Prof. Danuzio Neto

16/05/2017 | 17:25
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Um argumento falacioso

Recentemente, rodou nas redes sociais o seguinte raciocínio feito pelo economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central: Há 14 milhões de desempregados no setor privado. Sabe quantos no setor público? Zero. Está mais do que na hora de repensar a estabilidade do funcionário público.

 

Com todo o respeito, poucas vezes vi um texto tão sem sentido. Vejamos:

 

  • Não existe desempregado do setor público e desempregado do setor privado. Quem está desempregado, provavelmente, está aberto a trabalhar tanto num setor quanto no outro.
  • Antes de qualquer crise, já havia um contingente enorme de desempregados que não havia saído nem do setor privado nem do público.
  • Ainda que o raciocínio fosse verdadeiro, não se levou em consideração as demissões que ocorrem no setor público. Acredite ou não, elas ocorrem praticamente todos os dias. Basta abrir um Diário Oficial para comprovar.

 

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Comentários

  • 16/05/2017 - Laélio
    O sr. Gustavo Franco não leva em consideração que a estabilidade é uma previsão constitucional, sabiamente pensada, para que a ocupação (ou desocupação) das funções públicas não seja um instrumento ao sabor das tendências e mudanças políticas, ou seja, se um servidor público não concorda com uma linha ou determinado agente político, ele tem a garantia de não ser desligado do serviço público por conta disso.
    Claro que essa proteção não pode ser escudo para a ineficiência. Por isso, a Constituição prevê uma lei complementar (até hoje não criada) para regular o desempenho do servidor público e, se for o caso, dar a possibilidade de exonerá-lo se não estiver satisfazendo as atribuições que são acometidas ao cargo que ocupa.
  • 16/05/2017 - Prof Danuzio Neto
    Ótimo comentário, Laélio!
  • 15/05/2017 - Manoel José de Souza
    Também li esse comentário no jornal, professor. Achei tão sem noção que preferi não acreditar.É aquela velha visão neoliberal que coloca nós servidores responsáveis por todas a mazelas que existe nos país. Não sei se o economista ficaria contente se fosse 7 milhões em cada setor.
  • 15/05/2017 - Prof Danuzio Neto
    Olá, Manoel,

    Obrigado por complementar nosso pequeno artigo. Este foi exatamente meu ponto de vista!

    Obrigado!
  • 15/05/2017 - Tadeu junior
    Prof Danuzio, infelizmente, a iniciativa privada, a sociedade e a mídia, e o próprio governo, todos são contra o serviço público (concurso, cargos, remuneração benefíco, previdência).Também sou economista de formação, defendo, não um ESTADO MÍNIMO OU GRANDE, mas sim um ESTADO EFICIENTE, com políticas públicas eficazes, principalmente relacionadas a INOVAÇÃO EMPRESARIAL E INFRAESTRUTURA LOGÍSTICA, pois o Brasil não inova muita coisa e também não resolve, de forma efetiva, os gargalos logísticos do país.Quanto ao serviço publico, o que deve haver é maior incentivo a qualificação profissional em termo de pós-graduação (mestrado, doutorado e pós-doutorado) e novos métodos e instrumentos de avaliação de desempenho dos servidores públicos.Ao invés de demitir/retirar a estabilidade dos servidores públicos, o economista citado deveria defender O FIM DOS CARGOS EM COMISSÃO, pois a quantidade de apadrinhados nesses cargos é maior do que a de servidores efetivos. Assim, vai sobrar dinheiro
  • 15/05/2017 - Prof Danuzio Neto
    Obrigado pelo comentário, Tadeu!

    Vindo de um economista, ele apenas enriquece ainda mais o debate.

    Abraço!
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