Entrevistas

Frederico Dias


O Ponto entrevista Frederico (Fred) Dias, Auditor Federal de Controle Externo do Tribunal de Contas da União e Professor do Ponto...

Desde a faculdade, Frederico Dias (em Brasília conhecido entre os candidatos para o TCU por "Fred"!) já pensava em trabalhar para o Estado, por achar a atividade nobre e de bom retorno em termos de satisfação pessoal e qualidade de vida. Mas só depois de dois anos da sua graduação em engenharia (2006) que, durante uma conversa com um amigo que já havia sido aprovado em concurso público, ele decidiu, de vez, abandonar o trabalho na iniciativa privada e dedicar-se integralmente aos estudos para concursos.

Fred começou estudando para o concurso de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, mas, no início de 2007, quando frequentava um curso de Direito Constitucional do Professor Vicente Paulo em Belo Horizonte, ouviu desse professor que certamente o próximo concurso da Receita não sairia dentro de um ano, e, com isso, resolveu mudar de estratégia e começou a preparar-se para o concurso de Analista de Controle Externo do TCU (atualmente Auditor Federal de Controle Externo).

Estudando "como um louco", dia e noite, pegando nos livros todos os dias às 5h30min da manhã, bateu na trave no concurso do TCU/2007 (foi 76º colocado no certamente que oferecia 44 vagas), o que foi um grande estímulo.

Daí, como "Deus ajuda a quem madruga", veio o concurso de Analista da CGU e, com ele, a primeira recompensa por todo o esforço: Fred foi aprovado em 1º lugar nacional!

Pronto! Se a boa classificação no TCU/2007 já havia sido um grande estímulo, o primeiro lugar no Analista CGU trouxe a tranquilidade que faltava ao Fred para a sonhada aprovação no TCU/2008: foi o 9º colocado na área de Auditoria Governamental!

Aprovado na área de auditoria governamental, devido à sua graduação e experiência profissional em engenharia, terminou sendo aproveitado pelo TCU na Secretaria de Fiscalização de Obras (Secob), em Brasília - DF, em que está lotado atualmente.

Agora, em 2009, um novo desafio e uma nova vitória para o Fred: ele iniciou - em parceria com outro colega do TCU, Rafael Di Bello - sua história de professor preparador de candidatos para o concurso do TCU, com aulas presenciais em Brasília - DF.

O sucesso nas aulas presenciais em Brasília foi tanto que vários alunos de outros estados ficaram sabendo dessa qualidade e encheram a caixa de email do Ponto "exigindo um curso de Hídricas com o Fred", no que foram atendidos. Hoje, sem nenhuma demagogia, eu não tenho dúvida em afirmar que esse curso on-line de Auditoria de Obras Hídricas foi o mais elogiado deste ano de 2009 e, certamente, está entre os três que até hoje, em toda a existência do Ponto, mais receberam elogios de alunos de todo o Brasil (curiosamente, outro curso que também está entre os três mais elogiados do Ponto é de outra dupla de servidores do TCU: curso de "Gestão de Pessoas", da Marcela Timóteo e Flávio Pompeo).

Encerro essa breve apresentação, dizendo algo um tanto quanto óbvio, mas importante: o sucesso não acontece por acaso!

Em verdade, o Fred é um grande "concursando": estudioso, responsável, disciplinado e muito sério em tudo o que faz. Não é à toa que desde a primeira vez que eu ouvi falar nele (primeiro, numa conversa com o meu amigo Alexandre Naves, do "Curso Turma de Estudos", de Belo Horizonte; depois, noutra conversa com o meu amigo André, proprietário do Curso Cáthedra, em Brasília, que só fez elogios a ele; e, por último, por meio de relatos de plena satisfação ouvidos de vários concursandos!) só ouço comentários positivos, não só quanto à qualidade do seu trabalho, mas também - e isso é muito importante! - sobre sua humildade e simpatia no trato com quem quer que seja.

