Entrevistas

Rafael Di Bello


O Ponto entrevista Rafael Di Bello, 1º Colocado no Analista de Controle Externo do TCU/2007 (atual Auditor Federal de Controle Externo) - Área Auditoria de Obras Públicas/2007 e Professor do Ponto...

Rafael Di Bello é graduado em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Mestre em Ciências de Engenharia Civil (ênfase de Recursos Hídricos) pela COPPE/UFRJ. Em verdade, sua carreira profissional na área de obras começou cedo, já no ensino médio, em que concluiu o curso Técnico de Edificações pelo CEFET/RJ, época na qual fez parte da equipe de fiscalização de obras de saneamento e urbanização do Programa "Favela-Bairro" da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Em 2001, em razão do cenário não muito favorável para os profissionais que trabalhavam com projetos de hidrelétricas na área privada, resolveu ingressar no mundo de preparação para concursos públicos. Em 2002, após muita dedicação, foi aprovado em 2º lugar para o concurso de Engenheiro Civil (Analista de Nível Superior) da Eletrobrás, no Rio de Janeiro.

Em 2003, deixou a Eletrobrás (e o Rio de Janeiro!) e mudou-se para Brasília, em razão de sua aprovação no concurso da Agência Nacional de Águas (ANA), para o cargo de Especialista em Recursos Hídricos (28º colocado geral).

Pronto, o Rafael foi contagiado pelo clima de concursos de Brasília e não parou mais, assumiu de vez a carreira de "concurseiro": primeiro, foi aprovado em 5º lugar geral para o cargo de Especialista em Regulação de Serviços Públicos da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), promovido pela ESAF; depois, ainda nessa Agência, tomou conhecimento do cargo de Analista de Controle Externo do TCU e resolveu dedicar-se a esse concurso, realizado pelo Cespe/UnB.

Pois é, para esse último desafio, apesar do pouco tempo para a preparação, Rafael mostrou que já estava "maduro" na profissão de concurseiro: foi o 1º colocado para o cargo de ACE/TCU - Auditoria de Obras Públicas!

Aprovadíssimo, com grande experiência profissional em engenharia, lotado na Secretaria de Fiscalização de Obras (Secob) resolveu, agora em 2009, partir para um novo desafio: iniciou - em parceria com o colega Frederico Dias - sua história de professor preparador de candidatos para o concurso do TCU, com aulas presenciais em Brasília - DF.

O sucesso nas aulas presenciais em Brasília foi tanto que vários alunos de outros estados ficaram sabendo dessa qualidade e encheram a caixa de email do Ponto "exigindo um curso de Hídricas com o Fred e o Rafael", no que foram atendidos. Hoje, sem nenhuma demagogia, eu não tenho dúvida em afirmar que esse curso on-line de Hídricas foi o mais elogiado deste ano de 2009 e, certamente, está entre os três que até hoje, em toda a existência do Ponto, mais receberam elogios de alunos de todo o Brasil (curiosamente, outro curso que também está entre os três mais elogiados do Ponto é de outra dupla de servidores do TCU: curso de "Gestão de Pessoas", da Marcela Timóteo e Flávio Pompeo).

Enquanto avalia o meu convite para um novo desafio - passar a integrar permanentemente a equipe do Ponto, especializando-se de vez na preparação de candidatos -, o Di Bello, como é conhecido pelos amigos, concedeu ao Ponto a seguinte entrevista, como mais um estímulo do Ponto a você, candidato ao TCU/2009, nesta reta final de preparação:

Vicente Paulo: Como começou o seu interesse pelo cargo de Auditor Federal de Obras do TCU? Qual foi o seu "primeiro contato" com esse cargo?

Di Bello: Bom professor, primeiramente gostaria de externar minha grande alegria em falar contigo e com todo esse público do Ponto dos Concursos e dizer que estou a sua inteira disposição para passar um pouquinho da minha experiência (aquilo que deu certo e aquilo que eu não recomendo que ninguém repita) aos colegas que estão se dedicando tanto a esse concurso TCU 2009.

Foi na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) que tive meus primeiros contatos com as fiscalizações desenvolvidas pelo Tribunal de Contas da União, já que a nossa área era auditada e eu tive que preparar respostas técnicas a diligências emanadas pelas equipes do TCU.

Confesso que até aquela época eu não tinha muita noção do trabalho que era desenvolvido pelo Tribunal, imaginando se tratar de um local apenas para advogados (afinal, era um Tribunal) e contadores (porque "mexiam com Contas").

Também contei com um grande "lance de sorte" nessa época, que veio a contribuir bastante para minha aprovação no concurso. No meio desse processo de responder as diligências do TCU, meu chefe à época na ANEEL teve acesso ao conteúdo programático de um curso sobre "Licitações e Contratos sob a ótica do Controle Externo", ministrado pelo Ex.mo Ministro do TCU Benjamim Zymler. A orientação do meu ex-chefe foi mais ou menos a seguinte: "vai lá, assiste o curso, tenta compreender bem essa tal de 'ótica do TCU' e volta com as informações e todo o material que você conseguir por lá, para nós aperfeiçoarmos aqui na Superintendência o atendimento à nossa Auditoria Interna quando vierem novas diligências do TCU" (era a Auditoria Interna que gerenciava as respostas das áreas técnicas aos diversos pedidos de informações do Tribunal). Então eu fui, assisti ao curso, e gostei muito do que vi.

Como concurseiro que se preza não pode ficar parado, resolvi me inscrever no Concurso Público de 2007 do TCU, para o cargo de Analista de Controle Externo, pois, além da aula do professor Zymler, que me deu uma boa noção do trabalho desenvolvido pela Corte de Contas, observei no Edital que havia certa "orientação" do cargo, que me chamou muito a atenção: Auditoria de Obras Públicas.

Mesmo bastante motivado, não apenas por se tratar de uma das melhores carreiras da Administração Pública Federal, mas também por ser a oportunidade que eu esperava para ingressar no Tribunal fazendo o que eu mais gosto (fiscalizar obras), não tive muito tempo para me dedicar aos estudos (o ritmo de trabalho na ANEEL era realmente muito intenso). No entanto, não me deixei abater pelas aparentes dificuldades!

Professor, o senhor conhece aquela historinha dos dois colegas de trabalho que estavam em expedição na África e que se deparam com um enorme leão a sua frente? O primeiro colega logo começa a correr desesperadamente, mas resolve olhar para trás... Nisso ele vê o segundo colega abaixado, tirando um par de tênis de corrida da sua mochila, calçando-o em seguida. E o leão começa a se movimentar na direção deles... O primeiro colega, apavorado, grita para o outro: - "Mas você acha que com esse tênis bacana vai conseguir correr mais que o leão???"... Nisso o segundo colega termina de calçar seu tênis, se levanta, e, calmamente, responde: - "Pois é... Eu NÃO preciso correr mais que o leão... Eu só preciso correr mais que VOCÊ !!!"...

Foi com esse espírito que eu resolvi prestar a prova do TCU. Resolvi me preparar com o tempo que eu tinha disponível ("colocar o meu tênis de corrida"), com tranqüilidade, sem me preocupar excessivamente com a Banca do CESPE (o "leão") ou com meus concorrentes (aqueles que seriam "pegos" pelo "leão"). Fiz a minha parte nos estudos e fui tranqüilo fazer a prova (de dois dias inteiros...), com um único pensamento na minha cabeça: são exatos 1.994 candidatos para 14 vagas... É... muito candidato para pouca vaga... mas, e daí que são apenas 14 vagas? Eu não preciso de todas elas, mas sim de uma única "vaguinha", né? (é claro que, no meu íntimo, eu desejava era que os demais 141 candidatos que disputavam a minha vaguinha tivessem era uma baita dor de barriga na hora da prova, mas... deixa isso pra lá... hehehe).

Portanto, foi com um misto de surpresa e felicidade que recebi a notícia de que tinha sido o 1º colocado da turma de Obras Públicas (um grande amigo meu me telefonou e eu podia jurar que era brincadeira...). É claro que eu possuía o perfil exigido pelo Tribunal para o desempenho do cargo, mas, na verdade, sempre digo aos colegas que não considero ter sido "o melhor" (primeiro porque esse nunca foi meu objetivo, segundo porque alguns dos colegas aprovados de fato possuem muito mais experiência do que eu)... Considero apenas que, nos dois dias da prova, todos os demais estavam "menos inspirados" (ou menos preparados) do que eu.

