Prof. Marlos Ferreira

28/02/2013 | 10:53
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Questões comentadas Economia Brasileira ESAF-STN-2013

Olá, amigos concurseiros de todo esse país continental!

Reconhecendo que o estudo da disciplina Economia através de questões comentadas selecionadas é de grande valor e envergadura para os candidatos que se preparam para as provas da ESAF (STN), trazemos abaixo algumas questões resolvidas e comentadas de Economia Brasileira, que tem peso importante no edital proposto. As questões abaixo foram retiradas literalmente do nosso livro Economia - em questões (capa verde e laranja), contendo mais de 230 questões de Macroeconomia e Economia Brasileira, resolvidas e comentadas.

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01- (ESAF-APO-SP-2009) Os indicadores sociais fornecem informações que dizem respeito diretamente à qualidade de vida da população de um país. Com relação a esses indicadores, não se pode dizer que:

a) o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um índice que varia de zero a um, sendo que quanto mais próximo da unidade, mais desenvolvido é considerado o país.

b) o Índice de Gini ou coeficiente de Gini é uma medida de desigualdade utilizada para calcular a desigualdade na distribuição de renda entre os indivíduos de uma economia.

c) o IDH é um índice resultante da média aritmética de três indicadores: um indicador de renda, um indicador de saúde e um indicador de educação.

d) o Índice de Gini mostra que quanto mais próximo da unidade, menor será a concentração de renda do país.

e) o IDH é um índice criado pela Organização das Nações Unidas, com o objetivo de buscar uma medida que retrate o desenvolvimento social dos países.

Comentários:

As assertivas A, C e E estão corretas porque o IDH foi criado para o Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD) em 1990, pelos economistas Mahbub ul Haq e Amartya Sen, que viria a ser agraciado com o Prêmio Nobel de Economia em 1998. O índice é calculado levando em conta não só o PIB per capita - único indicador utilizado até então - mas, também, outras variáveis que influenciam e demonstram a melhoria das condições de vida das pessoas. As variáveis que compõem o IDH são:

Renda - calculada pelo PIB per capita ajustado ao custo de vida local com o emprego da metodologia conhecida como paridade do poder de compra (PPC);

Longevidade - medida pela esperança de vida ao nascer;

Instrução - medida por uma combinação entre as taxas de alfabetização e de matrículas nos três níveis de ensino. O índice de cada uma dessas variáveis (renda, longevidade e instrução) varia entre 0 (mínimo) e 1 (máximo). A média resultante constitui o IDH da região ou país. Quanto mais próximo de 1 essa média estiver, maior será o nível de desenvolvimento humano. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado pela ONU, parte do pressuposto de que para aferir o avanço de uma população não se deve considerar apenas a dimensão econômica, mas também outras características sociais, culturais e políticas que influenciam a qualidade da vida humana. Tem o objetivo de oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Criado por Mahbub ul Haq com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998, o IDH pretende ser uma medida geral, sintética, do desenvolvimento humano.

A assertiva B está correta e a assertiva D está incorreta porque o índice de Gini, que varia de zero a um, é um indicador da igualdade ou desigualdade de uma determinada distribuição (renda, serviços educacionais ou de saúde, por exemplo). Quando o índice é igual a zero, significa que há situação teórica de igualdade. Quando igual a um, ocorre a situação de máxima desigualdade. Portanto, na medida em que se aproxima de um significa que uma dada distribuição está mais concentrada.

Gabarito: D





02 -(ESAF/Analista Contábil-SEFAZ-CE-2006/2007) A partir dos anos 30 e especialmente depois da Segunda Guerra Mundial, o sentido da intervenção do Estado Brasileiro passou a ser o de alterar o próprio modelo de desenvolvimento do país. Aponte a opção falsa com relação à atuação do Estado no processo de industrialização.

a) o Estado condutor.

b) o Estado regulamentador.

c) o Estado produtor.

d) o Estado importador.

e) o Estado financiador.

Comentários:

O Estado brasileiro do pós-guerra é um estado interventor, fortemente produtor, consumidor, empregador e financiador da indústria nascente ou do modelo de substituição de importações. Investiu pesadamente em insumos básicos, matérias-primas, bens de capital com destaque para os setores siderúrgico, químico e de infra-estrutura. Já a partir do final dos anos 90, com a criação das agências reguladoras fruto do processo da privatização, da venda da coisa pública e das parcerias público privadas (PPP), o Estado ganha agora o perfil de regulamentador das atividades econômicas, que estão preponderantemente a cargo da iniciativa privada. Somente o Estado importador não faz parte desse rol de perfis aplicados ao Estado brasileiro.

Gabarito: D













03-(ESAF-STN-2008) Nos dez anos que se seguiram à posse do Presidente José Sarney, foram implementados vários planos de estabilização com o intuito de reduzir a inflação no Brasil, sendo o último o Plano Real. Em relação a esses planos, é correto afirmar que:

a) o conceito de inflação inercial esteve subjacente a grande parte de tais planos de estabilização, sendo assim, entendia-se a inflação como sendo explicada por uma série de choques de custos ocorridos no período.

b) o conceito de inflação inercial era a principal tese acerca da inflação no período, esse tipo de inflação estava associado às constantes acelerações que a inflação apresentava no período, sendo que os períodos em que a inflação apresenta uma tendência de estabilidade, esta tendência estava associado a um baixo hiato do produto.

c) apesar de a inflação inercial ser um conceito de inflação importante para a maioria desses planos de estabilização, a estratégia de combate a essa inflação foi diferente: por exemplo se compararmos o Plano Cruzado com o Plano Real, já que no primeiro optou-se pelo congelamento de preços, não utilizado no último.

d) o Plano Collor difere dos demais planos no período tanto por não se valer do congelamento de preços como por usar uma forte âncora monetária.

e) Os Planos Cruzado, Bresser e Verão utilizaram o congelamento de preços, salários e de taxa de câmbio, além de terem mantido uma política de juros elevados, após o plano.