Não é à toa, também, que depois de saber que a sua disciplina preferida em todo seu período de estudo foi Direito Constitucional e que ele estaria se preparando há certo tempo para poder dar aulas dessa disciplina para concursos, estou insistindo com ele para que, em breve, seja ele o meu braço direito nessa disciplina aqui no Ponto (e, também, em outros projetos envolvendo o Direito Constitucional!), ao lado do Professor Sérgio Valladão, pois não tenho dúvida de que os maiores beneficiados com essa parceria serão, vocês, candidatos de todo o Brasil (ajudem-me nessa batalha, é hora de vocês, candidatos, darem um novo empurrão no Fred em direção ao Ponto, agora não mais em direção a Hídricas, mas em direção ao Direito Constitucional!)...

Enquanto avalia o meu convite para esse novo - e grande! - desafio, o Fred concedeu ao Ponto a seguinte entrevista, como mais um estímulo do Ponto a você, candidato ao TCU/2009, nesta reta final de preparação:

Vicente Paulo: Além da recentíssima aprovação do novo plano de remuneração dos servidores do TCU (Lei nº 11.950, de 17 de junho de 2009), igualando a remuneração de vocês, agora Auditores Federais de Controle Externo, às remunerações das demais carreiras que já haviam sido reestruturadas (como a Receita Federal e Polícia Federal, por exemplo), o que os candidatos ao TCU/2009 podem esperar do órgão Tribunal de Contas da União? Enfim, porque todos em Brasília gostam tanto, são apaixonados pelo TCU?

Fred: Olá Vicente! É uma grande satisfação poder estar dando esta entrevista para o Ponto, ferramenta importante para muitos candidatos pelo país que não têm acesso a aulas presenciais para concursos. Bom, o TCU é um órgão de excelência na Administração Pública, em que são desempenhadas atividades importantes e que contribuem para o aprimoramento da Administração Pública. Além disso, no Tribunal, o servidor é valorizado e tem condições materiais de exercer seu trabalho adequadamente e com uma remuneração digna. Não é à toa que esse concurso é o favorito dos concurseiros de Brasília.

Como Auditores Federais de Controle Externo, os novos aprovados serão responsáveis por investigar fatos relativos a diversos processos submetidos ao TCU. Então, emitirão um relatório técnico que irá subsidiar a decisão do Tribunal quanto a determinado assunto. No caso do servidor lotado na Secob (Secretaria de Fiscalização de Obras), esse processo tratará de uma obra pública e, geralmente, será o desdobramento de uma fiscalização realizada in loco. Portanto, os novos servidores, especialmente, serão responsáveis por uma das atividades mais materialmente relevantes e de maior visibilidade do Tribunal: fiscalização de obras públicas. Não é raro algum achado de auditoria encontrado por você vir à tona numa matéria jornalística.

Vicente Paulo: Se você fosse incumbido, neste exato momento, de ter uma última conversa com orientações para um candidato ao TCU/2009, que fará as provas daqui a duas semanas, quais seriam as suas orientações para esse candidato?

Fred: Esse momento é bem especial, pois a ansiedade costuma estar "a flor da pele". Durante minhas aulas presenciais, tenho aproveitado para dar algumas dicas para os colegas quanto a isso. Afinal de contas, estava do lado de lá há menos de um ano e poderia ser que ainda estivesse disputando essas vagas com eles (vi muitos colegas bem preparados ficarem de fora em 2008). Vicente, outro dia brinquei na sala: "Pessoal, eu não sei quase nada nessa vida, mas UMA coisa eu aprendi: fazer concursos..."(rsrs). Bom, minha dica é que os colegas reservem (pelo menos) a última semana para revisar a matéria (visando consolidar o conhecimento) e separem o último dia para descansar. O concurso vai exigir dos candidatos não apenas conhecimento técnico, mas rapidez de raciocínio, autocontrole e muita garra. Portanto, é necessário que estejam bem descansados. Outra coisa: confiem em si mesmos! Não desanimem se está chegando a prova e você não conseguiu estudar tudo que queria. Para passar em concurso não é necessário saber tudo. Ainda mais numa prova de engenharia como essa, em que o conhecimento é todo disperso. Portanto, motivem-se nessa reta final e tentem elevar a autoconfiança, pois ela será determinante agora.

