Entrevistas

Daniel Miranda de Paiva


Aprovado no concurso do MPU – 1º lugar para engenheiro de segurança do trabalho para o estado do MT

 

 

Essa entrevista com o Daniel só reforça a importância de que saber o que se quer é o primeiro passo para a vitória. Com apenas 27 anos de idade, ele já conquistou quatro aprovações e continua em busca de uma quinta, que proporcione sua realização profissional e financeira. Brasiliense, formado em engenharia elétrica, apaixonado por futebol, pela profissão e pela namorada, Daniel resolveu se dedicar ao mundo dos concursos públicos em 2009, com o intuito de ter estabilidade, poder trabalhar com o que gosta e planejar melhor o futuro.

 

Em 2011, deu início à pós-graduação em engenharia de segurança do trabalho para ampliar suas opções de ingresso em um concurso e aumentar sua pontuação em uma possível prova de títulos.

 

Apesar da aprovação e da boa colocação no concurso do MPU, Daniel não pretende parar por aí. Ainda pensa em seguir suas atividades como Auditor Fiscal do Trabalho. Para isso, o objetivo é continuar estudando muito.

 

 

Confira a entrevista completa e as dicas do Daniel:

 

Ponto dos Concursos - Daniel, quando começou nessa caminhada rumo a um cargo público? O que te motivou na época?

 

Daniel Miranda - A caminhada começou em junho de 2009. Com apenas seis meses de formado e trabalhando na minha área, resolvi largar tudo para estudar para concurso. Gostava do que fazia, porém viajava bastante, sem lugar fixo e sem perspectiva de estabilidade - aquela de parar em um lugar e ter tranquilidade. Ser servidor público, principalmente federal, te dá mobilidade, mas de uma forma calculada, o que na iniciativa privada eu não tinha.

 

Minha maior motivação para ser servidor público foi sempre minha mãe, que é servidora pública aposentada da Receita Federal. Eu gostava das histórias e do ritmo de vida dela.

 

De lá para cá, foram quantas aprovações e quantos cargos assumidos?

 

Comecei a estudar para concurso pensando na Receita Federal, mas ainda sem foco. Procurei aprender as matérias básicas de todo concurso e enfrentar, talvez, a matéria mais temida pelos engenheiros: o Português (risos). Meu primeiro concurso foi o da Secretaria de Justiça do Distrito Federal (atualmente Secretaria da Criança). Consegui a aprovação, mas com uma classificação distante no cadastro de reserva. Porém, depois de pouco mais de um ano de validade do concurso, fui nomeado.

 

Após esse concurso tentei o do MPU, em 2010, para analista administrativo e reprovei na prova discursiva. Já em 2011, foi publicado o edital da Previc. Prestei o concurso para o cargo de técnico administrativo e fiquei na 22ª colocação. Inicialmente, estavam previstas apenas 14 vagas, mas fui convocado durante a validade do concurso.

 

Nessa época fazia concurso para a área administrativa e resolvi abrir meu leque de opções fazendo uma pós-graduação. Eu pensei: “essa pós pode me dar mais uma oportunidade de concurso, assim como uma possível pontuação numa prova de título”. Comecei a fazer a pós em 2011 e, quase para terminar, foi publicado o edital do concurso do Banco do Brasil, para engenheiro de segurança do trabalho. Esse foi meu primeiro concurso na área. Fiquei bastante confiante, pois a minha nota na prova objetiva foi maior que a do primeiro colocado. Porém, fui mal na redação que, por sinal, não tinha nada a ver com engenharia, e acabei reprovado.

 

Depois disso resolvi tentar concursos para a área de engenharia de segurança, mas não descartei as demais áreas administrativas (qualquer nível superior). Em 2012, foi publicado o edital do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), uma boa oportunidade para ingressar em um cargo de nível superior. Novamente tive um bom desempenho na prova objetiva, porém quase reprovei na redação.

 

Lembro que estava bem preparado nas matérias de direito e AFO (quase 70% do edital) e pensei: “legal, não tem como a banca inventar nada muito fora disso”. Ledo engano! Não é que o Cespe nos trouxe uma redação sobre bullying? É concurseiro, nossa vida não é fácil! (risos). Fiquei no cadastro de reserva e as turmas foram divididas em três e, como fui mal na redação, fiquei na 3º turma.

 

Durante a pós-graduação, me interessei bastante pela área de saúde e segurança do trabalho e, desde então, procurei saber mais sobre o cargo de AFT. Ouvia comentários a respeito do cargo e seu viés social, além do bom salário.

