Entrevistas

Rodrigo Noleto Paz


 

Aprovado em 22º lugar para Auditor de Controle Externo do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF)

 

Apesar da pouca idade, apenas 28 anos, as conquistas do Rodrigo são várias. Bacharel em Ciências Contábeis pela UnB, pós-graduado em Controladoria Governamental e aprovado em 12 concursos, sendo que em sete ele ficou entre os 10 primeiros colocados. Felicidade é uma palavra que o Rodrigo bem conhece e sabe que é com muito esforço que se conquista.

 

O legal de toda essa história é que ele sempre foi muito focado, sempre soube onde queria chegar e quais alternativas seriam interessantes para que construísse um caminho até a conquista desejada. É uma história motivadora e que nada tem de fácil. Fatores como dedicação, abdicações e foco foram necessários.

 

Ao que tudo indica ele agora vai sossegar no cargo de auditor do Tribunal de Contas do Distrito Federal. Será mesmo?

 

 

 

Confira abaixo a história completa do Rodrigo:

 

 

 

Ponto dos Concursos – Rodrigo, quando começou a estudar para concurso público? O que te motivou? Conte-nos um pouco sua trajetória...

 

 

Rodrigo Paz - Primeiramente, é um prazer conceder esta entrevista ao Ponto e incentivar, de alguma forma, todos aqueles que almejam a aprovação em um concurso público.

 

Sou bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-graduado em Controladoria Governamental.

 

Fui aprovado em vários concursos, nos quais destaco alguns deles:

 

STM (Cespe/UnB-2010) – Técnico Judiciário – Contabilidade – 16º lugar;
Correios (Cespe/UnB-2011) – Contador – 3º lugar;
Ceasa/DF (Consulplan-2012) – Contador – 3º lugar;
Anac (Cespe/UnB-2012) – Especialista em Regulação – Área VII - 7º lugar;
Conab (Iades-2012) – Contador – 21º lugar;
Capes (Cespe/UnB-2012) – Contador - 1º lugar;
Caesb/DF (Faperp-2012) – Contador – 5º lugar;
CNJ (Cespe/UnB-2012) – Analista Judiciário – Especialidade Contabilidade – 8º lugar;
Telebrás (Cespe/UnB-2013) – Auditor – 1º lugar;
STN (ESAF-2013) – Área Contábil – 57º lugar;
Câmara dos Deputados (Cespe/UnB-2014) – Consultor Legislativo – Área IV – 14º lugar; e
TCDF (Cespe/UnB-2014) – Auditor de Controle Externo – 19º lugar.
Mas antes de tantas aprovações nesses 4 anos de estudo, ralei muito!

 

Vou contar um pouco de minha história...

 

Desde a época da academia, já pensava em estudar para concursos, mas a correria do dia a dia na universidade me fez pensar que era melhor me dedicar a este projeto somente depois da graduação. Já na faculdade, tive aula com um professor que trabalhava no TCU. E ele falava mil maravilhas do órgão... Nessa época, comecei a pesquisar e me interessar sobre os cargos da área de controle e gestão, e claro, a atividade e a remuneração naquela época já eram bastante atrativas. De certa forma, outro grande incentivo foi a minha irmã, que se tornou servidora um pouco antes de me formar, e que também me incentivou a estudar. Mas como já dito, deixei esse projeto só para depois.

 

Logo após me formar (o que ocorreu no segundo semestre de 2009), trabalhei um curto período na iniciativa privada, depois saí da empresa na qual trabalhava para me dedicar inteiramente aos estudos. Não foi um período fácil: não havia nenhum concurso à vista, e eu não estava preparado em quase nenhuma matéria. Os únicos concursos que pintaram foi o do MPU e do STM, lá pelo final do ano de 2010. Mas aproveitei essa dificuldade para me preparar com calma e paciência.

 

No meio do ano de 2011, saiu o edital do concurso dos Correios, e logrei aprovação. Trabalhei lá até o início de 2013, quando fui chamado para a Conab. Fiquei lá até o mês passado, até que fui nomeado para o cargo de Analista Judiciário, no CNJ (cargo atual). E, recentemente, obtive aprovação no concurso do TCDF para o cargo de Auditor. E durante todo esse tempo, fui fazendo todas as provas que apareciam pela frente, colecionando sucessos e fracassos (mais sucessos, graças a Deus!).

 

 

 

Ponto dos Concursos - Ao longo da sua preparação, você foi evoluindo e trilhando caminhos que pudessem te levar à vitória de hoje. Pelo visto seu foco era o TCU, então o TC/DF veio como uma segunda opção?