Vicente Paulo: Eu costumo dizer que "o candidato leva mais tempo para aprender a estudar do que para ser aprovado em um concurso". Durante nossa conversa, você me disse que deu sorte em sua preparação em razão de "desde o início, ter começado a estudar corretamente". Como foi isso?

Fred: Acho que o mais complicado é aquele começo em que a pessoa às vezes perde uns meses estudando errado, por materiais de baixa qualidade e sem uma mínima organização. Dei sorte por ter logo de início (no mesmo dia em que resolvi estudar pra concursos) encontrado alguns textos pela internet e aqui no sítio do Ponto (por exemplo, aquele do Alex Meirelles), que já me deram o caminho das pedras. Ou seja, desde o início, optei por comprar livros de qualidade (que já eram bastante recomendados). Inclusive, o primeiro livro que adquiri foi o "Aulas de Direito Constitucional" (atual "Direito Constitucional Descomplicado", de Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino). Além disso, já comecei sabendo que iria ter que estudar muito, ter disciplina e me desprender de certos costumes. É aquela história: "churrascos, festas, viagens etc, isso não te pertence mais..."(rsrs). Outra coisa que escolhi ter foi organização do meu estudo para concursos. Aqui é interessante observar que nunca fui muito sistemático ou organizado nas demais coisas da minha vida. Meu perfil sempre foi de um aluno mediano, que cometia às vezes o erro de deixar para estudar para a prova na última hora e me dava mal. Meus colegas de segundo grau (hoje grandes amigos) vivem me dizendo como eu sempre precisava contar com a ajuda deles naquela época...rsrs. Mas, quando decidi estudar para concursos, escolhi que ia ser diferente. Então, estabeleci meu método e tentava seguir à risca, ficando até irritado quando o restante dos compromissos da vida atrapalhavam meus estudos. O problema é que nem sempre a gente consegue agir de acordo com nossa programação, certo? Isso é normal. Aconteceu comigo e deve acontecer com os colegas também, mas é importante que a pessoa tenha aquele foco para se guiar, como um norte. Bom, apesar de todos os percalços, acho que, no final, ter o mínimo de disciplina foi o que mais me ajudou.

Vicente Paulo: Além desse, quais outros acertos durante a sua preparação que você acredita terem sido importantes para a sua aprovação?

Fred: Bom, o grande acerto foi decidir que eu iria estudar até passar em algum concurso. Combinei com minha família, minha namorada (hoje esposa), e tornei esse objetivo a coisa mais importante da minha vida (temporariamente). Outra coisa que sempre tentava cumprir era só fazer um curso tendo estudado a matéria inteira antes. Lá em Belo Horizonte, fiz o curso Turma de Estudos (aproveito para mandar um abraço ao Alexandre Naves) e o esquema por lá era aulas no fim de semana. Há a desvantagem de você ver a matéria toda num fim de semana apenas, mas há duas vantagens: primeiro, freqüentar um curso no final de semana é bem menos difícil do que sentar para estudar. A outra grande vantagem era o fato de que, nos finais de semana, os melhores professores do Brasil podiam ir ministrar cursos em Belo Horizonte. Por fim, um grande acerto na minha preparação (talvez o maior) foi ter mudado de área na hora certa (da área fiscal para a área de gestão).

Vicente Paulo: E se você tivesse de apontar um (ou alguns) erro cometido durante a sua preparação, algo que você não faria novamente hoje numa eventual preparação para concurso, qual seria ele (ou eles)?