Vicente Paulo: Hoje, no TCU, trabalhando na Secob, na sua área de formação (engenharia), você certamente pode falar muito a respeito de satisfação profissional para aqueles que sonham em ingressar em tal cargo. Afinal, além de uma ótima remuneração, o que os candidatos ao TCU/2009 podem esperar do órgão Tribunal de Contas da União? Enfim, toda essa expectativa e paixão que os candidatos nutrem pelo TCU têm razão de ser?

Di Bello: Pois é professor, desde que ingressei no TCU, estou lotado na Secretaria de Fiscalização de Obras (SECOB), bastante satisfeito com as atividades que desenvolvo.

Não posso deixar de mencionar o excelente ambiente de trabalho que aqui encontrei, não apenas pela convivência harmoniosa que impera entre os colegas, mas também pela constante preocupação com o desenvolvimento profissional de cada um, uma das prioridades de investimentos do Tribunal.

Entre os Analistas (ops...)... Auditores Federais da Secob, o clima reinante não é de "competição" (como vemos em alguns órgãos públicos, infelizmente...), mas sim de absoluta Cooperação. Nenhum de nós "sabe tudo", cada detalhe, da "arte" de auditar obras públicas. Portanto, trocamos muitas experiências sobre cada caso concreto com os quais nos envolvemos, seja no cafezinho, seja na lista interna de e-mails que possuímos. Se um de nós "cresce" no seu grau de conhecimento em determinado assunto e consegue melhorar a sua instrução, a ponto de merecer um elogio no Voto do Ministro Relator (e muitos colegas da Secob são elogiados pelo rigor técnico e dedicação ao seu parecer), todo o grupo, toda a Secretaria, "cresce" junto.

Outra coisa que eu aprecio muito lá no Tribunal, particularmente na Secob, é a independência técnica dada aos Auditores. De fato, se algum tema polêmico está em debate, quase todos se envolvem. Se, por hipótese, o(s) Auditor(es) responsável(eis) pela instrução firma(m) determinada posição, que é polêmica, e não se coaduna plenamente com a de seus superiores (algo que raramente acontece, pois há um diálogo técnico muito franco), tais Auditores não são "obrigados" a mudar seu posicionamento. O seu superior imediato (um Diretor Técnico) pode emanar um despacho divergente e explicar porque não concorda com a opinião dos Auditores, e o trabalho segue para o Secretário. Caso o Secretário, com o apoio de sua assessoria, após cuidadosa análise das duas opiniões (equipe de Auditoria e Diretor), não concorde com nenhuma das duas, pode despachar de forma divergente, justificando com base na sua experiência própria, o porquê da discordância. E todo esse material vai ao Gabinete do Ministro Relator. Lá, o pessoal do Gabinete analisará todas as visões e auxiliará o Ministro a fazer seu julgamento, que será submetido ao Plenário. Ou seja, são várias visões sobre determinado caso, e todas elas ficam registradas no processo. Não tem aquela coisa que, infelizmente, vemos em muitos órgãos públicos, algo do tipo "manda quem pode, obedece quem tem juízo" e ao técnicos são muitas vezes obrigados a mudar de opinião para agradar o seu chefe superior.

Além de tudo isso que eu falei, como os candidatos sabem, nós temos o Instituto Serzedello Corrêa (ISC), o qual é responsável não apenas pela organização dos concursos de admissão de novos servidores, mas também pelo aperfeiçoamento interno desse quadro. Já tive a oportunidade de participar de excelentes Workshops organizados pelo ISC, que muito contribuíram para ampliar meu conhecimento acerca dos temas que vemos no dia-a-dia de nossas atividades de fiscalização do bom uso dos recursos públicos federais.

Outra coisa que eu particularmente gosto muito são as viagens de fiscalização, em especial aquelas do Fiscobras (Levantamentos de Auditoria que são realizados anualmente, cujo objetivo é listar a situação - técnica, financeira e ambiental - das grandes obras no país, para posterior envio do relatório e conseqüente apreciação do Congresso Nacional). Cada viagem não representa apenas uma oportunidade de crescimento profissional, mas uma experiência de vida! Na minha modesta opinião, devemos ter sempre a humildade para aprender com os profissionais com os quais temos contato e que representam os órgãos auditados, tentar compreender suas dificuldades e, é claro, emanar orientações nos temas que nos dizem respeito (práticas de boa gestão dos recursos públicos).

Em resumo: sou realmente bastante feliz no que faço e o ambiente que encontrei no Tribunal contribui muito para isso.

Vicente Paulo: Eu já disse várias vezes aqui no site e nas minhas aulas presenciais que o órgão em que eu tenho hoje mais ex-alunos satisfeitos profissionalmente é o TCU. E, então, eu posso continuar difundindo essa ideia entre os concursandos?

Di Bello: Com certeza professor. E com a chegada dos nossos novos 88 (oitenta e oito) colegas Auditores Federais, especializados em Obras Públicas, tenho certeza de que o time ganhará um grande reforço. Não apenas em quantidade, mas em qualidade técnica e diversidade de visões e opiniões. Para mim, tem sido motivo de muito orgulho fazer parte desta casa.

Vicente Paulo: Se você fosse incumbido, neste exato momento, de ter uma última conversa com orientações para um candidato ao TCU/2009, que fará as provas daqui a duas semanas, na área de Auditoria de Obras Públicas, quais seriam as suas orientações para esse candidato?

Di Bello: Opa! Incumbência de última hora? Desafio aceito... afinal de contas: "Missão dada é missão cumprida..." hehehe.

Bom, não sei se posso chamar de "orientações", afinal de contas, cada um deve ser responsável pelas suas próprias escolhas. Uma "orientação" que pode funcionar bem para uma pessoa, pode não funcionar nada bem para outra. Mas posso, sim, passar algumas "dicas", que juntei e apliquei na prática, ao longo dessa minha trajetória.

É claro que cada candidato desse TCU 2009, com formação em engenharia ou não, tem uma base de conhecimentos muito própria, baseada não apenas nos estudos "de última hora", mas naquilo que estudaram/trabalharam durante toda uma vida acadêmica e profissional.

É bem verdade que os "engenheiros" possuem um perfil mais condizente com o exigido pelo Edital deste concurso, e isso não temos como negar. Porém, posso confessar uma coisa? Engenheiro, via de regra, entende muito de cálculos, de "soluções engenhosas", mas... escreve mal demais! Eu digo isso com muita propriedade, pois eu saí da faculdade com "algumas" (ok, admito: várias!) dificuldades em redação.

Fui aprender a escrever relativamente bem meio que "na marra", ao trabalhar com serviços de consultoria em engenharia e ter que elaborar relatórios técnicos. Antes de chegar a um nível "aceitável" de redação, tive muitos relatórios meus bastante "rabiscados" por colegas revisores! Um grande amigo, e mestre, me ensinou muito mais sobre como colocar minhas ideias no papel (com clareza, convicção, objetividade), em menos de dois anos de trabalho, do que todos os trabalhos acadêmicos que fiz em cinco anos de Universidade. Seu nome é Roneí Carvalho e o considero um dos maiores Engenheiros com quem tive o prazer de trabalhar, não apenas pelo seu grande conhecimento técnico e experiência profissional, mas por ter a humildade de, durante todo o tempo em que convivemos, conversar comigo "de igual para igual", no plano das ideias. Portanto, ressalto que essa lição foi o principal fator que me fez crescer muito profissionalmente (e pessoalmente também): a humildade de reconhecer e aprender com os próprios erros. Então, fica aqui a dica para os "engenheiros": reconheçam suas (prováveis) deficiências em redação e foquem muito nas questões discursivas e na bendita redação de "peça de natureza técnica". Desenvolvam seu "talento" para colocar, no papel, com muita criatividade, clareza e objetividade, suas ideias.

Para os "não-engenheiros", que normalmente já vêm na batalha a tanto tempo, estudando para o cargo de Auditoria Governamental, e estão realmente muito preocupados em adquirir uma "montanha" que conhecimentos em tão pouco tempo, minha dica é: se depender exclusivamente de nossa "auto-avaliação", descobriremos que nós NUNCA estamos preparados "o suficiente"! Então, "relaxem e aproveitem" ao máximo o tempo que vocês tem antes e durante a prova... (sem querer plagiar aquela famosa Ministra de Estado durante a crise aérea...).