 

 

Rodrigo Paz - Sim, meu objetivo desde o início sempre foi a aprovação na área de controle e gestão, mais especificamente o TCU. O TCDF veio como se fosse uma “segunda chance”, pois o escopo de matérias deste Tribunal historicamente é maior e sempre teve muitas “maluquices”, como Auditoria de Obras, TI e Direito Previdenciário.

 

Neste último concurso, o edital veio mais compatível com a realidade dos concursos da área de controle e gestão e deu “para encarar” de igual para igual.

 

Infelizmente, não passei nos concursos do TCU que prestei em 2011 e 2013. Mas nada como um dia após o outro, não é verdade? Com simplicidade e foco, consegui ser aprovado no TCDF.

 

 

 

Ponto dos Concursos - Como foram seus primeiros passos na preparação? Estudava por apostilas, cursos presenciais? Ficou muito perdido?

 

 

Rodrigo Paz - No início fiquei muito perdido. Praticamente, atrasei minha aprovação por um ano ou até mais. Estudei inicialmente por cursos presenciais “estilo pacotão”. Foi bom para ter uma noção geral de cada matéria, mas o tempo e o cansaço dedicado a cursos presenciais não compensa seu custo. Só faça se você for muito ruim em uma matéria, e mesmo assim faça uma vez e vaze de lá. Não volte mais. Sempre procure cursos por professor. Não caia nesse erro que eu cometi.

 

Também estudei muito por livros, mas sem dúvida o melhor tipo de material, em minha opinião, são os cursos em PDF. Melhor que o curso em si são as questões comentadas: esse é o grande “pulo do gato”! Aqui vale a mesma dica: compre o curso em PDF/livro por professor/autor, e não por grife.

 

 

 

Ponto dos Concursos - Nos dias atuais, encontramos com muita facilidade livros e mais livros, cursos em vídeo, materiais em PDF, etc. Você acha que um candidato que está iniciando sua preparação deve começar por onde? O que é essencial fazer antes de tudo para que não se prolongue tanto o caminho da aprovação?

 

 

Rodrigo Paz - Em geral, penso que aqueles que estão começando devem planejar o estudo antes de tudo. Muitos fazem um controle “esquizofrênico” de estudos: controlam horas, tempo em cada matéria, questões resolvidas e diabo a quatro. Eu não fiz nada disso e fui aprovado! Planejar, a meu ver, é estudar e rever todas as suas matérias em um lapso pequeno de tempo, da maneira que o candidato se adaptar melhor, não necessariamente com esse tipo de controle; a grande sacada é manter sua mente acostumada a ver vários assuntos diferentes o tempo inteiro.

 

Considero o planejamento “simples” a grande essência de minhas aprovações.

 

Além disso, a fase da execução é muito importante. Não adianta planejar e não executar! Quanto à fonte de estudo, isso depende muito de cada um. Tem pessoas que gostam de cursos presenciais e de videoaulas, e só de ouvir o professor falar, gravam e não esquecem mais. Eu prefiro sair logo lendo e fazendo as questões do assunto. Penso de maneira mais simples: se eu vou assistir à aula presencial ou videoaula e depois vou ter que ler e fazer questões, porque não pulo logo pra etapa da leitura e de questões? Assim, não se perde tempo... Mas para que isso seja possível, deve procurar um material de qualidade, ler uma vez e resolver uma quantidade boçal de questões. Para saber quais materiais buscar, recomendo muito fóruns de discussão sobre concursos.

 

 

 

Ponto dos Concursos - Você considera importante a resolução de provas anteriores para conhecer o estilo da banca? Estudou assim? Fazia algum tipo de resumo para fixação da matéria?

 

 

Rodrigo Paz - (Risos) É o mais importante da preparação! Estudar é fazer questões e, claro, muitos concursos! O resto não vai servir de nada para você. Sim, as palavras são fortes e é para ser mesmo! Não adianta se enganar que leitura “dá segurança” ou algo do tipo: é incrível a quantidade de candidatos que perdem tempo só com teoria! Teoria é para estudantes, e lembre-se que você não está querendo aprender, e sim passar na prova. Concurseiro faz concurso e questão de prova! Portanto, desapegue da teoria logo ao ter contato com a matéria e parta para as questões. Se a pessoa vai estudar para concurso, primeiramente, tem que pensar que, no dia da prova, ela vai ter que resolver questões de prova. Ora, não há maneira, a meu ver, mais efetiva do que fazer questões na preparação... Claro, só aprendi isso depois de tomar pau em um monte de prova.

 

Quanto aos resumos, perde-se muito tempo fazendo. Não estudei assim. Ao invés de revisar por resumo, revisava por meio de questões, é muito melhor e mantém os reflexos sempre afiados.

