Entrevistas

William Douglas fala para concursandos do TCU


O Ponto entrevista William Douglas!

Olá! Meu nome é Carolina Teixeira, concurseira de Brasília - DF, atualmente no exercício de cargo efetivo no Supremo Tribunal Federal (STF). Há algum tempo, fui entrevistada, aqui no Ponto, pelo Vicente Paulo (quando da minha aprovação no concurso da Câmara dos Deputados) e, agora, estou mudando de lado e iniciando meu trabalho como colaboradora do Ponto.

Eu fui aluna do Vicente aqui em Brasília e, por meio dele, conheci o Ponto, que me foi muito útil na aprovação em dois concursos (Câmara dos Deputados e STF). Há já algum tempo, o Vicente me convida para integrar a equipe do Ponto, mas, só agora, com a conclusão da minha faculdade, é que eu pude, felizmente, aceitar esse desafio.

E, cá entre nós, não haveria melhor estímulo para esse meu novo desafio no Ponto do que começar entrevistando William Douglas, a maior autoridade do país quando o assunto é concurso publico!

De passagem por Brasília, para ministrar duas palestras no Supremo Tribunal Federal, o William Douglas encontrou um tempinho na agenda para responder às perguntas abaixo, especialmente direcionadas aos candidatos (apreensivos!) que farão as provas do TCU/2009:

William, nossa conversa será sobre a angústia e a ansiedade que têm tomado conta dos candidatos ao concurso do TCU/2009, cujas provas serão aplicadas no próximo fim de semana de julho (dias 11 e 12), devido a uma particularidade que marca esse certame. Vou explicar...

Como eu disse, havia milhares de candidatos estudando, há anos, para esse concurso do TCU/2009, para a área de Auditoria Governamental, que normalmente oferece o maior número de vagas. Acontece que, em cima da hora, foram eles surpreendidos com a divulgação do edital sem nenhuma vaga para essa área e 90 vagas para Auditoria de Obras, que cobra pesadamente conhecimento de engenharia. Alguns candidatos simplesmente desistiram do concurso, mas muitos resolveram seguir em frente, mesmo sem ser engenheiro e sem saber diferenciar "tubulões" de "sapatas".

Esses não-engenheiros que decidiram encarar o desafio (mesmo sem conhecer nada de engenharia!), agora, na véspera das provas, estão inseguros e muito ansiosos com as incertezas que se aproximam - afinal, para eles, o tempo entre o edital e as provas é muito exíguo para assimilar tanto conhecimento sobre uma matéria tão extensa e complexa, que é engenharia. Em verdade, eu tenho alguns amigos não-engenheiros que estão estudando para esse concurso e, confesso, estão à beira de um estresse, de tamanha ansiedade e insegurança em relação às provas! Nossa intenção aqui no Ponto é, portanto, levar um pouco de tranquilidade a esses candidatos, pois você, como ninguém, sabe o quanto esse estado de equilíbrio é importante para uma aprovação, né?

Carolina: Aí, William, acontece que milhares de candidatos, já afiadíssimos nas matérias características da área de Auditoria Governamental, inclusive aqueles candidatos que chegaram muitíssimo perto nos anos anteriores, descobrem, apenas algumas semanas antes da data de realização da prova, que, de fato, o sonho não está tão perto assim. É necessário um recomeço. Você, pessoalmente, já se deparou com algo assim na vida? Um novo obstáculo que altera drasticamente os seus planos iniciais?

William: Carol, em primeiro lugar, parabenizo o Site Ponto dos Concursos, por abordar esse assunto chato... mas necessário. E digo que tive meus reveses e surpresas desagradáveis, sim. Tenho certeza que contá-las não vai alegrar o leitor, mas espero que fazê-lo mude um pouco seu foco nesse momento. Nos concursos, nunca tive uma frustração dessas, não. Tive várias reprovações, algumas injustas, adiamentos etc., mas uma mudança de Programa/Vagas desse tamanho, não. Quem passar por isso terá uma "carta" maior do que a minha para botar na mesa. Daqui a algum tempo, irá contar isso como eu, Vicente, Marcelo e todos os aprovados contamos nossas agruras. Apenas, agora, camarada, é a sua vez. São suas agruras, agora.