Fred: Vicente, durante esse período, cometi vários erros. O meu principal erro (e que me custou a vaga em 2007) foi ter estudado demais nos últimos dias antes da prova. (Cheguei ao ponto de acordar bem cedo para ficar estudando no dia da prova, pode?) Eu tinha acabado de voltar os meus estudos para o TCU e tinha que "correr atrás do prejuízo". Então, excedi na conta e cheguei muito cansado para a prova. Depois fui perceber que deixei de fazer muitas questões fáceis por estar com a cabeça muito cansada na hora da prova. O mais importante, foi ter aprendido com esse erro e ter descansado uns dias antes da prova da CGU e do TCU do ano seguinte. Nesses concursos, já "fui para a guerra" mais descansado, o que foi uma decisão correta.

Vicente Paulo: Diante desses seus erros e acertos, se você recebesse hoje a incumbência de orientar os estudos de um candidato que está iniciando, dando os primeiros passos nos estudos, quais seriam as suas orientações? (Fique à vontade para escrever, pode escrever quantas linhas/páginas quiser, acho essa pergunta uma das mais importantes desta entrevista).

Fred: Bom, coloquei várias dicas que considero pertinentes ao longo da entrevista. Assim, para não ser muito extenso, listaria algumas dicas de preparação da seguinte forma:

1) Compre um livro de cada matéria (de preferência apenas um, o que nem sempre é possível);

2) Cursos presenciais ou online podem ser mais direcionados que o livro, otimizando seu estudo;

3) Mantenha a calma quando o desespero ameaçar (isso é comum quando se estuda para concursos);

4) Faça questões antigas da banca do seu concurso;

5) Faça concursos;

6) Treine redações regularmente;

7) Aprenda a dividir seu tempo de prova adequadamente;

8) Separe algumas horas na semana para descanso e faça atividades físicas regulares.

Vicente Paulo: Durante a preparação, é comum ocorrerem fatos que atrapalham os estudos e tendem a desanimar o candidato. No seu caso, por exemplo, antes da aprovação no concurso da CGU você teve alguns insucessos, como ter prestado outros certames em que não foi aprovado dentro do número de vagas do edital, inclusive o TCU/2007. Como foram esses momentos e que lições importantes você tirou deles?

Fred: Acho que posso dizer que nesse mundo de concurso, há as pessoas normais e os que chamo de "ponto-fora-da-curva". Esses últimos são aqueles para os quais quase tudo conspira a favor. Pode-se incluir também os gênios e aqueles cuja memória não falha. Conheci algumas pessoas assim ao longo da minha vida e são pessoas iluminadas. Todavia, são poucos. A maioria de nós tem problemas: se esquecem facilmente do que acabaram de ler e estudar, erram várias vezes os mesmos exercícios (quantas vezes isso ocorria...), ficam mal colocadas em vários concursos, depois batem na trave algumas vezes etc etc etc. Sem contar as dezenas de problemas de ordem pessoal que vão aparecendo durante esse período e que temos que superar. Apesar de tudo, Vicente, se a gente persiste, uma hora chega a nossa vez. No meu caso, lembro meu primeiro curso para concursos: foi uma aula de exercícios de direito administrativo do Gustavo Barchet. Eu tinha acabado de estudar a matéria e o curso era avançadíssimo (pelo menos para mim...rsrsrs). Não me esqueço de uma menina que simplesmente respondia tudo que o Barchet perguntava. Chegou um momento em que comentei com meu amigo: "Nem que eu fique 20 anos estudando, nunca vou chegar ao nível dessa menina"......rsrsrs. Isso é muito comum: nos compararmos com os outros. E isso só aumenta a ansiedade e nos atrapalha. (Achei importante comentar essas coisas, pois o concurseiro normalmente acha que só acontecem com ele..rs). Em 2007, foi muito duro não conseguir a aprovação no TCU. Mas insucessos acontecem e tentei extrair disso uma lição: teria faltado experiência de concursos para minha aprovação. Durante a preparação final e mesmo nas provas cometi muitos erros que pude corrigir para os outros certames.

Vicente Paulo: Então, você acha importante o candidato fazer concursos durante a preparação, ainda que como testes?

