Prof. Marco Antonio

25/03/2016 | 19:19
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TCM-RJ: a crase nas provas do IBFC

 

Olá, amigo concurseiro!

Um dos concursos mais esperados de 2016 é o para o TCM-RJ. Ele será organizado pelo IBFC. Escolhi para esse artigo um assunto provável nas provas de qualquer banca, ou seja, você não tem opção, você precisa compreendê-lo!

Vejamos um pouco de como a Banca cobra tal assunto e como será nosso curso! Falemos um pouco sobre o uso do acento grave, o que nós generalizamos por “CRASE”.

 

PRELIMINARES

         Nas preliminares, precisamos definir bem o conceito de crase. Crase é um fenômeno fonológico em que se juntam dois sons idênticos quaisquer. Para a Gramática, entretanto, interessa a junção de A + A. E é sobre essa junção que iremos discorrer a partir de agora.

        Diferentemente do que fazem os gramáticos em geral, trabalharemos o uso do acento grave de maneira racional e razoavelmente exata. Assim, certamente diminuiremos o número de regras, mas – principalmente – o número de exceções. Trabalharemos com a operação matemática da soma, e uma soma muito simples: 1 + 1. Vejamos:

1 + 1 = 2 e 1 + 0 = 1, certo?!

        Se substituirmos números por letras, matematicamente teremos uma equivalência da seguinte maneira:

Se 1 + 1 = 2 então a + a = 2a

Se 1 + 0 = 1 então a + 0 = a

Mas o que são dois “A”’s na Língua Portuguesa?! “A craseado”! Ou seja:

Se 1 + 1 = 2 então a + a = 2a, logo 2a = à

        Concluindo, crase é o mesmo que um mais um! É claro que não será tão simples assim, já que o primeiro “A” é – normalmente – preposição e preposição obedece à regência, que é totalmente arbitrária. De qualquer modo, gostaria que de agora em diante você pensasse a crase dessa maneira, a + a. Pensando dessa forma, diminuiremos a necessidade de tantas regras e praticamente não trabalharemos com exceções. Mesmo diminuindo, ainda são bastantes regras, não se anime tanto!

        Separei essas regras da seguinte maneira: (i) preposição “A” + “Aquele(a)/ Aquilo; (ii) preposição “A” + “A” artigo; (iii) crase proibida; (iv) crase facultativa; (v) observações.

        Para resolver as que questões que serão apresentadas, precisaremos apenas de algumas das regras. Vamos a elas!

  1. 2º CASO: PREPOSIÇÃO “A” + “A” ARTIGO = À

 

        Realmente, esse é o clássico da crase: preposição “a” + “a” artigo. Nesse caso, além do termo regente (nome ou verbo) exigindo a preposição “a”, precisamos também de algo que justifique o outro “a”, o “a” artigo. Só usamos artigo “a” antes de palavras femininas. Por isso, precisamos de palavra feminina. Precisamos observar – além da regência – regrinha básica de concordância nominal (gênero e número). Vejamos os exemplos:

Exemplos:

                  a + a = à 

1) Tive acesso à sala.

 

Temos o seguinte: o nome “acesso” rege preposição “a” e a palavra “sala” por ser feminina possibilita o artigo “a”. Além disso, “sala” está no singular, então temos os dois elementos de que precisamos para a crase ocorrer.

                 a + as = às

2) Tive acesso às salas.

Nesse exemplo, o nome “acesso” continua regendo preposição “a” e a palavra “sala” por ser feminina possibilita o artigo “a”, mas está no plural, logo o artigo será “as”. Então a + as = às.

Agora preste atenção ao exemplo 3. Nele, as duas condições estarão satisfeitas, mas – ainda assim – não haverá crase. Vejamos por quê!

 

                   a + Ø = a

3) Tive acesso a salas.

        Embora tenhamos termo regente que exige preposição “a” (acesso) e palavra feminina (salas), não houve crase. Por quê? Repare que, se houvesse artigo, devera ser “as”. Se houvesse “as”, o resultado seria “às” e não “a”. Na verdade, não houve artigo! Só descobrimos isso por conta da concordância nominal.

Daí, temos uma super dica, já que esse tipo de construção é das coisas mais cobradas nas questões de crase.

MACETE: Se o “a” que você estiver analisando estiver no singular e a palavra seguinte estiver no plural, não há crase. “A” no singular seguido de palavra no plural não tem crase! Esse erro é muito comum, veja essa placa:

 

        O correto seria “O dinheiro não usado para pintura deste muro será revertido A entidades assistenciais.