Ficar "nervoso" ou "ansioso" antes e durante a prova só porque não conseguiu entender plenamente o "detalhe-do-detalhe" de alguma questão de engenharia que caiu em algum concurso passado só vai atrapalhar. Estudem a maioria dos temas explicitamente cobrados no Edital (para maximizar a probabilidade de acertar um maior número de questões, óbvio), mas, se não conseguirem absorver por completo algum assunto muito específico, façam como eu: REZEM (com muita fé!), para não cair (de novo) algo idêntico...

E, pessoal, lembrem-se que o concurso é para Auditor e não para Perito. O perito precisa chegar no "DETALHE técnico" da coisa. O auditor precisa ter bons fundamentos, entender muito os CONCEITOS por trás de uma questão técnica, e ter "raciocínio lógico" para resolver muitas das questões da prova (é possível "matar" algumas respostas apenas lendo o texto introdutório com muuuuuita atenção, sublinhando os trechos principais).

Enfatizo ainda, para reforçar meus argumentos, que o Edital, por exemplo, exige "FUNDAMENTOS de Projeto de Obras Civis" e não "CÁLCULO Estrutural" (vejam o conteúdo de Auditoria de Obras de Edificações e comparem com o do Edital para Perito da PF, ou de quaisquer outros cursos específicos para Engenheiros Civis...).

Professor, o senhor mais do que ninguém sabe que para prestar um Concurso não basta só "ter conteúdo"... Tem que se ter também as "manhas da prova" (e cada Banca tem o seu "estilo")... Por isso, é óbvio, fazer alguns exercícios de provas similares, da mesma Banca, ajuda. Mas sempre "com moderação", pois quem quer "andar pra frente" (leia-se: passar na prova!) não pode ficar olhando "para o retrovisor" o tempo todo, não é?

No outro dia eu estava com alguns colegas da Secob, conversando sobre esse concurso e um deles me disse algo muito interessante. Na visão dele, que eu compartilho plenamente, existem alguns "níveis" de seleção de candidatos, não apenas neste TCU 2009, mas na imensa maioria dos concursos que vemos por aí. E quais são eles?

(1º) o Edital: depois de lançado o Edital, muita gente desiste de se inscrever no concurso... Pior, tem gente que se inscreve, paga o boleto, e depois, lendo o Edital atentamente, desiste de fazer a prova, pois acha que não terá tempo suficiente para se preparar e não quer "pegar trânsito", "passar por stress", "passar espremido pela multidão no portão de entrada", "ficar 4 horas com o bumbum sentado na cadeira" etc. (isso tudo realmente dá um trabaaaaaalhooooo...);

(2º) as questões de Prova que realmente selecionam os candidatos de acordo com o perfil exigido pelo órgão: aí é que está a "manha" da coisa... São essas questões que são aquelas que realmente valem a pena serem estudadas (a partir das provas dos concursos anteriores), pois são as questões que, em tese, qualquer "mortal" consegue fazer, com absoluta consciência e certeza. Eu baseio meu estudo sempre com o foco de que eu tenho que acertar a maioria desse tipo de questão, pois daí eu realmente estou na competição. E é esse o conhecimento que eu procuro passar nas minhas aulas, para que os colegas também se saiam bem nesse tipo de questão. Essas questões devem compor a maioria da prova, pois se assim não for, os candidatos serão selecionados de maneira totalmente aleatória, e não preencherão o perfil exigido pelo órgão, frustrando suas expectativas.

(3º) as questões de Prova que eu classificaria como "de desempate": ora, eu tenho outro nome para esse tipo de questão, querem saber? Questão "sem noção"! Pessoal, todo mundo aqui já se deparou com alguma questão desse tipo, não é? Vou dar um exemplo. Na prova que eu fiz para engenheiro da Eletrobrás (o primeiro concurso que eu passei, em 2002), cujo foco principal é a Geração de energia, ou seja, hidrelétricas e termelétricas, teve uma questão que me "traumatizou". Eu estava lá, estudando que nem um condenado, tudo quanto é tipo de estrutura hidráulica de uma usina hidrelétrica: barragem, vertedouro, comportas, turbinas etc. e me cai na prova uma questão que pedia a "composição química das Tintas"! Meu Deus, como é que eu iria imaginar que iriam cobrar isso na prova? Ainda que eu ficasse 50 anos na empresa, a probabilidade de eu me envolver com algum serviço de pintura e, pior, me ver obrigado a saber que uma tinta é composta por veículo, pigmento, solvente... era remotíssima! Se algum dia eu precisasse desse conhecimento, eu obviamente consultaria o fabricante das tintas, não é? É óbvio que eu chutei a resposta! (nem lembro se acertei). Mas a ideia é essa, tem questões que estão lá para criar algum nível de diferenciação entre os candidatos (especialmente aqueles na "zona de corte") e, na minha opinião, é esse tipo de questão que ajuda a selecionar os que tem boa estratégia daqueles que "chutam adoidado". No caso do CESPE, o cara que chuta e erra, acaba perdendo pontinhos preciosos e ficando de fora da lista final, não é?

Voltando para o que eu acho importante para ter sucesso na realização da prova, tentarei passar minhas idaias a seguir.

Creio que muitos dos colegas devem lembrar daquela revistinha com pequenas histórinhas de dois bonequinhos (um menino e uma menina), que era conhecido como "Amar é..."? Era sempre algo do tipo: "amar é... sempre pensar na namorada quando passar pela loja de flores", ou qualquer bobeira do tipo.

Pois eu brinco que "Passar em Concurso é...."

... torcer para não brigar com a esposa (ou namorada) no dia anterior ao da prova e ficar com isso martelando o tempo todo na cabeça durante a prova...

... ter que dormir cedo no dia anterior e colocar 3 despertadores para não chegar atrasado (e nervoso) no dia da prova... (é sério, eu coloco o relógio de cabeceira, o meu celular e o da minha esposa...)

... é não comer feijoada ou mariscada na véspera (por incrível que pareça, já ouvi história de um grupo de candidatos que, durante um seminário/workshop onde só tinha "fera", comeu frutos do mar no dia anterior a um concurso e muitos não foram fazer a prova, ou fizeram passando mal)...

... é sentar o mais próximo possível da saída para ficar mais fácil de ir e voltar do banheiro...

... é jamais levar água com gás de casa para a prova, pois até chegar na prova ela fica quente e, com a "sacudida" durante todo o caminho, costuma "fazer chuva" ao ser aberta, bem em cima do seu cartão de respostas (pois é... essa foi experiência própria, na prova da ANA - "Rio 40º" - e o "desespero estampado na face" para secar o cartão resposta, sem deixá-lo enrrugado, para que a leitora ótica pudesse lê-lo... hehehe).

... é controlar o tempo de ir ao banheiro, para não ficar apertado (e nervoso) esperando que os três candidatos da tua frente fiquem lá na "casinha" meia hora cada um...

... é "dar sorte" de cair algum tema na redação que você manda bem ou viu algo a respeito no jornal do dia anterior (para maximizar a chance de "inspiração", leiam bastante os jornais nos dias antecedentes ao da prova, sempre tem algo a respeito do Tribunal)...

... é dar mais sorte ainda de não sentar nenhum infeliz do teu lado com um saco de fandangos, um pacote de cream-cracker, três barrinhas de cereais e... ficar abrindo pacote e mastigando no teu ouvido durante as 4 horas de prova...

Enfim, muita coisa resulta em fazer (ou não) uma boa prova... O que não podemos esquecer é que de nada adianta "nadar" (estudar) tanto, pra "morrer na praia", não é mesmo?

Então, minha dica aos colegas é no sentido de que eles não se preocupem com mais nada além de fazer a sua parte nos estudos, mas "com moderação", sem uma auto-cobrança excessiva.

Nessas duas últimas semanas, "concentração" no concurso é fundamental. Façam como os jogadores de futebol na concentração antes do jogo. Ninguém vê os caras se matando de correr na noite anterior ao dia do jogo, não é?

Bom, traçar uma boa estratégia também é importante.

Acreditem, caros colegas, "chutar tudo" não é uma boa estratégia na prova do CESPE... Todas as vezes em que tentei isso, me dei muito mal. Não é nenhum "pecado" admitir a própria "ignorância" (ignorar = desconhecer) e deixar algo como 10% ou 15% da prova em branco. Há um colega da Secob que deixou 25% em branco na prova específica... e passou. É claro que ele fez as demais questões com MUITA certeza do que estava fazendo. Já teve outro colega que passou em 2007, mas que não tinha passado em 2005 porque deixou bem mais questões me branco (algo como 30% ou mais).