Mas deixe-me falar sobre obstáculos e surpresas que alteram drasticamente nossas vidas. Há 8 anos, eu já era juiz federal, professor, estava com a vida andando bem, dentro do previsto, trabalhando, com férias por chegar e uma bela viagem marcada... quando descobrimos um câncer de pâncreas em minha mãe. Três meses e duas cirurgias depois, eu tive que lidar com essa perda. Outro revés foi o fracasso do primeiro casamento, e uma filha recém-nascida dormindo longe de meu teto, surpresas que me derrubaram. Perdoem-me dizer isso, mas, por esse prisma, um concurso "sair dos eixos" não é a pior coisa do mundo. Ainda bem que ninguém descobriu um câncer altamente agressivo, ou teve uma tragédia similar. E é por aí que eu iria se um irmão estivesse nessa desconfortável situação das mudanças no concurso para o TCU. Eu lhe daria um abraço e diria que a situação é muito frustrante, mas que também não é o fim do mundo.

"Podia ser pior" ou "dos males, o menor" não são frases agradáveis de se ouvir, mas não deixa de ser um consolo. Lamento pelos colegas que estão passando por isso, mas, infelizmente, tenho que dizer: isso faz parte, acontece. E aí volto ao ponto de partida. A certeza é simples, a dúvida é se você vai desistir, se vai desistir da desistência (caso já tenha desistido) ou se vai ver a melhor outra forma de lidar com o problema.



Carolina: E, afinal, como lidar com o problema?

William: Bem, eu acho que, apesar de tudo, a pessoa deveria ir fazer a prova, nem que "só de raiva", ou por esporte, ou para ver como será, desde que, ao fazer isso, leve a prova a sério. Creio que alguém que já vem se preparando está com um bom grau de intimidade com a matéria (ou, ao menos, com boa parte dela!), com a resolução de questões, com a parte emocional, etc. Isso permite um desempenho razoável. A pessoa deve, pelo menos, "pagar para ver". Acho mesmo que um concurseiro experiente leva vantagem mesmo sobre um engenheiro que tenha se animado a fazer o concurso, mas que não tem um bom número de "horas de vôo" nesse meio. E, claro, eu não me preocuparia com eventuais engenheiros que são concurseiros também. Isso é perda de tempo: preocupe-se com você. Também vale mencionar que há muitas matérias em que quem está se preparando já chegou a um bom nível e que as que mudaram... mudaram para todos, não é mesmo? Mais que tudo, acho que as pessoas que estão há meses ou anos se preparando para o TCU estão em um grau tão bom que devem fazer outros concursos também. Assim, uma aprovação para outro cargo pode servir como "escada", "porto" ou "passagem" para esperar, com mais tranquilidade e dinheiro no bolso, as vagas que irão abrir mais cedo ou mais tarde para Auditoria Governamental. Por fim, me permitam contar que meu sonho era ser Promotor de Justiça. O concurso não abria e eu fui fazer, "por esporte", o de Defensor Público. Passei, assumi, aumentei o currículo, comecei a ter um contracheque/hollerit todo mês e, curiosamente, descobri que minha maior vocação era a Defensoria, e não o Ministério Público. Então, nos insondáveis engendramentos do destino, pode ser que este revés momentâneo seja a porta para novas experiências e oportunidades para quem, no momento, está achando que o fato é só negativo.

Em suma, acho que o pessoal que vem se preparando com dedicação há já muito tempo realmente tem motivos para estar triste, mas não deve desanimar nem desperdiçar todo esse tempo de estudo. Na agradável conversa que tive com o Vicente Paulo após as palestras no STF, ele me disse que o pessoal está super-afiado, em um altíssimo nível de preparação. Isso certamente vai trazer coisas boas se tais candidatos não "jogarem tudo para o alto".