        Frisando e resumindo: aqui, precisamos de palavra feminina, mas temos que verificar a concordância de número também!

  1. CRASE FACULTATIVA:

A crase será facultativa quando um dos elementos que a compõe for facultativo. É bom ressaltar que – quando a crase é facultativa – não há mudança de sentido pela presença ou ausência do acento grave. Vamos às únicas três situações em que a crase é facultativa:

  • ANTES DE NOME PRÓPRIO FEMININO;

Nomes próprios – de maneira geral – facultam o uso do artigo definido antes deles. Quando se tratar de nome próprio feminino, teremos consequências no uso do acento grave. Já que o artigo é facultativo, a crase que depende dele também será facultativa.

Vejamos:

Dei um presente a Mariana.

Dei um presente à Mariana.

        Nas duas frases, o sentido é exatamente o mesmo e elas estão igualmente corretas do ponto de vista gramatical.

 

  • ANTES DE PRONOME POSSESSIVO FEMININO NO SINGULAR;

 

Antes de pronome possessivo, o artigo é facultativo, já que ele tem a mesma função geral de especificar ou definir que tem o pronome possessivo ao atribuir posse. A crase que depende desse artigo, portanto, será também facultativa.

Entretanto, repare que mencionei especificamente PRONOME POSSESSIVO FEMININO NO SINGULAR. Por quê? Porque apenas antes desse formato a crase será facultativa, como veremos nos exemplos:

Fui a sua festa. / Fui à sua festa.

FACULTATIVA – PRONOME FEMININO POSSESSIVO NO SINGULAR.

 

 

Fui às suas festas.

OBRIGATÓRIA – HÁ COM CERTEZA ARTIGO!

 

 

 

Fui a suas festas.

PROIBIDA – NÃO HÁ COM CERTEZA ARTIGO!

 

 

  • DEPOIS DA PREPOSIÇÃO “ATÉ”.

A preposição “até” faculta o uso da preposição “a” depois dela. Nesse caso, a preposição é facultativa. Como a crase depende dessa preposição, também será facultativa.

Exemplos:

Ele foi até a porta.

Ele foi até à porta.

 

  • OUTRAS OBSERVAÇÕES:

Nessa seção, trato não de exceções (não mesmo), mas de observações que podem ajudar em situações complicadas.

  • USAMOS ACENTO GRAVE ANTES DE EXPRESSÕES ADVERBIAIS FEMININAS

Nesse caso, o acento grave funciona como acento diferencial. Diferenciamos com ele uma preposição de um artigo ou uma função sintática preposicionada de uma não preposicionada.

Algumas expressões adverbiais femininas (ou presença de uma locução prepositiva formada com uma palavra feminina):

Às claras, às vezes, à noite, às escuras, às avessas, à vista, à tarde, à vontade, à moda.

 

  • A EXPRESSÃO “À MODA” MERECE DESTAQUE: NORMALMENTE A PALAVRA “MODA” VEM APENAS SUBENTENDIDA, MAS PREVALECE SUA ONIPRESENÇA;

 

EXEMPLO:

Sapatos à Luíz XV. (repare que a crase veio antes de palavra masculina, mas – na verdade – ela ocorre por conta da palavra “moda”, apenas subentendida.)

Bife à milanesa. (à moda de Milão)

Macarrão (que não sou eu) à bolonhesa. (à moda de Bolonha)

Bife a cavalo. (cavalo não faz bife, não é à moda do cavalo)

Frango a passarinho. (passarinho não faz frango, não é à moda do passarinho)

 

  • À = DE, NA, DA;

Esse item tem por objetivo ajudar o item 1. Se for possível trocar o A por DE, NA ou DA, o A em questão levará acento grave.

Exemplos:

Eles chegaram à noite. (Eles chegaram de noite)

Eles chegaram àquela hora. (Eles chegaram naquela hora)

 

  • CRASE ANTES DE NOME PRÓPRIO DE LUGAR

Antes de nome próprio de lugar, é difícil determinar o gênero. Entretanto, é necessário descobrir essa informação. Existe um macete antigo, mas infalível: quem vai, volta; ou seja, se eu vou a um lugar, eu volto desse lugar. Vai funcionar assim:

SE VOLTA “DA”, TEM CRASE NO “A”.

SE VOLTA “DE”, CRASE PRA QUÊ?”

Exemplos:

Vou à Bahia. (volto DA)

Vou a Brasília. (Volto DE)

Vou a Santa Catarina. (Volto DE)

 

       CRASE ANTES DE HORA:

A – ANTES DE HORA MARCADA, HÁ CRASE: “CHEGUEI ÀS 07:57”

B – INDICANDO HORA DE INÍCIO E TÉRMINO, HÁ CRASE: “A AULA SERÁ DAS 08:00 ÀS 17:00”. Observe que se trata de uma questão de paralelismo. Se há artigo antes do primeiro, deve haver artigo antes do segundo.

C – QUANDO INDICAR DURAÇÃO APROXIMADA, NÃO HÁ CRASE (OBSERVE MAIS UMA VEZ A QUESTÃO DO PARALELISMO): “A CIRURGIA VAI LEVAR DE 8 A 11 HORAS.”

  • HÁ = FAZ: NÃO É CRASE, MAS APARECE NAS QUESTÕES DE CRASE.

Se puder trocar por FAZ, é HÁ!

Questão 01: IBFC – PC-SE 2014

Ao empregar o acento grave, deve-se considerar a relação de dependência entre termos. Em “uma ameaça à China inteira”, a presença do acento grave justifica-se em função do mesmo contexto lingüístico verificado em:

a) Vou à feira

b) Estou apta à tarefa

c) Saiu às dez horas

d) Cortou o cabelo à Roberto Carlos

Resposta: B

RESOLUÇÃO:

No enunciado, o trecho “uma ameaça à China inteira” apresenta acento grave por conta da junção da preposição “a” (exigida pelo nome “ameaça”) com “a” artigo possibilitado pela nome feminino (“China”).

a) Vou à feira. – Nessa alternativa, temos o verbo “ir” que rege preposição “a” seguido de palavra feminina no singular, motivo pelo qual teremos artigo “a”. Dessa forma, há a crase desses dois “a”, marcada pelo acento grave.

b) Estou apta à tarefa. – Temos aqui um nome que rege preposição “a” seguido de palavra feminina, o que permite o “a” artigo. Por isso, há a fusão a que chamamos Crase.

c) Saiu às dez horas. – Trata-se do uso do acento grave indicando hora marcada, ou poder-se-ia pensar que se trata de expressão feminina de base adverbial.

d) Cortou o cabelo à Roberto Carlos – esse caso é de expressão feminina de base adverbial, mas há um detalhe a mais: é a expressão “à moda” em que a palavra “moda” costuma vir apenas subentendida.

Diferentemente das questões de crase em geral, nesta a resposta será obtida pela diferenciação da motivação da preposição “a”. A alternativa “a” apresenta um verbo (“ir”) como termo regente, já alternativa “b” tem um nome (“apta”) como termo regente. Como no enunciado a motivação da preposição “a” é a regência nominal, a resposta terá que ser a alternativa “b”.

 

Questão 2: IBFC – PC-RJ 2013

Nos trechos “Em meio a fotografias de animais selvagens” e “O Sesc Belenzinho afirmou que a proibição a Geovana”, ocorrem a preposição “a”. Assinale a opção em que se faz uma análise incorreta em relação ao uso do acento grave nesses fragmentos:

a) No primeiro caso, a crase é proibida.

b) No segundo caso, pode não ocorrer crase.

c) No segundo caso, poderia ocorrer crase sem alteração de sentido.

d) No primeiro caso, ocorreria crase caso a palavra estivesse acompanhada de artigo.

e) Nos dois casos, deveria ocorrer crase obrigatoriamente.

 

RESOLUÇÃO:

Vejamos como resolveremos a questão.

Na primeira frase apresentada “Em meio a fotografias de animais selvagens”, não há acento grave, pois a palavra seguinte a preposição “a” vem no plural e o “a” está no singular, ou seja, não houve artigo, pois se houvesse, ele seria plural.

Na outra “O Sesc Belenzinho afirmou que a proibição a Geovana”, temos a preposição “a” seguida de nome próprio feminino, situação em que o uso do artigo “a” é facultativo e, consequentemente, o uso do acento grave (crase) também.

Vejamos agora as alternativas:

a) No primeiro caso, a crase é proibida. (verdade)

b) No segundo caso, pode não ocorrer crase. (sim, é facultativa)

c) No segundo caso, poderia ocorrer crase sem alteração de sentido. (sim, facultativa)

d) No primeiro caso, ocorreria crase caso a palavra estivesse acompanhada de artigo. (sim, se estivesse acompanhada de artigo, teríamos “Em meio às fotografias “

e) Nos dois casos, deveria ocorrer crase obrigatoriamente. (Errado: em nenhum dos dois, como pudemos observar nos comentários apresentados)

 Dessa forma, a alternativa incorreta só pode ser a “E”.


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