Prof. Igor Oliveira

14/05/2016 | 11:14
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A teoria de tudo, parte 7 - Maria vai com as outras

Há alguns milhares de anos ainda estávamos correndo em planícies atrás de mamutes e fugindo de tigres dente de sabre. Foi nessas circunstâncias hostis que nosso cérebro evoluiu. E milhares de anos é tipo ontem na escala evolutiva de qualquer espécie. Ainda sentimos o “vento” daqueles tempos batendo em nossos rostos.

Naqueles tempos (e ainda hoje) nascíamos com as seguintes marcas genéticas:

- fazer o que os outros estão fazendo. Ora, isso é fácil de entender. Se você está andando com seus colegas numa planície e aparece um tigre, o primeiro a avistar sairá correndo gritando e você, por impulso, também. Óbvio. O nome do conjunto de células que faz isso em nosso corpo é chamado de neurônios-espelho. É o que faz você pensar “ai, nossa” quando alguém cai na rua. Você sente pela outra pessoa.

- reagir a perigos próximos. Há 10.000 anos ninguém estava preocupado em estocar peles. Já era vantagem conseguir comida para o dia de hoje. É por isso que não conseguimos visualizar os benefícios de poupar para aposentadoria. Melhor torrar tudo agora, já! Não há nada em nosso corpo que nos alerte de perigos que ocorrerão daqui um ano. Você até pode saber intelectualmente, mas não está devidamente equipado para reagir a um perigo no futuro.

- ser aceito pelo grupo (aversão a perdas). Humanos são seres programados para viverem em sociedade (alguns são antipáticos, tudo bem, mas ainda assim vivem em sociedade). Era vantagem viver em sociedade. Facilitava a caça e a proteção. E para ser aceito você deve estar bem vestido, coisa e tal. As chances aumentam. E aqui rola uma comparação. Se fulano está pior, eu melhoro. É relativo. Se fulano ganha algo, eu estou perdendo e pioro. Algo assim. Mas tem uma coisa engraçada aqui. A aversão à perda é maior que o prazer de ganhar. Em resumo: você gosta de ganhar, mas você não gosta nem a pau de perder.

Essas características faziam muita vantagem na época em que apareceram. Tanto o é que somos a espécie dominante no planeta. Você pode nem notar, mas essas características ainda estão presentes em você. Quer ver?

Imagine o seguinte. Abriu um edital com mil vagas, salário inicial de R$ 16.000,00, três meses até a prova. Se você passar, você terá emprego até morrer. Tipo uma monarquia. Você terá emprego para todo o sempre. Mas você não estava estudando exatamente pra esse edital. Mas caramba! Onde você olha na internet tem alguma propaganda do raio do concurso atiçando você. Vejamos como seu cérebro pode se comportar:

- fazer o que os outros estão fazendo. “Poxa, todo mundo vai fazer essa prova. 1000 vagas! Carambolas! Tenho que fazer também”!

- reagir a perigos próximos. “Ora, o concurso que estou estudando não tem nem notícia. Vou é fazer esse mesmo. Melhor um pássaro na mão que dois voando”.

- aversão a perdas. “Eu vou fazer, porque depois alguém, NA MESMA CONDIÇÃO QUE EU, vai passar e isso vai ser muito chato”.

Daí você decide fazer a prova. São três meses! Poxa, muito tempo. Você estuda igual a um condenado. Faz seu melhor, mas aí você encontra pelo caminho uma coisa muito chata. Mas muito chata mesmo. Chama-se REALIDADE. E na realidade as coisas que acontecem são reais! Ora bolas, é impossível (a não ser que você seja um superdotado com poderes extraordinários de retenção de conteúdo), aprender quinze matérias em três meses! A conta simplesmente não fecha. Com muito otimismo e levando em conta que tudo dará certo, você conseguirá aprender, vai lá, umas cinco a oito (chutando feio), mas quinze não tem como.

Aí você não passa. E fica muito mal. Não é culpa sua (já vimos isso), afinal de contas você foi geneticamente programado para não aceitar perdas. Você fica tão mal, tão chateado com isso tudo que começa sentir aversão só de pensar no fato que isso pode acontecer novamente. “Chega dessa palhaçada de concurso público”!