Eu resolvi arriscar um pouco mais em algumas assertivas na prova de 2007 e deixei 4% em branco nas matérias básicas e 9% em branco nas específicas. Após o gabarito definitivo, meu percentual de questões "líquidas" foi de 54% nas Básicas e 61% nas Específicas. Dá pra comprovar que mesmo o primeiro colocado não consegue atingir nem perto de 100% da prova, não é mesmo? Então, pra que o "stress" antes da hora?

Continuando, considero que dar uma boa olhada geral (que eu chamo de "sobrevoo") em todos os assuntos pedidos no Edital também é fundamental. E foi exatamente isso que enfatizei nos meus cursos presenciais em Brasília (Auditoria de Obras de Edificações) e no curso online do Ponto dos Concursos (Obras Hídricas).

Mas, se não for possível ver todos os pontos do Edital, recomendo que foquem nos pontos onde cada um de vocês possua mais "carência". Eu, por exemplo, não me matei de estudar Edificações e Hídricas, apenas dei uma boa revisada nos livros, cadernos e apostilas do CEFET e da Universidade e Mestrado (depois de tirar bem o pó e expulsar os ácaros que insistiam em estudar junto comigo).

Preferi dedicar meu tempo a "meter as caras" nos Manuais do DNIT, para fazer uma boa prova de Rodoviárias. Aliás, acreditem, não há melhor fonte de informações sobre obras rodoviárias do que os manuais (muito loooongos) do DNIT. Quisera eu, na minha época de estudos, ter um curso de Obras Rodoviárias do Ponto dos Concursos só para me dar os "bizús" dos Manuais e do SICRO2...

Pelamordedeus, não fiquem "se matando" de fazer exercício, porque isso só os deixará mais nervosos/ansiosos, com a contínua impressão de que "nunca estarão preparados o suficiente"...

Querem ver uma dica legal? Porque ao invés de ficar sentado na cadeira, com aqueles livros horrorosos de engenharia (alguns com quase 500 páginas) de um lado e uma pilha de normas técnicas do outro, os colegas não pensam em visitar uma obra em andamento (mesmo que seja uma casa, ou um edifício residencial), ou mesmo... uma loja de materiais de construção? É uma boa dica para a última semana antes da prova, período no qual "controlar o stress" é fundamental.

Garanto que uma visita desse tipo irá "abrir a mente" de alguns, pois poderão ter um contato mais "real" e visualizar melhor as atividades e os materiais de construção que são pedidos no Edital.

Aliás, foi por esse motivo que nossas aulas de Auditoria de Obras Hídricas do Ponto do Concurso tinham tantas figuras... Porque consideramos (eu e o Fred), que os alunos devem "se enxergar" dentro de uma obra, observando todos seus detalhes e fazendo a auditoria dela... Pensamento positivo (se enxergar "vestindo a camisa" do TCU) é fundamental para ter sucesso na prova!

E por falar em "entrar na SECOB" antes mesmo de ter um crachá, vocês já viram a recente entrevista do nosso Secretário, André Mendes, na revista Construção e Mercado? Não? Então não podem deixar de visitar: http://revista.construcaomercado.com.br/negocios-incorporacao-construcao/95/artigo139239-1.asp

Lá o Secretário fala sobre o trabalho da Secob, aborda pontos importantes de Projeto Básico, de análise orçamentária, incluindo o tão polêmico "BDI" e o "jogo de planilha", dentre outros temas que podem ajudar muito na "inspiração" para as provas discursivas.

Vicente Paulo: Quais os seus principais acertos durante a sua preparação, aqueles que você acredita terem sido decisivos para as suas aprovações?

Di Bello: Olha professor, algo que sempre fiz questão de fazer é me manter atualizado sobre o órgão para o qual me candidatava. Que tipo de trabalho fazia exatamente, quais eram seus principais dirigentes, como a mídia e a sociedade encaravam o desempenho do órgão, qual seu organograma (até já "escolhia" a área em que eu queria trabalhar! Hehehe).

No caso do TCU, eu ficava "colecionando" alguns recortes de jornais sobre as obras inacabadas, sobre as obras com superfaturamento, notícias sobre decisões de destaque que passaram pelo Plenário do Tribunal etc. Além disso, de vez em quando eu ia com alguns colegas da ANEEL almoçar lá no restaurante do TCU e, secretamente, dizia para mim mesmo "um dia eu ainda vou trabalhar aqui..." (hehehe). Em resumo: pensamento positivo e interesse sincero pelo trabalho são fundamentais.

Tem algumas pessoas que não entendem meu jeito de ser e acham que, às vezes, sou um tanto "pessimista". Minha resposta costuma ser a seguinte: "É claro que desejo sempre o melhor... mas faço questão de me preparar para o que de pior puder me atingir!". É esse estado de "alerta permanente" que já me salvou de muita enrascada, inclusive em concursos. Essa atitude me foi bastante útil particularmente na hora que eu pretendia priorizar, ou seja, focar no que realmente precisava ser visto e aprofundado no meio daquele extenso conteúdo do Edital. Por isso que eu digo que ter foco é essencial para um bom resultado, sendo necessário desviar das "firulas" do Edital, cujo esforço para compreensão não seria compensado diante da baixa probabilidade de cair em prova... Nesse sentido que um bom curso preparatório, com professores que tiveram a experi~encia de fazer provas do órgão, pode ajudar... e muito.

Um grande problema sempre é "arrumar tempo" para o estudo, né? Pois bem... Desde a época que meu avô me dizia que "sem sacrifício não há benefício", eu tento dar prioridade àquilo que realmente importa na minha vida. Primeiramente, a família acima de tudo (pai, mãe, esposa, irmãos, primos, avós...), seguida dos verdadeiros amigos, que são aqueles "irmãos que podemos escolher", gente que sempre esteve contigo tanto nos bons quanto nos maus momentos. São essas pessoas que realmente fazem a diferença, são elas que nos dão o equilíbrio emocional para passar em um concurso disputado por gente do país inteiro. Valorizar a família e o equilíbrio emocional sempre foi a atitude mais acertada que eu tive nos meus concursos. Afinal de contas, a gente nunca "passa sozinho" em concurso, não é? A família ajuda muito e, com certeza, também se beneficia muito quando conseguimos mudar de vida, para melhor sempre. Por isso, tenho certeza de que aquela dezena de terços que a avó da gente reza, ajudam um bocado... hehehe.

Em seguida, depois da família, vem aquilo que dá o sustento (nosso e de nossa família), que é o nosso trabalho. Por isso, ter um trabalho que nos dá prazer e, é claro, um retorno financeiro compatível com o nosso esforço e os resultados que geramos para a sociedade, é fundamental. Portanto, sempre me preocupei em não deixar "cair a peteca" em determinado emprego porque estava em fase de estudos para algum concurso (vai que não passa... daí o chefe resolve mandar você pra "geladeira" e começa a te dar "nota baixa" na avaliação de desempenho, porque você estava mais preocupado com o concurso do que com o trabalho...).

Portanto, o que eu sempre fiz foi "apagar da memória" tudo aquilo que eu considerava que não era prioritário. Desde cedo me afastei do futebol da TV, de acompanhar cada jogo do meu time... Os "caras" lá ganhando uma fortuna e eu aqui, no "perrengue", sem dinheiro... Não dá, né? Deixa eu dar uma "estudadinha" pra melhorar de vida... hehehe.

Outra coisa que realmente atrapalha muito, quando não devidamente utilizada, é essa nova tecnologia que vemos por aí.

Simplesmente deletei meu perfil do Orkut, porque não tinha tempo. Já vi gente reclamando que diz que não tem tempo pra estudar, mas fica lá "dando uma olhadinha nos scraps" do Orkut todo santo dia. Esse tal de MSN é outra coisa que atrapalha demais e está fora da minha lista. Ô negocinho pra fazer a gente perder tempo precioso. Hoje quem quer falar comigo liga pro celular ou manda um e-mail (ah! e se vier aquela "corrente" ou uma piadinha muito longa, o destino certamente é a lixeira!). Lembrando: sem sacrifício não tem benefício! E cada minuto "economizado" em coisas que, se pensarmos bem direitinho, não fazem a menor falta em nossa vida, acreditem, faz sim diferença no final das contas.

