Prof. Igor Oliveira

17/08/2014 | 18:29
Compartilhar

A ilusão da pressa

Eu moro e trabalho em uma cidade grande. E como todo habitante de cidade grande, eu não ando para o trabalho, eu corro. Todos correm. É uma insanidade coletiva as pessoas se trombando pela rua e desviando dos obstáculos como se estivessem no filme Matrix.

Esses dias decidi fazer uma experiência. Caminhar devagar. O mais devagar que conseguisse. E observei. A primeira sensação foi de que algo invisível me impulsionava a correr. Não havia uma urgência óbvia. Não recebi uma demanda importante ou uma ligação que motivasse o meu instinto de corredor. Nada. Era apenas um instinto meu. Uma fantasia autogerada. Criada por minha mente motivada por outras pessoas correndo. Uma espécie de efeito "manada". Nada que você não conheça neste nosso meio de concurso público.

No início, tentava frear minhas pernas. Com dificuldade, consegui. Senti que estava andando com o freio de mão puxado. Meio sem jeito e desengonçado. Fiquei observando aquele mar de pessoas correndo rumo aos seus respectivos trabalhos enquanto eu andava vagarosamente pelas ruas.

Aos poucos fui me acalmando e já não fazia muito esforço para barrar meus impulsos. Passei a caminhar devagar com naturalidade. A cada passo fui ficando mais calmo e despertando minha atenção para fatos que nunca havia visto antes.

Comecei a observar os prédios, o céu, as pessoas conversando. Vi até um casal de pássaros. Eu nem sabia que havia pássaros na cidade grande. Foi então que percebi que perdemos muito da vida pelo simples fato de vivermos com pressa.

Percebo que ativamos o piloto automático e desligamos nossa capacidade de saborear o momento. Focamos em fazer nossas atividades o mais rápido que podemos obedecendo a códigos mentais que nós mesmos criamos. Este comportamento apavorado estimula excessivamente o cérebro e nos deixa elétricos, ansiosos, nervosos.

O melhor de tudo foi chegar ao trabalho na mesma hora! Pode ter sido sorte, mas duvido que me atrasaria mais que 5 minutos caso fosse contemplado com uma onda de azar.

E colocando na balança, ganhei uma sensação de paz que se prolongou durante todo o meu dia, melhorando minha produtividade e fazendo eu economizar tempo no final das contas. Trocando em miúdos, até em termos de economia de tempo, acabei ganhando. Contraditório, não acha?

Desafio você a fazer um teste nesta semana que começa. Leia o mais devagar que puder, mesmo que você force um ritmo bem lento de leitura. Você vai se surpreender como a redução da velocidade irá influenciar no seu ganho de calma, que, consequentemente, irá melhorar seu desempenho, por meio de um aumento de concentração. Com a prática insistente, você encontrará seu ritmo próprio, não precisará ler tão devagar assim e renderá bem mais que antes, quando lia com pressa.

Não se deixe iludir pela pressa de passar. Ler depressa, sem qualidade, não vai fazer você passar mais rápido. Vai apenas gerar retrabalho.

Abs! 

Igor Oliveira. 

Obs.: domingo que vem teremos nosso Webinar. Interessados podem saber mais informações neste artigo.