Comentários:

A assertiva A está incorreta porque a inflação inercial está subjacente ligada ao Plano Real em que se entendia que a memória inflacionária e a indexação da economia faziam com que a inflação se autopropagasse. Uma série de choques de custos ou de oferta é característica da inflação de custos.

A assertiva B está incorreta porque já vimos que o conceito de inflação não é o reproduzido em b. Além disso, os planos econômicos dos anos 80 (Cruzado, Bresser e Verão) não diagnosticavam a inflação brasileira como eminentemente inercial.

A assertiva C está correta porque o Plano Cruzado utilizou as medidas de congelamento de preços e salários, mudança de moeda, quebra de contratos e alteração das regras de indexação ao passo que o Plano Real se valeu das três âncoras: âncora cambial (valorização cambial), âncora monetária (aumento dos juros) e âncora fiscal (ajuste fiscal rigoroso; superávits primários robustos).

A assertiva D está incorreta porque o Plano Collor se difere dos demais planos por ter se valido de uma ferramenta inédita e totalmente impopular: o bloqueio dos ativos financeiros da população, o famoso "confisco", na tentativa de eliminar a inflação, já que não haveria excesso de moeda na economia. Não usou de fato congelamento de preços e salários nem uma forte âncora monetária.

A assertiva E está incorreta porque os Planos da segunda metade dos anos 80 não se utilizaram o congelamento do câmbio, como apregoa a assertiva.

Gabarito: C



04-(ESAF-STN-2008) Se observarmos a economia brasileira, entre 1980 e 1984, poderemos notar que:

a) entre os elementos que explicam a geração de superávits comerciais, para fazer frente aos pagamentos da dívida externa no período, está a diminuição da absorção doméstica.

b) nesse período, houve o encarecimento da dívida externa, tendo sido necessária a geração de superávits comerciais para o pagamento dos juros correspondentes a tal dívida, a partir da crise do México, em 1982, porém, o acesso a novas fontes privadas de financiamento externo possibilitou que parte desses pagamentos fosse feito com novos empréstimos externos.

c) a inflação, durante estes anos, se manteve em patamares bastante elevados, porém estabilizada.

d) as empresas estatais foram fundamentais no período já que, por meio delas, o país obteve acesso a empréstimos internacionais, que puderam ser usados para financiar o déficit no Balanço de Pagamentos.

e) a alta inflação brasileira é caracterizada como sendo de custos, causada pelos choques de petróleo e dos juros internacionais em no seu combate, foi utilizado, durante o período, o regime de câmbio fixo.

Comentários:

A assertiva A está correta porque em se tratando de década de 80, os famosos anos perdidos, o cenário econômico mundial de escassez de liquidez internacional contaminou o cenário doméstico com recessão e inflação. A economia nacional estava endividada com elevadas despesas financeiras e não havia a possibilidade de novos empréstimos internacionais (poupança externa). Dessa forma, a única saída residia no superávit da balança comercial (exportações líquidas positivas), repercutindo em divisas para o país bancar os encargos financeiros da dívida externa. A redução da absorção doméstica (compras dos residentes nacionais) representa que a absorção doméstica é menor que a produção doméstica, isto é, como se tem um excedente de produção nacional, há espaço para novas exportações, já que a renda interna está deprimida.

A assertiva B está incorreta porque houve de fato o encarecimento da dívida externa, tendo sido necessária a geração de superávits comerciais para o pagamento dos juros correspondentes a tal dívida. Contudo, a partir da crise do México, em 1982, não existiu o acesso a novas fontes privadas de financiamento externo (escassez de liquidez internacional; política monetária contracionista; elevação dos juros), inviabilizando que parte desses pagamentos fosse feito com novos empréstimos externos.

A assertiva C está incorreta porque a inflação na década de 80 se manteve em patamares elevados e crescentes, isto é, a espiral inflacionária era contínua e generalizada. Estabilizada representaria que a inflação estava alta, mas se mantinha no mesmo patamar, o que não era verdade.

A assertiva D está incorreta porque a empresa estatal (o Estado nacional) foi decisiva para o crescimento da indústria e do modelo econômico nos anos 70, mas nos anos 80 a fonte de recursos secou e os credores internacionais não estavam mais dispostos a fazer novos empréstimos. Três fatores foram decisivos para que novos empréstimos não fossem realizados: a crise de petróleo de 1979, a recessão norte-americana (1979-1982) e a elevação dos juros.

A assertiva E está incorreta porque a alta inflação brasileira não é diagnostica como de custos e não foi utilizada para o seu combate o câmbio fixo. A inflação no Brasil nos anos 80 era diagnosticada, principalmente, como de demanda ou excesso de meios de pagamento e a elevação dos juros é o instrumento de combate.

Gabarito: A



Grande abraço,

Marlos


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