 

 

 

Ponto dos Concursos - Quais suas maiores dificuldades com o Cespe/UnB, já que seu último concurso foi por essa banca? Existe alguma tática especial para essa banca?

 

 

Rodrigo Paz - Sempre tive uma relação de amor e ódio com o Cespe (risos)! As minhas maiores alegrias e tristezas foram com a citada banca. O complicado do Cespe é que ele sempre inventa umas questões sem pé nem cabeça, e, também, a cobrança de assuntos controvertidos na doutrina e na própria legislação. Não sei se é bem uma tática, mas quem souber identificar essas questões e pular, e não errar as questões fáceis e médias, com certeza passa, e passa bem! E, também, muito cuidado com as questões de disciplinas que o candidato não domina tanto. Já cheguei a pular questões de uma matéria inteira e me garantir naquelas que eu estava estudando forte, e mesmo assim, consegui passar. Por isso, a importância de treinar muito as questões de prova dessa banca para não errar as besteiras que sempre caem.



 

Ponto dos Concursos - Você tinha alguma programação de estudos? Cumpria à risca? Como era?

 

 

Rodrigo Paz - Sim, estudava todos os dias, com exceção dos fins de semana, que aproveitava para o lazer e família. Concurseiro tem que relaxar também (risos)!

 

Talvez meu método de estudo seja o mais “antiquado” ou “do contra” em relação aos demais colegas concurseiros que conheci. Simplesmente não controlava nada em planilhas, como a maioria faz. Cronômetro? Horas de estudo (risos)? Nada disso!

 

Eu sempre estudei por meio de cumprimento de metas diárias, e não por tempo. Procurava sempre ver todas as matérias na semana, estudando, no mínimo, um assunto de cada uma por completo, de maneira que eu via um assunto de todas as matérias na semana. E eu tinha que me virar com essa meta, não importasse o tempo que utilizasse em cada matéria. Não dizem por aí que o planejamento é flexível? Pois é, o meu sempre foi, e esse jeito de estudar foi bastante produtivo. Cumpria à risca! E como eu revisava? Questões comentadas! Sempre fazia uma bateria de questões por assunto de cada matéria, que continha, no mínimo, 70 questões comentadas. Daí, o tempo de “matar” uma matéria levava em média uns 2 meses. Então, era a hora de refazer as questões, recomeçando o ciclo. Sim, eu sempre fazia e refazia as mesmas e mesmas questões! Era repetir até ficar enjoado de ver o assunto, para não esquecer mais. Apesar de não ser controlado, o planejamento estava na cabeça e continha a ideia do ciclo de estudos.

 

Agora vamos às contas... Eu estudava 2 matérias (as vezes 3) por dia, fazendo pelo menos 70 questões comentadas de cada assunto (vendo todos os ângulos que a banca costuma abordar) e matéria por dia... Eram pelo menos 140 questões diárias, 700 na semana. Imagine ao mês ou no período de um ano... Pois é, são muitas!

 

E não foi qualquer tipo de questão. Foram questões somente do Cespe. Motivo? O raciocínio é curto. Dá velocidade ao seu estudo. As questões são inteligentes e de qualidade, dá base para fazer qualquer prova.

 

Aproveitando o momento, vou falar algumas coisas que eu fazia enquanto estudava que são um pouco polêmicas!

 

Não façam o que eu faço, pois só serve para mim (risos)! Vamos lá... Eu sempre acostumei a estudar DEITADO, bem relaxado! Eu consigo porque desde criança eu estudo assim. Tanto que quando meus pais, na época, compraram uma escrivaninha eu não gostava de estudar lá. Outra coisa que sempre fiz foi estudar no trabalho (risos)! Quem nunca abriu um PDFzinho no serviço? Cansei de matar questões de prova na minha baia. Lógico, eu produzia bastante e reservava a hora do almoço e um pedacinho do expediente para estudar (claro, de maneira discreta).

 

Ainda ficava de bem com a vida com o chefe! Não vá deixar de trabalhar hein!

 

Por que digo tudo isso? Simplesmente porque não há fórmula mágica para ser aprovado. Cada um conhece suas qualidades e limitações. A grande sacada é adaptar as técnicas de estudo efetivas (que a maioria dos concurseiros já utilizou e conseguiram passar) à sua realidade. Eu conseguia estudar deitado, tem gente que não. Nunca consegui fazer render mais que 2 ou 3 horinhas diárias, pois começava a dispersar bastante, mas tem gente que sim.

 

Muitos dizem estudar “8h líquidas” e ficam assustando os demais que não tem tempo hábil para tanto. Eu, com minhas 2 ou 3 horinhas por dia consegui ser aprovado! Demorei? Talvez, mas atingi o objetivo! Com certeza, para aquele que trabalha e estuda, não é o grande determinante.