Comentários

  • 19/08/2014 - Anna Carolina
    Esse artigo me fez lembrar a seguinte frase : "Olha devagar para cada coisa.Aceita o desafio de ver o que a multidão não viu.Em cascalhos disformes,estranhos diamantes sobrevivem solitários."
    Pe. Fábio de Melo
  • 19/08/2014 - Prof Igor Oliveira
    hehehe...muito bom Anna. Perfeita colocação...rs...conte sempre comigo! Abs!
  • 19/08/2014 - Carlos Jr
    Poxa vida, me vi perfeitamente nesse artigo. Passo o dia correndo, de casa para o trabalho, do trabalho para casa. Horário de almoço, aff, é a correria é terrível. Acho que tenho uma ansiedade quase crônica. Mas creio que vc trouxe muitos e sábios conselhos através desse artigo. Obrigado, vou tentar praticar essa calmaria.
  • 19/08/2014 - Prof Igor Oliveira
    Rapaz, o pior que no final do dia, em termos de produtividade, vc só ganha. Experimenta só. Eu tenho feito isso direto e é muito bom. Abs!
  • 18/08/2014 - Simone Costa
    Muito boa a reflexão. Abraços
  • 18/08/2014 - Prof Igor Oliveira
    Obrigado Simone. Disponha sempre! Abs!
  • 18/08/2014 - Mario Braga
    Grande Igor. Sempre trazendo luz para nossas vidas com seus artigos brilhantes. Olha minha experiência. Também moro na mesma cidade grande que você, rs, porém vou para o trabalho de carro e estaciono no local de trabalho, então não caminho nada. Entretanto, já faz algum tempo que cultivo o hábito de dirigir com toda calma possível, sem pressa nenhuma. Freando no amarelo, em vez de acelerar, rs, dando passagem para outros veículos, etc. Eu coloco como parâmetro que o conta-giros não pode chegar a 3000 rpm. Quem também usa o carro para trabalhar pode experimentar, a sensação é muito semelhante a que você sentiu ao caminhar devagar. Eu pude reparar como as pessoas são desesperadas no trânsito, estressadas. E reparei também que carros que passam desesperados por mim, mais na frente, sem que eu mude o meu ritmo, são ultrapassados por mim, porque ficam presos no trânsito, rs. Espero ter contribuído. Grande abraço meu amigo Igor, e que Deus continue te iluminando!!! ADSUMUS
  • 18/08/2014 - Prof Igor Oliveira
    Contribuiu muito Mário! É tipo uma versão motorizada do artigo...hehehe...muito bom. Eu tenho repetido o experimento todos os dias e o resultado é incrível. Muito bom se sentir em paz. Abração!
  • 18/08/2014 - Edimar de Oliveria
    Olá Prof. Igor! É preciso mesmo andar devagar e apreciar a beleza do dia ou mesmo de momentos que nos cercam. Tenho que praticar estes atos saudáveis! Abs
  • 18/08/2014 - Prof Igor Oliveira
    Com certeza Dra. E é fácil depois que pega o jeito...hehehe...abração!
  • 18/08/2014 - Leida Veras
    Nossa meu Mestre, a cada artigo seu que leio me encanto, hoje tirei um peso de minhas costas,srsr, cada palavras que vc fala soa como musicas para os meus ouvidos, e eu aqui me martirizando por não conseguir ler tão rápido, achando que estaria perdendo um tempo danado. Agora sei que quando vc ler e interpreta as entrelinhas vc ganha tempo, pois leu com qualidade e não vai precisar voltar atrás para reler e entender a matéria. Com vc meu Mestre estou aprendendo cada coisa boa! Por menor que seja, quando se faz com amor ganhamos não só uma batalha, mas uma guerra. Estou amando ser sua discípula. Grande abraço amigão !!!
  • 18/08/2014 - Prof Igor Oliveira
    Bingo! Nota 10 amigona! Relaxe e absorva com calma a matéria! Abs!
  • 18/08/2014 - Licia
    "Versão motorizada do artigo"!!!!!!!! kkkkkkkkk Igor, vc é uma figura!
  • 18/08/2014 - Prof Igor Oliveira
    Kkkkkkk! Gente, eu racho de rir também. Vcs são ótimos! Abs!
  • 17/08/2014 - Rodrigo
    Poxa, Igor, eu tenho dois livros sobre leitura dinâmica, os quais li parcialmente ( ainda pretendia terminar), meu ritmo de leitura não mudou significativamente e eu comecei a acreditar que um dos meus maiores problemas é a lentidão na leitura. Aí você me pede para diminuir mais ainda!?..rss
  • 17/08/2014 - Prof Igor Oliveira
    hehehe...só uma semana. Muitos alunos reclamam que leem devagar. Ora, isso é uma afirmação perigosa, pois ler depressa, num ritmo que fica inviável a compreensão, também não adianta de nada. Como eu disse no texto, leia devagar que, com o tempo, você irá naturalmente aumentar o ritmo e encontrar o seu próprio. Uma arte sutil, mas que pode ajudar. Respeitando seu ritmo e estudando com continuidade, a vitória é uma questão de tempo. Abs!
  • 17/08/2014 - Rosana
    Prof. Igor, eu, ao contrário do Rodrigo leio muitooo depressa, chego a "comer" ou "passar batido" por palavras e até frases, resultado? Retrabalho. Quando vou resolver os exercícios sinto que "li" o assunto, mas não consigo me lembrar de tudo, pois "pulei" boa parte do texto...vou praticar uma leitura mais lenta e atenta. Obrigada pela dica! Abs.
  • 17/08/2014 - Prof Igor Oliveira
    Não custa tentar. É um processo de autoconhecimento Rosana e você só vai ser uma mestra se experimentar. Não é uma ciência que você aprende apenas estudando sobre ou vendo cursos. É preciso praticar. E neste processo de tentativa e erro você acaba aprendendo muito. Depois me conta se conseguiu...rs...Abs!
  • 17/08/2014 - Licia Coelho
    Nossa, Igor, quanta sensibilidade! Muito apurado seu feeling. Não tem a ver com lentidão, mas com estar inteiro a cada instante. Quando corremos, queremos fazer/estar em vários lugares ao mesmo tempo. O tempo é outro, passa mais rápido, atropela. E, em sendo o tempo relativo, somos nós que o determinados. Na correria, não fazemos o quê é preciso direito, porque estávamos pela metade. Começa com um simples "caminhar", mas acaba se estendendo para outras partes da nossa vida. Isso no estudo/leitura pega no máximo! Perfeito. Adorei. Namastê!
  • 18/08/2014 - Prof Igor Oliveira
    Olá Lícia! Que feeling bacana o seu também. É por isso, por exemplo, que nos sentimos mais presentes nas férias. Nós queremos estar ali, naquele lugar. Não perder um ponto turístico, uma experiência. Eu sinto assim quando estou na roça...rs...e parece que o tempo passa bem devagar. Frases bonitas menina...rs..namastê!
Comentar este artigo
MAIS ARTIGOS DO AUTOR
Compartilhar: