Prof. Fabiano Sales

16/05/2016 | 21:43
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GABARITO EXTRAOFICIAL INSS

Fala, galera!

Segue o gabarito extraoficial (sem hífen!) de Língua Portuguesa para Técnico do INSS.

O nível da prova estava em conformidade com o esperado, abordando questões sobre compreensão textual, denotação versus conotação, significação contextual de palavras/expressões, regência verbal, flexão/concordância verbal, emprego dos pronome relativos com regência, emprego da vírgula e do sinal de dois-pontos, mecanismos de coesão textual e redação oficial.

Vamos aos comentários!

COMENTÁRIOS À PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

TÉCNICO DO INSS - CADERNO ALGA

PROFESSOR FABIANO SALES

 

1. O trecho “dá muito trabalho” constitui uma referência de Seu Joaquim à confecção da estante, tarefa que, segundo ele, seria trabalhosa.

 

Comentários: Na continuação do discurso direto (linhas 21 a 25), é narrado o diálogo entre Seu Ferreira e Seu Joaquim:

 

“ – Visconde de Pirajá, 127 – respondi, e seu Joaquim desenhou o endereço na nota.

 

   - Tudo bem, seu Ferreira. Dentro de um mês estará lá sua estante.

 

   - Um mês, Seu Joaquim! Tudo isso? Veja se reduz esse prazo.

 

   - A estante é grande, dá muito trabalho... Digamos, três semanas.”

 

        Por meio desse contexto, percebe-se que a tarefa de confeccionar a estante é trabalhosa, em virtude da dimensão do móvel: “A estante é grande, dá muito trabalho ...”. Logo, a afirmação é correta.

 

Gabarito: Certo.

 

 

2. De acordo com as informações do texto, é correto inferir que Seu Joaquim era analfabeto, uma vez que ele “desenhou o endereço na nota”.

 

Comentários: Nas linhas 6 e 7, o autor faz a apresentação de Seu Joaquim, “marceneiro que tinha oficina na rua Garcia D’Ávila com Barão da Torre”. No decorrer da superfície textual, notadamente nas linhas 13 e 14, há a menção ao preenchimento da nota por Seu Joaquim: “Tanto que, quando Seu Joaquim, ao preencher a nota de encomenda, perguntou-me onde seria entregue a estante (...)”. A afirmação do examinador, portanto, extravasa as informações do texto, principalmente se atentarmos para o trecho “seu Joaquim desenhou o endereço na nota”. Por meio desse segmento, não é correto inferir que Joaquim era analfabeto; afinal, não há elementos textuais que ratifiquem essa inferência.

 

Gabarito: Errado.

 

 

 

3. A expressão “armar ali a minha tenda” foi empregada no texto em sentido figurado.

 

Comentários: De acordo com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, versão digital, a palavra “tenda” significa “barraca desmontável, feita de pano impermeabilizado”. Entretanto, essa não foi a acepção empregada no contexto. A superfície textual evidencia que o vocábulo “tenda” se refere a um “espaço reservado para reflexões e leitura”, tendo sido empregado, portanto, em sentido figurado, conotativo. Logo, o item está correto.

 

Gabarito: Certo.

 

 

 

4. De acordo com as informações do texto, Vinicius de Moraes passou a morar no apartamento onde antes residia Mário Pedrosa.

 

Comentários: Nas linhas 10 a 12 do texto, o narrador faz alusão ao apartamento em que Mário Pedrosa residia. Em conformidade com o texto, o imóvel se localizava entre a rua Farme de Amoedo e a antiga rua Montenegro, atualmente chamada de Vinícius de Moraes. Portanto, a afirmação do examinador é claramente uma extrapolação às ideias do “corpus” textual.

 

Gabarito: Errado.

