Prof. Marlos Ferreira

01/07/2013 | 21:47
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Macroeconomia, Microeconomia e Economia Brasileira em questões comentadas

Olá, amigos do Ponto!

Continuando nossas breves palavras sobre o CESPE/UNB, banca com reinado absoluto sobre os grandes concursos nacionais do ano de 2013, é possível perceber que a diferença entre um certame voltado para nível médio e outro voltado para nível superior é muito pequena. Além disso, cabe a ressalva que em boa parte dos editais por ela elaborados, existe a previsão de nota negativa de um ponto por questão errada do candidato (“uma assertiva errada anula uma certa”). Com isso, podemos perceber que o cuidado do candidato, quando do exame e julgamento das assertivas, deve ser eficaz e considerável, pois a dúvida tende a ser fatal para o candidato.

Dessa forma, apresento no livro abaixo questões de provas do CESPE criteriosamente selecionadas e comentadas, com os conceitos e definições do assunto pertinente e a metodologia da resolução.

O livro Macroeconomia, Microeconomia e Economia Brasileira em questões comentadas do CESPE/UNB – 2008/2013 (510 assertivas comentadas) – Ed. Campus – Marlos Vargas Ferreira - estará em breve nas livrarias e sites especializados.

Seguem algumas  questões presentes no livro:

01- (CESPE/UNB-STM-2010) Sabendo que a moeda consiste em algo aceito pela coletividade para desempenhar funções de meio de troca, unidade de conta e reserva de valor, julgue os itens que se seguem.

a) Considere que, em uma economia, o público mantenha dois terços dos seus meios de pagamento como depósitos à vista nos bancos comerciais e os bancos mantenham a relação entre encaixe total e depósitos igual a um terço. Nessa situação, uma unidade monetária a mais de operações ativas das autoridades monetárias dará origem a 1,8 a mais de meios de pagamento.

b) Para controlar a inflação, o Banco Central do Brasil adotou, recentemente, uma política monetária contracionista, por meio da redução da taxa dos encaixes em depósitos compulsórios.

c) No Brasil, a criação de meios de pagamento pode ser realizada exclusivamente pelo Banco Central do Brasil e pelos bancos comerciais, tais como o Banco do Brasil S.A., a Caixa Econômica Federal, as associações de poupança e empréstimo, as financeiras e as sociedades de crédito imobiliário.

Comentários:

A assertiva A está correta
porque a assertiva versa sobre o multiplicador monetário, financeiro ou bancário, dado pela fórmula m= 1/ 1 – d( 1-R), onde:
m= notação do multiplicador

d= depósitos à vista/M1

R= encaixes técnicos totais/depósitos à vista

Logo, temos que:

d=2/3 e

R= 1/3

Daí, vem:

m= 1/ 1 – 2/3(1-1/3)

m= 1/1-2/3(2/3)

m= 1/ 1 – 0,44

m= 1/0,56

m=1,785 (1,8)

A assertiva B está incorreta porque redução da taxa de recolhimento de compulsórios é medida de política monetária expansionista, que reduz os juros e aquece a economia através de mais emprego, mais renda, mais investimento, podendo trazer de volta a inflação.

A assertiva C está incorreta porque no Brasil, a criação de meios de pagamento pode ser realizada quase que exclusivamente pelo Banco Central do Brasil, pois os bancos de investimento também conseguem multiplicar o estoque de meios de pagamentos. Contudo, a autoridade monetária exclusiva no Brasil já há quase trinta anos reside na figura do Banco Central do Brasil.


Gabarito: CEE


02-(CESPE/UNB-TJES-2010) Para avaliar o nível de bem-estar de determinada população, cientistas sociais costumam utilizar uma série de indicadores econômicos e sociais. Com relação a esses indicadores, julgue os próximos itens.

a) Uma queda no índice de Gini indica melhoria na distribuição de renda da população considerada.


b) O índice de desenvolvimento humano (IDH) é uma medida de bem- estar mais ampla que a renda per capita. O IDH não possui informações sobre a renda por indivíduo, mas considera outras variáveis, tais como distribuição da renda, escolaridade e mortalidade infantil.


c) No Brasil, em geral, quanto maior é a participação do governo na economia de um ente federado — estado, Distrito Federal ou município —, melhor se torna a distribuição de renda da população desse ente.

Comentários:

A assertiva A está correta porque o índice de Gini, que varia de zero a um, é um indicador da igualdade ou desigualdade de uma determinada distribuição (renda, serviços educacionais ou de saúde, por exemplo). Quando o índice é igual a zero, significa que há situação teórica de igualdade. Quando igual a um, ocorre a situação de máxima desigualdade. Portanto, à medida que se aproxima de um significa que uma dada distribuição está-se concentrando.

A assertiva B está incorreta porque o IDH possui informações sobre a renda do indivíduo. O IDH foi criado para o Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD) em 1990, pelos economistas Mahbub ul Haq e Amartya Sen, que viria a ser agraciado com o Prêmio Nobel de Economia em 1998. O índice é calculado levando em conta não só o PIB per capita - único indicador utilizado até então - mas, também, outras variáveis que influenciam e demonstram a melhoria das condições de vida das pessoas. As variáveis que compõem o IDH são:

Renda - calculada pelo PIB per capita ajustado ao custo de vida local com o emprego da metodologia conhecida como paridade do poder de compra (PPC);

Longevidade - medida pela esperança de vida ao nascer;

Instrução - medida por uma combinação entre as taxas de alfabetização e de matrículas nos três níveis de ensino.

O índice de cada uma dessas variáveis (renda, longevidade e instrução) varia entre 0 (mínimo) e 1 (máximo). A média resultante constitui o IDH da região ou país. Quanto mais próximo de 1 essa média estiver, maior será o nível de desenvolvimento humano.

A assertiva C está incorreta porque a equalização fiscal entre jurisdições mostra-se bastante eficiente em federações com grandes desigualdades entre municípios, entre estados e entre regiões. Embora o Brasil se enquadre nesse tipo de federação, em que a renda per capita entre estados e entre municípios é muito distinta, não há um sistema de equalização fiscal estrito senso. O que se tem, em verdade, é um conjunto de fluxos redistributivos, independentes e isolados, que aparecem como mais um fundo de transferências. Eles não levam em consideração, como seria lógico para fundos cuja finalidade é buscar equalização na capacidade total de gasto orçamentário entre jurisdições, o resultado gerado pela arrecadação própria somada aos demais fluxos de transferências. O que se alcança, ainda que de maneira pouco eficiente, é uma melhoria no padrão de gasto per capita das regiões menos favorecidas econômica e socialmente. A federação brasileira apresenta um grau excepcional de autonomia dos governos subnacionais, em particular dos governos municipais. Esta autonomia se manifesta não apenas na regra constitucional que coloca os municípios como governos independentes e autônomos, como também na fragilidade das conexões administrativas e orçamentárias entre estes e os governos estaduais. Isto define um padrão federativo onde as articulações e negociações políticoadministrativas se dão diretamente entre o Governo Central e cada um dos níveis de governos subnacionais. Este aspecto peculiar da federação brasileira aumenta a necessidade de mecanismos de coordenação intergovernamental, vertical e horizontal. Entretanto, tais mecanismos inexistem, sendo as relações precárias e conflituosas.

Gabarito: CEE

Forte abraço e bons estudos!

Marlos


Comentários

  • 02/07/2013 - Roberto
    Professor Marlos, Quando o livro estará nas livrarias???
    Estou precisando muito desse livro. Abraço,

    Roberto
  • 19/08/2013 - Prof Marlos Ferreira
    em agosto de 2013!
    Marlos
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