Carolina: William, quem conhece o seu trabalho sabe que o seu nome está diretamente associado à fé, à perseverança e a outros tantos valores muito válidos, não só na preparação de um candidato a um concurso público, mas em vários outros aspectos da vida. Qual a sua opinião sobre os candidatos que, não-engenheiros (a maioria desses, imagino, completamente leiga no assunto), resolve encarar livros, normas técnicas e milhares de novos conceitos, em busca de um sonho?

William: Já até falei um pouco disso antes, mas a sua pergunta é ótima, pois me permite tocar nesse assunto com maior profundidade. Um não engenheiro que pega esses livros é alguém que admiro muito, mesmo que não conheça o nome. É uma pessoa de coragem, alguém que vai buscar o que deseja não se importando com as dificuldades. Já foi dito que "obstáculos são aquelas coisas que você vê quando deixa de focalizar no seu sonho" ou, outra boa também, que "obstáculos são os muros que se criam para parar aqueles que não querem realmente passar por eles". Eu posso dar meu depoimento como testemunha de que ser formado nisso ou naquilo não quer dizer necessariamente uma garantia, e não ser formado não quer dizer necessariamente um impedimento. Nos concursos para o Judiciário, para Auditor, para Tribunais, vemos todos os dias pessoas que fizeram Letras, Biologia, Odontologia, Fisioterapia etc superarem quem fez Direito. Em muitos casos, cai apenas Português e matérias jurídicas e mesmo assim pessoas de outras áreas entram, e não é raro entrarem nas melhores colocações. Isso acontece porque a preparação especifica para concursos é mais importante e relevante para a aprovação do que aquela faculdade que, todos sabemos, nem sempre é bem feita, ou foi feita há muitos anos, ou sem o foco e objetividade que apenas nos concursos públicos nós vemos acontecer em grau de profundidade.

Sun Tzu, mestre da guerra, diz que "os números não significam nada isoladamente". Os títulos acadêmicos também não.



Carolina: Confesso que tenho um amigo que, ontem mesmo, me disse: "Carol, depois de estudar 'como um louco' nessas últimas semanas, há momentos que parece que eu sei tudo de engenharia, que vou gabaritar a prova; mas, por outro lado, há outros em que parece que eu não sei absolutamente nada, dá um branco danado, parece que eu vou zerar a prova". Como conviver com essa insegurança, com esse medo de "dar um branco" na hora da prova? Você tem alguma dica para o candidato trabalhar esse medo agora, na véspera da prova?

William: O cérebro é um computador programável. Cada vez que alguém passa "filminhos" mentais de angústia, branco, nervosismo etc, o cérebro pode (e quase sempre faz isso mesmo) registrar tais "filminhos" como ordens... E isso acontecerá no dia da prova. O estudo do cérebro, dos métodos de controle mental (Método Silva, PNL etc.) demonstra a importância de pensarmos aquilo que desejamos e não o contrário. Então, o primeiro passo é não deixar esses pensamentos e atitudes tomarem espaço. Como dizia Martin Luther, "não posso impedir que os pássaros passem por cima de minha cabeça, mas posso impedir que façam um ninho nela". Então, esse seu amigo, quando começar a pensar nas tragédias (e isso é normal ocorrer), deve se treinar para substituir esses pensamentos por outros, melhores: ele calmo, sereno e tranqüilo, feliz mesmo, por estar fazendo a prova. Isso funciona.

