Prof. Marlos Ferreira

12/09/2013 | 16:48
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Questões comentadas de Economia CESPE

Olá, futuros colegas servidores da administração pública federal (BACEN E TCU 2013),


Conforme combinado no último ponto, seguem duas questões do CESPE/UNB comentadas e extraídas literalmente do meu livro ECONOMIA EM QUESTÕES COMENTADAS DO CESPE/UNB, disponível para compra em www.elsevier.com.br e também na livraria do Ponto. 

01-(CESPE/UNB-IPOJUCA-2009) Acerca da análise macroeconômica, julgue os itens que se seguem.

a) A política econômica tem como um de seus pilares a política monetária. Assim, no caso de os recursos que oferecem lastro à emissão de moedas serem escassos, o Estado deverá promover e estimular a produção e a mobilização de riquezas.

b) Um ponto forte da estrutura produtiva do Brasil são as crescentes participações de empresas estrangeiras no mercado. Em decorrência disso, as decisões acerca de investimentos e exportações são tomadas no Brasil,considerando as limitações da economia local.

c) Um dos motivos da fragilidade produtiva e comercial brasileira vincula-se à fragilidade tecnológica aliada a uma estrutura produtiva negativa, em que os principais produtos para exportação são commodities.

d) A combinação de exportações de baixo valor com importações de alto valor prejudica o país, na medida em que potencializa um déficit comercial dificultando a mudança estrutural da produção.

e) Basicamente há duas vertentes quanto à interação entre as políticas monetária e fiscal: os monetaristas e os keynesianos. Os keynesianos procuram reduzir ações intervencionistas e são contra políticas econômicas discricionárias.

Comentários:

A assertiva A está correta porque na insuficiência de financiamento via emissão monetária (que é potencialmente inflacionário), o Estado pode aquecer a economia (estimular a produção) através de outras fontes como a política fiscal e cambial.

A assertiva B está incorreta porque o aumento da participação do investimento direto externo (IDE) no total da conta de capital e financeira para cerca de 88% em 2009 (era 64% em 1964) representa cabalmente a presença dessa economia internacionalizada no país. Contudo, as decisões acerca de investimentos e exportações são tomadas nos países sede (matriz) e não no Brasil. No caso do estoque de dívida externa, aquilo que sempre representou um elemento-chave da restrição de BP hoje possui um papel bem menor, uma vez que sua magnitude em termos absolutos e como proporção do PIB é bastante pequena e, quando comparada ao volume de reservas internacionais, revela uma situação singular da economia brasileira: a de ser credora internacional em termos líquidos.

As assertivas C e D estão corretas porque com relação à estrutura produtiva, não há dúvidas de que hoje o Brasil constitui uma economia industrializada. Entretanto, há que se ressaltar a ampliação nos últimos anos do peso, na estrutura produtiva, dos setores de baixa intensidade tecnológica, como agricultura e serviços, em detrimento da indústria. Nesse sentido, é interessante notar que o desafio atual é aumentar a participação dos setores de alta intensidade tecnológica na composição do produto industrial. O front externo pode ser considerado um caso exemplar da presença de elementos de continuidade e mudança ao longo dos últimos 50 anos. Isto porque, a despeito das inúmeras mudanças ocorridas – desde a maior diversificação da pauta de exportações até a abertura financeira, que permitiu a obtenção de divisas estrangeiras pelas diversas modalidades disponíveis pela conta de capitais –, os desequilíbrios externos continuaram a obstar, em vários momentos, a trajetória de crescimento do PIB.

É evidente, no entanto, que a maneira como se configura a restrição externa é hoje bem diferente. A balança comercial tem obtido um excelente desempenho, fruto da melhora dos termos de troca e da expansão do quantum exportado. Apesar disto, o saldo em transações correntes em 2008 foi negativo, sendo o principal vilão, como de costume, a balança de serviços e rendas. Porém, o item que mais contribuiu para o saldo negativo foi o de remessas líquidas de lucros e dividendos e não o de juros. Este resultado se deve, sobretudo, à enorme internacionalização produtiva da economia brasileira no período, que ampliou a presença de empresas transnacionais, bem como à redução da dívida externa brasileira.

A assertiva E está incorreta porque os Keynesianos advogam a necessidade de ações intervencionistas e, portanto, são favoráveis a políticas econômicas discricionárias e não a atuação via regras, como pregam os clássicos (monetaristas).


02- (CESPE/UNB-STM-2010) No que se refere à contabilidade nacional, instrumento importante para o entendimento da mensuração dos grandes agregados econômicos, julgue os itens a seguir.

a) A ampliação de programas de redistribuição de renda, como o Bolsa Família, não altera as receitas do governo, mas contribui para elevar a carga tributária líquida.

b) Quando acionistas brasileiros recebem dividendos pagos por uma empresa norte-americana, ocorre aumento do produto nacional bruto.

Comentários:

A assertiva A está incorreta porque os programas de distribuição de renda como o Bolsa Escola e o Bolsa Família são itens de gastos do governo, de políticas compensatórias, de despesas de transferências, não afetando diretamente as receitas do governo. Além disso, não contribuem para elevar a carga tributária líquida, mas sim para a redução da carga tributária líquida.

Como carga tributária líquida (CTL), temos que:

CTL= total de receitas tributárias – total de devoluções (subsídios e transferências). Logo, quanto maior o volume de transferências, ceteris paribus, menor a CTL.

A assertiva B está correta porque quando acionistas brasileiros recebem dividendos pagos por uma empresa estrangeira ou nacional, ocorre aumento do produto nacional bruto, pois o PNB inclui a produção e a renda nacionais, geradas tanto no país como no exterior.


Gabarito: EC

 Semana que vem, postarei mais duas questões de Economia de provas aplicadas recentemente pela citada banca examinadora!

Forte abraço e bons estudos!

Interesse no livro marlos@pontodosconcursos.com.br , que repasso as instruções para compra direta!



 


Comentários

  • 13/09/2013 - Leila
    Boa tarde!

    Professor, eu já comprei o seu novo livro e estou aguardando ansiosa.
  • 13/09/2013 - Prof Marlos Ferreira
    Ok. Espero que seja útil para vocÊ. Bons estudos!
    Marlos
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