Prof. Leandro Signori

20/04/2016 | 20:28
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Prova comentada - Geografia - IBGE - 2016/FGV

Caros Alunos,

Gostei da prova de Geografia, foi objetiva e privilegiou os candidatos que compreenderam os fenômenos geográficos e as suas representações espaciais. Não foi necessário a decoreba de conceitos, nem de números.

A Geografia é uma ciência muito diversa e teórica. Eu acho maravilhoso. Dada a grandiosa gama de conteúdos e teorias, sempre vai ter alguma questão que vai escapar da observação atenta do professor. Só quem sabe 100% do que vai ser cobrado na prova é o examinador.

Mapas, gráficos e figuras embasaram várias questões. A fonte bibliográfica foi diversificada: livros de geografia de ensino médio, para universitários de Geografia, atlas, pesquisas do IBGE e publicações disponíveis na internet.

Todos os conhecimentos cobrados foram abordados ou no material teórico e/ou nas aulas ao vivo.

Lembro aqui das orientações que transmiti nas aulas ao vivo sobre como estudar Geografia para este concurso:

a) Não dispersar nos conteúdos, ater-se aos conteúdos relacionados no edital. Viram como não caíram questões sobre projeções cartográficas, GPS – Sistema de Posicionamento Global, hidrografia, relevo e etc.

b) Além das vídeoaulas e apostilas, os estudos poderiam ser complementados por leituras de livros de Geografia do ensino médio, atlas e publicações do IBGE. Duas questões, inclusive, 22 e 35 tiveram como fonte bibliográfica um livro que sugeri leitura.

c) Não se apavorar com questões de Geografia de concursos para o cargo de Geógrafo – nível superior. São bem diferentes das questões de geografia para cargos de nível médio. Resolver prioritariamente questões de geografia aplicadas em concursos de nível médio e questões de geografia de concursos de nível superior, para outros cargos, que não o de Geógrafo ou professor de Geografia. Viram como as questões não foram o “terror” que foi pintado por aí.

d) Saber interpretar mapas, gráficos e tabelas. Ter visão espacial dos fenômenos geográficos que se processam no território brasileiro.

e) Não se preocupar em decorar números. Se alguma questão cobrar números, trará no enunciado as informações necessárias para a resposta.

f) As questões eram de múltipla escolha, eliminar primeiramente as alternativas que tinham certeza que estavam incorretas. Restaria 1 ou 2 com “cara” de corretas. Na dúvida, sobre qual era a correta, assinalar a que considerava a menos incorreta.

Relembradas as orientações, resta comprovado que foram de grande valia.

Vamos comentar as questões. Estou utilizando a prova Tipo 3.

 

21 – D - O gráfico 1 mostra que entre 1991 a 2010, na população feminina, cresceu o percentual de mulheres com mais de 10 anos de idade que, no período de referência das pesquisas, estavam trabalhando ou procurando trabalho. O percentual passou de 36,3%, em 1991, para 50,2% em 2010, demonstrando o aumento da taxa de atividade das mulheres. A segmentação ocupacional com base no gênero, é demonstrada no gráfico 2. Os serviços domésticos continua sendo um setor essencialmente feminino – 94,5% do total dos trabalhadores são mulheres. Na outra ponta – a construção civil é um setor essencialmente masculino – 94,9% dos trabalhadores são homens. As mulheres também são maioria na administração pública. Os homens predominam nos demais segmentos – indústria, comércio, serviços prestados a empresas e outros serviços. Em nenhum segmento há uma distribuição próxima do equilíbrio, o que demonstra a segmentação ocupacional com base no gênero.

 

