Prof. Bruno Fracalossi

28/06/2013 | 10:08
Compartilhar

O Divã do Concurseiro - 2ª Sessão!

Olá pessoal, tudo bem?

Dando continuidade à nossa coluna “O Divã do Concurseiro”, publico hoje a 2ª sessão (espero que de muitas) dessa terapia concursística, rsss!

Sinto, pelas inúmeras mensagens de agradecimento que eu tenho recebido, que estou conseguindo ajudar muitas pessoas com os meus artigos. O Divã, então, “bombou” a minha caixa de e-mail. Fico muito feliz que as minhas palavras estejam acalmando um pouco os corações sofredores de vários concurseiros do Brasil.

O caso que eu irei analisar hoje já aconteceu inclusive comigo: o foco em somente um concurso.

O nosso amigo me mandou a seguinte mensagem:


“Olá. Sempre vejo teus comentários e achei legal a iniciativa de "coaching".


Pois vamos lá.

Meu nome é Xxxxx tenho 31 anos, estudo desde 1° de novembro de 2006 ( Viu so que foco) pra Receita Federal, não sei se esse foco não foi meu erro, visto que de 2006 até 2009, quando saiu o concurso eu estudei religiosamente pra ele. Até fazia outros concursos, pra testar, ver como eu estava, pegar tempo de prova, sabe essas coisas que fazem um pequena diferença, mas podem até eliminar no final das contas. Mas acabava não estudando algumas matérias que eu julgava que não teriam importancia para a RF. Lembro bem de fazer um concurso em 2008 aqui do Rs que era do MPE, analista adm salário em torno de 7500, na época. Algo bem maior que eu ganhava, até hoje digasse de passagem. E simplesmente não dar bola pra direito civil, comercial e penal, e ir fazer a prova e ficar com média 9,5 nas demais materias e nessas ali ir la pra baixo. A diferença entre eu e o primeiro foi ridicula, mas suficiente pra nunca me chamarem sabe. Fiz inumeras vezes isso. Pq o que eu queria era passar no auditor. Nessa epoca até tinha bastante tempo pra estudar, eu era bancário, trabalhava até as 4 hrs da tarde e vinha pra casa e estudava. Lembro bem da galera fazendo happy hour e eu estudando. Não me arrependo pq até aprendi a gostar de estudar. Mas quando veio o edital de 2009, eu como sempre olhando as provas da esaf sabia que viria raciocionio logico. Mas não pensei que mudariam tanto, e adivinha quem tava lá. Um monte de materias que eu nunca tinha estudado. Enfim passei longe da aprovação. Achei que ia ficar triste mas até que não, no fundo eu sabia que não estava conseguindo atingir a alta performance. Sinceramente meus estudos durante a vida inteira foram defasados, segundo grau inexistente, ingles pessimo, faculdade so enrolação, bem complicado. Aprendi mais durante 15 dias de aula de economia do que durante 3 semestres de faculdade. Pois continuei a estudar, so que agora um pouco mais esperto. Comecei a olhar "pros lados", vi que existiam concursos legais, mas não consegui passar, até que finalmente consegui sair do banco que eu trabalhava. Ali foi que eu consegui melhorar meu desempenho. Fiz por volta de 10 concursos em 2012 o ano que eu fiquei so estudando. E passei em 9 se eu nao me engano. Inss, Infraero, Caixa, Procempa e alguns outros por aqui. O melhor deles e este ultimo da procempa, que so eu passei e tinha uma vaga e nao me chamam e ainda agora aqui no Rs estão sentando o pau na empresa, por causa de desvios e politicagens, CCs e Cia ltda. Veja que sorte a minha.
Ai como estava mais "garantido" fui pro concurso que eu queria, adivinha qual .......auditor, e mesmo com tempo, e um pouco mais de tranquilidade, tomei pau, não consegui vencer toda a matéria, estava muito cansado perto da prova e o resultado foi a reprovação.
Pois bem, dei um tempo pra cabeça, até que um belo dia a Caixa me chamou e eu, que tinha entrado meio sem querer nela, pois fui ajudar minha tia a estudar e como fechava a materia que eu estudava, resolvi fazer e passei e ela tadinha não. Assumi, estou a 2 meses lá e não ta sendo ruim pra mim, achei que ia ter horror a banco mas não, to suportando.
E agora esse meu outro concurso que eu passei, to até com medo de assumir e ficar trabalhando num lugar ruim. Com clima ruim sabe e deixar a Caixa que é um lugar que oferece uma possibilidade de carreira. E oferece a possibilidade de eu atualizar meu livros e fazer cursos e tal.
Consegui retornar os estudos e resolvi focar no aft, que acho um cargo espetacular, e por incrivel que pareça tem muito menos materia do que o auditor ( não fala isso pra ninguem). O auditor deve ser por volta de 20 o aft deve ser 10 no máximo sabe. Mas mesmo assim, to achando que não vou conseguir um alto desempenho e como "so" saiu a autorização, acabei e to me focando mais no trt de sc, pois acho que ali consigo sabe.
Eu sinceramento não entendo pq nao consigo alcançar o desempenho necessário para esses cargos, serio sou mega esforçado, regulava minhas horas de estudo, comprava bons livros, a unica coisa que eu nao fazia era resumo, mas agora depois de ler um artigo ai do ponto de um professor falando sobre isso, resolvi fazer.
Agora nem sei mais se quero e se vale a pena estudar pro auditor. Acho que quando eu me libertar do auditor eu vou começar a bombar.
Abraço professor “


