Entrevistas

Darci Chaves


Aprovado em 1º lugar, na Paraíba (PB), para o cargo de Analista Técnico Administrativo do Ministério da Fazenda

 

A história do Darci é um pouco diferente das entrevistas já realizadas com outros concurseiros pela equipe do Ponto dos Concursos. Formado em Engenharia de Produção e ex-diretor industrial, em 2004 Darci abandonou o serviço privado para se dedicar ao concurso da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no qual conseguiu aprovação e assumiu em 2006.


Após quatro meses como policial rodoviário, Darci recebeu uma proposta de uma empresa em que ganharia o dobro do salário da PRF. Parecia uma ótima oportunidade, pois além de retomar sua carreira de formação, seria muito bem remunerado. Foi quando decidiu pedir desligamento da PRF e voltar para a iniciativa privada.


Sete anos depois, decidido a voltar ao mundo dos concursos, ele resolveu estudar para um cargo público e, com apenas três meses de preparação intensa, foi aprovado no Ministério da Fazenda para o cargo de analista técnico administrativo, em 1ª lugar na classificação do Estado da Paraíba e em 8º na colocação geral.


É uma história interessante, diferente e motivadora. Diante de tantos relatos surpreendentes, a gente vai percebendo que, independentemente de classe social, o importante é ter determinação. Nada vem fácil, tudo depende de sacrifícios. A vitória só é certa para aqueles que não desistem.


Confira abaixo a história completa do Darci:


Ponto dos Concursos - Darci, como foi a decisão de se dedicar ao concurso da PRF em 2004? Esse foi seu primeiro concurso realizado?


Darci Chaves - Em 2004, estava cursando a faculdade de Engenharia de Produção e desejava casar com a minha atual esposa, então apareceu a oportunidade do concurso da PRF (sim, foi o 1º concurso). Aproveitei três meses de um período de greve dos professores e estudei o máximo que pude para cobrir o edital. Acabei ficando nos excedentes, então resolvi continuar a faculdade até aparecer outra oportunidade de concurso ou emprego.


Em 2006, próximo ao final dos dois anos de validade do concurso, me chamaram para a PRF. Tinha acabado de me formar e estava trabalhando na pequena indústria do meu pai.


O que te levou a abandonar o cargo, em 2006, após quatro meses de trabalho como policial rodoviário e voltar para a iniciativa privada? Em algum momento você se arrependeu?


Logo que tomei posse na PRF, surgiu um grupo multinacional que comprou a indústria do meu pai. Fui convidado a voltar para a nova empresa, onde ocuparia o cargo de Diretor Industrial por uma remuneração líquida superior ao que recebia na PRF. Como meu pai seria sócio de 10% do novo empreendimento, senti segurança para pedir desligamento do meu cargo federal.


Arrependi-me pouco tempo depois, quando a empresa resolveu diminuir meu salário porque “não sabia que o valor líquido acordado daria um valor tão alto após os impostos”. Além disso, o clima de trabalho nessa empresa se tornou insuportável ao longo dos anos. Só permaneci ali porque havia a possibilidade de outros grupos empresariais adquirirem o negócio.


Quando decidiu voltar a estudar para concurso público e por quê? 


No início de 2013, pois a situação financeira dessa mesma empresa chegou ao limite e faltavam oportunidades no mercado de trabalho da minha cidade (João Pessoa-PB). Matriculei-me num cursinho da área fiscal com aulas à noite para não atrapalhar o trabalho, do qual só vim a me desligar no final de maio.


Como fez para se manter financeiramente durante esse período? 


Pagamos as contas com o salário da minha esposa, mas tivemos que usar nossas economias e também contamos com ajuda dos pais dela.


Vale acrescentar que tivemos a felicidade de descobrir que minha esposa engravidou da nossa primeira filha em junho, o que pesaria financeiramente de imediato. O “engraçado” é que surgiram oportunidades de emprego tentadoras, as quais foram prontamente descartadas, pois eu estava determinado a ser servidor público.


Teve apoio da família? Alguém foi contra ou não acreditou que daria certo essa decisão? 


Todos me apoiaram bastante. O mais difícil foi sair de uma situação financeira confortável para virar estudante novamente. Meu pai relutou um pouco, pois ainda acreditava naquela indústria.


Atualmente você conquistou a 1ª colocação no seu Estado (PB) e a 8ª colocação a nível nacional no concurso de Analista Técnico-Administrativo do Ministério da Fazenda. Quanto tempo você dedicou para garantir essa aprovação e qual foi sua metodologia de estudo?


Depois que concluí os cinco meses de aulas do curso da área fiscal, estudei exclusivamente para esse concurso durante dois meses para a prova objetiva, depois por mais um mês para a prova discursiva.


Para a prova objetiva, estudei por aulas em pdf, marcando os pontos importantes. Ao final de cada aula, resolvia quase todos os exercícios do assunto. Dependendo do tamanho das aulas, lia uma ou duas por dia. Intercalei matérias diariamente. Duas semanas antes da prova, li os pontos marcados anteriormente, preparei resumos apenas com palavras-chaves e repeti alguns exercícios.