No que tange à prova em si, já comentei que eu só passei no CESPE no dia em que eu enfiei definitivamente na cabeça que "chutar" todos os itens que eu não sabia era a maior "furada". Acho fundamental, nessas provas em que uma questão em desacordo com o gabarito anula uma questão que você acertou, que defendamos cada pontinho que ganho na base do "sacrifício" com unhas e dentes. É claro que isso não significa que não tenhamos que "arriscar" em uma ou outra questão, ainda que não temos total certeza da resposta. O segredo é saber segregar aquelas do tipo "essa aqui ta mais pra Certa, porque eu não achei nada que pudesse dizer que está errada..." (ou seja, trabalhar com a probabilidade) daquelas do tipo "putz! Nunca vi isso na vida e nem sei por onde começar"... (aí já é o chamado "chute sem direção", totalmente aleatório!).

No que tange às questões discursivas, como eu disse, se "auto-adestrar" a redigir bons textos é fundamental. Por isso eu estou sempre treinando minha redação, seja nos pareceres técnicos do dia-a-dia, seja nos e-mails ou em cartas. Em todos os lugares nos quais trabalheis, sempre fui muito cobrado quanto á qualidade dos textos. Mas, mesmo quando eu escrevo um e-mail, ou uma carta, procuro sempre "caprichar", para deixar a idéia mais clara possível. E, com isso, fui treinando a redação.

Ah, sim! Lembrei de uma coisa importantíssima. Pessoal, hoje em dia estamos muito acostumados com o computador, certo? Pois é bom lembrar de que, na prova, boa caligrafia é fundamental! Principalmente quando dividimos mal o tempo da prova, concentrando tudo nas questões objetivas, e acabamos deixando pouco tempo para "desenrolar" as discursivas e a redação. Eu já perdi ponto em prova porque, na pressa, o meu "acento agudo" no meio da palavra acabou saindo "emendado" (sobreposto) no traço superior de uma letra "T" que tinha na mesma palavra... e o examinador achou que eu tinha simplesmente esquecido o acento.

Não se esqueçam que vocês farão duas questões de conhecimentos básicos, com 20 linhas cada, uma questão de conhecimentos específicos, com mais 20 linhas, e a redação, com 50 linhas. Ou seja, no primeiro dia serão 40 linhas, mas no segundo serão 70 linhas! Escrever isso tudo correndo, e tendo que "caprichar" na letra, para que o examinador te compreenda, não é mole não!

E não achem que o "até" 50 linhas permitirá a vocês fazer o texto em apenas 20 linhas, porque não é bem assim que a banda toca. O ideal é explorar o máximo possível a oportunidade e colocar o que vocês tem de conhecimento sobre o tema no papel, abordando, de preferência na ordem, todos os tópicos pedidos pela Banca no enunciado (não pode "esquecer" nenhum, viu?). Bom... pelo menos, sempre me dei bem com essa estratégia.

Vicente Paulo: E se você tivesse de apontar um (ou alguns) erro cometido durante a sua preparação, algo que você não faria novamente hoje numa eventual preparação para concurso, qual seria ele (ou eles)?

Di Bello: Bem... Essa é bem difícil, pois eu já "apanhei" tanto nessa vida de concurseiro, que listar todos equívocos na minha trajetória fica complicado... vai faltar página nesta entrevista... hehehe. Mas, vamos tentar.

Muitas vezes eu insistia em estudar em casa, no meu quarto, ao contrário de escolher lugares mais apropriados, como uma biblioteca, por exemplo. Em casa, sempre tem alguma interferência, que não conseguimos controlar. É o telefone que toca, é alguém que chama para ver algo interessante que está passando na TV, é aquela geladeira tão pertinho de nós, que insiste em nos "hipnotizar" para que a visitemos a cada 15 minutos...

Eu procuraria estudar mais em locais públicos, silenciosos, preferencialmente rodeado de pessoas que possuem o mesmo objetivo, o que nos motiva. No Rio, eu não tinha muito essa cultura de sair de casa para estudar. Algumas vezes estudava nas bibliotecas e laboratórios da própria Universidade, mas já fui na Biblioteca Nacional e no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Centro da Cidade, que tem biblioteca e local de estudo excelentes. Mas aqui em Brasília é bem diferente, afinal de contas, é a "capital dos concursos federais", não é? Aqui eu já fui na UnB e na LBV, que possuem uma boa estrutura para estudos.

Outro equívoco que eu procuraria evitar seria "ampliar muito" o escopo de concursos. Muitas vezes nos vemos tentados pelo salário, ou alguma outra vantagem qualquer do cargo, mas não temos a menor afinidade, sequer conseguimos nos imaginar, fazendo aquele tipo de trabalho. Eu já fiz prova, por exemplo, para gestor do Ministério do Planejamento (salário bom e carreira prestigiada, principalmente no governo Lula), para o BNDES (o salário era legal e eu queria muito voltar pro Rio à época) e para a Petrobrás (a PL "gordinha" me chamou muita atenção!), mas hoje descobri que realmente eu não seria tão feliz nos cargos que iria ocupar (especialista em políticas públicas, engenheiro/economista ou engenheiro do petróleo).

No meu caso, sou engenheiro e nunca me aprofundei muito nos ramos de Direito e de Contabilidade. Mas, dei muita sorte. No caso do Direito, a prova da ANA foi muito técnica e o que eu estudei de Direito (Constitucional e Administrativo) foi, digamos, o "basicão". Mas quando vim fazer o curso de formação da ANA, tive contato com excelentes professores daqui de Brasília, que deram um senhor material sobre o tema. O curso da ANEEL foi a mesma coisa. Passei por conta do bom desempenho nas específicas, e tive um ótimo curso de formação pela ESAF. Sobre auditoria e noções de contabilidade, os conhecimentos que adquiri com os colegas da Fiscalização Financeira da ANEEL realmente foram muito úteis na minha "escalada" rumo ao TCU.

Por fim, durante muito tempo eu me preocupei em acertar TODAS as questões da prova (inclusive aquelas "sem noção" que comentei anteriormente), sem saber que isso não era prioritário. Tentar "abraçar o mundo com as pernas" só me deixava nervoso, ansioso, desestimulado. Então, passei a analisar o Edital com mais cuidado, a ver como as coisas eram cobradas nos certames anteriores e... seja o que Deus quiser!

Vicente Paulo: Diante desses seus erros e acertos, se você recebesse hoje a incumbência de orientar os estudos de um candidato que está iniciando, dando os primeiros passos nos estudos, quais seriam as suas orientações? A propósito, com tantas aprovações em concursos, em tão pouco tempo de preparação, você se considera muito inteligente, ou é muito determinado/disciplinado? (Fique à vontade para escrever, pode escrever quantas linhas/páginas quiser, acho essa pergunta uma das mais importantes desta entrevista).

Di Bello: Amigo Vicente, certa vez vi uma matéria no jornal onde um professor de cursos preparatórios trabalhava uma ideia com a qual concordei plenamente, era algo mais ou menos assim: "Concurso Público não é para selecionar 'os mais inteligentes', mas sim para eliminar os 'menos preparados'"...

De fato, nunca me preocupei em ser o primeiro aluno da turma. Sempre estudei em escolas públicas. No primeiro grau, estudei na Escola Municipal Quintino Bocaiúva (no bairro de mesmo nome, onde nasci, e que também ficou conhecido por ter sido o "berço" do jogador Zico).

Com todos os problemas do ensino público, posso dizer que dei muita sorte na vida, ao ter em meu caminho professores verdadeiramente comprometidos com a Educação Pública nesse país. Foi na escola pública, e com alguns puxões de orelha de meus pais, que eu aprendi a "reclamar menos" (da falta de professores, da falta de condições nas escolas...) e "suar mais", vencendo, com bom humor e muita fé, todos esses obstáculos. Resumindo: se o professor não ajudava, o livro estava lá e eu tinha era que "me virar" com ele mesmo.

Com o intuito de ingressar em uma boa escola para cursar o segundo grau (atual "ensino médio"), tive que encarar o primeiro "teste de fogo" de minha vida como "concursando", que foi o "vestibulinho" para o CEFET-RJ.

Foi a época em que, pela primeira e única vez, botei os pés (como aluno) em um curso preparatório. Na época eu tinha 13 anos e minha visão era a de que "se eu estava no cursinho, e os professores estavam lá para me ensinar, então eu iria certamente passar"... Ocorre que o ambiente do curso era terrível. Imagina um "clima" de extrema competição/pressão entre crianças! Bom, a única coisa que eu "passei" foi muita raiva, já que não adiantou nada e eu fiquei reprovado na prova do CEFET.