Fred: Não, Vicente, isso é importantíssimo. Resumindo minha história, eu sempre preferi o TCU, mas achava que era "muita areia para meu caminhãozinho", já que tinham menos vagas para o TCU e ainda tinha a tão temida redação. Então estudava para a receita federal. Quando notei que o concurso da receita não vinha, percebi que não dava pra ficar estudando eternamente para esse certame. Então, optei por mudar o rumo, voltando os estudos para o TCU. Uma das coisas que eu sentia falta era de um concurso que eu fizesse pra valer. Eu vinha estudando havia um bom tempo e ainda não conseguia avaliar meu grau de conhecimento. Eu sentia falta disso, pois percebia meu desenvolvimento. E, Vicente, para ser sincero, penso o seguinte, o cara tem que "ir pra guerra", pois tem coisa que ele só aprende quando presta concursos. É o que digo: Concurseiro faz concurso, o cara que só estuda é estudante! Sei que tem gente que quer apenas um determinado cargo e não pensa em mudar o foco. Nesse caso, a dica é que ele faça outros concursos pelo menos como um teste, para ir "sentindo o drama". No meu caso, não passei em 2007 e acho que poderia ter não passado mesmo se tivesse estudado o dobro, pois foi a inexperiência o que mais me prejudicou.

Vicente Paulo: Eu ouço todos os dias em sala de aula candidatos reclamando da dificuldade que é se preparar para um concurso trabalhando. Mas, pelo que eu sei, quando você começou a se preparar, você trabalhava. O que você tem a dizer sobre isso?

Fred: Quando decidi estudar para concurso, trabalhava na iniciativa privada, em uma empresa de consultoria na área de recursos hídricos. Então tinha que dividir meu tempo entre trabalhar e estudar. Mas foi muito importante para aprender a ter disciplina. Eu acordava às 4:30h da manhã e estudava até às 6:30h, quando começava a me preparar para ir ao trabalho. Depois, na hora do almoço, (quando dava) estudava mais uma hora numa biblioteca perto do trabalho e à noite mais duas horas, aproximadamente. Cursinho, como eu disse, fazia só aos fins de semana quando vinham bons professores de outros estados, por exemplo: Vicente Paulo, Barchet, Valladão, João Antônio, Luciano Oliveira, Marcelo Aragão entre outros. Quando viajava a trabalho, ficava à noite no hotel estudando até altas horas (minha mala ia cheia de livros...rsrsrs). Esse ritmo não era nada agradável, mas eu evitava ficar reclamando e tentava "me convencer" que estava levando numa boa aquilo: e assim foi realmente. Depois de um período desse jeito, consegui ter um dinheiro suficiente para me sustentar um bom tempo sem trabalhar (podendo investir nos meus estudos): foi quando pedi demissão. E a aplicação desse dinheiro foi a mais rentável que já fiz na vida. Pois, rapidamente você recupera com folga esse investimento que fez em você mesmo. De qualquer forma, eu resolvi pedir demissão porque meu ritmo em empresa privada era um pouco agitado. Por outro lado, há aqueles colegas que já têm um emprego mais tranquilo. Nesse caso, entendo que é o melhor dos mundos, pois esse emprego (ou cargo) permite que a pessoa tenha mais tranqüilidade para estudar, pois não cobrará tanto de si própria. Portanto, entendo que parar de trabalhar é solução para alguns casos específicos. Sendo que essa decisão deve ser tomada de forma bem pensada. Por exemplo, a pessoa tem de ser muito disciplinada e ter um grande autocontrole. Primeiro porque se achar que tem muito tempo disponível, não vai aproveitar direito esse tempo livre. Ademais, sempre haverá alguém pra te falar que "você não está fazendo nada" ou "está demorando para passar".

Vicente Paulo: Você me parece uma pessoa extremamente disciplinada, determinada em seus projetos. Exemplo dessa determinação foi o fato de você ter sido aprovado no concurso da CGU e não ter se acomodado (coisa que acontece com a maioria dos candidatos aprovados em algum concurso!), continuando na preparação para o seu projeto maior, que sempre foi o TCU. O que é preciso fazer para ter tanta disciplina?