 

Acabei a pós em 2012 e saí decidido a ser AFT, pois já era engenheiro de segurança do trabalho e com conhecimento de concurseiro. Assim que saiu o edital, além da surpresa da mudança de banca da Esaf para o Cespe, vieram algumas mudanças nas matérias do concurso. Confesso que me perdi um pouco com tudo isso e acabei me atrapalhando. Veio a prova, fiquei doente um dia antes e não dormi quase nada na noite anterior. Bateu o desespero, claro! A gente logo pensa: “putz, logo hoje? logo nesse concurso?”. Enfim, infelizmente não consegui aprovação para AFT.

 

Logo depois tinha o concurso do MPU, com vaga para engenharia de segurança do trabalho. Já tinha adquirido conhecimentos gerais e o regimento interno do MPU desde o concurso de 2010 e na parte específica vi muita coisa de AFT e, especialmente, da minha pós-graduação. Estava pelo menos minimamente preparado.

 

Como não saí com a prova no dia, fui “dar uma olhada” no gabarito e tentar lembrar o que tinha marcado. À medida que ia lembrando o que havia marcado, me animei com um possível bom resultado, mas nunca pensei que tiraria 90 de 120 pontos, muito menos que seria o primeiro colocado.

 

O que te motivava a continuar em busca de novas aprovações?

 

Eu buscava um cargo com o qual eu me identificasse e que pudesse contribuir com alguma coisa. Quando você faz concurso para área administrativa ou, no caso do cargo que ocupo hoje, para qualquer nível superior, acaba sendo lotado em setores em que você pode não se identificar. Tive muita sorte, pois estou lotado em uma divisão que lida com engenharia, mas poderia ter sido diferente, como alguns colegas comentam. Então, vale a pena procurar saber as respectivas atividades exercidas por esse ou aquele cargo antes de prestar o concurso, pois, senão, pode se tornar um servidor frustrado e não render tudo o que pode.

 

Quais os maiores erros cometidos no início da sua preparação?

 

Com certeza meu maior erro foi não focar em um concurso e ir fazendo outros que tinham matérias parecidas. No começo, a gente quer passar em qualquer um só para “tirar a faca do pescoço”, mas acabamos perdendo o foco. Eu também nunca fui muito organizado, isso me tomava bastante tempo.

 

Como era sua rotina de estudos? Seguia algum cronograma?

 

Quando estava desempregado, estudava oito horas por dia, aos finais de semana também. Depois da minha primeira nomeação, comecei a estudar à noite, só que aproximadamente umas três horas, afinal o meu tempo tinha diminuído bastante. Nessa época eu estudava principalmente por material em PDF.

 

Um bom exemplo do resultado dos cursos online é a disciplina de Direito Constitucional. Nunca fiz um cursinho convencional, mas sempre tenho bons resultados na matéria. Por outro lado, uma que ainda me dá muito trabalho é a de Português (risos).

 

Minha principal metodologia era sempre fazer exercício das matérias que eu tinha mais afinidade (para não esquecer os detalhes) e estudar as que eu tenho dificuldade, em uma espécie de rodízio para não passar muito tempo sem ver o assunto.

 

Com a atual aprovação no MPU, ainda pretende seguir em frente e tentar uma nova carreira no serviço público?

 

Acho que ainda vou me preparar para o próximo concurso de AFT. Identifico-me com a parte social que eles têm, além do excelente salário. Com a minha formação de engenheiro de segurança do trabalho, posso contribuir muito com a carreira e com as atividades de AFT. Porém, existe a possibilidade de me identificar bastante com o trabalho no MPU e seguir carreira por lá.

 

Com pouca idade e já acumuladas muitas conquistas, o que você considera ter sido mais difícil nesses momentos de preparação?

 

Sem dúvidas a convivência familiar. Todos sempre me apoiaram e me deixaram à vontade para estudar e dizer não às festas, reuniões e encontros, mas sempre foi muito difícil e continua sendo. Além disso, o mundo não para e, infelizmente, podemos perder pessoas importantes em nossas vidas, o que acaba nos marcando muito também. Eu só tenho a agradecer a todos pelo apoio, principalmente a Deus, minha mãe e minha namorada. Amo muito vocês!

 

Nessa recente aprovação você já estava trabalhando. Como é ter que conciliar trabalho, estudo, família, amigos e namorada?

 

A conciliação, no meu caso, foi tranquila. Como sempre tive apoio dos meus familiares e depois aprendi a ser mais organizado, conseguia fazer bastante coisa e ter, quase sempre, um tempinho vago (risos). Depois que você passa e é nomeado no primeiro concurso, a caneta vai ficando “mais leve” e as coisas parecem fluir bem melhor. Acredito que quanto mais a gente se ocupa, mais damos valor àquele tempinho que sobra na hora do almoço - isso para fazer exercícios e mandar e-mails com dúvidas para os professores (risos).