22 -  B – Em plena segunda década do século XXI, o Amapá, Roraima, Acre e Rondônia são áreas pouco povoadas. Quem dirá, na década de 1940. A Região Norte continua pouco povoada, com grandes vazios demográficos. Na década de 1940, a parte oeste dos atuais Estados de Santa Catarina e Paraná e sudoeste do Mato Grosso eram pouco povoadas. São as áreas dos antigos territórios de Iguaçu e Ponta Porã. Copiamos trecho do livro Geografia para o ensino médio de Demétrio Magnoli, utilizado para a elaboração da questão: Os territórios federais, ao contrário dos estados não dispunham de autonomia política. Situados em faixas de fronteiras pouco povoadas, eles deveriam fornecer a moldura política para a presença do governo central e das forças armadas nessas áreas vulneráveis. Pessoal, vocês lembram que em uma das aulas ao vivo sugeri como uma das bibliografias este autor e livro. Com a criação dos territórios federais, o Governo Federal retirou áreas do território que estavam sob gestão dos estados. Territórios são autarquias territoriais administradas pelo Governo Federal. Houve uma centralização. Descentralização seria se estas áreas continuassem sob gestão dos estados federados.  Fundamento também o meu argumento no trecho a seguir, retirado da publicação "Evolução da divisão territorial do Brasil - 1872-2010", publicado pelo IBGE em 2011. Vejamos: Na década de 1940, no contexto da Segunda Guerra Mundial e com a necessidade crescente de exploração da borracha na Amazônia, o então presidente da República Getúlio Vargas criou cinco Territórios Federais, a partir do desmembramento dos Estados do Amazonas e Pará, sendo eles: Guaporé, Amapá, Ponta Porã, Iguassú e Rio Branco. Desses, dois foram extintos em 1946: Ponta Porã e Iguassú. A intervenção federal nos estados foi explicada pela necessidade da segurança das fronteiras, localizadas em regiões remotas onde o poder público estadual encontrava dificuldades em administrar (página 14). Observem que o texto fala em intervenção federal em áreas dos estados, ou seja, houve centralização. Fala em regiões remotas, ou seja, distantes e pouco povoadas e em necessidade de segurança das fronteiras, ou seja, vulneráveis as ameaças externas. Na mesma linha, veja também explicações da página 12, da apostila da aula 02, do curso em pdf.

 

23 – B - Questão bem tranquila. No mapa 1 cada talão na escala gráfica corresponde a 250 km. No mapa 2 cada talão na escala gráfica corresponde a 75 km. A maior escala é a do mapa 2 – mesorregiões da Bahia.  Quanto maior a escala utilizada na confecção do mapa, maior o nível de detalhamentos obtido. A razão para a confecção em escalas diferentes dos mapas foi a intenção de se obter um maior detalhamento no mapa de mesorregiões da Bahia, o que exigiu uma escala maior que a utilizada no mapa do Brasil.

 

24 – C – Questão bem tranquila. Desde a “Marcha para o Oeste”, no Governo Vargas que o Centro-Oeste é área de expansão da fronteira agrícola. Recebeu um significativo contingente de migrantes do Rio Grande do Sul, a partir da década de 1980. Até hoje, migrantes gaúchos continuam a chegar ao Centro-Oeste. A região recebe migrantes de todas as regiões do Brasil, pela sua ainda condição de fronteira agrícola e polo dinâmico do agronegócio no Brasil.

 

25 – C – Estudamos no nosso curso que a urbanização brasileira foi acelerada, desigual e concentradora. Se foi concentradora, não poderia ter sido difusa.

Transcrevo trechos da apostila da Aula 03: A urbanização brasileira também foi essencialmente concentradora. Em 1950, o Brasil tinha três cidades de grande porte: apenas Rio de Janeiro, São Paulo e Recife abrigavam mais de 500 mil habitantes. Em 2000, nada menos que 31 cidades já tinham ultrapassado essa marca, número que chega a 38 em 2010.

O caráter concentrador foi, essencialmente, um reflexo das condições em que ocorreu a modernização da economia do país. Desde a década de 1930, e, ainda mais no pós-guerra, a industrialização baseou-se em investimentos volumosos de capital, realizados pelo Estado, pelas transnacionais ou por conglomerados privados nacionais.

A natureza monopolista dos principais empreendimentos econômicos acarretou, porém, a concentração dos recursos produtivos e da oferta de empregos em determinados pontos do território. Um número reduzido de cidades, que apresentavam vantagens prévias tornou-se alvo dos investimentos. Essas aglomerações evoluíram como polos de atração demográfica e de grandes mercados consumidores. A concentração espacial determinou a aglomeração espacial: o resultado foi a metropolização, ou seja, a formação das metrópoles.

