Prof. Bernardo Barbosa

09/07/2014 | 14:37
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Lições da Copa. Como estou me preparando para o meu campeonato?

Olá amigos do Ponto!

Diz um ditado popular que futebol, religião e política são três assuntos polêmicos e que não devem ser discutidos...Mas, como não fujo ao debate, e tendo em vista os acontecimentos apocalípticos de ontem, ousarei enveredar por um desses terrenos espinhosos, de antemão pedindo desculpas aos especialistas futebolísticos que vierem a discordar de tudo que eu escrever aqui, rsrs.

Depois de quase um mês hipnotizados pela magia do futebol (e que futebol! tivemos partidas maravilhosas entre as mais diversas seleções nessa Copa de 2014), fomos acordados por um caminhão alemão que nos atropelou na nossa própria casa, aplicando um acachapante 7x1...

A ressaca é grande. Um misto de frustração e vergonha. Afinal, sempre fomos o "país do futebol", a "pátria de chuteiras". Admirados no mundo inteiro por sermos a maior potência futebolística do planeta, exportador de craques para times da europa, ásia...os inventores do "futebol arte"...

Atônitos, os brasileiros acordaram hoje se perguntando "o que aconteceu?..."

E você pode estar se perguntando "mas Bernardo, o que isso tem a ver com concurso?"

Te respondo: tudo! O que aconteceu nessa Copa, desde o começo, desde que o Brasil foi escolhido para sediar o mundial, sete anos atrás, bem como tudo o que foi feito (e principalmente o que NÃO foi feito), tem tudo a ver com a nossa vida. Deve inspirar reflexões e gerar aprendizado, pois a Copa pode estar acabando (de forma melancólica para nós, é verdade) mas o Brasil como nação e as vidas dos brasileiros irão seguir em frente.

Tivemos sete anos para ampliar aeroportos, construir obras de mobilidade, melhorar o transporte etc. Passado todo esse tempo, o que se vê são aeroportos com obras inacabadas, estádios concluídos às pressas (cujos custos finais superaram em muito os orçamentos), viadutos que caem matando e ferindo pessoas e trânsito caótico nas cidades sede, a ponto de se decretar feriado em dias de jogos para que os turistas possam se deslocar até as "arenas" .

Exemplos de falta de planejamento, falta de organização, falta de comprometimento, usualmente compensados pelos nossos característicos "jeitinho ", improviso e simpatia.

Não é à toa que os "gringos" estão encantados com o clima de festa e a receptividade dos brasileiros. E que bom que, nesse aspecto, está sendo assim!

Só que os 7x1 aplicados para a Alemanha nos deram um choque de realidade, no sentido de que, no mundo do séc. XXI, nem mais dentro do gramado improviso, ginga e "jeitinho" apenas superam organização, disciplina tática, foco (ou você acha que é fácil manter a concentração com mais de 50 mil pessoas vestidas de amarelo gritando "Brasil! Brasil!"?), e...talento (sim, meu amigo, alguns dos gols marcados pela Alemanha foram muito bonitos).

Vamos então ao ponto que nos interessa aqui: você, que lê essas minhas palavras, que posição está assumindo frente aos desafios da sua vida? Está estudando para concursos, sem comprometimento? Está treinando fazer questões ao longo do estudo, ou acha que na hora da prova vai se lembra de centenas de folhas de teoria e resolver a parada com um "chute certeiro"?. Está empurrando aquela matéria que você não gosta com a barriga, achando que na hora da prova (na hora do jogo decisivo), com inspiração e ginga, você vai "driblar" as pegadinhas existentes nas questões da banca? "Se eu não der sorte (sim, temos a tendência de acreditar mais na sorte do que no esforço, no planejamento, na disciplina, no suor), vou tentando até passar. Afinal, sou brasileiro, não desisto nunca".

Mas não basta só "não desistir". É preciso tentar fazer as coisas da maneira certa! Do contrário, estamos transformando a nossa vida em uma loteria, em uma mega-sena.

Assim como se prepararam para dar um show na organização da Copa de 2006 (eleita por torcedores veteranos a mais bem organizada de todas, segundo pesquisa realizada), os Alemães se planejaram (dentro e fora de campo - construíram até centro de treinamento no litoral da Bahia!), treinaram muito, se prepararam (física, tática e psicologicamente) para tentar ganhar a Copa de 2014 na nossa casa.

Antes da bola rolar ontem, reparei na expressão completamente distinta nos rostos dos jogadores em campo. Enquanto muitos do nosso time estavam tensos, com uma feição de "ai meu Deus, e agora", os germânicos estavam focados, concentrados no que teriam de fazer... "não vai ser fácil vencer esses caras em casa, mas estamos preparados e vamos por em prática tudo o que treinamos".