 

 

5. O “momento de hesitação” vivido pelo narrador deveu-se ao medo de informar o endereço a um desconhecido.

 

Comentários: Para responder à questão, devemos observar as linhas 12 e 13 do texto:

 

“Estava ali havia uma semana e nem decorara ainda o número do prédio. Tanto que, quando Seu Joaquim, ao preencher a nota da encomenda, perguntou-me onde seria entregue a estante, tive um momento de hesitação.”

 

        Observando a passagem acima, constata-se que o “momento de hesitação” ocorreu devido ao fato de o narrador não se recordar do número do prédio. Sendo assim, ao afirmar que tal momento se deveu ao receio de informar o endereço a um desconhecido, o examinador incorreu no erro de extrapolação textual.

 

Gabarito: Errado.

 

 

 

6. O verbo “dever” foi empregado na linha 17 no sentido de “ser provável”.

 

Comentário: Questão sobre significação contextual de palavras. Para resolvê-la, é preciso ter muita cautela.

No contexto, o verbo “dever” não indica ideia de algo compulsório, obrigatório, noção que pode ter confundido alguns candidatos. Na cadeia discursiva, tal verbo transmite ideia de probabilidade, dúvida. Considerando o contexto, repare que o narrador, por ainda não ter decorado o número do prédio, faz uma suposição quanto à numeração do edifício, transmitindo o sentido de “ser provável”. Com isso, torna-se escorreita a afirmação do examinador.

 

Gabarito: Certo.

 

 

7. A correção gramatical e o sentido do texto seriam preservados, caso se substituísse o trecho “lembrei-me de que” por lembrei que.

 

Comentários: De acordo com as lições de Celso Pedro Luft, na obra Dicionário Prático de Regência Verbal, editora Ática, o verbo “lembrar-se” (pronominal) é transitivo indireto, regendo o emprego da preposição DE, tal como ocorreu no contexto “lembrei-me de que (...)”.

        Ao fazer a substituição do trecho “lembrei-me de que” por “lembrei que”, manteve-se tanto o sentido original quanto a correção gramatical. Com relação aos aspectos gramaticais, inclusive, vale destacar que o verbo “lembrar”, em conformidade com as lições de Luft, é transitivo direto, ou seja, não exige emprego de preposição. Por esse motivo, está correta a afirmação da banca.

 

Gabarito: Certo.

 

 

 

8. A forma verbal “teria” está flexionada na terceira pessoa do singular, para concordar com “apartamento”, núcleo do sujeito da oração em que ocorre.

 

Comentários: Para responder à questão, vamos transcrever o trecho em que se insere a forma verbal “teria”:

 

“Naquele novo apartamento da rua Visconde de Pirajá pela primeira vez teria um escritório para trabalhar”.

 

Por meio do contexto, observamos que a estrutura verbal “teria” não está na terceira pessoa do singular, mas sim na primeira. Analisando o contexto, o narrador é que “teria” um “escritório para trabalhar”. Veja como foi subentendido o pronome pessoal “eu”: Naquele novo apartamento da rua Visconde de Pirajá pela primeira vez (eu) teria um escritório para trabalhar.

 

Vale destacar que, na sentença, o sintagma “naquele novo apartamento da rua Visconde de Pirajá” exerce a função de adjunto adverbial, exprimindo semântica de lugar. Assim, torna-se incorreta a afirmação da banca.

       

Gabarito: Errado.

 

 

9. Seria mantida a correção do texto caso o trecho “onde caberiam” fosse substituído por que caberia.

 

Comentário: A forma verbal “caberiam” (veja desinência modo-temporal ‘-ria’, indicando que o verbo “caber” está flexionado no futuro do pretérito simples do indicativo) está no plural para concordar com o sujeito posposto “todos os meus livros”. Para facilitar a visualização, poderíamos reescrever o trecho na ordem direta:

 

Todos os meus livros [sujeito] caberiam [VI] na grande e sonhada estante [adj. adverbial].

