provas sem a cobrança de aprovação, minha ansiedade ia reduzindo. Fui aprendendo por onde era melhor começar a prova, a controlar melhor o tempo. Foi excelente!

Em 2010 fui classificada em alguns concursos, mas não fiquei angustiada com os resultados, sabia que a fila estava andando e que eu estava ficando cada vez mais experiente. Mantinha a mesma forma de estudo, focava nos erros que cometia nesses concursos e ia descobrindo o melhor livro para cada especialidade odontológica. Tinha um caderno reservado para cada concurso que fazia, então, quando saía um edital, eu estudava os resumos dos assuntos de editais anteriores e  só ia pesquisar os tópicos diferentes que iam sendo incluídos.

Todos os concursos em que fui classificada eram para cadastro de reserva, pois, em 2010, havia sido editado um decreto presidencial autorizando isso. Mas, como os primeiros colocados foram nomeados, resolvi continuar investindo nessa área.

Em 2012, fui aprovada em 1º lugar para o TRE do Paraná. Finalmente! Pensei ter chegado ao fim a minha luta. Mas recebi um: “Parabéns pelo primeiro lugar! mas não há vagas e nem intenção de nomear ninguém. Apenas queríamos um cadastro de reserva”. Dos concursos que fiz, foi o único que não nomeou ninguém para o apoio especializado. Apesar de a prorrogação ser até 2016, eles já me responderam por escrito que não há intenção em nomear para Odontologia.

Passei o restante do ano de 2012 sem estudar, pois estava ainda na esperança de nomeação. Em seguida veio a decepção, a perda do estímulo e muitas dúvidas. Tentei até estudar para concursos de outras áreas.

Só voltei a estudar novamente para a área de odontologia em janeiro deste ano (2ª fase de preparação). Analisei as quatro últimas provas e estudei-as minunciosamente. Vi que a tendência da banca havia mudado, cobrava assuntos muito atuais da Odontologia. Pesquisei os possíveis livros (todos lançados em 2013-2014). Comprei-os com dificuldade de encontrá-los, pois eram os últimos lançamentos.

De janeiro a abril já tinha estudado a parte específica e fiz um curso de redação (presencial). Para o próximo edital só teria que revisar meus resumos e esquemas, e incluir algum tópico diferente. Mas sempre seguindo cronogramas.

Ponto dos Concursos – Estudava por cursos presenciais ou Onlines? Quais as vantagens que via na forma de estudo?

Celeyda Motta – Na parte de conhecimentos gerais, já fiz cursos presenciais, mas perdia muito tempo no trânsito, tinha que levar meus filhos à casa dos meus pais e pegá-los às 22h, era um transtorno.

Desde 2010 faço cursos a distância (videoaulas e PDF). Para mim, que tinha que otimizar o tempo, era excelente pois eu economizava tempo e poderia estudar em qualquer lugar, inclusive no trabalho. O Ponto dos Concursos, em especial, foi importantíssimo.

Um curso muito importante que fiz foi o de Português, da professora Júnia Andrade, que me ensinou a entender e a decifrar a banca FCC. Fiz esse curso em 2011 e depois disso consegui manter um excelente nível, mesmo sem estudar Português após o edital. Apenas resolvia uma ou duas provas atuais e estava pronta. No mínimo, 90% da prova de Português estavam garantidos, não tinha nem medo.

Ponto dos Concursos – Como eram seus momentos de lazer, na época da preparação?

Celeyda Motta – No início da minha preparação esses momentos foram raros. O tempo em que ficávamos juntos com essa finalidade era nos almoços de domingo, na casa dos meus pais e em raríssimas saídas a alguma festa. Como disse anteriormente, fiz essa difícil opção. Meus filhos iam para o cinema, shopping e festas com o pai e eu ficava estudando.

Fiquei relativamente isolada, nem redes sociais eu utilizava. Fui alvo de severas críticas. Tive que aprender a ouvi-las e, muitas vezes, desconsiderá-las. Meu marido me apoiava e meus filhos passaram a entender.

Aproveitava as férias escolares das crianças para estudar intensamente. Só tirava férias no trabalho se tivesse um concurso em vista. Estudava, inclusive, nas viagens de férias. Na casa de praia, lotada, enquanto todos estavam se divertindo, eu estava estudando o dia inteiro no quarto. Mas estudava com um prazer tão grande que é difícil acreditar. Era o prazer de ter conseguido o famoso e difícil tempo para estudar.

Esse ano, como já me achava bem preparada e já tinha conseguido ficar em 1º lugar, concorrendo com 1006 candidatos, no TRE do Paraná, eu pude me dar ao luxo de ter mais momentos de lazer com a família.

Ponto dos Concursos – Como foi a parte discursiva da sua preparação?