Além do problema da programação do cérebro, entra em campo o assunto geral de como lidar com as vésperas. A aproximação da prova faz com que os candidatos fiquem nervosos, tensos, angustiados, pensando em todo tipo de "tragédia" de concurseiro, desde a relação candidato-vaga até aquele gênio que sabe tudo (a imagem comum é a do "japonês que estuda enquanto eu descanso", rs). O caminho deve ser o contrário. Se acalmar, fazer as revisões, mas, um ou dois dias antes, já não estudar ou fazer estudo muito leve. Aquelas viradas de madrugada que fazem parte do período de preparação não devem acontecer essa semana. Estar com o sono em dia para ir fazer a prova é tão ou mais importante do que fazer mais aquela "revisãozinha extra" ou mais aquela bateria de 800 questões. Afinal, com sono o acesso à memória fica prejudicado.

É preciso descansar, relaxar, tirar o "peso do mundo" das próprias costas. Não se obrigar a passar na prova , mas apenas a fazer o seu melhor é outra dica que funciona bastante.

Recomendo que a pessoa não deixe de fazer alguma caminhada, corrida, natação ou qualquer outro exercício físico que permita melhorar seu estado geral. Sem exageros, claro, pois a idéia é manter um clima de "concentração para o jogo da final da Copa". Mas pensando no Brasil de 2002, não no de 1998. Duas atitudes diferentes sobre como jogar uma final e que valem para o concurso público também.

Outra coisa boa é internalizar alguns dos "mantras": "concurso se faz até passar e não para passar"; "a dor é temporária, o cargo é para sempre" etc.

Enfim, não existe um cuidado único ou isolado. O resultado da prova é o resultado do conjunto de atitudes, pensamentos e comportamentos de todos os meses ou até anos anteriores ao dia da prova. O conjunto é que importa. Por isso, quem tem um bom conjunto se sairá bem, e deverá ir tranqüilo. Quem não tem, deverá ir lá fazer seu melhor também, mas sem excesso de cobranças e sabendo que, se não for dessa vez, outros concursos virão. E, para os próximos, cabe melhorar o conjunto. Não tem milagres, segredos, mistérios nem curas milagrosas. É só um conjunto de técnicas, de estudo, de preparo... e de tempo de vôo.

No meu site, eu fiz um check list para o dia da prova e a véspera. Carol, vamos reproduzir o check list aqui, pra ajudar especificamente esse candidatos ao TCU / 2009?

CHECK LIST PARA A VÉSPERA DA PROVA:

? Alegria, alegria, alegria!!! Não estudar ou, se estudar, algo muito leve

? Ritmo de concentração para jogo de Copa do Mundo

? Comer só em lugares conhecidos e comidas conhecidas

? Evitar esforços físicos (lesões) e novidades.

? Lazer agradável. Relaxe!

? Concentração : pensar na prova e visualizar-se calmo e tranqüilo

? Separar roupas

- levar agasalho para se o tempo esfriar

- roupas confortáveis, não é dia de desfile

- roupa compatível com o lugar e cargo

? Faça alguma caminhada ou passeio leve, se possível, para relaxar

? Vá ao cinema ou teatro, nada muito tarde Despertador, pelo menos dois sistemas (um sem depender de energia elétrica). Acorde mais cedo que a "conta do chá"

? Deslocamento: Condução ou carro ok? (Preveja um pneu furado)

Material para a prova:

? Cartão de inscrição

? Identidade

? Dinheiro para o deslocamento e lanche

? Material: caneta (duas ou três)

? Corretivo, liquid paper (pergunte ao fiscal se pode usar)

? Lanche

? Sugestões: algo para beber, biscoito salgado e doce, chocolate

? Remédios (dor de cabeça, diarréia, pessoais etc.)

? Dê uma última olhada nos códigos e/ou livros de consulta

? Motive-se ! A hora chegou!

Dormir:

? Conferir despertadores / acordar com boa antecedência (cedo). Hora de dormir, alegre-se: amanhã é um grande dia!

CHECK LIST PARA O DIA DA PROVA

? Amanheceu! Hoje é um grande dia!

