Prof. Gabriela Knoblauch

22/08/2011 | 22:05
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Texto traduzido para a Receita Federal

 

What´s up, students? Studying hard?

Como vocês já devem estar sabendo, mais um concurso da Receita Federal se aproxima! Para auxiliá-los na preparação, disponibilizo uma reportagem do jornal The Economist (um dos preferidos da ESAF para tirar textos) traduzida para que se acostumem com o vocabulário técnico que aparece na prova.

Keep investing in yourselves! Keep studying!

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An unpalatable solution

Uma intragável solução

Eurobonds could restore confidence, but at a cost

Títulos europeus podem restaurar a confiança, mas a um custo

With alarming speed, Europe's debt crisis has spread this summer from small countries such as Greece on the rim of the single-currency area to large economies such as Italy at its heart. The European Central Bank (ECB) has restored calm in Italian and Spanish government-bond markets for the moment by making big purchases of their debt. But such bond-buying is a temporary palliative. Many are now calling for a more fundamental solution to the crisis: the issue of "Eurobonds" in order to provide a fiscal underpinning to the shaky monetary union.

Com uma velocidade alarmante, a crise do débito da Europa se espalhou esse verão de pequenos países como a Grécia na borda da área da moeda única para grandes economias como o coração da Itália. O Banco Central Europeu restaurou a calma nos mercados de títulos governamentais italianos e espanhóis por hora via realização de grandes compras de seus débitos. Mas tal compra de títulos é um paliativo temporário. Muitos estão agora pedindo por uma solução mais fundamental para a crise: a emissão de "títulos europeus" para prover um reforço fiscal para a vacilante união monetária.

These Eurobonds are not to be confused with their namesakes invented in the early 1960s, when bankers severed the link between currency and country of issuance by helping international borrowers sell dollar-denominated bonds in London. What advocates of new-style Eurobonds have in mind for the euro area would be even more far-reaching: they wish to sever the link between the creditworthiness of a country and its cost of borrowing. The 17 member states of the single-currency area would be able to borrow in bonds issued by a European debt agency. These would be jointly guaranteed by all euro-area countries and thus underwritten in particular by the most creditworthy of them-above all, Germany, because of its economic clout and top-notch credit rating.

Esses Títulos Europeus não devem ser confundidos com seus homônimos inventados no início da década de 60, quando banqueiros cortaram a ligação entre a moeda e o país de emissão por meio da ajuda dada aos mutuários internacionais a vender títulos em dólar em Londres. O que defensores de um novo estilo de Títulos Europeus têm em mente para a área do euro seria ainda mais abrangente: eles desejam cortar a ligação entre a classificação de crédito de um país e seu custo de pegar emprestado. Os 17 países membros da área da moeda única seriam capazes de pegar empréstimos em títulos emitidos por uma agência de débito européia. Esses seriam conjuntamente garantidos por todos os países da área do euro e portanto subscritos em particular pelo país com melhor classificação de crédito deles - acima de todos, a Alemanha, por causa de sua influência econômica e excelente classificação de crédito.

An underlying rationale for Eurobonds is that the public finances of the euro area as a whole look quite respectable, at least compared with those of other big rich economies. The IMF envisages that general government debt will reach 88% of the single-currency zone's GDP this year. This is lower than America's 98% and not much higher than Britain's 83%. The euro area's projected budget deficit will be a bit above 4% of GDP, better than America's 10% and Britain's 8.5%. Neither America-despite the recent downgrade of its debt by a rating agency-nor Britain has been subject to a debilitating loss of confidence. This suggests that pooling debt could indeed put an end to the euro crisis.

Uma lógica subjacente para os Títulos Europeus é que as finanças públicas da área do euro como um todo parecem bem respeitáveis, pelo menos comparadas com aquelas de outras grandes ricas economias. O FMI prevê que o débito do governo em geral vai atingir 88% do PIB da área da moeda única este ano. Isso é mais baixo do que os 98% da América e não muito mais alto do que os 83% da Inglaterra. O déficit orçamentário projetado da área do euro ficará um pouco acima de 4% do PIB, melhor do que os 10% da América e dos 8,5% da Inglaterra. Nem a América - apesar do recente decréscimo do seu débito por uma agência de classificação - nem a Inglaterra foram submetidos a uma debilitante perda de confiança. Isso sugere que agrupar o débito pode realmente colocar um fim na crise do euro.

