Prof. Vicente Paulo

06/06/2013 | 13:11
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Diga NÃO à desistência precipitada!

"Se as coisas são inatingíveis. ora!

Não é motivo para não querê-las.

Que tristes os caminhos, se não fora

A presença distante das estrelas! *

Não há poesia mais relacionada a concurso do que essa, de Mário Quintana! Eu sempre aconselhei, em sala de aula, que cada aluno grudasse esse poema na parede, bem na frente da mesa diária de estudos, para se inspirar toda vez que batesse o tal do desânimo, a tal vontade de desistir! Sei que alguns o fizeram, certamente outros não! E, repito, todos deveriam tomar essa atitude - afinal, eu ainda não conheci, em mais de uma década como preparador, um concursando que não tenha passado por um momento difícil desses...

Por que, do nada, estou falando disso?

Muito simples: simplesmente porque, cada vez mais, eu percebo que, por detrás de muitos e-mails por mim recebidos, esconde-se um(a) candidato(a) prestes à pior das atitudes para quem já trilhou por um longo caminho: a desistência!

Portanto, pelo menos, saiba disso, com certeza, sem demagogia alguma: você não está sozinho; é difícil, raro, pura exceção, uma pessoa ir do inicio da preparação à aprovação no concurso dos sonhos sem passar por esse momento de fragilidade, de insegurança e pressão emocional, da sensação de que "só estou piorando", ou "isso não é para mim" ou "não vou conseguir nunca"!

É verdade que, como bem disse o professor Luciano Oliveira, há algum tempo, num feliz texto aqui no Ponto, "concurso público não é tudo"! Quem já foi meu aluno presencial sabe que, não raras vezes, eu disse isso em sala de aula, talvez em outras palavras, menos diretas e certeiras do que as do Luciano. Isso, repito, é fato - e ter essa noção é sinônimo de equilíbrio, além de reduzir a tal (perniciosa) pressão emocional.

Entretanto, isso não tem nada a ver com o que eu chamo de "desistência precipitada", num momento de angústia e fragilidade! Qual a diferença? Ora, afirmar que concurso público não é tudo é, simplesmente, dizer que existem outras opções de trabalho por aí, também dignas, enriquecedoras, desafiadoras. Portanto, nada impede que você, a qualquer momento - desde que depois de muito pensar, refletir, amadurecer a ideia, equilibrar-se e discutir com pessoas que você respeita e que conhecem você - mude de ideia, abandone de vez a preparação para concursos e redirecione a sua vida para, por exemplo, buscar um bom emprego na iniciativa privada, ou mesmo para empreender em alguma atividade qualquer. Que mal há nisso, afinal? Nenhum, evidentemente, e a pessoa poderá, ao final, lograr-se muito mais feliz, realizada profissionalmente do que se houvesse sido aprovada no melhor concurso público do país!

Agora, a desistência precipitada é tal decidida num momento de fragilidade emocional, normalmente diante de um mero pique, momentâneo, de pressão e desânimo! Durante essas situações, acredite, não é hora para decidir nada, nem que sim, nem que não! É hora, apenas, de aliviar um pouco a pressão, aguardar, tranquilizar-se, dar crédito ao tempo, nada como um dia atrás do outro, com uma noite no meio! Sério, qualquer decisão tomada nesses períodos - seja pela continuidade nos estudos, seja pela interrupção total - não lhe será benéfica...

Se você decidir pela continuidade nos estudos, sem firmeza/convicção de que isso é realmente a sua praia, a coisa não funcionará, pois você continuará (formalmente) estudando, mas a paixão, o tom de desafio terá ido embora e, sabemos, quem assim estuda está jogando o tempo fora!

De outro lado, se a decisão (precipitada) for pela desistência, mais cedo ou mais tarde você se cobrará, começará a ver que praticamente todos os seus colegas já foram aprovados em algum concurso, a coragem retornará (afinal, situações de desânimo e pressão emocional não são eternas!) e a volta aos estudos será inevitável - mas com um prejuízo horroroso: você estará desatualizado em várias disciplinas, terá perdido um calhamaço de conhecimento anteriormente adquirido e, com isso, terá que caminhar um bocado para trás, até encontrar o seu novo (e retardatário) lugar na fila (lembre-se, na mesma fila que você estava, bem à frente, e a abandonou!).

Bem, eu poderia ficar por aqui, horas e horas, escrevendo sobre esse tema. Mas vou fechar o texto com apenas três parágrafos: tenha calma; não tome uma decisão em momentos de fragilidade e desestímulo com os estudos, comuns a todo concursando; alivie um pouco o ritmo, busque o equilíbrio, obedeça àqueles passos por mim mencionados acima (reflexão, conversa com outras pessoas etc.), coloque a troca empírica de conhecimento (TEC, também conhecida como "beijar"!) em prática - e, assim, você eliminará o risco da tal desistência precipitada!

Outra coisa: quem foi que disse que o prazo de seis meses a um ano de preparação é a média para aprovação em concursos? Ora, que conversa! Para mim, antes de um ano, nem de preparação se trata; é treino, seja lá qual for o concurso! Um período de 1,5 ano a 3,5 anos, aí, sim, podemos começar a falar em média! Achou muito? Pense nisto: eu, Vicente Paulo, desafio você a me apresentar uma atividade econômica na qual o investidor, em seis meses, recupera o capital por ele investido? Por que, então, com você - que estará conquistando um cargo público e tudo o que ele oferece de positivo (boa remuneração, condições dignas para realizar um belo e gratificante trabalho, segurança, possibilidade de investimento no longo prazo etc.) - teria que ser diferente?

Pelo amor do Bom Deus, não me venha dizer que conhece fulano, ou beltrano, que passou no concurso dos sonhos em menos de seis meses! Tudo bem, eu também conheço um cara que resolveu começar com uma empresa na garagem da sua casa e, dali, tornou-se um dos homens mais ricos e influentes de todos os tempos (Bill Gates). Lindos, não, esses tais ícones do Capitalismo? Lindos, sim, mas pura exceção, puríssima! Novamente, pense: imagine que, naquela mesma época, todos os empreendedores do mundo resolveram, ali, simultaneamente, abrir um negócio na garagem de suas casas; quantos deles seriam, hoje, um Bill Gates? Essa é a realidade! Não deixe um ícone de plantão desanimar você...

Um abraço,


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