Mudei então a minha "estratégia". Eu tinha que confiar menos no "taco" dos professores (afinal de contas, o "bizú", o "macete", era igual para todos os alunos, não?) e passei a confiar mais no meu próprio taco. Nessa época eu ouvia sempre o "mantra" do meu avô, Ferdinando Di Bello, que me acordava às 4h da manhã para estudar: "Sem Sacrifício não há Benefício!".

Bom... aí eu passei no CEFET. Segui o caminho do meu pai, que se formou naquela instituição, como Técnico de Eletrônica. A diferença é que eu fiz o curso de Técnico de Edificações.

Se teve algo que me marcou muito no CEFET foi que lá, desde cedo, temos que "aprender a aprender". Ou seja, devemos ter metas e traçar estratégias bem definidas para atingi-las.

Professor, na escola técnica, para realmente aprender a construir uma edificação, tínhamos que, por exemplo, levantar paredes de alvenaria, pintar paredes, cortar esquadrias de madeira etc. Ou seja, o lema era: para "fiscalizar" um serviço e dizer se está ou não bem feito, temos que primeiro aprender a fazer (bem feito, com técnica!), compreendendo as dificuldades envolvidas e buscando as soluções para contorná-las. E essa lição eu empreguei e emprego até hoje nas fiscalizações que tive a oportunidade de participar, seja na ANEEL, seja no Tribunal.

No vestibular, tendo gostado muito de Edificações, optei pela Engenharia Civil e "meti a cara nos livros" para passar na Universidade Federal do Rio de Janeiro, que era, além de uma excelente Universidade, a mais próxima da minha casa. Após a graduação, já estando empregado na iniciativa privada, fiz também mestrado em Ciências de Engenharia Civil (ênfase de Recursos Hídricos) pela COPPE/UFRJ.

Uma dificuldade que eu sempre me recordo durante minha vida acadêmica, e que demandou um exercício constante superação, foi como fazer para "criar" tempo para o estudo. Apenas para ilustrar, lembro que quando eu ainda estava no CEFET eu levava mais de 1h e meia para chegar na escola de ônibus, todo santo dia. Aquilo para mim era um tempo perdido, que fazia muita falta para estudar para o vestibular. Decidi, então, fazer algumas leituras na viagem.

No início, era terrível, pois começava a ter alguma dor de cabeça (as letrinhas ficavam "sambando" na minha frente, a cada sacolejada do ônibus) e até me dava certo enjôo. Mas, a necessidade sempre obrigou o corpo humano a se adaptar às mais diversas condições adversas, não é? Então porque comigo seria diferente? Bom, depois de muito tentar, consegui me adaptar a essa situação. Lia sentado, lia em pé, lia "espremido" entre a barra de apoio e o gordinho do lado... hehehe...

Bom professor, pelo meu "pequeno histórico" de vida, dá pra perceber que passar em quatro concursos em um intervalo de tempo de sete anos, na minha visão, é uma questão de "evolução". E, pode ter certeza, não foi fácil chegar lá. Como diz o professor Wiliam Douglas: "não se estuda para passar, mas até passar", não é verdade?

Parece brincadeira professor, mas sempre que eu "quis muito" algo na minha vida, a coisa não dava lá muito certo... Por isso eu aprendi a ser menos exigente comigo mesmo e a ter mais calma e estratégia em cada passo que eu dava, sempre aprendendo com as bobagens que a gente acaba comentendo.

Na época da faculdade, quis muito fazer estágio em uma grande empresa de petróleo da iniciativa privada... e não passei nem da dinâmica de grupo, ou seja, sequer visitei a sala de estar do entrevistador. Até hoje eu tenho guardado o telegrama que começava mais ou menos assim "agradecemos a sua participação..." (que tristeza na época! agora dá até pra dar risada, não?).

Uma época eu quis muito passar na Petrobrás (principalmente depois de saber que alguns amigos meus chegaram a ganhar mais de cinco salários a título de "Participação nos Lucros"). E também fiquei "a ver navios"... Infelizmente, não os navios petroleiros que eu queria ver... hehehe...

Tinha uma época que eu queria era ser Perito da PF e estudei muito mesmo. Mas... ao "chutar muito", com medo de deixar muitas questões em branco, quase fiquei "devendo ponto" pro CESPE na prova do "uma-errada-anula-uma-certa" (sério mesmo! Faltou pouco para a pontuação ser negativa, pois eu acertei pouco mais da metade e errei todo o resto)...

Enfim, os concursos nos quais passei foram realmente difíceis. O que os tornou mais "tranqüilos" para mim foi que sempre tinham a ver com o que eu sempre gostei de fazer: engenharia.

Passei na Eletrobrás, pois segui a ênfase que escolhi na graduação (Recursos Hídricos e Meio Ambiente). Também contei com a imponderável ajuda de um time de primeira de professores da UFRJ, dentre os quais destaco meu orientador de projeto final de curso, professor Cesar Augusto, que já foi da Eletrobrás e sempre contava muitas histórias do setor elétrico nas suas tradicionais "pausas para amadurecimento profissional" durante as aulas de aproveitamentos hidrelétricos.

Da Eletrobras para a ANA, e depois para a ANEEL, foi um "pulo". Na Eletrobras, trabalhei na Divisão de Recursos Hídricos e Inventários e qual foi o cargo da ANA para o qual fui aprovado? Especialista em recursos Hídricos! Na ANA, trabalhei na Superintendência de Usos Múltiplos da Água (acompanhando estudos e projetos do setor elétrico) e, adivinhe qual foi o tema da redação da ANEEL? "Conflitos potenciais entre os usos múltiplos em um reservatório"... Dividi mal o meu tempo e acabei com uns 20 minutos para fazer a redação. Nem usei o rascunho. Abaixei a cabeça e mandei ver! Digo para os amigos que eu "psicografei" aquele texto... (mas na verdade tinha tudo a ver com o que eu via no meu dia-a-dia da ANA).

Mas, em resumo, minha preparação é fruto de toda uma dedicação constante, um processo de aperfeiçoamento contínuo. Portanto, o fator "pouco tempo" nunca me assustou tanto. Afinal de contas, se o tempo é pouco para mim, também é para todos os demais candidatos, não?

O que eu recomendo aqueles que estão iniciando os estudos para determinado concurso, é que não esperem sair o Edital para começar a se preparar. Tentem antecipar as informações sobre a possibilidade de lançamento de novos concursos nos sites especializados (o do Ponto dos Concursos é um deles!).

Nunca tenham "preconceitos" (do tipo, se eu não passar na "Receita Federal", eu não quero passar em concurso nenhum!) e aí vocês descobrirão muitos órgãos públicos onde o salário pode não ser o "top" da Administração Pública, mas onde o trabalho te proporcionará um grande prazer. Era o que acontecia comigo quando eu estava nas Agências Reguladoras. O período em que estive nesses órgãos eu era muito feliz, apesar da grande carga de trabalho, das inúmeras viagens e do salário "óóóóó..." (como diria o professor Raimundo... à época, porque hoje melhorou bem). Tenham sempre o "plano B". O meu plano A era a Polícia Federal, durante muito tempo. Até eu "descobrir" o TCU. A PF virou plano B, e o Tribunal virou o "A".

Para aqueles que estão se achando "muito velhos" para começar a estudar, meu Pai é meu exemplo. O "Di Bello Pai", como alguns amigos meus carinhosamente o conhecem, começou afazer a Universidade de Direito com mais de 50 anos. E hoje, com quase 60 anos, é formado! Certamente um grande orgulho para toda a família. Então, se meu pai conseguiu encarar 5 anos de uma difícil faculdade de Direito, "competindo" com alunos que tinham menos do que a idade dos seus filhos, porque aqueles que se acham "mais velhos" não conseguem voltar a estudar para concursos públicos?

Vicente Paulo: Eu ouço todos os dias em sala de aula candidatos reclamando da dificuldade que é se preparar para um concurso trabalhando. Mas, pelo que eu sei, quando você se preparou para o TCU/2007 você trabalhava na ANEEL. O que você tem a dizer sobre isso?

Di Bello: Ah... Foi uma maravilha... Só de lembrar "dá uma saudade"... hehehe.

Imagina só professor. Eu trabalhava na Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Geração, mais precisamente no setor que cuidava de fiscalizar usinas termelétricas na região Norte do país (os chamados "sistemas isolados"). Naquela época, eu não estava "me preparando para um concurso e trabalhando"... Eu estava era trabalhando MUITO e, nos pequenos resquícios de tempo que me sobravam, estudando. E quais tempos eram esses? Bom, eu viajava bastante. O tempo "perdido" no aeroporto e dentro do avião era batata! Dava pra ler um bocado de coisa...