The successive waves of market attacks on countries have exposed an inherent fragility of a monetary union of states in which each stands behind its own debt but with the usual escape routes of devaluation and inflation no longer available. If investors lose confidence in a country's fiscal prospects, their fear can become self-fulfilling by pushing up bond yields to unsustainable levels. The ECB can soothe markets by buying bonds, but beyond a certain point such purchases threaten its independence. By pooling risk, Eurobonds could be a more durable counter to such destabilising liquidity crises, argues Paul De Grauwe, an economist at the Catholic University of Leuven, in Belgium.

As sucessivas ondas de ataques de mercado aos países expuseram uma inerente fragilidade de uma união monetária de estados em que cada um assume seus próprios débitos mas com as usuais rotas de fuga de desvalorização e inflação não mais disponíveis. Se os investidores perdem confiança nas perspectivas fiscais de um país, seu medo pode se tornar auto-realizável através da elevação dos rendimentos dos títulos a níveis insustentáveis. O Banco Central Europeu pode acalmar os mercados comprando títulos, mas depois de um certo ponto tais compras ameaçam sua independência. Agrupando o risco, os Títulos Europeus poderiam ser um contra-ataque mais duradouro para tal desestabilizante crise de liquidez, argumenta Paul de Grauwe, um economista da Universidade Católica da Leuven, na Bélgica.

Another reason to introduce Eurobonds is that the existing defences drawn up to contain the crisis are starting to look too flimsy. The European Financial Stability Facility (EFSF), the rescue fund set up last year, is due to have ?440 billion ($634 billion) of resources this autumn. Given its existing commitments to Greece, Ireland and Portugal, this would be barely enough to support Spain and insufficient for Italy if they were locked out of markets for any length of time. The obvious answer is to increase its size, but the fund has an inherent weakness. Unlike jointly underwritten Eurobonds, the national guarantees backing the EFSF puts each state on the line for only a share of it, broadly in line with its weight in the euro-area economy. This means that if France were to lose its top credit rating-the latest fear in the markets-the EFSF would lose a big chunk of its lending capacity (or its AAA rating).

Uma outra razão para introduzir Títulos Europeus é que as existentes defesas elaboradas para conter a crise estão começando a parecer fracas demais. O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), o fundo de resgate criado ano passado, está para ter 440 bilhões de euros (634 bilhões de dólares) de recursos esse outono. Dados seus existentes compromissos com a Grécia, Irlanda e Portugal, isso seria quase insuficiente para apoiar a Espanha e insuficiente para a Itália se eles fossem excluídos dos mercados por qualquer período de tempo. A resposta óbvia é aumentar seu tamanho, mas o fundo tem uma fraqueza inerente. Diferente dos Títulos Europeus conjuntamente subscritos, as garantias nacionais que dão suporte ao FEEF responsabilizam cada país por apenas uma parcela dele, amplamente alinhado com seu peso na economia da área do euro. Isso significa que se a França fosse perder sua top classificação de crédito - o mais recente temor nos mercados - o FEEF perderia uma grande porção de sua capacidade de emprestar (ou sua classificação AAA).

Until now the countries that call the shots in the euro area-those with strong public finances, notably Germany-have viewed Eurobonds with horror. They have two main objections. First, the pooling of public debt in the 17 member states would raise the interest rates paid by the most creditworthy while lowering them in countries with weaker fiscal positions. The annual bill to German taxpayers of the additional borrowing costs could eventually reach 1.9% of German GDP, according to Kai Carstensen of the Ifo Institute for Economic Research in Munich. Second, Eurobonds would remove the pressure on improvident governments to put their public finances in order. Would Italy, for example, have pushed through its recent austerity budget had it not been pushed by the markets?

Até agora os países que mandam na área do euro - aqueles com robustas finanças públicas, notadamente a Alemanha - têm visto os Títulos Europeus com horror. Eles têm 2 principais objeções. Primeiro, o agrupamento do débito público nos 17 países membros elevaria a taxa de juros paga pelos mais dignos de crédito enquanto a diminuiria em países com fracas posições fiscais. A conta anual para os contribuintes alemães dos custos adicionais de pegar empréstimo poderia eventualmente alcançar 1,9% do PIB alemão, de acordo com Kai Carstensen do Instituto de Pesquisa de Economia em Munique. Segundo, os Títulos Europeus removeriam a pressão sobre governos incautos para colocar suas finanças públicas em ordem. Teria a Itália, por exemplo, passado por seu recente austero orçamento se não tivesse sido obrigada pelos mercados?

Blue and red-hot

Azul e vermelho-flamejante

Proponents of Eurobonds have an ingenious answer to both these objections. A policy proposal published last year by Bruegel, a think-tank, said that for each country they should be limited to 60% of GDP (the maximum ratio of debt to GDP first intended for the monetary union). Together with a liquidity premium that should arise from creating a much bigger market, in Eurobonds, than the national sovereign-debt markets, this limit would curtail the feared rise in borrowing costs. Countries would retain national responsibility for debt above the 60% threshold, which the authors dubbed "red" (as opposed to the "blue" Eurobonds). This would create an incentive for them to behave prudently, since borrowing costs on red bonds would be higher.

Propositores dos Títulos Europeus têm uma engenhosa resposta para ambas as objeções. Uma proposta de política publicada ano passado por Bruegel, um centro de pensadores, disse que para cada país eles devem ser limitados a 60% do PIB (a taxa máxima de débito por PIB inicialmente pretendida para a união monetária). Junto com um aumento de liquidez que deve aparecer da criação de um mercado muito maior, em Títulos Europeus, do que os mercados nacionais de dívida soberana, esse limite reduziria o temido aumento dos custos de empréstimos. Países assumiriam responsabilidade nacional por seus débitos acima do limite de 60%, a qual os autores chamaram de "vermelho" (em oposto aos Títulos Europeus "azuis"). Isso criaria um incentivo para que eles se comportem prudentemente, já que os custos de empréstimos dos títulos vermelhos seriam mais altos.

But the idea has two snags. First, by dividing sovereign debt into tranches, the enhanced safety of the blue bonds would come at the expense of the red ones-which could become red-hot for risk-averse investors. Vulnerable countries could find themselves in an even trickier position if investors demanded higher yields on this portion. Second, the proposal assumes that the 60% limit could be maintained. In a future debt crisis, it might not be.

Mas a idéia tem dois "poréns". Primeiro, dividindo o débito soberano em porções, a segurança aumentada dos títulos azuis viriam ao custo dos vermelhos - que poderiam se tornar vermelhos flamejantes para investidores avessos a riscos. Países vulneráveis poderiam encontrar-se em uma situação ainda mais complicada se investidores demandassem rendimentos mais elevados nessa porção. Segundo, a proposta assume que o limite de 60% poderia ser mantido. Numa futura crise de débito, pode não ser.

Eurobonds would be a big sacrifice for the creditworthy nations of the euro area. The question for Germany in particular is whether this is a price worth paying to save the euro. The question for the other members of the monetary union is whether they can tolerate the much greater centralisation of fiscal policy that Germans would demand, as a bulwark against renewed budgetary indiscipline, in exchange for agreeing to Eurobonds.

Títulos Europeus seriam um grande sacrifício para nações com boa classificação de crédito na área do euro. A pergunta para a Alemanha em particular é se isso é um preço que vale a pena pagar para salvar o euro. A pergunta para os outros membros da união monetária é se eles podem tolerar uma muito maior centralização da política fiscal que os alemães demandariam, como uma proteção contra a indisciplina orçamentária renovada, em troca de concordar com os Títulos Europeus.

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Abraço

Gabriela


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