Eu já comentei sobre isso em artigos anteriores.

É o foco único em um concurso, como se o cargo desejado fosse o pote de ouro no final do arco-íris, ou seja, você anda, anda, corre atrás, mas não consegue alcançá-lo.

Muitas pessoas sofrem desse problema do nosso amigo: idealizam e sonham com um cargo a vida inteira, como se fosse a única possibilidade para elas serem felizes.

Eu cito o cargo de Auditor-Fiscal como um caso emblemático.

Conheço inúmeras pessoas que me afirmam que querem se tornar AFRFB, e só esse cargo serve.

Isso é um erro gigantesco pessoal! Como a maioria deve saber, o cargo de AFRFB é um dos mais disputados do país. Infelizmente, milhares de concurseiros estudarão e não passarão nele nunca. São poucas vagas, e a concorrência é gigantesca. Infelizmente, é assim!

Ah nem, professor! Como você me diz uma coisa dessas? Você quer é me desanimar?

Não, meu amigo, de forma alguma!

O que eu quero, é que você flexibilize o seu pensamento, as suas atitudes! Não só em relação ao seu foco de estudos, mas em todas as outras áreas de sua vida.

A capacidade de resiliência é essencial para a diminuição da ansiedade.

E essa incerteza que adquirimos quando focamos em somente um objetivo nos corrói por dentro. O fato de não sabermos se iremos conseguir ou não nos prejudica demais. Isso já aconteceu comigo também!

Conforme estudo de especialistas no assunto, a principal causa da ansiedade e a mais óbvia é a incerteza. Nós entendemos o mundo pela forma como nos movemos no mesmo, pela maneira como as pessoas reagem à nossa interação e pela forma como afetamos e somos afetados pelo que nos rodeia. Qualquer mudança significativa que coloca em causa a nossa forma de olharmos o mundo, a nós mesmos e aos outros, como um desastre natural, a perda de um emprego, o não atingimento de um objetivo fortemente desejado, uma morte ou uma grande mudança no nosso bem-estar físico e emocional, perturba a nossa noção da realidade.

Quando o nosso senso do que é habitual, confortável e nos promove bem-estar é interrompido, podemos aumentar o nosso grau de incerteza, consequentemente, ficamos profundamente ansiosos.

Tanta coisa passa a ser diferente e não sabemos como vamos restabelecer-nos em meio a essa diferença. Deixamos de saber como nos relacionarmos com o mundo que nos rodeia. Lutamos para encontrar o nosso caminho, para dar sentido ao que agora podemos fazer. Quando muita coisa muda, ou alguns dos acontecimentos são sentidos com um grande impacto funcional na nossa vida e consequentemente emocional, por vezes, ficamos temporariamente sem saber como nos restabelecermos face à mudança. Sentimos extrema dificuldade em adaptar-nos e vimos a nossa relação com o mundo afetada negativamente.