 

No contexto original, o termo “onde” é relativo, retomando o adjunto adverbial da sentença. Contudo, para manter a correção gramatical do período, tal elemento deveria ser substituído pela expressão “EM QUE”: (...) grande e sonhada estante EM QUE (=NA QUAL) caberiaM todos os meus livros. Logo, a afirmação da banca está equivocada.

 

Gabarito: Errado.

 

 

 

10. No período “Tanto que, quando (...) momento de hesitação”, o emprego de todas as vírgulas deve-se à mesma regra de pontuação.

 

Comentários: Para responder à questão, vamos transcrever o trecho a que o examinador fez menção:

 

“Tanto que, quando seu Joaquim, ao preencher a nota de encomenda, perguntou-me onde seria entregue a estante, tive um momento de hesitação”.

 

        Nessa passagem:

 

- o segmento “ao preencher a nota de encomenda” é uma oração subordinada adverbial temporal, sendo isolado por vírgulas por estar intercalado na oração principal “Tanto que tive um momento de hesitação”;

 

- o segmento “quando seu Joaquim (...) perguntou-me onde seria entregue a estante” também é uma oração subordinada adverbial (temporal), sendo isolado por vírgulas devido à intercalação relativamente à oração principal “Tanto que tive um momento de hesitação”.

 

        Repare que o contexto possibilita as seguintes reescritas:

 

“Tanto que tive um momento de hesitação (oração principal), quando seu Joaquim perguntou-me onde seria entregue a estante” (oração subordinada).

 

 “Tanto que tive um momento de hesitação (oração principal), quando seu Joaquim preencheu a nota de encomenda” (oração subordinada).

 

Gabarito: Certo.

 

 

 

11. Princesas e diplomatas eram valorados conforme a qualidade das bibliotecas que seus países possuíam e a parcela dos livros que estavam dispostos a ceder em negociações diversas.

 

Comentários: Questão sobre compreensão textual. Em consonância com as ideias do texto, “dotes de princesas foram negociados tendo livros como objetos de barganha”. Com base nesse excerto, observa-se a valoração das princesas (dotes) tanto em relação à qualidade das bibliotecas que cada país detinha, quanto em referência ao quantitativo de livros a serem cedidos em negociações.

        Contudo, em momento algum a cadeia discursiva aponta uma valoração dos diplomatas. A superfície textual tão somente aponta que tratados diplomáticos assuntaram sobre as bibliotecas. Portanto, o examinador incorreu em extrapolação textual, tornando o item incorreto.

 

Gabarito: Errado.

 

 

 

 

 

12. A Real Livraria foi erguida com os destroços do terremoto que atingiu Lisboa, como símbolo da força de Portugal na superação da tragédia que acabava de assolar o país.

 

Comentários: Questão sobre compreensão textual. Claramente, o examinador incorreu no erro de extrapolação. Em momento algum da cadeia discursiva o autor afirmou que a Real Livraria fora construída com destroços do terremoto que dizimou a cidade de Lisboa. A superfície textual apenas nos informa que a construção dessa grande biblioteca era motivo de orgulho dos portugueses: “Os monarcas portugueses, após o terremoto que dizimou Lisboa, se orgulhavam de, a despeito dos destroços, terem erguido uma grande biblioteca: a Real Livraria”.

        Para complementar os estudos, vale chamar a atenção para a locução prepositiva “a despeito de”. Esse nexo textual exprime ideia de concessão, matiz semântico expresso pela locução “apesar de” e pela conjunção “embora”.

 

Gabarito: Errado.

 

 

 

13. A expressão “essas coleções” retoma, por coesão, o termo “Bibliotecas”.

 

Comentários: O texto foi iniciado pelo tópico frasal “Bibliotecas sempre deram muito o que falar”. Trata-se de um texto dissertativo. Nesse segmento inicial, a palavra-chave é “bibliotecas”, que norteará a elaboração textual.

No decurso da cadeia discursiva, tal vocábulo é retomado, por meio do processo de coesão, por diversas vezes:

 

“Bibliotecas sempre deram o que falar. Grandes monarquias jamais deixaram de ter as suas (bibliotecas) e cuidavam delas (das bibliotecas) estrategicamente”.