? Se possível, caminhada leve e curta e/ou alongamento

? Café da manhã reforçado, mas sem exagero

? Alegria, alegria, alegria

? Pegar material, já separado (ver check list da véspera)

? Beijos na família, reza, oração...

Deslocamento:

? Sair mais cedo do que "a conta do chá"

? Sem pressa, sem estresse

? Hoje não é dia para discutir com ninguém

Chegando:

? É normal a gente olhar as pessoas e achar que somos o único que vai ser reprovado. Relaxa, isto é estresse de prova

? Evitar companhias desagradáveis e assuntos de prova

? Preste atenção em qual é a sua sala

? Procure um lugar agradável e confortável e se arrume (se preocupe em observar onde o sol vai bater)

Antes de começar a prova:

? Relaxe

? Não estude

? Se quiser, leve coisas leves, para ler antes da prova (jornal, revista, etc.)



Carolina: E no dia mesmo da prova, William, quando o candidato acorda e vem imediatamente à sua cabeça "caramba, é hoje o dia!", o que fazer? O que fazer para não deixar a ansiedade desses momentos finais atrapalhar na hora da prova?

William: Acho que o caminho é assimilar o "caramba, é hoje o dia" da melhor forma possível. A recomendação é falar a frase com alegria e não com medo. A entonação do "caramba" é o cerne da questão. Vale lembrar que passamos muito tempo estudando para fazer a prova, então... que bom que chegou o dia! Eu recomendo que, durante a semana, na véspera e na hora em que acordar, a pessoa faça uma verdadeira comemoração por finalmente ter chegado a hora, por finalmente ela poder ir lá ver o que a banca colocou na prova. Muitos não conseguem fazer isso porque ficam pensando que podem ser reprovados ou coisa parecida. Mas, se por um lado isso é verdade, ninguém passa em concurso sem fazer a prova, não? A internalização emocional deve ser a de que é uma maravilha que a prova esteja acontecendo. Isso significa que a chance está lá. Então, vamos fazer o melhor possível. Se ainda não for dessa vez, então teremos esta tal prova para avaliar como estamos e fazer os ajustes. Outra notícia boa: na próxima terá mais vagas onde eu quero. E outra melhor ainda: o "japonês" vai passar nessa, então, ou eu passo com ele ou pelo menos ele não estará aqui na próxima, para a qual eu virei ainda mais bem preparado.

Sacou o sistema? Eu não vou (não posso, não devo) permitir que pensamentos, atitudes e comportamentos negativos invadam meu "ecossistema" mental, físico ou emocional nessa semana, nem na véspera, nem do dia da prova. Eu só vou abrir a porta para as "visitas" que são bem-vindas: coragem, fé, entusiasmo, orgulho pessoal de estar ali, em campo, jogando.

Essa semana você terá dois "vocês" digladiando-se: o que acredita, trabalha e persiste e o medroso, covarde, pusilânime. Precisamos alimentar apenas o que queremos que sente na carteira para fazer a prova. E para isso há um argumento lógico: ou você passa nessa, ou pega experiência e informações para vir mais bem preparado na próxima.



Carolina: Considerando que a prova é daqui a menos de duas semanas e que o tempo de preparação, dada a quantidade de novas matérias, foi bem pouco, o que você, William, faria nessa época? Reservaria esses últimos dias somente para revisão ou tentaria abordar, também, alguns tópicos do edital ainda não-explorados?

William: Eu dividiria o tempo. A revisão é ótima idéia, mas eu jamais deixaria de dar uma olhada nos tópicos ainda não explorados do Edital. O candidato deve lembrar que, para a grande maioria dos candidatos, esses pontos novos são realmente novos. Tirando um engenheiro com experiência em concursos, para o resto do povo estas matérias são novidade e todo mundo tem o mesmo prazo para se preparar. Então, mesmo uma olhada menos profunda pode fazer muita diferença na hora da prova.

Carolina: William, há algo mais que você queria falar ou alguma outra observação a fazer?

