Prof. Igor Oliveira

14/03/2016 | 21:04
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A teoria de tudo, parte 2 - o coelhinho da Duracell

Andrelândia (MG), 1986, manhã ensolarada de domingo.

Todo domingo nossos pais levavam meu irmão e eu à missa. Depois da missa, nós comprávamos uma Coca-Cola de um litro (garrafa de vidro) e íamos para casa comer lasanha.

Mas não neste domingo.

Saindo da missa, eu, com seis anos de idade, avistei um coelhinho da Duracell tocando seu tamborzinho numa loja que ficava em frente à igreja matriz de nossa cidade natal. Aquilo me deixou alucinado! Eu queria o raio do coelho com todas as minhas forças! Minha células gritavam de desejo pelo coelho. Esperneei, arranquei cabelos, mas, infelizmente, o coelho não estava disponível para venda. Era apenas um enfeite do comerciante.

Não me venha com essa, né parceiro? Vai explicar para um menino de seis anos de idade que o coelho é de enfeite! Eu estava me lixando pra isso. A pirraça foi tanta que o pobre vendedor acabou cedendo, e meu pai, que não tinha um cobre nos bolsos, levou o coelho para pagar depois.

Meu babaca estava de barriga cheia! Com o ego totalmente satisfeito, voltei pra casa para encher a pança de lasanha.

Eu tinha seis anos e já tinha meus desejos egoístas, oriundos da minha mente babaca. Na verdade, a mente babaca nasce praticamente junto conosco.

Nos primeiros dias de vida, a criança, ao chorar, já percebe que sua mãe vem correndo para atendê-la. A criança cria a ideia de que “essa mãe é minha”, surgindo então o embrião do diálogo interno, ligado a uma ideia de “eu” (eu possuo essa mãe, ela pertence a mim). Juntamente com o desejo, nasce também a vontade da perpetuação do desejo, o apego, bem como a falsa sensação de segurança quando temos temporariamente o objeto do apego. Esse narrador interno, aqui chamado de babaca, vai ficando cada vez mais forte com o passar do tempo, especialmente quando alimentamos seus desejos (coelhinho Duracell!).

Dessa maquinaria toda surgem muitos de nossos problemas. A maioria deles, na verdade. O babaca quer se agarrar a uma falsa noção de permanência, de absoluto e nos ilude com várias mentiras para sustentar seu mundo ilusório. Mas essa noção de permanência e de controle é decepcionante, pois não é possível ter controle sobre tudo. Quando o castelo de cartas cai, nos frustramos e racionalizamos, procurando culpados (professor, cursinho, material, banca, etc) ou anestésicos (bebidas, comidas, etc).

Quer ver um exemplo? Você (seu babaca) quer ter a certeza absoluta e permanente de que tudo aquilo que ler hoje guardará para todo o sempre até você não desejar mais (ou passar no concurso). Claro que isso foge totalmente ao bom senso. Ninguém, por mais capacitada que seja a pessoa, consegue guardar tudo que lê o tempo todo (ainda bem!). Mas você se irrita com isso e fica de ressaca no outro dia, procurando culpados ou anestésicos. O babaca é assim. Ele força você reagir, não agir, até mesmo quando o bom senso diz o contrário, deixando você mal com você mesmo.

Na verdade, nós sofremos porque, ludibriados pela mente, nos agarramos a ideias, coisas, pessoas, objetos que não vão durar. Através de um impulso gerado por sua mente, você compra algo de que não precisa, sente-se feliz, mas logo a seguir o babaca clama por mais, deixando você chateado por comprar algo inútil. É um ciclo infinito de satisfação/insatisfação. O babaca é infantil e está sempre insatisfeito.

O pior é que você sabe disso. No fundo, você sabe que leva um tempo para passar no concurso, que não pode comer pizza todo dia, nem que as coisas que você ama durarão para sempre. Mas o babaca é astuto e engana você, sem você perceber.

Ele cria uma tela de pensamentos e projeta nela o mundo tal como ele gostaria que fosse, não necessariamente o mundo real, como seu bom senso sabe que é. E nesse filme projetado, o babaca o seduz e deixa iscas o tempo todo para capturar sua atenção. Se você não estiver preparado, dará trabalho para o seu pai (coelhinho Duracell!), se irritará com coisas bobas e terá comportamento infantil frente a questões simples do dia a dia, como errar uma questão, por exemplo, ou não ser aprovado em um concurso concorrido depois de apenas um mês de estudos. Ou seja, se você der mole e agarrar a isca, o babaca assumirá o controle.

