Prof. Fernando Graeff

26/03/2013 | 14:54
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Comentários prova ICMS SP

Pessoal,

No último final de semana foi aplicada a prova do ICMS SP, infelizmente foi cobrado muito mais contabilidade na prova de auditoria do que propriamente assuntos afetos à nossa disciplina.

De qualquer forma, apesar de entender que a prova foi difícil, pois cobrou muitas especificidades das normas, não visualizo nenhuma possibilidade de recurso. Segue abaixo os comentários que acho pertinente:

71. É correto afirmar, em relação ao fator de confiança na seleção da amostra, que quanto

(A) maior o fator de confiança, maior o tamanho da amostra e o nível de segurança obtido.

(B) maior o fator de confiança, maior o tamanho da amostra e menor o nível de segurança obtido.

(C) menor o fator de confiança, maior o tamanho da amostra e da estratificação permitida.

(D) maior o fator de confiança, menor o tamanho da amostra e menor o nível de segurança obtido.

(E) menor o fator de confiança, menor o tamanho da amostra e da estratificação permitida.

O fator de confiança (ou de confiabilidade) é um parâmetro tomado com base em um cenário de desvio nulo. Ou seja, a amostra é determinada com base na expectativa de que não haja desvio, e utiliza a seguinte fórmula:

Tamanho da amostra = Fator de confiança ÷ Taxa aceitável de desvios

Esse fator de confiança é dado em tabelas, como função do risco de amostragem. Exemplo:

Risco de amostragem: 1%   5%    10%  15%

Fator de confiança :    4,61  3,00  2,31   1,90

Assim, se o auditor quiser determinar o tamanho de uma amostra, quando o risco de amostragem é 5% (risco de controle baixo) e a taxa aceitável de desvios é de 3%, deverá fazer:

Tamanho da amostra = Fator de Confiança (3,00) ÷ Taxa aceitável de desvios (0,03)

Tamanho da amostra = 100

Assim, quanto maior o fator de confiança, maior o tamanho da amostra e maior o nível de segurança obtido.

Gabarito: A

72. NÃO é uma conta que deve ser ajustada a valor presente:

(A) Adiantamento em dinheiro para recebimento em bens.

(B) Provisão para passivo previdenciário.

(C) Contas a receber não circulante, com juros.

(D) Contas a pagar não circulante, indexado.

(E) Empréstimos concedidos com juros prefixados de longo prazo.

O CPC 12 determina que ativos e passivos monetários com juros implícitos ou explícitos embutidos devem ser mensurados pelo seu valor presente quando do seu reconhecimento inicial, por ser este o valor de custo original dentro da filosofia de valor justo. Assim, a única conta que não representa um ativo ou passivo monetário é a letra A.

Gabarito: A

73. Considere:

I. O valor anormal de desperdício de materiais, mão de obra ou outros insumos de produção.

II. Gastos com armazenamento de produtos em fase de processo, aguardando próxima etapa.

III. Despesas de comercialização, incluindo a venda e a entrega dos bens e serviços aos clientes.

Deve compor os estoques das empresas o que consta em
(A) II e III, apenas.
(B) I, II e III.
(C) II, apenas.
(D) III, apenas.
(E) I, apenas.

A valoração dos estoques é tratada pelo CPC 16, segundo referido pronunciamento, somente o item II deve compor o custo dos estoques.

Os seguintes valores não devem ser incluídos no custo dos estoques e, portanto, devem ser reconhecidos como despesa do período em que são incorridos:

(a) valor anormal de desperdício de materiais, mão de obra ou outros insumos de produção;

(b) gastos com armazenamento, a menos que sejam necessários ao processo produtivo entre uma e outra fase de produção;

(c) despesas administrativas que não contribuem para trazer o estoque ao seu local e condição atuais; e

(d) despesas de comercialização, incluindo a venda e a entrega dos bens e serviços aos clientes.

Gabarito: C

74. O auditor externo da empresa Consultoria Financeira S.A., ao efetuar a revisão do Reconhecimento de Receitas, constatou que R$ 100.000,00 do total do valor dos serviços vendidos e faturados não foram aceitos pelo cliente e não serão pagos. Constatou-se que é irreversível a não possibilidade de cobrança, em decorrência da Consultoria Financeira S.A. não ter cumprido e não ter condições de cumprir a fase do projeto correspondente ao valor não pago. Dessa forma, deve o auditor recomendar à empresa

(A) contabilizar uma perda em Outras Receitas e Despesas.

