Prof. Claudia Kozlowski

11/04/2016 | 23:49
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Ainda... Diferença entre Complemento Nominal e Adjunto Adnominal

Olá, pessoal

 

Ainda acerca da distinção entre COMPLEMENTO NOMINAL e ADJUNTO ADNOMINAL, vamos analisar outra questão elaborada pela Fundação Getúlio Vargas, na prova para Agente Tributário Estadual de MS.

Ela versa sobre uma charge do magnífico argentino Angeli, nomeada "Salário Mínimo". Esta apresenta uma família sentada à mesa de jantar com um envelope que supostamente contém o salário mínimo, quando um deles afirma:

- Tenho medo de abrir! Vai que evapora!

 

A imagem se encontra em anexo a este artigo, para saciar sua curiosidade!

 

Segue a questão da prova.

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Assinale a alternativa que apresente, respectivamente, a correta função sintática de medo e de abrir no texto II.

(A) adjunto adverbial – objeto indireto

(B) predicativo do sujeito – complemento nominal

(C) predicativo do sujeito – adjunto adnominal

(D) objeto direto – adjunto adnominal

(E) objeto direto – complemento nominal

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Vamos, então, relembrar as funções sintáticas dos termos na oração.

 

Além dos termos essenciais - sujeito e predicado -, pode haver na oração outros elementos constitutivos: termos integrantes e termos acessórios.

 

Os termos integrantes são os complementos: uns se ligam a substantivos, adjetivos ou advérbios (complementos nominais); outros se ligam a verbos (objeto direto, objeto indireto etc.), para lhes completar o sentido.

 

O complemento nominal vem normalmente ligado por uma preposição a um substantivo abstrato, um adjetivo ou um advérbio, integrando o seu sentido ou limitando-o.

 

Os termos acessórios trazem informações adicionais, porém dispensáveis, à oração. São eles: o adjunto adverbial, o aposto e o adjunto adnominal.

 

O adjunto adnominal é um termo de valor adjetivo que serve para especificar ou delimitar o significado de um substantivo, qualquer que seja a função deste na oração. Em nosso último encontro, mostramos algumas formas de identificar se o termo ou expressão exerce a função de complemento nominal ou de adjunto adnominal. Quanto ao substantivo abstrato, deve-se analisar o valor que o termo regido apresenta em relação ao termo regente. Se for ativo, a função é de adjunto adnominal (tudo com “a” – substantivo Abstrato com idéia Ativa é Adjunto Adnominal). Se for passivo, é complemento nominal.

 

Vamos treinar: amor de mãe  x  amor à mãe

Em:

1) amor de mãe – a mãe pratica a ação de amar. Por apresentar idéia ativa, a expressão exerce a função de adjunto adnominal;

2) amor à mãe – a mãe recebe o amor. Como o valor é passivo, sua função é complemento nominal.

 

Hoje, mostraremos mais algumas formas de distinção.

 

1ª.dica: À exceção da preposição DE (que serve às duas funções), os complementos introduzidos por qualquer outra preposição (a, em, por) será um complemento nominal (chegada ao espaço, resistência em surgir, dedicação ao povo, amor por alguém).

 

2ª.dica: Os complementos que vierem sob a forma verbal são complementos nominais por apresentarem essa idéia passiva. Exemplos:

 

  • “osso duro de roer” = a idéia é “duro de ser roído” – idéia passiva è complemento nominal
  • Medo de cair = a idéia é “de sofrer uma queda” – idéia passiva è complemento nominal
  • Essa notícia é difícil de acreditar = a idéia é “difícil de ser acreditada” – idéia passiva è complemento nominal.

 

Vamos, agora, analisar a questão da prova.

 

O primeiro elemento não deve ter gerado dúvidas. Trata-se de um complemento verbal direto. Assim, a função exercida por “medo”, em “tenho medo” é objeto direto.

O segundo elemento liga-se ao primeiro por meio de preposição. O termo regente é medo, um substantivo abstrato. Precisamos definir se a função do termo regido (“de abrir”) é adjunto adnominal ou complemento nominal.

Para isso, verificaremos o valor da expressão no contexto:

“Tenho medo de abrir! Vai que evapora!”

 

A idéia é: “Tenho medo de que, sendo aberto, evapore” – idéia passiva (o envelope não vai abrir, mas ser aberto) è complemento nominal.

Reconheço que a vontade é grande de indicar a idéia ativa. Afinal, a lógica induz que o sujeito vai abrir o envelope, ou seja, praticar a ação. Essa tendência se justifica pela proximidade com o verbo de “ter” (ter medo – ação praticada pelo sujeito).

Contudo, é preciso fazer a seguinte distinção: o que está relacionado a “abrir” não é o verbo “ter”, mas a idéia da abertura – idéia passiva de o envelope ser aberto.

Viu por que eu disse, lá na matéria anterior, que esse é um dos pontos mais complicados do estudo da Língua Portuguesa?

 

Grande abraço e até a próxima.

 


Comentários

  • 12/04/2016 - Humberto Pereira Car
    Mestra, artigo nota 1.000! - muito obrigado.
  • 13/04/2016 - Prof Claudia Kozlowski
    Obrigada, Humberto! Disponha sempre!
    Abraço e bons estudos!
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