Para a prova discursiva, estudei meus resumos e fiz praticamente uma redação para cada tema (foram 12 no total). Li poucos textos novos em sites da administração pública federal para adquirir conteúdo. Na semana anterior à prova discursiva, tentei literalmente decorar todas as palavras-chaves dos meus resumos, pois me ajudariam a lembrar de informações importantes.


Darci, você foi o único que conseguiu nota máxima na discursiva nesse concurso, em âmbito nacional. O que você acredita que fez a diferença nesse resultado?


Os temas cobrados (processo decisório e PDCA) na prova discursiva faziam parte da minha experiência profissional na indústria, então não tive muita dificuldade em desenvolver a redação.


No entanto, para atingir a pontuação máxima, foi imprescindível utilizar as dicas do curso do Ponto, já que nunca havia feito uma prova discursiva. Sempre tive facilidade para escrever, mas tinha algumas dúvidas que foram sanadas com o curso.


Esse curto tempo dedicado, nesse universo imenso de pessoas que passam anos se preparando, é considerado um grande feito. Muitas pessoas devem estar te chamando de nerd, dizendo que você é superdotado ou coisa parecida. Você acha que é por aí? Você sempre foi considerado inteligente na escola?


Primeiramente, é óbvio que se eu estivesse trabalhando durante o dia, não teria dado tempo de fazer tudo em três meses bastante intensos. Foram aproximadamente 350 horas de preparação para a objetiva (média de 9h por dia) e 155 horas para a discursiva (média de 8h por dia). Se considerarmos os meses das aulas da área fiscal, foram cinco meses antes disso, mas o que aprendi serviu muito pouco, porque o foco era diferente.


Na escola e na faculdade, sempre fui um aluno mediano. Estudava em véspera de provas, então nunca fui nerd. Apesar disso, sempre prestei muita atenção nas aulas, assim os professores e colegas me respeitavam e me tinham como aluno aplicado. Minha média de notas era 8,0.


O que você acredita ter sido seu diferencial nessa preparação?


Primeiro, foi fundamental ter cumprido meu cronograma de estudos à risca. Claro que houve imprevistos, mas fiz o máximo que pude, pois queria cobrir todo o edital.


Segundo, vi cada assunto pelo menos cinco vezes! Foram três vezes para a prova objetiva (1. Leitura inicial das aulas em pdf, fazendo marcações; 2. Preparação dos resumos a partir das marcações; 3. Leitura dos resumos) e mais duas vezes para a discursiva (4. Leitura dos resumos; 5. Memorização dos resumos).


Terceiro, resolvi muitas questões para a prova objetiva e fiz muitas redações para a prova discursiva. Isso ajuda a ter confiança. Na hora “h”, você acaba confiando nas suas intuições, caso a resposta não venha à memória imediatamente.


Quais dificuldades você encontrou? Qual era seu foco principal nas disciplinas?


A maior dificuldade foi que praticamente tudo que estudei era novidade. Não foquei em nenhuma matéria. Dei importância a todas igualmente.


Com tantas horas de estudo, quanto tempo dedicava ao lazer e a companhia dos familiares e amigos? 


Nesses três meses, estudava apenas durante o dia (de 8 a 9h por dia) e descansava à noite, pois precisava repor as energias da mente para o dia seguinte.


Nos finais de semana, estudava em torno de 5h, mas sem muita cobrança. Vários gurus da área de concurso afirmam que importa a qualidade, não a quantidade de horas de estudo. Assim, tempo livre nunca foi problema.


Continuará em busca de algum outro cargo público ou pretende assumir e ficar pelo Ministério da Fazenda?


Seria ótimo ficar no MF, pois o cargo é dentro da minha área de atuação e o ambiente de trabalho é muito interessante. Infelizmente pagam menos do que eu ganhava na PRF e na iniciativa privada, então não descarto fazer novos concursos para recuperar o padrão de vida que tinha antes.

 

Diante desse curto tempo de preparação e da excelente classificação, quais dicas você deixa para aqueles que estudam há muito tempo e já se sentem desmotivados?


1ª dica: se você está dedicado exclusivamente aos estudos, encare o estudo como seu trabalho, mas não deixe de ter seu lazer diariamente num horário que achar mais adequado. O que desmotiva em longo prazo é não ter prazer algum na vida paralela aos estudos.


Ou, se você divide os estudos com um emprego, faça questões durante a semana, quando seu cérebro está mais cansado, e estude as matérias no final de semana, quando seu cérebro está descansado. Não deixe de ter algum lazer também, pelo mesmo motivo dito antes.


2ª dica: estude como se não tivesse escolha. Se você ainda tem em mente um plano B, não vai ter forças para estudar o que precisa.


3ª dica: estude com concentração. De nada adianta se dedicar várias horas por dia se não há qualidade de estudo.



 


Equipe Ponto dos Concursos.