(B) estornar a Receita de Serviços contabilizada.

(C) ajustar a Receita de Serviços por uma provisão para perdas.

(D) reconhecer como uma despesa o valor incobrável.

(E) deduzir a importância do valor da Receita de Serviços contabilizada.

Segundo o CPC 30, quando surgir incerteza relativa à realização de valor já reconhecido na receita, o valor incobrável ou a parcela do valor cuja recuperação é improvável deve ser reconhecido como despesa e não como redução do montante da receita originalmente reconhecida.

Gabarito: D

75. O auditor contábil da empresa TransEnergia S.A., empresa que atua no segmento de transmissão de energia, deve confirmar se a empresa realizou, em suas demonstrações contábeis,

(A) a criação de contas contábeis em registro suplementar para contabilização dos custos de construção em conta de resultados.

(B) o registro dos gastos realizados com novos empreendimentos, no passivo, como direitos de uso − concessão.

(C) a contabilização do ativo imobilizado em operação, como ativo imobilizado em curso, tanto para a contabilidade regulatória como para a contabilidade societária.

(D) a criação de conta redutora para o ativo imobilizado em curso, exclusivamente para atender ao balanço societário, com o objetivo de registrar os custos do ativo imobilizado em uso para ativo imobilizado em serviço.

(E) a manutenção dos valores do Intangível em conta do Imobilizado ou de Investimento, conforme determina a contabilidade regulatória.

O art. 2º, § 4º, da Resolução Normativa 396 da ANEEL prevê que para atendimento às normas contábeis societárias, deverão ser criadas contas contábeis em registro suplementar após o 4° grau, de forma a atender às necessidades dos registros contábeis exigidos quando da aplicação do CPC 04 - Ativo Intangível, entre essas contas está a "Conta de receita de construção", correspondente ao valor justo da construção;

Gabarito: A

76. Uma demonstração contábil apresenta distorções relevantes, quando o valor de distorções

(A) não corrigidas, individualmente ou em conjunto, supera o valor de R$ 10.000.000,00.

(B) corrigidas não foi divulgado nas notas explicativas e supera a materialidade global estabelecida pelo auditor.

(C) corrigidas, individualmente ou em conjunto, é maior que a materialidade global estabelecida para o trabalho.

(D) não corrigidas, individualmente, é menor que a materialidade global.

(E) não corrigidas, individualmente ou em conjunto, é maior que a materialidade global estabelecida para o trabalho.

Uma distorção relevante não corrigida pode, individualmente ou em conjunto, fazer com que um usuário das demonstrações contábeis tome erroneamente uma decisão, como comprar ou vender uma ação, dar ou negar um empréstimo, concretizar ou desistir de um negócio etc.

A materialidade é um valor de referência para o auditor (parâmetro) que ele utiliza para ter segurança de que os problemas eventualmente detectados nas demonstrações contábeis não se constituam em distorções relevantes.

Gabarito: E

77. O auditor externo da empresa Cabos S.A. identificou que a empresa construiu nova unidade e utilizou cabos de energia produzidos em sua linha de produção. Para confirmar o registro adequado do custo do ativo imobilizado, a auditoria deve certificar-se de que o custo corresponde ao custo do produto

(A) para venda, mais os lucros gerados internamente.

(B) para venda, menos quaisquer lucros gerados internamente.

(C) pelo valor de reposição, para expressar o valor justo do imobilizado.

(D) pelo valor justo, menos os impostos para expressar o valor no mercado.

(E) pelo valor de reposição, para expressar o valor em uso.

O custo de ativo construído pela própria empresa determina-se utilizando os mesmos princípios de ativo adquirido.

Se a entidade produz ativos idênticos para venda no curso normal de suas operações, o custo do ativo é geralmente o mesmo que o custo de construir o ativo para venda. Por isso, quaisquer lucros gerados internamente, são eliminados para determinar tais custos.

Gabarito: B

78. A empresa Expansão S.A. recebeu um terreno, como subvenção governamental, para se instalar na cidade Nova. Estabeleceu-se como condição somente a construção da fábrica. Dessa forma, em condições normais, o terreno deve ser lançado no ativo

(A) imobilizado pelo valor em uso.

(B) imobilizado pelo valor justo.

(C) não circulante pelo valor nominal.

(D) imobilizado por custo zero.

(E) não circulante pelo valor justo.

Segundo o CPC 07, no caso de subvenções recebidas na forma de ativos não monetários, o valor justo deverá ser a base de registro contábil, a não ser que seja impossível a obtenção desse valor, quando um valor nominal será utilizado.

Gabarito: B

79. O auditor externo, ao avaliar as demonstrações contábeis da empresa Saracura farmacêuticos S.A., solicitou que as provisões para créditos de liquidação duvidosa fossem constituídas de forma conservadora, incluindo todos os créditos vencidos há mais de 60 dias. O procedimento foi adotado em decorrência de a empresa estar com bons resultados e apresentar posição mais conservadora, resguardando a administração e a auditoria. Nesse caso, a estrutura conceitual vigente

(A) está sendo atendida, desde que sejam justificados os motivos que levaram à adoção do procedimento, em nota explicativa, e quantificados seus efeitos.

(B) está sendo atendida, pois contempla a característica da prudência, requisito básico para elaboração de uma demonstração contábil fidedigna.

(C) não está sendo atendida, uma vez que para reconhecer os créditos vencidos há mais de 60 dias, a empresa tem a obrigatoriedade de efetuar a cobrança judicialmente para só posteriormente realizar a provisão.

(D) está sendo atendida, pois ela faculta a apresentação das demonstrações contábeis considerando a característica da prudência.

(E) não está sendo atendida, pois ela não permite a apresentação de uma demonstração fidedigna e que seja consistente com a neutralidade.

Os relatórios contábil-financeiros representam um fenômeno econômico em palavras e números. Para ser útil, a informação contábil-financeira não tem só que representar um fenômeno relevante, mas tem também que representar com fidedignidade o fenômeno que se propõe representar.

Entre os atributos para uma representação perfeitamente fidedigna está a neutralidade. Ou seja, a demonstração deve ser desprovida de viés na seleção ou na apresentação da informação contábil-financeira. Um retrato neutro não deve ser distorcido com contornos que possa receber dando a ele maior ou menor peso, ênfase maior ou menor, ou qualquer outro tipo de manipulação que aumente a probabilidade de a informação contábil-financeira ser recebida pelos seus usuários de modo favorável ou desfavorável.

Gabarito: E

80. O auditor externo, para certificar-se de que uma operação de leasing se enquadra na classificação de leasing operacional, deve, além de verificar se o arrendamento mercantil não transfere os riscos e benefícios inerentes à propriedade, constatar se

(A) os ganhos ou as perdas da flutuação no valor justo do valor residual são atribuídos ao arrendador.

(B) o arrendamento mercantil transfere a propriedade do ativo para o arrendatário no fim do prazo do arrendamento mercantil.

(C) o prazo do arrendamento refere-se à maior parte da vida econômica do ativo, mesmo que a propriedade não seja transferida.

(D) o valor presente dos pagamentos mínimos, no início do arrendamento mercantil, totaliza pelo menos substancialmente todo o valor justo do ativo arrendado.

(E) os ativos arrendados são de natureza especializada, de tal forma que apenas o arrendatário possa usá-los sem grandes modificações.

Um arrendamento é considerado como operacional se não há transferência substancial dos riscos e benefícios inerentes à propriedade de um ativo.

Além disso, segundo o item 11 do CPC 06, os indicadores de situações que individualmente ou em combinação também podem levar a que um arrendamento mercantil seja classificado como arrendamento mercantil financeiro são:

(a) se o arrendatário puder cancelar o arrendamento mercantil, as perdas do arrendador associadas

ao cancelamento são suportadas pelo arrendatário;

(b) os ganhos ou as perdas da flutuação no valor justo do valor residual são atribuídos ao arrendatário

(por exemplo, na forma de abatimento que equalize a maior parte do valor da venda no fim do

arrendamento mercantil); e

(c) o arrendatário tem a capacidade de continuar o arrendamento mercantil por um período adicional com pagamentos que sejam substancialmente inferiores ao valor de mercado.
Dessa forma, a contrário senso, conclui-se que quando os ganhos ou as perdas da flutuação no valor justo do valor residual são atribuídos ao arrendador, o arrendamento será considerado operacional.

Gabarito: A

Um grande abraço.

Fernando.


Comentários

  • 15/05/2013 - Regina Helena
    Há um equívoco no comentário da questão 74, tendo em vista o CPC 30 R1 item 20 a 28 sobre prestação de serviços, pois somente se deve reconhecer a receita na proporção do serviço executado ou quando haja despesas recuperáveis. Seu comentário aplica-se à venda de bens.
  • 15/05/2013 - Prof Fernando Graeff
    Olá, Regina.

    Muito obrigado pela pertinente observação.

    Abs,
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