Celeyda Motta – Quando voltei a estudar para tribunais, no início desse ano, observei que esse era mais um desafio: escrever sobre assuntos de atualidades. Percebi que a redação estava sendo decisiva nos últimos concursos. Foi então que resolvi incluir 2 horários por semana para a prática de redação e pelo menos 2 horas para leitura de atualidades. Lia sobre política, economia, cultura e tecnologia.

Fiz um curso presencial de redação e outro a distância no ponto dos concursos (novamente da professora Júnia Andrade). Com esses cursos aprendi que a estrutura cobrada pela FCC precisava sim ser estudada, não adianta esperar inspiração no dia da prova. Claro que o conteúdo, por valer 40 pontos, é muito importante, mas conhecer o estilo de correção da banca é fundamental.

Eu e os professores do curso estávamos apostando em temas como: marco civil da internet, movimentos sociais, redução da maioridade penal. Porém, o tema da prova foi: “As questões suscitadas pelos transtornos mentais no universo do trabalho”. Quando vi a prova fiquei quase em pânico. Mas, como consegui fazer a prova objetiva em 2 horas e meia, tive duas horas para fazer a redação. Segui a estrutura que aprendi nos cursos e obtive nota 83 (perdi 10 pontos em conteúdo). Isso me fez concluir que, estudando redação e lendo muito sobre diversos assuntos cotidianos, podemos escrever, mesmo sem ter domínio total do tema, sobre qualquer assunto.

Ponto dos Concursos – Quais foram seus maiores acertos nessa preparação?

Celeyda Motta – O meu planejamento a longo prazo, sem dúvida, foi um dos maiores acertos. Naquele primeiro momento adquiri conhecimento do estilo da banca, domínio do conteúdo e segurança na resolução das provas, além de fazer muitos esquemas e resumos importantes. No segundo momento estava autoconfiante e mais objetiva. Passei a dominar o tempo na resolução das provas, tanto que nessa prova do TRT da Paraíba consegui concluir a prova objetiva em duas horas e meia.

Outro acerto foi fazer muitos concursos pelo Brasil, a fim de conseguir segurança e identificar os meus erros e dificuldades em cada um deles. Sem criar expectativa de ser 1º lugar.

Um terceiro, e não menos importante, foi não falar mais para ninguém que estava estudando e que ia viajar para fazer concursos. As pessoas cobram muito, dão muitos palpites inoportunos e alguns até nos desestimulam. Não dei oportunidade para ninguém querer se meter no sonho que era meu e de minha família.

Certa vez, na véspera de um dos primeiros concursos que fiz, recebi um conselho para desistir do concurso que iria fazer, pois tinha uma pessoa muito inteligente que iria fazer também e só havia 1 vaga, portanto, eu deveria optar pela carreira fiscal que tinha mais vagas. Esses comentários deixam qualquer um ansioso e podem provocar o fracasso de pessoas bem preparadas. Preferi ouvir os da minha mãe que dizia: “Você está com medo de quê, filha? Essa vaga é sua! Você é a mais bem preparada”. E, quando não tinha um bom resultado, ela me dizia que era para eu superar os erros e continuar, pois o melhor ainda estava por vir na hora certa.

Minha ansiedade reduziu bastante. O incentivo e a confiança do meu esposo também me deram coragem para continuar.

Ponto dos Concursos – E se fosse para enumerar os erros?

Celeyda Motta – Esses é que são muitos, mas eles foram muito importantes para o alcance dessa conquista. Erros devem ser encarados como fatores que devem ser corrigidos no decorrer da preparação, a fim de alcançar a excelência. E não como desestímulo.

Não fui sempre essa pessoa autoconfiante, como sou hoje. Por duas vezes mudei o foco dos meus estudos. A primeira vez foi após o concurso do TRE do Piauí, em 2009, tentei esquecer esse concurso. Foi uma grande decepção.

Dei ouvidos a conselhos dos outros: “Esses concursos de Tribunais são muito difíceis e muitos nem chamam os aprovados”, então resolvi estudar para Auditor fiscal do trabalho quando saiu o edital. Estudar quase 20 disciplinas fora da minha área de atuação em 4 meses. Entrei em cursinho, fazia aulas online e estudava muito.

Não consegui nem começar a estudar algumas disciplinas como Economia do Trabalho, Administração Pública, Sociologia do Trabalho, Inglês. Resultado: fiz uma excelente pontuação em Direito (Penal, Constitucional, Administrativo, Trabalho), Português e SST. Já em Inglês fiz apenas o mínimo. Fui eliminada em Raciocínio Lógico, Economia do Trabalho, Sociologia e Administração Pública. Ninguém imagina o nível de estresse que atingi nessa época para conseguir aprender tanta matéria nova em curto espaço de tempo.

O pior foi repetir o erro em 2013. Nesse perdi mais tempo ainda.

Como no ano passado, estava desanimada, pois  achava que não iria ser nomeada no Paraná, resolvi estudar para AFT antes do edital, seguindo a ESAF. Estudei tudo que tinha me eliminado da outra vez: Matemática Financeira, Economia do Trabalho, Sociologia do Trabalho.

Cheguei a fazer coaching de Inglês e Raciocínio Lógico no  Ponto dos Concursos, mas a banca mudou, tirou todas as matérias que eu havia estudado e incluiu outras como Contabilidade, Auditoria e Direito Previdenciário. Tentei fazer um cursinho tipo reta final (telepresencial), mas não consegui estudar tantas novidades em 3 meses e tive que ter a humildade de desistir.

Estes foram os maiores erros: ouvir conselhos que se distanciavam do que eu queria; mudar o foco determinado e estudar após sair o edital. No entanto foram importantes para meu amadurecimento. Tive a certeza de que eu queria mesmo era continuar sendo dentista e em um Tribunal.

Não dava para escolher um cargo apenas pela remuneração. Era diferente, inclusive, o prazer durante o estudo de disciplinas como Dentística ou Terapêutica e o tédio de estudar Contabilidade e Auditoria.

Ponto dos Concursos – O que você acredita ter sido fundamental para que conseguisse essa vitória?

Celeyda Motta – A minha vontade de vencer, a minha estratégia a longo prazo e a forma com que estudei para a banca (analisando a mudança de tendência ao longo dos anos, a linguagem, a abordagem de alguns assuntos). Isso tudo trouxe como consequência a redução da ansiedade e o aumento da minha autoconfiança.

Para mim, uma mãe, dona de casa, esposa e profissional não tem como começar a estudar após sair edital. Sem um preparo prévio, eu, por exemplo, não teria conseguido.

Vou contar o que aconteceu quando saiu esse edital da Paraíba. Logo que me inscrevi, separei todo o material de estudo e fiquei toda empolgada. No dia seguinte, o filho da minha empregada doméstica fez uma cirurgia e ela teve que se ausentar por um mês e, logo em seguida, minha filha teve catapora e coqueluche. Para quem não sabe, coqueluche dura cerca de três ou quatro meses e é desesperador. Passei o mês de abril estudando um pouco mais de 1 hora por dia e quando tinha cabeça. No mês seguinte a minha funcionária retornou e pude estudar mais um pouquinho, mas a preocupação com a saúde da minha filha me tirava a concentração e eu tive que ir a vários médicos para descobrir o que realmente ela tinha. Ela só melhorou em julho.

Nesse período iniciaram-se as férias escolares e eu tirei férias do meu trabalho. Aí eu estudei durante o mês inteiro, dia e noite. Como Administração Geral e Pública era novidade para mim, estudei por videoaulas e pelo material do Ponto. Revisei Direito Administrativo, comprei aulas de redação em PDF e treinei bastante. Faltando uma semana para a prova, li todos os resumos de Odontologia que fiz ao longo desses anos. Só para ter uma ideia, havia resumido de janeiro a abril 4  livros lançados em 2013-2014 de Odontologia, pois vi que a banca estava “pegando” os candidatos nas novidades que eram provavelmente desses livros.

O que quis dizer com esse relato foi que precisamos estar com tudo objetivamente organizado para apenas revisar após o edital. A logística de estudo de uma mãe concurseira é bem diferente e temos que contar com prováveis imprevistos.

Várias pessoas me procuraram no Facebook, após o resultado final, perguntando quantas horas por dia estudei para esse concurso. Sinceramente não sei a resposta da quantidade de horas diárias consumidas. Também não posso dizer que estudei apenas um mês para obter a conquista de um 1º lugar, concorrendo com 526 candidatos. O que posso dizer é que me preparei durante 4 anos.

Ponto dos Concursos – Após esse excelente resultado, você acredita que ainda tentará novos concursos? Por quê?

Celeyda Motta – Posso afirmar que não vou tentar para outras áreas. Deixar de ser dentista, para mim, é passar uma borracha na metade da minha vida. Tenho 38 anos, e mais da metade desse tempo foi de sacrifício para crescimento profissional (graduação, especialização, aperfeiçoamentos profissionais). Penso em todo o investimento financeiro que eu e meus pais fizemos, na quantidade de horas de estudo e dedicação e no orgulho de ser dentista. Amo minha profissão e ela faz parte de mim, da minha história.

Ponto dos Concursos – Gostaria de deixar alguma mensagem especial para as concurseiras mães, que ficam desanimadas por conta do tempo de estudo, dos obstáculos e de tantas atribuições diárias?

Celeyda Motta - Repito a frase que citei no início da entrevista: “falta de tempo é a desculpa de quem não tem tempo por falta de método”. Portanto, com vontade, determinação, disciplina e um planejamento bem feito, qualquer pessoa pode conseguir uma aprovação, mesmo que só haja 1 vaga.

Equipe Ponto dos Concursos.