Fred: Compromisso com a causa...rsrs. É como disse em uma pergunta anterior. Estabeleci que passar no concurso era a coisa mais importante naquele momento da minha vida. E ficava o tempo inteiro "me convencendo" (e aos outros também) que esse esforço iria valer a pena. Isso é até uma forma de você atenuar o desânimo. Uma vez me disseram que eu "era jovem e achava que podia tudo, mas passar num concurso desse não era fácil como imaginava, pois tinha muita gente melhor que eu estudando no Brasil inteiro". Bom, respirei fundo e pensei comigo mesmo: "Então, beleza. Um dia você vai ver que fiz a coisa certa." Em suma, acho que a disciplina decorre da certeza de que o esforço vai valer a pena.

Vicente Paulo: Você me disse que era noivo e só se casou depois da aprovação em concurso. Como foi conciliar os dois projetos durante a preparação?

Fred: Imagine namorar um sujeito há anos e quando você pensa que está caminhando para o casamento ele te avisa que está pensando em largar o emprego para ficar só estudando?...rs. Mas foi muito interessante, pois foi um projeto conjunto, em que os dois assumiram as implicações, pois sabiam que no final seria melhor para os dois. Então, acho que o melhor é que haja um entendimento entre o casal. Não há como a pessoa entrar num "empreendimento" desse sem o apoio de sua companhia.

Vicente Paulo: Digo sempre em sala de aula: inteligência não é tudo em concurso; disciplina é o maior diferencial. Você concorda com isso?

Fred: Claro. O importante é que a pessoa tenha o compromisso com o seu propósito. Assim, a disciplina vem em seguida. A maioria dos aprovados não tem uma inteligência diferenciada, ou uma supermemória para guardar tanta informação. Na verdade, são pessoas que escolheram qual o rumo dar à sua vida e direcionaram seus esforços para aquilo. Ou seja, se consideram aquilo importante, entendem que vale a pena o investimento (de tempo, dinheiro, estudo etc). Quando a pessoa está convencida de que o retorno vale a pena, fica mais fácil abdicar de algumas coisas na vida. O que posso dizer é que até hoje nunca ouvi ninguém dizer que se arrepende do que deixou de fazer para passar num concurso desse.

Vicente Paulo: A disciplina por você ministrada para o TCU/2009 - Auditoria de Obras Hídricas - certamente será muito puxada no concurso. Existe alguma dica de última hora para os candidatos que farão a prova, especialmente para aqueles que não engenheiros e estão sofrendo com a insegurança?

Fred: A disciplina Auditoria de Obras Hídricas reúne assuntos bastante interessantes (pelo menos o pessoal parece ter gostado da matéria). O importante agora é realizar uma boa revisão nos principais conceitos e conseguir ter tranquilidade para estabelecer relações entre o que foi aprendido e o que virá na prova. Outra dica para esse concurso do TCU (e essa não se restringe à auditoria de obras hídricas) é preparar-se (psicologicamente) para se deparar com algumas questões de assuntos desconhecidos. Os assuntos de engenharia são muito vastos e sempre haverá aquelas questões bem complicadas e que fogem do padrão.

Vicente Paulo: Durante a sua preparação, quantas horas você estudava por dia? E nos fins de semana?

Fred: Vicente, quando trabalhava, estudava aproximadamente 3,5 horas por dia de semana e 7 horas por dia no final de semana. Quando parei de trabalhar passei a estudar mais (depois do edital, das 6:00 às 22h fazendo intervalos regulares de 2 em 2 horas).

Vicente Paulo: Você fazia resumos das disciplinas, ou achava isso perda de tempo? Que dica você daria para os candidatos sobre esse ponto (fazer ou não fazer resumos)?

Fred: Vicente, eu não fazia resumos, pois achava que não daria tempo para ver tudo que eu gostaria. Mas em algumas matérias, cheguei a elaborar uns esquemas ou mapas mentais. Esses me ajudaram a fazer uma revisão. Já nas matérias como direito constitucional e administrativo eu revisava pelas marcações de amarelo no livro.

