Prof. Claudia Kozlowski

28/03/2013 | 12:25
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SEFAZ/SP e AFC/STN - atualizado (mais uma possibilidade de recurso - STN)

Olá, pessoal,

No fim de semana passado, foram aplicadas duas importantes provas - uma para a Secretaria do Tesouro Nacional (AFC/STN), pela ESAF, e outra para a Secretaria de Fazenda/SP (vulgo ICMS/SP), pela Fundação Carlos Chagas.

Começarei pela prova do Tesouro Nacional, pois há uma questão com problemas e que merece ser anulada.

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Com base no texto abaixo, o candidato deveria avaliar as opções da questão 47.

1. Em dezembro de 2012, o governo federal lançou

mais uma rodada de medidas para acelerar a

economia. A ideia é trazer de volta investimentos,

que andaram desaparecidos nos últimos meses

5. e que são vitais para o crescimento. O objetivo é

pressionar os investidores para uma alta de 8% no

ano de 2013 e, assim, sustentar a perspectiva de

que o produto interno bruto avance 4% a partir de

2013. Há cinco trimestres consecutivos, a taxa que

10. mede o investimento em capital produtivo só cai,

de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia

e Estatística. Para M. R., professor de economia,

o diagnóstico do governo é correto, mas o remédio

é fraco. "A redução da taxa de juros sozinha não

15. pode ser entendida como fator decisivo para o

investimento", diz ele. "Essa decisão tem mais a ver

com as expectativas do setor privado em relação

à demanda". Em outras palavras, os empresários

não se sentem confiantes no retorno que terão num

20. horizonte de crise econômica prolongada, apesar

do acesso facilitado ao crédito.

(Adaptado de IstoÉ, 12/12/2012)

47- Assinale a opção incorreta a respeito da relação estabelecida pelo termo "que" no desenvolvimento do texto.

a) Na linha 4, retoma "investimentos" (l.3).

b) Na linha 5, retoma "investimentos" (l.3).

c) Na linha 8, retoma "perspectiva" (l.7).

d) Na linha 8, retoma "taxa"(l.9).

e) Na linha 19, retoma "retorno" (l.19).

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Como (infelizmente) ocorre em algumas provas da Esaf, houve claro erro na indicação da linha de uma das opções, suscitando uma possível anulação da questão inteira (se prevalecer o bom senso, não é?).

Não poderia um "antecedente" surgir em linha posterior à do elemento de retomada "que", como sugere a opção D (o "que" em análise encontrava-se, segundo o examinador, na linha "8", ao passo que o termo "taxa" se apresentava na linha 9). Certamente, a banca deveria ter indicado a linha 9 ("a taxa QUE mede o investimento ..."), e não a "8" no item D, mas não o fez - e você já sabe: "cochilou, o cachimbo caiu" (...rs...).

Um candidato atento perceberia esse equívoco (o que não exime a banca de anular a questão malfeita) e marcaria, sem pestanejar, a letra C como gabarito, pois esse "que" da linha 8 (que, segundo a opção, estabelece ligação com "perspectiva") não é um PRONOME (termo que estabelece relações entre palavras), mas uma CONJUNÇÃO INTEGRANTE (elemento que introduz uma oração ao período composto). Usando a Técnica do ISSO (vista tantas vezes em aula, não é?), constatamos que podemos substituir tudo o que se segue ao famigerado "que" pela palavra ISSO e dá certo, indicando ser essa uma CONJUNÇÃO INTEGRANTE, e não um pronome relativo:

"sustentar a perspectiva de QUE o produto interno bruto avance 4%..."

"sustentar a perspectiva DISSO".

Diante do crasso erro da banca, esperamos que a questão 47 (prova 1 - gabarito tipo 1) seja, por questão de justiça, anulada, uma vez que apresenta duas respostas válidas: C e D.

Não observamos nenhuma outra questão passível de recurso, mas coloco-me à disposição para elucidar possíveis dúvidas - escrevam para mim: claudiadoponto@gmail.com / claudia@pontodosconcursos.com.br. Caso alguma questão seja objeto de muitos questionamentos, poderei preparar um artigo sobre ela, o que acham?

Na prova da SEFAZ/SP, não vislumbramos nenhuma possibilidade de recurso. Foi, sem dúvida, uma longa prova, com textos cansativos (alguns até interessantes ...rs...), questões de interpretação que exigiriam do candidato uma leitura bem atenta (em alguns pontos, até mais de uma leitura - precisou deixar a preguiça de lado, não foi?...rs...).

Já as questões gramaticais fugiram um pouco o estilo "FCC", mas nada "terrível" surgiu - algumas até beiravam o ridículo, especialmente as que versavam sobre Ortografia (o que era aquela "compreenção"?).

Bem, do mesmo modo que farei com a prova da STN, escrevam para mim indicando a questão e a dúvida que tiveram (não adianta pedir "professora, comente a prova toda"...rs...) e "a mais votada" será objeto de comentário aqui no Ponto.