Como eu disse, tempo para estudo a gente cria, priorizando nossas tarefas e eliminando o que pode ficar para depois da prova (o futebol na TV, o passeio no final de semana etc.).

A minha apostila do prof. Zymler (aquela do curso sobre a lei 8666/93 que comentei anteriormente), várias partes dos manuais do DNIT e algumas outras apostilas e livros da faculdade (estruturas de concreto etc.) já "passearam" comigo por Rondônia, Amapá, Tocantins... hehehe.

É claro que eu achava que nunca estaria preparado. Mas, foi o que foi possível fazer, não é? Por isso que eu digo, a fórmula é clara: estudo (o máximo possível, mas sem matar), exercícios de provas anteriores (no meu caso eu só pude me basera pela prova de TCU Obras-2005), tranqüilidade e estratégia. E o resultado está aí...

Vicente Paulo: A disciplina por você ministrada para o TCU/2009 - Auditoria de Obras Hídricas - certamente será muito puxada no concurso. Existe alguma dica de última hora para os candidatos que farão a prova, especialmente para aqueles que não são engenheiros e estão sofrendo com a insegurança?

Di Bello: Bem professor, creio que eu e o Fred já procuramos passar para os alunos todas as "dicas", os "macetes", os "bizus" que conseguimos coletar em nossa experiência dentro e fora do TCU no que tange às Obras Hídricas. A gente sempre brinca dizendo que todos os "pulos do gato" estão lá nas aulas. O nosso gato já pulou tanto que no próximo carnaval ele vai sair fantasiado de canguru... hehehe.

O que eu digo é o seguinte: ninguém sabe exatamente qual a proporção de questões que vai cair em cada uma das disciplinas (Rodoviárias, Edificações e Hídricas), a não ser a Banca do CESPE, que foi contratada para isso.

Nos fóruns que tenho visto na internet, tem gente apostando que a participação das Hídricas vai ser menor este ano, pois, de fato, muitas questões sobre o tema caíram em 2007.

Porém, acho que as pessoas sabem também que na Banca do CESPE não tem bobo e que os professores da UnB também tem acesso a internet. Portanto, vai que o "raciocínio" inverte? E os professores resolvem investir novamente nas Hídricas, só porque está "todo mundo" comentando que elas não virão com "carga total" esse ano? Motivo é o que não falta para dar importância às obras hídricas... duvidam?

Uma rápida passadinha no site do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal (http://www.brasil.gov.br/pac/balancos/copy_of_5balanco/) mostrará que não são poucas as obras hídricas que tem recebido a atenção (e os recursos!) do Governo. Notadamente, destaco as obras nas áreas de hidroeletricidade (UHEs de Simplício, Batalha, Passo São João, Santo Antonio, Jirau etc.), de irrigação (várias da CODEVASF) e Portuárias (várias, de dragagens etc.).

E mesmo que o número de questões de Hídricas não seja o maior dentre as três áreas, pode ser justamente nessas questões que estará concentrada a "nota de corte". Uma característica interessante das obras hídricas, em relação às rodoviárias e às de edificaçõess, é a diversidade de tipos de obras que temos (de adutoras de água à barragens de hidrelétricas, de sistemas de esgoto a Portos, de perímetros de irrigação à canais de drenagem...). Ou seja, dá para ser "mais criativo" nas questões de hídricas, não é?

Em 2005, as questões versaram principalmente sobre escoamentos em canais de drenagem, estruturas hidráulicas (vertedouros, barragens), irrigação e sistemas de abastecimento de água e esgoto. Ou seja, nada foi pedido sobre Portos ou Hidrelétricas.

Já em 2007, o foco se voltou para controle de cheias em ambientes urbanos, escolha de mananciais de abastecimento de água, extravasores e barragens, Usinas Hidroelétricas (inclusive comparações com outras fontes de energia - tema que saiu do edital 2009!), obras portuárias (inclusive dragagens) e irrigação. Por exemplo, não houve cobrança de conhecimentos acerca dos sistemas de esgotamentos sanitários.

Portanto, já que os alunos gostam de exercitar a "futurologia", vou ajudar. Mesmo sem ter bola de cristal, meu sentimento é que devemos apostar na retomada do tema de esgoto (que não caiu em 2007). Também sempre aposto no tema de estruturas hidráulicas (item 1 do programa): extravasores (vertedouros), tomadas d'água, barragens etc., pois permite uma amplitude grande de questões diversificadas. Ressaltamos que o tema "tipos de irrigação" não estava explícito nos editais de 2005 e 2007, passando a figurar no de 2009 de forma muito clara. Portanto, pode ser que caia alguma questão também. Sobre Portos, já que já foi cobrado a parte de dragagem e de canal de acesso pode ser que eles invistam na parte mais conceitual sobre os principais tipos estruturas de proteção e atracamento, ou dos equipamentos de operação (temas que ainda não foram explorados). No caso dos aproveitamentos hidrelétricos, eu apostaria mais na questão dos aspectos construtivos (ensecadeiras para desvio do rio, por exemplo) ou nos geradores de energia, já que a prova de 2007 cobrou conhecimentos sobre as turbinas e avaliação do potencial hidráulico.

Atendendo ao pedido de alguns amigos e alunos que resolveram se inscrever no Curso de Auditorias de Obras Hídricas do Ponto dos Concursos na última hora (porque viram que o curso ficou com mais de 600 exercícios resolvidos e devidamente comentados), eu e o Fred resolvemos estender o período do curso (incluindo a manutenção do fórum de dúvidas) até a última semana antes da prova. Creio ser essa a nossa principal contribuição para aqueles que ainda sofrem com algum tipo de insegurança.

Vicente Paulo: Você fazia resumos das disciplinas, ou achava isso perda de tempo? Que dica você daria para os candidatos sobre esse ponto (fazer ou não fazer resumos)?

Di Bello: É uma questão interessante. Eu fazia alguns resumos sim, mas sempre ao meu "modo", ou seja, mais preocupado com "esquemas mentais" (parece que isso hoje em dia é moda, são os tais "map minds", ou algo parecido...) do que em copiar o tema como está no livro. Meu caderno é todo rabiscado: é um tal de puxar setinha para cá, colocar asterisco para lá, fazendo o "link" com outra matéria em outra página...

É claro que eu realmente costumo "gravar" algo de forma mais consistente quando eu escrevo do que quando eu simplesmente leio (ainda mais quando algo me distrai no meio da leitura). Mas... cadê o tempo para fazer inúmeros resumos?

Eu conheço algumas pessoas que têm o hábito de usar aquelas canetas destaca-texto para "destacar o que é mais importante". Mas daí, quando pegamos algum livro ou apostila dessa pessoa, vemos que a pessoa "pintou" quase toda a página de amarelinho e verdinho!

Ora, como é que a pessoa consegue saber o que é mais importante na revisão? Da mesma forma, vejo algumas alunas (principalmente as mulheres, mas alguns homens também), com aqueles caderninhos de "resumos" de infinitas páginas, todos coloridinho, com canetas de várias cores. O resumo é quase uma cópia do livro, pois a pessoa não consegue distinguir o que é importante.

É nessas horas, onde precisamos "filtrar" aquilo que costuma ser mais cobrado, quando precisamos dar um jeito de "decorar" alguma coisa mais específica, que os cursos preparatórios entram. O professor tem que dar o "Norte" e os alunos devem complementar seus estudos, cada um na medida das suas possibilidades.

Outra coisa, normalmente aqueles que são bem sucedidos em concursos (mesmos os da área de engenharia, como este TCU 2009) normalmente são aqueles que adquirem um espírito crítico, que sabem interpretar uma questão. Para tal, é importante ter mais de uma visão, pesquisar em mais de uma fonte.

Alguns alunos das aulas presenciais de Edificações me perguntam o que eu acho deles estarem estudando com outros professores (com o curso do Ponto, por exemplo). Eu sempre digo que eu acho isso ótimo. É claro que sai mais caro para o aluno. Mas, não é pra investir? Não é para ter uma formação mais sólida do que os seus concorrentes? É razoável fazer um investimento "pela metade"?

Então, eu digo para que, sempre que for possível, aproveitem toda e qualquer oportunidade de estudar em fontes suplementares, sim. No meu curso presencial, bem como curso online do Ponto dos Concursos eu indico vários sites e peço para que os alunos visitem e coletem material complementar.