Vicente Paulo: Durante a sua preparação, você fez muitos exercícios, resolveu muitas provas de concursos anteriores? Que dica você daria para os candidatos sobre esse ponto (fazer ou não fazer exercícios)?

Fred: Vicente, sou suspeito para falar desse tema. Durante as aulas presenciais, vivo falando isso com meus alunos. Aprendi isso durante os meus estudos e replicamos essa estratégia no curso online que ministrei com o colega Rafael. Até porque baseamos nosso esforço para produzir o curso que queríamos ter recebido caso ainda estivéssemos do outro lado. Fiz questão que fossem insertas muitas questões para fixar e direcionar os estudos dos alunos. Resultado: apesar de o curso ser de teoria, foram mais de 600 questões antigas comentadas.

Quando eu estudava para concursos, tanto na CGU/2008, quanto no TCU/2008, separei parte do meu horário de estudo exclusivamente para a resolução de questões antigas. Realmente, a partir daí, eu dei um grande salto no aspecto da preparação. Assim, entendo que a resolução de questões antigas é o mais importante da preparação, pois você vai aprender como aquele assunto cai no concurso, o que a banca pensa sobre isso e ainda vai revisar os assuntos.

Vicente Paulo: Eu sei que você fez alguns cursinhos preparatórios, inclusive eu tive a honra de ter você como aluno, em Belo Horizonte - MG, no curso Turma de Estudos, do nosso amigo Alexandre Naves. Como aproveitar melhor as aulas dos cursinhos? Que tipo de cursinho você aconselharia no início e no término de uma preparação?

Fred: Como eu disse acima, entendo que o ideal é estudar a matéria antes da aula. Por exemplo, para fazer meu primeiro curso de constitucional eu já tinha lido toda a matéria antes. Outro conselho importante é saber alguma informação sobre o professor antes.

Vicente Paulo: Você usou muito a internet como meio de preparação? Você tem alguma dica a dar sobre o uso da web na preparação para concursos? E sobre material de estudo, alguma orientação?

Fred: Cheguei a usar bastante a internet para ter acesso às informações (melhores livros, melhores professores, dicas de preparação etc), principalmente utilizando o Fórum concurseiros. Entendo que a internet funciona como um excelente meio de democratização da informação, levando ótimos materiais a todo país. Hoje há várias páginas na internet que permitem esse intercâmbio de informações. Dentre eles, destaca-se o sítio do Ponto dos Concursos como pioneiro e mais relevante. É interessante observar como mesmo para aquelas matérias novas que só aparecem em um concurso ou outro o Ponto costuma lançar cursos. É exemplo o lançamento dos cursos das matérias de obras para TCU 2009 (um dos quais tive a satisfação de ministrar juntamente com o Rafael Di Bello).

Vicente Paulo: Sei que este pedido exigirá muito de você, mas não posso deixar de fazê-lo, conto com a sua compreensão e desprendimento. Você poderia fazer um resumo da sua história de preparação, isto é, de como você se preparou para os dois últimos concursos - CGU e TCU (quanto estudava e quanto descansava; qual a metodologia empregada; como programava os estudos; como dividia o tempo entre teoria e exercícios; quando fazia cursinho e quando só estudava em casa etc.)?

Fred: Bom, após a prova do TCU de 2007, fiquei triste, evidentemente, mas sacudi a poeira e retomei os estudos para a área fiscal. Mas isso durou menos de um mês, pois as notícias sobre um novo concurso da CGU começaram a esquentar.

Voltei os estudos para a CGU, guiando-me pelo último edital, e voltei a fazer as provas da ESAF. Entretanto, quando veio o edital, muita coisa havia mudado. Mas fui pra guerra: estudei que nem um louco, mas acrescentei atividades físicas diárias à minha rotina, o que ajudava a equilibrar meus pensamentos. Acordava às 5:40 e estudava até às 22h, com intervalos regulares. Na sexta e sábado estudava bem menos (até às 19h) e no domingo só até a hora do almoço.