 

Uma grande dúvida entre os concurseiros está sendo a escolha entre cursos presenciais e online. Em sua opinião, quais as vantagens e desvantagens dos dois?

 

Os cursos presenciais são mais importantes para matérias um pouco mais complexas, que no meu caso é o Português. Já deu para notar meu trauma? (risos).

 

Acho que, para quem está começando, pode ser interessante um cursinho convencional, para pegar mais segurança e depois aprender a andar sozinho. Mas acredito que, com o advento das videoaulas, talvez esse cenário possa mudar.

 

Existem, também, matérias que podem ser tranquilamente assimiladas de forma online, até mesmo para quem está começando, como, por exemplo, regimentos internos. Porém, depois que se tem uma pequena bagagem e com professores bons, os cursos online se tornam imbatíveis, pois a otimização do tempo é tremenda e a eficiência aumenta muito. Apenas para deixar claro, essa parte de iniciação em um cursinho convencional vai de pessoa para pessoa. Foi importante para mim, mas claro que existem pessoas que com um pouquinho de auxílio vão longe.

 

Como fazia com as disciplinas que tinha maior dificuldade?

 

Quando eu sentia que não conseguia sair do lugar na teoria de uma determinada matéria, partia para a prática para ver como era cobrada em prova. Observei que algumas vezes não precisamos saber exatamente um determinado conteúdo e, com a repetição de questões, podemos ter um bom aproveitamento. O grande trunfo para mim é repetir até me “acostumar” com o assunto. Depois, mesmo que não saiba a matéria, ela já não é mais estranha.

 

Muitas pessoas reclamam da dificuldade de concentração para estudar. Você já teve essa dificuldade?

 

Concentração é uma coisa que cada um deve buscar dentro do seu limite. Ficar horas e horas sentado em uma posição desconfortável não é, necessariamente, a melhor tática. Percebi que, quando eu estudava três a quatro horas seguidas com um bom aproveitamento, o rendimento era bem maior que cinco a seis horas tentando ficar acordado ou lutando contra os livros.

 

Uma boa dica é estudar fora de casa (se possível em uma biblioteca), pois em seu lar sempre tem algo “mais interessante” para fazer ou comer. Outro problema de concentração que eu tenho é o tal do futebol, pois gosto muito desse esporte, e sempre tem um amigo para chamar para jogar uma “peladinha” ou assistir ao jogo do time do coração. Fora aquele jeitinho irresistível da namorada em chamar para ir ao cinema (risos).

 

Morando em Brasília e com aprovação para o estado do Mato Grosso, como vai ser essa posse? Pretende se mudar definitivamente para lá?

 

Vou tomar posse lá, não posso deixar passar essa oportunidade. Sinceramente, minha vontade é tentar voltar na primeira chance, pois tenho família e parentes aqui, além de gostar muito de Brasília.

 

Quando trabalhei na iniciativa privada conheci a capital de MT, Cuiabá. É uma cidade conhecida pelas altas temperaturas (às vezes bem altas), mas é muito boa. De qualquer forma, eu ainda quero voltar para Brasília e constituir família por aqui mesmo!

 

Você imaginou, após realizar a prova, que poderia ser aprovado em 1º lugar?

 

Sinceramente nunca pensei que passaria em primeiro, achava que estava preparado e teria uma boa nota, mas não cogitava tal proeza. Outra dúvida que eu tinha era em relação à redação: sabia o tema, mas não me senti tão seguro.

 

Graças a Deus não reprovei e tirei uma excelente nota na prova objetiva, ainda mais se tratando de prova de engenharia, que tradicionalmente tem média um pouco mais baixa.

 

Qual dica você daria para os concurseiros que ainda não passaram em um concurso, mas que estão na luta por uma vaga no serviço público?

 

Falar para concurseiro estudar mais é brincadeira, né? (risos)

 

Então, a dica que eu dou é não perder as esperanças. Sei muito bem como é angustiante não ser aprovado em um, dois, três ou vários concursos. Hoje vejo que o sabor da vitória de uma aprovação é maior que qualquer gosto amargo dos pequenos fracassos. É ter em mente que passar em um concurso que queremos é uma guerra e, mesmo que percamos algumas batalhas, o objetivo será atingido ainda que demore um pouco! É difícil, chato, cansativo, mas é momentâneo. Força, fé e perseverança. Faça a sua parte que Deus, ou outra força que você acredite, com certeza, fará a dele!

 

Outra coisa importante é manter a tranquilidade e a humildade. Se ainda não conseguiu seu objetivo, siga em frente. Se conseguiu e sabe como é difícil, ajude os outros!

 

 

 

Equipe Ponto dos Concursos.