E foi o que aconteceu. A Alemanha mesmo com 2, 3 gols, continuou jogando como se estivesse atrás do placar, sem desviar o foco do que tinha se proposto a fazer. Respeitando a disciplina tática e partindo para cima de uma seleção brasileira atordoada, completamente perdida em campo, os alemães executaram uma verdadeira "Blitzkrieg" (termo alemão para "guerra-relâmpago") conteporânea em pleno Mineirão. Não vamos dourar a pílula, senhores, foi um massacre.

Resumindo muito bem o ocorrido, o craque Schweinsteiger, em uma mistura de alegria e sincero constrangimento, declarou o seguinte após o jogo:

- Pedimos desculpas aos brasileiros.  Tentamos ser respeitosos jogando futebol e fazendo gols. Para nós essa Copa é um sonho. Nos preparamos para isso. Viemos aqui para realizar esses sonho.

Não, Bastian Schweinsteiger. Você e sua seleção não têm do que se desculpar. Na verdade, nós brasileiros é que temos de lhe agradecer mais uma lição que devemos aprender nessa copa (por mais dolorida que tenha sido), nos mostrando que não basta "sonhar" ser hexa, há de se trabalhar da forma correta, de se ter disciplina, treinamento, concentração e, principalmente atitude, pois são essas, as AÇÕES CORRETAMENTE EXECUTADAS, que efetivamente transformam o mundo. Que transformam sonhos em realidade.

Sonho sem ação (correta), é mera ilusão.

Visitantes alemães, cabe a nós brasileiros, parabenizá-los por toda a sua dedicação e eficiência, procurando ao menos tirar valiosas lições de todo o ocorrido. Pois como já ensinava vosso compatriota, o Kaiser Otto Von Bismarck, no século XIX:

"Os tolos dizem que aprendem com seus próprios erros; eu prefiro aprender com os erros dos outros."

Paira então a dúvida: e quanto aos que nem com seus próprios erros aprendem, o que dizer desses?

Por fim, só nos resta, após essas profundas reflexões e a poucas horas antes do jogo da outra semi-final a ser disputada pela Argentina, dizer de forma ponderada, madura e racional: AVAAANTEEE HOLAAANDAAAAA!!!! rsrsrs

Um forte abraço, firme nos estudos e até a próxima!

Prof. Bernardo Barbosa


Comentários

  • 10/07/2014 - Renato Maia
    Excelente artigo! A metáfora entre a escorreita preparação para uma Copa do Mundo e o árduo caminho dos concursos é bem adequada.
    Que nós, alunos do Prof. Bernardo Barbosa e demais professores do Ponto, possamos aprender essa lição e nos prepararmos, no ritmo alemão, para os concursos a que almejamos. Bons estudos a todos!
  • 10/07/2014 - Prof Bernardo Barbosa
    Meu caro Renato,
    A sua aplicação e força de vontade são exemplos disso. Da preparação alemã! rsrs
    Quando nos propomos a encarar os grandes desafios da vida, temos muitas vezes de enfrentar um poderoso inimigo: nós mesmos!
    Quando transformamos o nosso "EU" em aliado, o caminho para o sucesso começa a ser pavimentado.
    Um forte abraço e sigamos em frente!
    AD SUMUS
  • 10/07/2014 - Daniel
    E se o jogo estivesse acontecendo até agora!!!!! quanto seria o placar?

    segue o link
    http://brasilalemanhaeterno.com/
    A cada 12 minutos o placar muda....kkkkkk.....temos que aprender dos nossos erros, todos nós.
    Um abração e gostei muito do seu texto .....
  • 09/07/2014 - Daniel
    Gostei muito do texto. É como comprar 11 livros de bons autores e não estudar. Juntar 11 pessoas que se dizem craques e não treinar e não ter conjunto dá nisso, 7 x 1. Eu achei pouco, deveria ser de 10.
    Ainda fico admirado que as pessoas estavam acreditando que eles iriam passar pela Alemanha, só ingênuo acreditaria...rsrsrsr
  • 09/07/2014 - Prof Bernardo Barbosa
    Meu caro Daniel, mas nós devemos acreditar SEMPRE.
    Só não podemos esquecer de fazer o nosso "dever de casa", e contar sempre em milagres.
    O jogo até poderia ter sido diferente.
    Talvez se o Brasil tivesse feito o primeiro gol, o time não tivesse dado aquela "pane" desastrosa durante os 6 fatídicos minutos.
    O problema é que as vezes a vida nos testa ao limite, e aí, só quem está verdadeiramente preparado, em todos os sentidos, sobrevive.
    Forte abraço e sucesso!
  • 09/07/2014 - Deborah
    E que lição heim professor? Parabéns pelo excelente artigo!!!
  • 09/07/2014 - Prof Bernardo Barbosa
    Obrigado Deborah! Fico feliz que você tenha gostado. Um forte abraço e sucesso!
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