Adotei a estratégia de resolver muitas questões antigas da ESAF. Mas o que melhorou meu desempenho é que dessa vez, eu separava um horário só pra fazer exercícios. E aí fazia de todas as matérias juntas como aparecem na prova (exemplo: 15 de português, depois 10 de inglês, depois 15 de constitucional etc etc etc). Quando havia algum curso interessante em BH eu fazia, mas a maior parte das matérias estudava pelos livros mesmo já que o tempo era curto. O resto foi livros e questões antigas. Graças a Deus, e por mais surpreendente que fosse, consegui ser aprovado nesse concurso em 1º lugar nacional.

Depois que você passa em um concurso, é só alegria. Logo quando saiu o gabarito da CGU vi que tinha grandes chances de ser aprovado e isso deu uma animada boa. Mas desde já direcionei meus estudos para a corte de contas (que sempre foi o grande sonho). Então, intensifiquei de novo a resolução de provas, agora as do CESPE. Fiz assim: coloquei o último horário de estudo diário exclusivamente para resolver provas do CESPE, na tela do computador mesmo. Ia fazendo as questões e conferindo o gabarito imediatamente. Se não sabia, procurava nos livros a resposta. A resolução dessas provas incrementou muita rapidez e preparação de espírito para enfrentar o estilo CESPE.

Aqui, preciso fazer uma pausa para um comentário: chega uma hora em que o concurseiro é profissional! Eu fazia tudo isso, anotava o tempo de estudo, os intervalos, o tempo de resolução de questões, o tempo gasto em uma discursiva de 20 ou 50 linhas, a evolução das notas etc.

Quando chegou o dia da prova, não cometi os erros de um ano atrás e o resto vocês já sabem: saiu o resultado e fiquei em 9º lugar no concurso.

Bom, é isso! Olhando pra trás, acho que tudo deu certo, no momento certo, graças a Deus. Devo dizer que até hoje me surpreendo com tudo isso que aconteceu e continua acontecendo.

Vicente Paulo: Pois é, chegou a hora da tal pergunta! Você está pensando seriamente na proposta que eu lhe fiz, convidando-o para iniciar a preparação de candidatos na disciplina (empolgante!) Direito Constitucional (sem abandonar Hídricas, evidentemente!), aqui no site e em outras frentes? Os candidatos podem ficar otimistas a esse respeito?

Fred: Sim, Vicente! Desde que saiu o resultado da CGU, recebi umas dicas de que deveria me preparar para dar aulas. Desde então, comecei a pensar nisso, pois sempre tive vontade de lecionar. Nesse ano, as notícias sobre o novo edital do TCU mudaram os meus planos iniciais e apareceu a oportunidade de ministrar cursos de auditoria de obras hídricas para esse concurso. Agarrei a oportunidade e não me arrependo (pelo contrário). Mas agora estou retomando meus estudos para uma matéria diferente da engenharia: no caso, o Direito Constitucional, que, por sinal, era a disciplina que mais despertava meu interesse durante os estudos para concurso. Espero poder contribuir com o Ponto e auxiliar outros colegas rumo a uma vaga na Administração Pública. Aproveito para agradecer a oportunidade e a confiança depositada.

Vicente Paulo: Muito obrigado por toda a atenção a mim dispensada, e por mais esse seu gesto de desprendimento, em atenção aos concursandos de todo o País. Parabéns pela aprovação nos mencionados concursos - e também pelo sucesso como professor preparador de candidatos. No mais, se depender de mim, teremos pela frente boas e permanentes parcerias, não só como profissionais, mas também como amigos.

Fred: Vicente, agradeço imensamente a oportunidade. Sempre li as entrevistas de aprovados aqui no sítio do Ponto, como forma de motivação para os estudos. Assim, é uma grande conquista poder dar essa entrevista nesse mesmo espaço, passados alguns meses da aprovação. Gostaria de desejar boa prova para os colegas e avisá-los de que o TCU os espera de braços abertos! Nos encontraremos pelo Tribunal - e, também, aqui pelo site Ponto dos Concursos - frederico@pontodosconcursos.com.br