William: Se você não desistiu, receba meus parabéns. Você é um(a) guerreiro(a) mesmo! É de gente assim que são feitas as listas de nomeações. Ah, e não deixe de fazer outros concursos com as mesmas matérias, ok? E de nos avisar quando for aprovado (pois será, cedo ou tarde).

Se você desistiu, entendo, tudo bem. Mas está na hora de voltar ao trabalho. Igualmente, sugiro que faça outros concursos com a matéria parecida e que dê notícias.

Por fim, last but not least, se você conhece alguém que estava se preparando para Auditoria Governamental e desistiu, tenho um pedido muito especial para fazer. Por favor, imprima essa entrevista (pode ser só daqui para frente, se quiser ser mais direto, rs) e faça a gentileza de entregar ao seu conhecido ou amigo. Peça para ele me ouvir. Essa injustiça faz parte do "sistema concursos", ela não é a primeira nem a última vez que vai acontecer. Se você estava se preparando, seu cérebro está cheio de matéria, suas habilidades cognitivas vem sendo treinadas para fazer algo específico (provas de concurso) e você está provavelmente muito bem encaminhado para passar em várias delas. Se não quis fazer a prova com matéria de Engenharia, tudo bem (se quis, melhor ainda, mas, se não quis, repito: tudo bem). Apenas não desperdice tudo o que já caminhou. Identifique quais concursos estão cobrando as matérias nas quais você vinha trabalhando e vamos em frente.Vejam o caso da minha entrevistadora: ela já passou na Câmara e no STF! Se ela quiser parar agora, já tem um belíssimo cargo. E se quiser ir em frente, tem um vencimento mensal, um cargo estável e um horário de trabalho que permite sonhar outros sonhos e viver outras vidas. Esse patamar que ela galgou vai permitir ou que se dedique para, por exemplo, o TCU (agora ou no futuro, porque, mais cedo ou mais tarde, o cargo de Auditoria Governamental vai abrir de novo), para outro cargo, para fazer outra faculdade, ou um mestrado... ou doutorado... ou, quem sabe, para ir aprender dança flamenca, ou a mergulhar ou a tocar oboé. Ou casar, ter filhos, ou a montar uma ONG para salvar os golfinhos.

Então, por mais chateado que você esteja com o que aconteceu, camarada, ouça-me: ninguém disse que o mundo era justo nem que esse desafio seria fácil. Não é. A única coisa que prometemos é que, apesar de tudo o que tem de errado, vale a pena, compensa. Dói, demora, frustra, cansa, mas dói, demora, frustra e cansa menos do que desistir, do que parar no meio do caminho. Então, vamos terminar a "ressaca" e voltar ao trabalho. O Vicente Paulo e toda sua equipe aqui do Ponto, e todos os professores fantásticos desse "mundo" dos concursos estarão aqui dispostos e animados para que você chegue o mais rápido possível ao seu cargo. Ou o cargo dos sonhos... ou o cargo que vai pagar as contas para você ir cuidar do seu sonho. O único cuidado é ser um bom servidor depois da posse. O resto, cada um é que escolhe.

Mais uma coisa: se você é concurseiro, não se preocupe se esta pessoa voltar e for fazer o mesmo concurso que você. Como dizia minha mãe, "o que é do homem o gato não come". Quando for sua vez, quando você tiver cumprido sua cota de estudo, treino, sacrifício e tempo, você vai passar. A gente nunca compete com outra pessoa; a gente sempre compete é com a gente mesmo.

Muito obrigado a todos, e boa sorte!



Carolina: William, eu, Carolina, e toda a equipe do Ponto agradecemos a atenção dispensada a esses concursandos nessa reta final. Pode deixar que te manteremos informado dos não-engenheiros (e engenheiros, por que não?!) que fizeram bom uso das suas palavras. No mais, no que depender de mim, ainda teremos excelentes parcerias pela frente, não é mesmo? Um grande abraço.