 

 

 

Ponto dos Concursos - Você praticamente acabou de assumir no CNJ como Analista Judiciário com especialidade em Contabilidade, você acabou a preparação do CNJ e já emendou na do TC/DF? Como foi isso?

 

 

Rodrigo Paz - Na verdade, o concurso do CNJ foi no início de 2013, mas fui nomeado somente por agora. Concurso tem dessas coisas ainda, infelizmente. Você é aprovado dentro das vagas e ainda espera um tempão para ser chamado. Concurseiro tem que estar preparado para esse tipo de coisa. Por isso, nunca comemore por antecipação uma aprovação fora das vagas, mesmo que seja por uma vaga só, tenha sempre pé no chão.

 

Bom, no primeiro dia do curso de formação aqui do CNJ, no intervalo para o coffee break, fui olhar meu email e as notícias em meu celular. Como de costume, fui olhar nos fóruns de concurso sobre como estavam as discussões sobre a prova do TCDF. Não sabia que iria sair o resultado naquele dia, pensei que divulgariam o resultado somente no outro. E, pra falar a verdade, eu não tinha muitas expectativas de estar entre os primeiros não, nem mesmo confiança na aprovação na prova discursiva (quem fez sabe o que estou falando). Para minha surpresa, o Cespe já havia divulgado o resultado, e vi meu nome ali no meio. É uma sensação única, até agora não caiu a ficha!

 

 

 

Ponto dos Concursos - Que aspectos você considera que foram fundamentais para sua aprovação?

 

 

Rodrigo Paz - São vários, mas diria que o principal é o apoio da família, namorada e amigos, sem dúvida nenhuma.

 

E, claro, a perseverança. O sistema é bruto, mas não é nada complexo. É estudar e estudar. Não tem jeito. E é um pouco todos os dias, tentando sempre fazer o melhor: essa é a pegada de quem passa. Não adianta estudar horrores um dia e ficar dois ou três sem estudar, mesmo naquele dia que você olhou o resultado de uma prova e ficou triste.

 

Hoje em dia não dá pra ficar tristinho não, muito menos ficar lamentando. Nessa hora, tem outro candidato bufando na sua nuca louco para te superar.

 

De todos os mitos que se espalham por aí, só sei de um que é verdade: só não passa quem desiste!

 

 

 

Ponto dos Concursos – Rodrigo, você conseguiu ser aprovado em vários concursos. Ainda pretende fazer mais algum? Caso sim, qual? Por quê?

 

 

Rodrigo Paz - Por enquanto, estou bastante satisfeito com o TCDF.
Mas nunca se sabe o dia de amanhã... Quem sabe? (risos)

 

 

 

Ponto dos Concursos – Nessa difícil aprovação, quais foram seus principais desafios?

 

 

Rodrigo Paz - Nessa aprovação em específico, com certeza o cansaço foi o maior desafio. Já tenho um carga de estudos de praticamente 4 anos. É bastante tempo. Em uma reta final de revisão antes da prova, esse aspecto conta bastante. Consegui superar graças a Deus.

 

E claro, a própria prova foi bastante desafiadora. Só de ter saído na lista já foi uma grande vitória.

 

 

 

Ponto dos Concursos – Gostaria de deixar alguma dica ou mensagem para quem está começando a estudar para concurso?

 

 

Rodrigo Paz - Faça um planejamento exequível. Não faça tudo de uma vez, senão a desmotivação ganha corpo. Faça um pouco todos os dias: conhecimento não se adquire de uma vez. Se seu projeto vai durar 6 meses ou 4 anos (meu caso), não importa. Isso varia conforme vários fatores (inclusive a sorte). Mas não fique à mercê do desânimo. Você vai passar. Só não desista.

 

Estude com humildade, simplicidade e foco. Não foque somente em um concurso, e sim em uma área de atuação (ex: área fiscal, área de controle), e desde já amplie o seu escopo de matérias. Não “pule” assuntos de uma matéria que aparentemente não estejam em seu edital. Se, ao analisar determinada área, entender que determinada disciplina tem o costume de cair, mesmo que não caia sempre e seja difícil, não se intimide e a estude, pois se você vai fazer outras provas, uma hora ou outra irá precisar daquele conhecimento. Estudo pós-edital não dá tempo de aprender muita coisa, por isso acostume-se a ver o máximo de assuntos possíveis antes de ele sair.

 

E não ligue para os outros. Muita gente vai querer te desanimar. Concentre-se em seu propósito e leve-o consigo até o seu momento chegar.

 

 

 

 

 

Equipe Ponto dos Concursos.