O nome disso é medo. Medo é o que você sente quando algo o ameaça. Mas no caso a ameaça não existe! Ao contrário do concurso, a ameaça não faz parte daquela coisa chata chamada realidade. Ela faz parte de algo que você imaginou. Com base nas derrotas recentes, você inferiu que algo de ruim também poderá acontecer com você no futuro se você tentar novamente. E foge que nem um louco dessa experiência, desistindo de estudar.

Doido, né? Mas é justamente isso que ocorre com a maioria dos candidatos. Querem se ver livres do problema de estudar e correm para o edital mais recente (reagir a perigos próximos), com medo de perder a chance (aversão a perdas/ser aceito) de fazer o que os outros estão fazendo. E tomam um “tombaço”, porque não conseguem aprender tudo que precisa ser aprendido em três meses (a conta não fecha). E desistem, porque não querem tomar mais “tombaço” (medo).

Teve gente ganhando Nobel de Economia provando atitudes irracionais como essa aí. Daniel Kahneman, um psicólogo, ganhou o Nobel de Economia em 2002, por estudos sobre o comportamento humano em momentos de incerteza. A conclusão de Daniel foi a seguinte (uma delas): a dor de não ganhar é maior que alegria de ganhar. Isso explica, por exemplo, porque quando uma ação perde valor na bolsa de valores, muitas pessoas começam a vender suas ações, com medo de perder mais, quando o mais sensato seria esperar a queda passar para ganhar novamente numa alta.

“Tá bom Igor, chega de história e diz logo o que fazer”.

Para vencer seu lado “animal”, você pode se utilizar de vários artifícios. Mas todos eles desembocam em uma única coisa: bom senso.

Não só de reações animalescas vive o homem. Nosso cérebro gigante tem algo de bom sim! Você pode utilizá-lo para pensar. E se planejar, para mitigar as perdas de suas atitudes. E se você perder, entenda que é normal e é somente perdendo que você aprenderá, assim como aprendeu a andar, tomando tombinhos por aí.

Quando você sentir aquela vontade louca de reagir, dê uma pausa utilizando o conceito de mindfulness e pense: isso que eu vou fazer é realmente útil? Pronto. Só de fazer isso, você irá dar um curto circuito no processo reativo e criará condições de tomar uma atitude sensata como, por exemplo, criar a consciência de que não são em três meses que você aprenderá quinze matérias.

Aí você estudará para aprender e, depois de um tempo, passará, porque com bom senso a conta sempre fecha.

Abs!

Igor Oliveira.

Coaching para concursos.

Programa Motivacional para Concursos.

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Comentários

  • 13/07/2016 - Bertran
    Comandante, outro texto fodáaastico! Sempre passou aqui para dar uma lida nos teus textos. Selvaaaaaaa!
  • 13/07/2016 - Prof Igor Oliveira
    Valeu Betran!! Obrigado mesmo! ;)
  • 20/06/2016 - Antonio
    Mestre, muito obrigado e vamos fazer essa conta fechar. Vamos em frente, sempre ;)
  • 28/06/2016 - Prof Igor Oliveira
    haha! Vamos sim! Abração!
  • 15/05/2016 - LOPES
    Muito bom o texto. Obrigado professor! valeu!
  • 15/05/2016 - Prof Igor Oliveira
    Disponha sempre! ;)
  • 15/05/2016 - Phelippe
    Sensacional, Igor. Muito engraçado, mas é a realidade: temos que nos esforçar em agir com bom senso. Adsumus, mestre!
  • 15/05/2016 - Prof Igor Oliveira
    Sim...é engraçado mesmo...rs...a gente acha que é automático, né? Mas não é. Temos que agir deliberadamente. Abs!
  • 15/05/2016 - André Morais
    Texto muito bom, professor! Fiquei até curioso em ler um pouco mais sobre o trabalho do psicólogo vencedor do Nobel de economia. Abç!
  • 15/05/2016 - Prof Igor Oliveira
    É bem interessante...rs...obrigado pela participação! Abs!
  • 14/05/2016 - Antônio Souza
    Texto sensacional, Igor!
    Quando aprendemos a lidar com essas atitudes ruins (principalmente reagir sem pensar), a vida fica muito mais leve! :)
    Depois do coaching eu comecei a aplicar isso em tudo (ou pelo menos tento rsrs)

    Abração!
  • 14/05/2016 - Prof Igor Oliveira
    Legal Antônio...rs...bom saber. Continue assim. E fique tranquilo, todos nós estamos aprendendo. Abração! ;)
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