Por fim, a fonte da questão é o livro Brasil: Território e Sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001: 202. Vejamos o que dizem os autores: Desde a revolução urbana brasileira, consecutiva à revolução demográfica, tivemos, primeiro, uma urbanização aglomerada, com o aumento do número - e da respectiva população - dos núcleos com mais de 20 mil habitantes, e em seguida, uma urbanização concentrada, com a multiplicação de cidades de tamanho intermédio, para alcançarmos, depois, o estágio da metropolização, com o aumento considerável de cidades milionárias e de grandes cidades médias.

 

26 – B - o emprego de insumos tecnológicos, que contribuiu para o aumento do rendimento médio do cultivo. Não somente com a soja, mas também com outras culturas. A continua inovação tecnológica na agricultura vem fazendo o Brasil bater recordes de produção de grãos e de aumento da produtividade média por hectare.

 

27 – A – o deslocamento regular de pessoas para outros municípios, para fins de trabalho e/ou estudo, e de retorno aos seus domicílios; o aumento do contingente de passageiros nos transportes intermunicipais. Mobilidade pendular é o movimento populacional regular em que as pessoas viajam da cidade em que residem para outra cidade onde trabalham ou estudam em tempo integral.

 

28 – D – Nenhuma dúvida quanto a ocorrência de duas estações climáticas bem definidas, conforme estudamos no curso. A polêmica está quanto “a contaminação das bacias com dejetos de atividades mineradoras”. A fonte bibliográfica da questão foi a publicação Monitoramento do Bioma Pantanal 2008-2009. CSR/IBAMA - Brasília: MMA, 2011. Disponível em: http://www.mma.gov.br/estruturas/sbf_chm_rbbio/_arquivos/relatrio_tcnico_monitoramento_pantanal_2008_2009_72.pdf. Transcrevo trecho da página 8: As atividades mineradoras, além de gerarem forte impacto visual, causam assoreamento e modificam a trajetória dos corpos d’água, contaminando as bacias com dejetos de diferentes origens e intensificando processos erosivos, com consequente descaracterização da paisagem. Fato é que “o bioma passou a ter os seus recursos minerais ... explorados com maior intensidade, geralmente com poucos cuidados em relação à conservação ambiental” (Apostila da Aula 01 do Prof. Leandro). A dúvida é se dejetos é o termo técnico adequado. Para alguns não, seriam rejeitos e não dejetos. O erro da alternativa “E” é dizer que a escassez de nutrientes em função do ciclo de inundações é uma característica natural do ecossistema. Não é, pois, durante o período de vazante, ocorre gradativamente a diminuição do volume de água e o aumento da área não-inundada. Dessa forma, há grande transporte de nutrientes e material orgânico de origem alóctone, pelo pulso de inundação. A segunda parte da alternativa “E” está correta.

 

29 – E – A criação de gado forneceu animais de tração para os moinhos dos engenhos e se interiorizou ao longo do vale do rio São Francisco, que ficou conhecido como o “rio dos currais”.

 

30 – D – A questão cobrou conhecimentos da Constituição Federal. Pode-se tentar recurso, dizendo que extrapolou dos conteúdos de Geografia constantes do edital. Todavia, alerto que a questão das terras indígenas pode ser enquadrada no tema da formação territorial do Brasil, como um problema atual da nossa configuração territorial interna.

 

31 - C – o ponto C está localizado a 60º de latitude norte e a 40º de leste. Questão tranquila, resolvemos questão igual a essa nas aulas ao vivo.

 

32 – A - A questão começa dizendo que os mapas representam as migrações inter-regionais no Brasil entre os anos de 2005 e 2010. Depois mostra os mapas. A seguir explica o que é migração inter-regional e saldo migratório. Na sequência diz que "a partir dos anos 1990, registra-se o aumento de um tipo de migração inter-regional, denominada "migração de retorno". Trata-se da volta do migrante para a sua região (estados e municípios de naturalidade). A primeira pergunta é sobre qual região teve o maior saldo migratório positivo. Fácil de responder, pois é só fazer a soma de quantos saíram e entraram em cada região. Com isso obtém-se o saldo migratório de cada região. Resposta: Sudeste. A segunda pergunta é sobre qual região recebeu o maior fluxo de migração de retorno no período considerado nos mapas. A resposta desta segunda pergunta não está nos mapas. Eis a pegadinha, não se pode deduzir que todos aqueles que migraram de uma região para a outra eram migrantes de retorno. Não eram, não se pode fazer o cálculo e chegar a uma resposta simplista. Em nenhum momento, seja nos mapas ou no texto a questão afirma isso. Para responder a este segundo questionamento, o candidato tinha que ter conhecimentos que não estão nos mapas. Ou seja, saber que no período de 2005 a 2010, a região que recebeu o maior fluxo de migrantes de retorno foi o Nordeste. Do total dos que imigraram para cada região, uma pequena parte era de migrantes de retorno. Em números absolutos o maior fluxo de retorno foi para o Nordeste. Escrevi e falei disto no nosso curso.

 

33 - A – vegetação adaptada à deficiência hídrica, com espécies caducifólias, espinhosas e suculentas, em uma região de depressões interplanálticas. Questão tranquila, sem polêmicas.

 

34 – E – dentre as cidades da rede urbana hipotética, a cidade 5 possui a menor centralidade. Questão tranquila, sem polêmicas.

 

35 – D - mar territorial e zona econômica exclusiva. Trata-se de assunto relacionado a formação territorial do Brasil. Ver mapa e explicações da página 14 da Aula 02 do curso em pdf.

 

Galera, é isto. Após a publicação do gabarito definitivo, farei comentários completos das questões no Ponto Mais, site de questões comentadas do Ponto dos Concursos. Ah! Não conhecem .... é muitoooo mais do que um site de questões comentadas. Acessem o link e experimentem gratuitamente por 7 dias: https://www.pontodosconcursos.com.br/PontoMais/Index

 

Grande Abraço,

 

Prof. Leandro Signori

 


Comentários

  • 20/04/2016 - Bruno Silva
    Olá Prof. Leandro,

    Não existe possibilidade de recurso quanto à questão 35? Não consigo relacionar este conteúdo com nenhum dos conteúdos descritos no edital.
  • 20/04/2016 - Prof Leandro Signori
    Olá Bruno, no meu entendimento não existe possibilidade. Trata-se de assunto relacionado a formação territorial do Brasil. Se foste meu aluno no curso em pdf, veja a Aula 02, página 14. Att. Leandro
  • 20/04/2016 - Elias
    Professor, o autor Milton Santos continua dizendo a respeito dos mapas: “Assistimos, assim, a fenômenos aparentemente contraditórios mas na realidade complementares, isto é, o reforço da metropolização juntamente com uma espécie de desmetropolização.”(CAP XIII, 4). o próprio autor caracteriza dois fenômenos, e não apenas um, que crescem juntos e se complementam, a saber, a metropolização e a desmetropolização. Essa última não poderia ser associada a uma urbanização difusa? Isso não seria motivo para entrar com recurso?
  • 20/04/2016 - Prof Leandro Signori
    Olá Elias, talvez até possa contribuir com uma urbanização difusa. Teria que pesquisar. Mas não é o que a questão está perguntando. Ela não pergunta sobre desmetropolização. Não considero motivo para entrar com recurso. Att. Leandro
  • 20/04/2016 - José Carlos Ribeiro
    Lamentável que o "Relatório Ambiental do Pantanal", de autoria do MMA, tenha utilizado a terminologia "dejetos" para referir-se aos rejeitos da mineração e que este tenha sido utilizado como referencia bibliográfica desta prova. Veja no que resulta um trabalho feito por quem não tem domínio técnico sobre o assunto.
  • 20/04/2016 - Matheus Rabelo da Si
    Professor, creio que houve equívoco na sua interpretação da questão de metropolização x urbanização difusa. Pelo texto: "Desde a revolução demográfica brasileira, consecutiva à revolução demográfica dos anos 1950, tivemos, primeiro, uma urbanização aglomerada, com o aumento do número......". Ou seja: logo após a revolução demográfica de 50 tivemos a primeira fase. O mapa 1 é de 1960, então ele claramente se relaciona com essa primeira fase da urbanização. Se não fosse teríamos as duas primeiras fases de urbanização durante a década de 50 e outra se estendendo de 1960 a 1996. Não parece muito razoável, concorda?
  • 20/04/2016 - Prof Leandro Signori
    Olá Matheus, correta a sua observação. Mas isto em nada torna a questão incorreta. Até já retifiquei meu comentário. Att. Leandro
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