Vicente Paulo: Durante a sua preparação, você fez muitos exercícios, resolveu muitas provas de concursos anteriores? Que dica você daria para os candidatos sobre esse ponto (fazer ou não fazer exercícios)?

Di Bello: Professor, eu já tentei "impor" a minha visão a alguns alunos, mesmo com base na minha experiência pessoal de concurseiro, e não fui bem sucedido. Eu sempre digo e repito: exercício não serve para "aprender"! Servem, sim, para avaliar o "estilo" da Banca.

Vejam o meu caso. Fiz toda a prova do TCU 2005 de Obras públicas porque era a única que existia! Vi que o Edital da prova da Polícia Federal era muito mais extenso e cobrava muito mais coisas do que o do TCU. Portanto, folheei a prova da PF (e algumas outras também) e fiz apenas os exercícios que me interessavam (deixei pra trás alguns exercícios de diagramas de esforços cortantes/momentos fletor, ciclo de Mohr etc.). E ponto final. Daí em diante, após entender o estilo de prova do CESPE, eu "caí matando" foi na teoria, no conteúdo, nos conceitos fundamentais.

Acho que para aqueles que tem tempo de sobra, tudo bem... manda ver nos exercícios! Nesse caso em que o tempo não é restrição, fazer exercícios não vai atrapalhar.

Mas para quem sempre tem tempo regulado, como eu sempre tive, fazer muitos exercícios: (1º) tira tempo precioso do estudo para domínio do conteúdo (conceitos fundamentais); (2º) deixa o candidato desesperado (pois a variedade de exercícios existentes em todas as provas de engenharia civil já aplicadas pelo CESPE é enoooorme!); e (3º) condiciona o sujeito a achar que a Banca tem que se limitar ao que já deu no passado (e isso, cá pra nós, é uma insensatez).

Vicente Paulo: E sobre material de estudo, alguma orientação?

Di Bello: Bom, tenho sim. O problema é que com apenas duas semanas, não dá para "fazer milagre", não é? O que eu indico é o que eu usei para estudar para a prova e para preparar as aulas do Ponto e presenciais. É claro que "a essa altura do campeonato", não recomendo que ninguém compre todos os livros para tentar "devorá-los" em uma semana.

De Edificações eu indico os livros dos professores Claudio Sarian (ex-secretário da Secob - "Obras Públicas", Ed. Forum), Walid Yazigi ("A técnica de Edificar", Ed. PINI: contém todo o conteúdo do Edital, mas não tem uma única figura), Alberto Campos Borges ("Prática das Pequenas Construções" - Ed. Edgard Blucher: muito didático e com várias figuras) e Manoel H. C. Botelho ("Concreto Armado Eu Te Amo", Ed. Edgard Blucher: também com uma linguagem bem acessível e com várias figuras).

De Hídricas, os manuais da Eletrobras (disponíveis em http://www.eletrobras.gov.br/ELB/data/Pages/LUMIS4AB3DA57PTBRNN.htm), especialmente as Diretrizes para Pequenas Centrais Hidrelétricas e o site da CODEVASF, sobre irrigação.

Sobre Rodoviárias, os bons e velhos manuais do DNIT (www.dnit.gov.br), incluindo os do SICRO2 e do SICRO3 (em audiência pública).

Procurem acessar sites como os da Revista Construção e Mercado (de onde tirei a entrevista do Secretário André Mendes), e o das Associações de Construção Civil, como a ABCP (Cimento Portland), a ABPC (Produtores de Cal), a ABESC (Concreto Dosado em Central). Nesses sites costuma se encontrar muito material interessante, com muitas figuras e um conteúdo bem resumidinho, fácil de ler e absorver.

No mais, abusem do "oráculo" (o Google) quando tiverem alguma dúvida muito específica.

Vicente Paulo: Sei que este pedido exigirá muito de você, mas não posso deixar de fazê-lo, conto com a sua compreensão e desprendimento. Você poderia fazer um resumo da sua história de preparação, isto é, de como você se preparou para os dois últimos concursos - ANEEL e TCU (quanto estudava e quanto descansava; qual a metodologia empregada; como programava os estudos; como dividia o tempo entre teoria e exercícios; quando fazia cursinho e quando só estudava em casa etc.)?

Di Bello: Como comentei anteriormente, não fiz cursinho e estudava sempre que possível. Muito da minha trajetória eu já comentei nas questões anteriores...

A verdade é que eu nunca tive muito "teeeempo" ($$$) para os cursinhos. Portanto, eu investia mesmo era em livros e em apostilas. Quando o "teeeempo" ($$$) ficava mais curto ainda, valia tudo, até o jornalzinho de concursos com o "simuladão", daqueles cuja qualidade do papel era tão "de primeira" que os dedos ficavam todos pretos por causa da tinta.

Há que se considerar que eu tinha um conhecimento pregresso de obras (especialmente hídricas e edificações) bastante razoável, de modo que o concurso veio "sob medida" para o meu perfil profissional. Por isso, na média, creio que revisei o conteúdo do Edital algo como 2 horas/dia.

Portanto, o resumo da minha história de preparação é estar sempre antenado nos telejornais, "fuçar" a internet em busca de material (como nos sites que eu já indiquei) e... muita tranqüilidade, respeitando sempre os "alarmes" que o nosso corpo "dispara" quando estamos excedendo nossa capacidade mental e física (ultimamente, o tanto de horas que eu fico sentado no computador, preparando as aulas do Ponto, tem contribuído para uma dor nas costas daquelas...).

Vicente Paulo: Pois é, Rafael, eu espero que você examine com carinho o meu convite para participar, permanentemente, da equipe de professores do Ponto, pois certamente você tem muito a repassar para os candidatos de todo o Brasil.

Di Bello: Certamente o convite será apreciado com muito carinho professor, pois foi com grande prazer que participei dessa empreitada com o Fred e contigo. De fato, esse curso foi uma experiência inesquecível, tanto do ponto de vista profissional quanto pessoal.

Sabe... Eu considero que tenho uma grande dívida com essa sociedade. Por ter sempre estudado em escolas públicas de excelente qualidade (claro, por mérito próprio também, pois os processos de seleção não eram nada fáceis), sinto que tenho muito a contribuir na preparação de outros colegas para vencer a batalha dos concursos. Em especial daqueles que não tem tantos recursos para os cursos presenciais. Por isso gostei muito da abordagem do Ponto, pois podemos levar nosso conhecimento ao extremo do país, sem ter que fazer o pessoal pagar nossas passagens, a conta do hotel...

E eu digo sempre a todos que Concurso Público não é "loteria", não é "Cassino", não tem cartas marcadas (os que eventualmente "pecam na lisura", acabam com a Polícia Federal e o Ministério Público no encalço!)... Se concurso público, ou mesmo vestibular, fossem "loteria" eu não estaria dando essa entrevista aqui para vocês, pois eu sou um baita azarado nesses jogos (nunca ganhei um único prego em sorteio nenhum! Hehehe).

É bem verdade que há muito o que evoluir nos Concursos Públicos, pois ainda existem muitas imperfeições. Mas considero essa modalidade de seleção de pessoas, qualificadas e (na imensa maioria) comprometidas, para ocupar postos na Administração Pública como sendo a mais justa!

Vicente Paulo: Muito obrigado por toda a atenção a mim dispensada, e por mais esse seu gesto de desprendimento, em atenção aos concursandos de todo o País. Parabéns pela aprovação nos mencionados concursos - e também pelo sucesso como professor preparador de candidatos. No mais, se depender de mim, teremos pela frente boas e permanentes parcerias, não só como profissionais, mas também como amigos.

Di Bello: É isso aí professor, agradeço pela sua paciência nas minhas longas respostas (hehehe) e pela oportunidade de estabelecer um canal de comunicação com os colegas concursandos, tanto aqueles que se dedicam a este TCU 2009, quanto aqueles que pensam em ingressar no mundo dos concursos.

E, com certeza, apesar do pouco tempo de convivência, sinto que teremos uma longa caminhada juntos pela frente. Gente séria, empreendedora, que se preocupa em levar um ensino de alta qualidade para todos os cantos desse nosso imenso país, só pode contar com a minha amizade e admiração. Parabéns pelo seu trabalho e de toda a equipe que te auxilia.

Um forte abraço e muito sucesso para ti e toda a equipe de profissionais e alunos do Ponto dos Concursos!

Di Bello