Grande abraço.

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Atualização em 28 de março:

Recebi mensagens de candidatos com uma argumentação bem pertinente a respeito da questão 49 da prova para AFC/STN (prova tipo 1).

As questões 48 e 49 tomam por base o seguinte texto.

A entidade estatal, para atender às suas finalidades,

necessita de dinheiro. O ingresso deste nos cofres

públicos caracteriza o que se denomina de entrada,

contudo esta não corresponde obrigatoriamente à

5 receita pública.

De fato, algumas entradas provisórias devem

ser, oportunamente, devolvidas, a exemplo das

cauções, das fianças, dos depósitos recolhidos

ao Tesouro etc. Já a receita pública é a entrada

10 que, integrando-se no patrimônio público sem

quaisquer reservas, condições ou correspondência

no passivo, vem acrescer o seu vulto, como

elemento novo e positivo. A entrada, destarte, é o

gênero de que a receita pública é uma espécie. As

15 receitas originárias resultam da atuação do Estado

na exploração de atividade econômica, como uma

empresa privada na busca do lucro. Embora o

exercício de tal atividade ocorra sob o regime de

direito privado, não há um total afastamento das

20 normas de direito público. Na verdade, as empresas

estatais não podem deixar de observar, no que a

elas se aplicar, os princípios gerais da atividade

econômica que estão dispostos no Capítulo I do

Título VII da Constituição Federal.

(Adaptado de Lucas Clemente de Brito Pereira

http://jus.com.br/revista/texto/10256/nocoes-gerais-acerca-das-financas-publicas , acesso em 25/01/2013)

49- Nas relações de coesão do texto, assinale a opção que não estabelece a correta referência para o pronome destacado na expressão.

a) Em "ingresso deste" ( l .2) refere-se a "de dinheiro" (l. 2).

b) Em "se denomina" (l .3) refere-se a "ingresso" ( l .2).

c) Em "esta não corresponde" (l .4) refere-se a "entrada" (l .3).

d) Em "tal atividade" ( l .18) refere-se a "atividade econômica" ( l .16).

e) Em "o seu vulto" ( l .12) refere-se ao vulto da entrada como "receita pública" (l .9).

Segundo o examinador, o pronome possessivo "seu" faria referência a "receita pública".

Contudo, é possível que se entenda que o pronome se refere a "patrimônio público". Vejamos.

As receitas públicas de caráter definitivo (arrecadação tributária, recebimento de multas e de aluguéis, dentre outras) integram o Patrimônio Público (que, em termos contábeis, indica o conjunto de bens, direitos e obrigações da União, do Distrito Federal, dos Estados, dos Municípios, Territórios, de autarquias, de empresas públicas, de sociedades de economia mista, de fundações instituídas pelo Poder público, de empresas incorporadas, de empresas com participação do Erário e de entidades subvencionadas pelos cofres públicos). Assim, é possível, sim, que se entenda que o pronome possessivo destacado na opção E se refira a "patrimônio público" (aumento do vulto do patrimônio público) e não a "receitas públicas".

Por apresentar duas opções igualmente válidas, pode-se requerer a anulação desta questão também.

Grande abraço.

(p.s. Não sou professora de Contabilidade Pública e estou sujeita a críticas em relação ao que escrevi acima, mas a argumentação fez bastante sentido para mim...rs...).


Comentários

  • 02/04/2013 - Wellington
    Claudia, bom dia!

    Eu concordo com a argumentação apresentada na questão 49, e ainda agrego a ideia de que de acordo com os conceitos da contabilidade pública o patrimônio público só é aumentado quando um elemento novo e positivo o integra, o que fica claro no texto da questão.

    Eu tenho uma outra dúvida na questão 41, pois o gabarito sinaliza que acrescentar a vígula após o adjunto adverbial "Atualmente" está incorreto. Você poderia verificar e me justificar caso o gabarito esteja correto?

    Obrigado,

    Wellington
  • 02/04/2013 - Prof Claudia Kozlowski
    Olá, Wellington,
    Obrigada pela contribuição.
    Observe que o enunciado da questão 41 busca a opção em que o emprego da vírgula DESRESPEITA as regras de pontuação. O gabarito (prova tipo 1) foi a opção D e o erro está no emprego de apenas UMA vírgula. A oração que se segue a "trabalhadores" tem valor adjetivo restritivo (ou seja, restringe o conceito desse antecedente) e, corretamente, não haveria vírgula. Se resolvêssemos transformar essa oração adjetiva restritiva em explicativa, teríamos de empregar DUAS VÍRGULAS (uma após "trabalhadores" e outra depois de "assinada"), e não apenas UMA, como sugere o examinador. A sugestão da opção C não acarreta erro, tendo em vista que "atualmente" é um advérbio colocado no início da oração e, por ser curto, faculta o emprego do sinal de pontuação. Assim, com vírgula ou sem ela, a construção ficaria correta. Abraço.
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