 

“Afinal, dotes de princesas foram negociados tendo livros como objeto de barganha; tratados diplomáticos versavam sobre ESSAS COLEÇÕES (=bibliotecas)”.

 

        Entende-se do texto que “grandes monarquias” colecionavam bibliotecas, ou seja, suas coleções de livros. Ademais, repare que a palavra “bibliotecas”, expressa na linha 1, é o único elemento que justifica a flexão de plural da expressão “essas coleções”. Logo, o item está correto.

 

Gabarito: Certo.

 

 

 

14. O sinal de dois-pontos empregado imediatamente após “biblioteca” introduz um termo de natureza explicativa.

 

Comentários: Inicialmente, vamos transcrever o trecho a que o examinador fez alusão:

 

“Os monarcas portugueses, após o terremoto que dizimou Lisboa, se orgulhavam de, a despeito dos destroços, terem erguido uma grande biblioteca: a Real Livraria.”

 

Nesse contexto, a expressão “a Real Livraria” surge com a finalidade de explicar (esclarecer) a informação precedente, qual seja, a “grande biblioteca” erguida pelos monarcas portugueses. Esse é um dos casos em que Celso Cunha e Lindley Cintra, na obra Nova Gramática do Português Contemporâneo, editora Lexikon, prescrevem o uso do sinal de dois-pontos:

 

“Os dois-pontos servem para marcar, na escrita, uma sensível suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída. Empregam-se, pois, para anunciar:

 

(...)

 

3º) um esclarecimento, uma síntese ou uma consequência do que foi enunciado:

 

‘- A razão é clara: achava a sua conversação menos insossa que a dos outros homens.’ (Machado de Assis)

 

‘Não era desgosto: era cansaço e vergonha.’ (Cochat Osório)”

 

        Portanto, considerando o contexto da questão, a afirmação do examinador está em conformidade com as prescrições gramaticais.

 

Gabarito: Certo.

 

 

Com base no disposto no Manual de Redação da Presidência da República, julgue o próximo item.

 

 

15. O trecho seguinte é adequado para compor a parte inicial de um memorando.

 

Brasília, 2 de fevereiro de 2016.

 

À Senhora

Ana Silva

INSS

CEP 70070-946 – Brasília/DF

 

Assunto: Curso de aperfeiçoamento em atendimento ao público

 

Comentário: Antes de analisar o trecho apresentado pela banca examinadora, é necessário conceituar o expediente oficial em apreço. De acordo com o Manual de Redação da Presidência da República, memorando é a modalidade de comunicação entre unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em nível diferente. Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação eminentemente interna.

        Quanto à forma, o memorando segue o modelo do padrão ofício, com a diferença de que o seu destinatário deve ser mencionado pelo cargo que ocupa. Essa prescrição, contida no MRPR, foi crucial para resolver a questão. Note que, no exemplo fornecido pelo CESPE, o destinatário foi mencionado não pelo cargo que ocupa, mas sim pelo nome (Ana Silva), contrariando as prescrições do citado manual.

        Esse, entretanto, não foi o único equívoco da questão. É importante observar que o exemplo hipoteticamente elaborado pela banca não apresentou a seguinte informação:

 

tipo do documento + número do documento

 

Exemplo: Mem.118/DJ

 

        Ademais, por se tratar de uma comunicação eminentemente interna, é desnecessária a menção ao lugar. Veja que, no exemplo hipotético, houve a menção à cidade de “Brasília”. Para obedecer às prescrições do Manual de Redação da Presidência da República, seria suficiente a seguinte informação:

 

Mem.XXX/XX

Em 2 de fevereiro de 2016.

 

        À mercê das bases apresentadas, o item está incorreto.

 

Gabarito: Errado.

 

Forte abraço!

Fabiano Sales.

Grupo de estudos: PortuguêscomFabianoSales


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