No próximo artigo, conheceremos em detalhes como o babaca, esse filho da mãe imperialista, engana você, sem você sequer notar. Como ele faz você invadir a geladeira de madrugada, comprar coelhinhos Duracell e tomar decisões estúpidas que não vão levar você a lugar algum, muito menos a um bom órgão público. Iremos conhecer a origem do erro, o motivo porque você não consegue estudar todos os dias, mesmo sabendo que precisa, a fonte de toda ilusão: a Matrix de Pensamentos.

Abs!

Igor Oliveira.

Coaching para concursos.

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Comentários

  • 11/04/2016 - Simone Miranda
    Salve comandante! Tudo num profissionalismo sem tamanho. Excelente artigo. Muito obrigada! Só um dica: senti falta de um botão, aqui na página do site, que nos permita compartilhar esses artigos. (gmail, facebook, whatsapp). rs O Que é bom precisa ser compartilhado. heheheh
    Abraços
    Adsumus!
  • 11/04/2016 - Prof Igor Oliveira
    hehehe...valeu Simone. Vamos colocar pra já! hehe...obrigado pela amizade! Força! Adsumus!
  • 21/03/2016 - Leticia
    Curtir sua página no facebook aleatoriamente, pois um de seus posts apareceu ("A teoria de tudo, parte 3") no meu feed de notícias. Muito bons os seus textos!!! Seu conhecimento e expertise em repassar esse lado do ser humano (que está em todos nós) com o intuito de que seja realizada uma auto-avaliação, para que as efetivas mudanças ocorram são sensacionaisl!! Seu "coaching" chamou minha atenção. Obrigada!!
  • 09/04/2016 - Prof Igor Oliveira
    Obrigado Letícia! Fico feliz que tenha gostado. Obrigado pelo comentário! Abs!
  • 17/03/2016 - Aline
    Oi Igor! E quem resiste a um coelhinho Duracell?! Fofo, sorridente (e cor-de-rosa). Hahaha! Como sempre adoro seus artigos! Reforçando o que aprendi no coach. Parabéns!
  • 17/03/2016 - Prof Igor Oliveira
    hehe...valeu Aline pela participação! Conte conosco!
  • 16/03/2016 - Maria
    Igor parabéns pelo artigo,vivi essa história kkk
  • 16/03/2016 - Prof Igor Oliveira
    hehehe...beijão!
  • 16/03/2016 - Indiana
    Acompanho seus artigos há bastante tempo. A cada dia a qualidade melhora e o melhor de tudo é que são apontados caminhos para melhora. Obrigada pelos ensinamentos.
  • 16/03/2016 - Prof Igor Oliveira
    Obrigado Indiana! Disponha sempre! Abs!
  • 15/03/2016 - Rodrigo Araujo
    Fala Coach!! Blza???
    Nada a dizer. Extraordinário artigo, um dos seus melhores (se é que isso é possível). Durante o nosso coaching, lhe confesso que esse foi o principal ensinamento que obtive: não dar atenção ao meu babaca, estudar, focar na missão, cumprir a minha meta, mesmo que as vezes ele dificulte que façamos isso. E isso, sem sombra de duvidas, foi um dos principais ensinamentos, em toda e qualquer área da minha vida, que eu poderia ter recebido.
    Por isso, apenas quero te dizer obrigado.
    Grande abraço!!!
  • 15/03/2016 - Prof Igor Oliveira
    Fala fio! rs...que bom que vc levou coisas boas do treinamento. Eu concordo contigo: isso aí é o que mais interessa. Estudar em si, a maioria de nós consegue sem maiores problemas. Eu é quem agradeço a participação! Abs! Igor.
  • 15/03/2016 - Thiago Luiz Martins
    Sensacional, professor. Como sempre.
  • 15/03/2016 - Prof Igor Oliveira
    Obrigado Thiago! Disponha sempre! ;)
  • 15/03/2016 - LOPES
    Professor, obrigado pelo texto, realmente as vezes a voz de nossos pensamentos ou melhor o BABACA dentro de nós começa literalmente até a gritar, mas precisamos lembrar que o pensamento é uma ferramenta poderosa, que devemos aos poucos dominar e não deixar ser dominados por ela.
  • 15/03/2016 - Prof Igor Oliveira
    Obrigado Andrei! Fico feliz que tenha gostado! Disponha sempre! Abs!
  • 14/03/2016 - wilian
    Sensacional, adorei !!
  • 15/03/2016 - Prof Igor Oliveira
    Obrigado! ;)
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