Por isso, você tem que ser mais moldável, mais aberto a novas perspectivas.

Nos últimos anos, vários outros cargos atingiram um patamar remuneratório muito parecido com o de AFRFB. E são cargos com atividades iguais ou mais gratificantes que as da RFB, e com lotações iniciais em capitais, e não em cidades fronteiriças.

Carreiras como as das áreas do Ciclo de Gestão, Controle, Financeira e Econômica possuem atividades nobres e gratificantes.

Temos também as carreiras policiais, dos Tribunais, do Legislativo etc.

Todas elas com as suas peculiaridades, e com uma dificuldade relativa menor que a de AFRFB.

Resumindo: flexibilize as suas atitudes e a sua forma de enxergar o mundo dos concursos! Pesquise sobre outros cargos, sobre outras atividades! Se você achar que não conseguirá passar em um determinado concurso, não fique se martirizando! Tome a atitude e mude de foco de uma vez por todas, ok? Amplie o seu leque de possibilidades!

Mas lembre-se: a mudança deve ser feita somente uma vez e com certeza absoluta, para não se arrepender depois!

É isso, pessoal!

Continuem me mandando e-mails com novos casos para o nosso Divã!

Informo também que acabo de abrir a minha segunda turma do Coaching Básico para concursos, projeto que se tornou um sucesso de audiência, rsss!

Coaching Básico – turma 02

Nessa semana, recebi uma ligação da minha primeira aluna da turma 01 da Consultoria (Ana Luíza), me agradecendo por tê-la ajudado a conseguir a aprovação no concurso da Controladoria-Geral do Estado do Ceará! Vocês não sabem como isso é gratificante! Espero poder ajudar vários concurseiros a atingirem o sucesso desejado!

Um grande abraço!

Prof. Bruno Fracalossi

www.facebook.com/bruno.fracalossipaes

brunofracalossi@pontodosconcursos.com.br



 



 



 



 



 



 


Comentários

  • 30/06/2013 - Carlos Eduardo
    Primeiramente parabéns pelo artigo. No meu caso, sou engenheiro civil (servidor de uma autarquia na área de engenharia) e o foco para mim está sendo um grande problema. Vejamos. Eu gostaria muito de trabalhar no TCU ou na CGU, porém este já era e aquele, neste ano, não será para a área de auditoria de obras. Por outro lado, existem alguns concursos na praça com cargos para engenharia como ANTT e Perito Criminal PF. Nesse contexto, qual seria a melhor orientação em termos de foco? Apostar em cargos cujas matérias passam ao largo da engenharia é uma boa? Sinceramente, tenho receio de, como você bem colocou, estar focado demais no TCU e achar que ele é o único concurso que me satisfará, e ao mesmo tempo perder a oportunidade de resolver a minha vida de outra forma. Abraço.
  • 28/06/2013 - Rosana
    Bruno, tudo isso que você falou no texto você me disse na consultoria, no entanto, como fazer quando a gente não tem a menor vontade de ficar analisando processo e mexendo com papel o dia todo como no caso dos cargos para RFB, TRTs, CGU, TCU....??? Reconheço que sempre haverá uma exigência para se fazer relatórios, planejamentos, etc, mas tem alguns cargos em que praticamente o servidor fica dentro da sala o tempo inteiro! e quando a gente não tem essa aptidão e não quer fazer para área policial? o que você sugere??
    Abraços,
  • 28/06/2013 - Prof Bruno Fracalossi
    Olá Rosana, tudo bem?
    Em quase todos os Órgãos Públicos existem atividades práticas e burocráticas! Na RFB, há também inúmeras atividades em que vc analisa processos, participa de reuniões etc. De forma contrária, na CGU, onde eu trabalho, por exemplo, temos várias áreas com atividades não precípuas do Órgão, que é a de auditoria. Ou seja, quase todos os Órgãos de Estado possuem atividades variadas.
    Na minha opinião, na grande maioria dos Órgãos de primeira linha federal, você conseguirá achar alguma atividade que te dê prazer de executar.
    Um abraço.
    Prof. Bruno Fracalossi
Comentar este artigo
MAIS ARTIGOS DO AUTOR
Compartilhar: