Prof. Edimilson Torres

31/05/2016 | 20:36
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Desemprego e a Curva de Philips

Todo mundo sabe que estamos passando por um momento econômico conturbado, as notícias sobre déficit público, crescimento da dívida pública, criação de impostos estão por todos os lados, mas, sem dúvida, a notícia que mais preocupa os brasileiros é o crescimento do desemprego.

Já que muito se fala sobre esse assunto, nada melhor do que uma revisão rápida sobre um tema muito cobrado em concursos envolvendo desemprego: a Curva de Phillips.

A Curva de Phillips mostra uma relação entre inflação e desemprego, demonstrando que para que haja uma redução do desemprego haverá um aumento da inflação e vice-versa.

Em sua versão mais simples, a curva de Phillips é dada por:

Π = - B( µ - µn)

Onde π=inflação; B= parâmetro que mede a sensibilidade da inflação ao desemprego; µ = desemprego efetivo; e µn= taxa de desemprego natural

Por meio desta fórmula, podemos ver que caso a taxa de desemprego natural seja maior do que a taxa de desemprego efetiva, teremos um número negativo multiplicando –B, resultando, então, em uma inflação positiva. Portanto, quanto mais baixa a taxa de desemprego efetiva, mais alta será a inflação.

Por outro lado, se a taxa de desemprego estiver maior do que a taxa de desemprego natural, o resultado será um número positivo a multiplicar –B, fazendo com que o resultado seja uma inflação negativa. Assim, se a taxa de desemprego for maior do que a taxa de desemprego natural, então a inflação será menor.

Resumindo: quanto maior a taxa de desemprego efetiva em relação à taxa de desemprego natural, menor será a inflação; e quando a taxa de desemprego efetiva for menor do que a taxa de desemprego natural, então a inflação será mais alta.

Lembrem-se: a taxa de desemprego deve ser comparada sempre à taxa de desemprego natural e não ao desemprego zero.

Mas o que é essa taxa de desemprego natural? Muitas pessoas podem pensar que é possível um país alcançar o desemprego zero, mas isso é bastante improvável, para não dizer impossível. Mesmo em uma situação de pleno emprego haverá desemprego, o chamado desemprego natural. Essa taxa de desemprego natural irá existir devido a problemas ditos friccionais, como por exemplo, pessoas que estão trocando de emprego e ainda não conseguiram se reinserir no mercado de trabalho e os novos entrantes no mercado, dessa forma, sempre haverá alguém desempregado.

Apesar de este ser apenas o caso mais simples da curva de Phillips, já podemos ter uma noção de que não é fácil tomar decisões sobre política econômica, não é mesmo?

Um abraço a todos


Comentários

  • 01/06/2016 - Victor
    Ótimo artigo, professor!
  • 01/06/2016 - Prof Edimilson Torres
    Obrigado, Victor!
  • 01/06/2016 - Ana Cristina
    Excelente explicação, professor! Finalmente consegui entender a Curva de Phillips.
  • 01/06/2016 - Prof Edimilson Torres
    Obrigado, Ana. Mas lembre-se que esse é apenas o começo, também é importante estudar os casos da Curva de Phillips com expectativas adaptativas e racionais, com choques de oferta e a curva de Phillips de longo prazo. Um abraço!
  • 01/06/2016 - Laís Rosa
    Ótimo artigo! Assunto muito importante e atual!
  • 01/06/2016 - Prof Edimilson Torres
    Obrigado, Laís!
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